Uma outra perspectiva de onde vem o termo "comunicação"

Uma outra perspectiva de onde vem o termo
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O processo de comunicação passa, em primeiro lugar, pela atividade do pensar. Por isso, é de fundamental importância sabermos que antes de nos comunicar bem, precisamos aprender a falar com nós mesmos, a desenvolvermos a capacidade do autoconhecimento, bem como do pensamento.

Comunicar é a arte de disseminar, de difundir, de espalhar, de divulgar. Mas divulgar o quê? Ideias, pensamentos, informações, opiniões. Pode-se ainda afirmar que comunicar é a habilidade de realizar troca de conhecimentos e informações. A palavra comunicação que vem do latim communicare, significa pôr em comum, tornar de conhecimento público. Mas de conhecimento público para quem? Esta é uma questão que pode e deve ser respondida.

Em primeiro lugar, devemos partir da premissa de que o conhecimento público ora tratado nada mais é que o conhecimento próprio ou o autoconhecimento. É ter discernimento do que se quer retratar, antemão de transmiti-lo a outrém.  É permitir que a informação apareça, antes mesmo de levá-la adiante.

Para Berlo2 comunicação é o “processo através do qual um indivíduo suscita uma resposta num outro indivíduo, ou seja, dirige um estímulo que visa favorecer uma alteração no receptor por forma a suscitar uma resposta”.

Ainda segundo Berlo2, Aristóteles definiu a comunicação, estabelecendo como meta a persuasão. Contudo, é possível discordarmos deste ponto de vista, uma vez que existe a possibilidade de comunicação consigo próprio, sendo isto estabelecido como uma outra noção do conceito de comunicação. Aquém disso, grande parte dos estudos hoje existentes, tanto na própria área de comunicação como na psicologia, antropologia e tantas outras áreas, apontam a necessidade inata do ser humano de comunicar-se para fazer parte do seu próprio meio, de um conjunto, de um todo, um meio ambiente, bem como comunicar-se de forma a sobreviver.  

Os primeiros sinais de comunicação

Os primeiros sinais de comunicação dos quais se têm conhecimento tratam-se de pinturas e desenhos rupestres feitos em caverna, datando de aproximadamente 40.000 a.C., período conhecido pelos historiadores como Período Paleolítico. O sistema pictográfico, emprego de desenhos rupestres, utilizado primeiramente pelo povo sumeriano, foi uma das primeiras demonstrações de comunicação. Os sumerianos são conhecidos, na história, como responsáveis pelo desenvolvimento da escrita cuneiforme. Através da escrita cuneiforme, os sumérios foram autores de uma vasta produção artística e literária, onde relatam-se poemas, fábulas, mitos, epopeias. Os egípcios também empregavam escrita semelhante, conhecida como hieróglifos, utilizada em templos, pirâmides e sarcófagos, a escrita hieroglífica representava um sistema belo e de inteligência extraordinária. Entretanto, foi o povo fenício o maior repercussor da comunicação, ao encurtar distâncias, empregar o comércio marítimo e ainda utilizar suas habilidades diplomáticas, possibilitou o surgimento do alfabeto mais próximo do que conhecemos nos dias atuais.

O que é necessário na comunicação?

A arte de comunicar-se pressupõe a existência de um interlocutor, ou seja, outra pessoa que esteja disposta a ouvir. Porém, apesar deste conceito, é possível, como já foi dito, e, isto pode ser facilmente comprovado, a comunicação consigo mesmo. Aquém disso, comunicar-se, parte da ideia de que o indivíduo esteja participando da difusão de conhecimentos do singular para o coletivo. Podemos, assim, nos aproximar do conceito de inconsciente coletivo. Embora estes sejam conceitos diferenciados. O inconsciente coletivo trata-se nada mais, nada menos, do que ideias soltas no ar, uma vez antes pensada por alguém, algum ser ou indivíduo e que, não foram ainda devidamente empregadas.

Retornando ao que é comumente pregado nos estudos de comunicação, seu processo divide-se em: emissor (ou remetente), receptor (ou destinatário), mensagem, código, canal de comunicação, contexto (ou referente). Explanando de maneira melhor, emissor é aquele responsável por emitir a mensagem. Receptor, aquele a quem se destina a mensagem. Mensagem é a informação que será transmitida. Código é o conjunto de signos e suas regras de combinação, a serem utilizados na transmissão da mensagem. Canal de comunicação é o meio concreto através do qual a mensagem será transmitida. Contexto é a situação ao qual a mensagem se refere.

Na comunicação, são utilizados diferentes tipos de códigos, tais como sinais de fumaça, sons, símbolos, gráficos, desenhos, tendo como maior destaque o uso da língua, seja falada ou escrita. Podemos reconhecer dois diferentes sistemas de códigos: a linguagem verbal, sendo classificada como escrita ou falada, e a linguagem não-verbal, onde são empregados sinais e símbolos diferentes da palavra. Exemplos de linguagem não-verbal que encontramos são as placas de trânsito, pinturas indígenas, símbolos gráficos, dentre outros.

Outros conceitos de comunicação

Em seu conceito biopsicológico, a comunicação pode ser definida como uma necessidade do sistema nervoso relatar o que se passa dentro de si, o que se passa dentro de sua mente, dos seus órgãos internos. Para Pereira5, “O ser humano é um ‘sistema’ aberto em constante intercâmbio consigo próprio (vida interior mental e visceral) e com o mundo ambiental. Isso só é possível graças aos elementos e órgãos que forma o Conjunto SENSORIAL (órgãos do sentido, sensibilidade à dor, etc., etc.) e às FUNÇÕES PERCEPTIVAS”. Em outras palavras, para a sua própria evolução biológica, é necessário que o ser humano comunique-se.

Podemos ainda encontrar outras definições, como os conceitos sociológico, antropológico, histórico e ainda o pedagógico. Sem muitas delongas, vamos nos ater por ora ao conceito pedagógico, onde a comunicação é tida como uma forma de ensinamento. Ensinarmos um ao outro através da transmissão de conhecimento, difusão de conhecimentos de geração para geração, para isto ver Dewey3.

No âmbito da sociologia, Menezes5 fala do processo de comunicação sendo considerado como fundamental para a vida social. Menezes ressalta “[...] Com efeito, num plano lógico de consideração dos fatos, o processo da comunicação humana poderia ser encarado como o fundamento da vida social e não o contrário, conquanto do ponto de vista da natureza ou da estrutura de tais fenômenos os dois se manifestam de forma nitidamente inseparáveis e, mais que isso, interdependente: [...]”. Em seu sentido sociológico, a comunicação é uma atividade necessária ao ser humano como ser social.

Já Marques de Melo4 menciona “[...] ao analisar o fenômeno comunicativo, cada ciência e corrente filosófica utiliza a sua própria perspectiva, a sua própria terminologia, os seus conceitos específicos”. Francis Baille1 enxerga a comunicação como dotada de seus próprios e variados signos, notando-se o campo da institucionalização (revistas, escolas, sociedades nacionais e internacionais...), define ainda que “[...]a comunicação é mais que as simples técnicas que recebem o nome de meios de comunicação social, mas é menos que a totalidade dos intercâmbios sociais[...]”.

Desta forma, há de se convir que, ao se comunicar com outro ser humano, é primordial que o homem comunique-se primeiramente com seus próprios pensamentos e sentimentos, individualizando-se, num processo natural, antes mesmo, que seja capaz de reproduzir e transmitir tais pensamentos adiante.

Referências bibliográficas

1 BALLE, Francis (1992). Media et Société.  Paris: Monchrestien.

2 BERLO, David K. O processo de comunicação: introdução à teoria e à prática. São Paulo, Martins Santos, 2003.

3 DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. Trad. de Godofredo Rangel e Anísio Teixeira. 4. ed. São Paulo: Nacional, 1979.

4 MARQUES DE MELO, José. Comunicação Social: teoria e pesquisa. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1975.

5 MENEZES, E. Diatay Bezerra. Fundamentos sociológicos da comunicação. In:  Adísia Sá (Coord.). Fundamentos científicos da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1973.

6 PEREIRA, José Maria Nascimento. Fundamentos psicológicos da comunicação. In: Adísia Sá (Coord.). Fundamentos científicos da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1973,

7 Dantas, Tiago. Arte rupestre. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/artes/arte-rupestre.htm>. Acesso em: 03 de mar. de 2017.

8 Ferreira, Lucas. Hieróglifos egípcios. Disponível em: <http://antigoegito.org/a-escrita-dos-hieroglifos/>. Acesso em: 03 de mar. de 2017.

Priscilla Alves
Formada em Publicidade e Propaganda pela UNIT, sendo aprovada em 1º lugar. Aprovada também no Curso de Comunicação Social com Hab. em Rádio e TV, na Univ. Federal de Sergipe. Recebeu seu 1º diploma de honra aos 10 anos pela Encyclopaedia Britannica do Brasil. Apaixonada por Comunicação desde pequena, começou a atuar na área antes de ingressar na Universidade. Possui ainda extensão na área Fiscal.
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