Intimidade para quê?

Intimidade para quê?
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Confesso, com um pouco de espanto, que jamais imaginei tamanha falta de intimidade no mundo moderno. Simplesmente, caminhamos para uma sociedade onde segredos guardados entre quatro paredes deixarão de existir. Em pensar que tudo começou com um Big Brother e explodiu com as redes sociais. Agora, todos observam a tudo.

Na TV, ainda no século passado, os programas trouxeram aquilo que era uma novidade para os amantes do olho na fechadura. Assistir, ao vivo, o dia de várias pessoas confinadas virou mania no país. Era apenas um pequeno exemplo do que ainda estava por vir.

Com as redes sociais, o desabafo pessoal é tão comum quanto dar ou receber um simples bom dia. Há mulheres insatisfeitas que escrevem sobre a vida pessoal como se seu próprio universo merecesse ser compartilhado com todos os seus amigos, no que se costumou chamar de timeline.

Alguns casais, em crise, costumeiramente trocam farpas e indiretas online. Palavras que, às vezes, acabam atingindo mais os desavisados do que o seu objetivo inicial. Isso para não falar nas fotos pessoais, declarações amorosas, informações que somente os mais próximos saberiam, sendo divulgadas para o mundo.

Mas, eis que, quando todos imaginavam ter chegado ao topo do voyeurismo, a humanidade encontra mais uma forma de inovar. Está na Folha de São Paulo: “‘Selfie’ pós-sexo é a nova forma de autoexposição”. Exatamente, caro leitor. Agora, casais pelo mundo publicam suas fotos sorridentes após as horas de, digamos, amor.

Ora, se o mundo moderno não respeita mais nem mesmo o silêncio dos lençóis, é porque, realmente, o beijo na boca virou coisa do passado, como dizia uma antiga música com um tanto de mau gosto.

Diante de tanto avanço, o que nos resta mais imaginar quanto ao futuro? Qual será a próxima quebra de limites? Até onde vai a coragem do homem diante de uma timidez em extinção? Por enquanto, são respostas que só o tempo e a evolução das redes sociais responderá. Afinal, intimidade para quê?

Danilo José de Sá
Jornalista formado na UFRN em 2008. Apaixonado por futebol e amante de uma boa literatura. Observador e testemunha dos acontecimentos da política, do cotidiano e da economia do Rio Grande do Norte e do Brasil. Editor e colunista d'O Jornal de Hoje, em Natal. Repórter colaborador da Folha de São Paulo no RN. Apresentador do programa Pensando Bem na TV Câmara Natal. E blogueiro nas horas vagas.
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