Primeiras Escolas de Odontologia no Brasil

Primeiras Escolas de Odontologia no Brasil
ODONTOLOGIA
Em 1839, é criada por Chaplin A. Harris, em Baltimore, Estados Unidos, a primeira Escola de Odontologia do mundo: Colégio de Cirurgia Dentária. Foram Também seus professores: E. Farmly, E. Becker e S. Brown.

Um dentista português, Luiz Antunes de Carvalho, obteve notoriedade e riqueza, sendo um dos pioneiros na cirurgia bucomaxilar no Brasil. Em 18 de janeiro de 1832, havia obtido em Buenos Aires, o direito de exercer a profissão. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1836, sendo o primeiro dentista a registrar sua "carta" na secretaria da Câmara Municipal. Ficou famoso na Argentina pela propaganda em forma de versos e depois em prosa. Já se fazia marketing.

No Brasil foi mais comedido, mas demonstrando sempre ser profissional conhecedor e atualizado, publicou no Almanaque Administrativo Mercantil e Comercial: "Luiz Antunes de Carvalho: enxerta de outros dentes nas raízes dos podres, firma dentes e dentaduras inteiras, firma queixos, céus da boca, narizes artificiais e cura de moléstias da boca, Rua Larga de São Joaquim, 125". Foi aprovado também na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e o primeiro a se registrar na Junta de Higiene, criada em 1850, em substituição à fiscalização exercida pela Câmara Municipal.

A partir de 1840 começaram a chegar dentistas dos Estados Unidos e pouco a pouco suplantam os colegas franceses. Luiz Burdell foi o pioneiro, seguindo-se Clintin Van Tuyl, o primeiro a utilizar clorofórmio (só em casos excepcionais) para anestesia, conforme cita em seu livro "Guia dos Dentes”, publicado em 1849: O Doutor Whittemore, que se tornou mais tarde o dentista da Corte Imperial, propalava em 1850 ter recebido "uma porção de clorofórmio puro para tirar dentes sem dor". Nenrique C. Bosworth também se destacou.

Em 1850, pelo Decreto-lei 598, é criada a Junta de Higiene Pública, que possibilitou à Medicina uma enorme evolução, principalmente pelas medidas saneadoras. Os três primeiros dentistas que se registraram: Luiz Antunes Carvalho (1852), Emilio Salvador Ascagne (1859) e Theotônio Borges Diniz (1860). Mentes mais lúcidas procuravam a melhoria do ensino e normas um pouco mais criteriosas e moralizadoras àqueles que desejassem praticar Medicina e Odontologia. Por meio do decreto de 15 de agosto de 1851, os novos estatutos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro foram aprovados em 28 de abril de 1854, por proposta de seu diretor, Doutor José Martins de Cruz Jobim. A nomeação contribuiu para o desenvolvimento da profissão, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Em setembro de 1869, graças a João Borges Diniz, surge a primeira revista odontológica: "Arte Dentária".

Mais dentistas chegam dos Estados Unidos, alguns fugindo da Guerra da Secessão (1861-1865): Samuel I. Rambo, Carlos Koth, Witt Clinton Green, Preston A. Rambo, John William Coachman, William B. Keys, Carlos Keys, etc.
Estes três últimos pertencentes à mesma família, constituindo-se até hoje no maior contingente de cirurgiões-dentistas no Brasil (cerca de 120 profissionais de uma só árvore genealógica).

Com os Estados Unidos liderando a evolução técnica e científica mundial, era compreensível que muitos brasileiros para lá se dirigissem a fim de se aperfeiçoar. O primeiro foi Carlos Alonso Hastings, natural do Rio Grande, que estudou no Philadélfia Dental College, radicou-se no Rio de Janeiro e modificou o motor Weber-Ferry, que ficou conhecido como motor de Hastings. A seguir viajaram Fio Alves, também do Rio Grande, os irmãos Gastal, de Pelotas, Francisco Pereira, Alberto Lopes de Oliveira (Universidade de Maryland) e outros. O decreto nº. 8024, de 12 de março de 1881, art. 94 do Regulamento para os exames das Faculdades de Medicina diz: "Os cirurgiões-dentistas que quiserem habilitar-se para o exercício de sua profissão, passarão por duas séries de exames: O primeiro de anatomia, histologia e higiene, em suas aplicações à arte dentária. O outro de operações e próteses dentárias.”

Ante os fatos narrados, faltava apenas um líder para instituir o ensino da Odontologia no Brasil. Vem na pessoa de Vicente Cândido Sabóia (1835), mais tarde Visconde de Sabóia que, assumindo a direção da Faculdade de Medicina em 23 de fevereiro de 1880, resolveu inicialmente atualizar o ensino, tanto material como cientificamente. Logo a seguir, cria o laboratório de cirurgia dentária, encomendando aparelhos e instrumentos dos Estados Unidos. Com crédito especial obtido na Lei nº. 3141 de 30 de outubro de 1882 monta também o laboratório de prótese dentária.

Pelos Decretos nº. 8850 e nº. 8851 de 13 de janeiro de 1883, o cirurgião-dentista Thomas Gomes dos Santos Filho presta provas, em concurso realizado em 22 de maio de 1883 e é aprovado em primeiro lugar, como preparador. De personalidade marcante, a odontologia nacional muito deve a ele, principalmente por ter descoberto a fórmula de vulcanite e em seguida produzi-la. Dessa forma, conseguiu suprir a falta de material e combater os preços abusivos. Graças ao empenho de Vicente C. F. de Sabóia e Thomas Gomes dos Santos Filho, houve um novo texto nos Estatutos das Faculdades de Medicina do Império, denominado Reforma Sabóias, apresentado dia 25 de outubro de 1884 por meio do Decreto nº 9311, com seguinte enunciado: "Dá novos Estatutos às Faculdades de Medicina".

Usando da autorização concedida pelo artigo 2º, parágrafo 7º, da Lei nº. 3141 de 30 de outubro de 1882: Hei por bem que nas Faculdades de Medicina do Império se observe os novos estatutos que com este baixam assinados por Filippe Franco de Sá; do Meu Conselho, Senador do Império que assim o tenha entendido e faça executar. Palácio do Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1884, 63º da Independência e do Império.

Com a rubrica de sua Majestade, o Imperador Filippe Franco de Sá. Pela primeira vez, no artigo 1º, vinha consignado que a odontologia formaria um curso anexo. Assim:

Art. 1º - Cada uma das Faculdades de Medicina do Império se designará pelo nome da cidade em que tiver assento; seja regida por um diretor e pela Congregação das Lentes, e as comporá de um curso de ciências médicas e cirúrgicas e de três cursos anexos: o de Farmácia, o de Obstetrícia e Ginecologia e de Odontologia.

No Brasil, havia apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador. Compreende-se porque a primeira Escola de Odontologia de São Paulo, criada em 07 de dezembro de 1900, denominou-se nos primeiros anos, Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo.

No capítulo II, a Sessão IV tem o título: "Do curso de Odontologia" - Art. 9º. das matérias deste curso Haverá três séries:
1ª série - Física, química mineral, anatomia descritiva e topografia da cabeça.
2ª série - Histologia dentária, fisiologia dentária, patologia dentária e higiene da boca.
3ª série - Terapêutica dentária, cirurgia e prótese dentárias.
Os três primeiros mestres no Rio de Janeiro foram: Thomas Gomes dos Santos Filho, Aristides Benício de Sá (1854-1910) e Antônio Gonçalves Pereira da Silva (1851-1916) que prestaram relevantes serviços à Odontologia.

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