Métodos e Abordagens do Ensino de Línguas

Métodos e Abordagens do Ensino de Línguas
IDIOMAS

 Sócrates intensificou este estudo com o método conhecido como dedução e indução.



- Dedução é o processo de raciocínio pelo qual, baseados em uma ou mais premissas, chegamos a uma conclusão (a ideia parte do geral para o específico). Por exemplo: The shoe store sells sneakers. Ann works there. Dedução: Ann is a salesperson. (mas ela poderia exercer outro cargo dentro da loja)



- Indução é uma operação mental que consiste em estabelecer uma relação verdadeira entre dois ou mais fenômenos para chegar a uma conclusão (a ideia parte do específico para o geral). Por exemplo: A horse has four legs and a tail, it’s an animal. A cat has four legs and a tail, it’s an animal. A dog is similar to a horse and a cat. Indução: A dog is an animal.


Cada raciocínio favorece o aprendizado da língua através da descoberta, principalmente se as atividades propostas aos alunos fizerem com que eles encontrem as respostas sozinhos.


Desde o início do ensino de línguas, os métodos utilizados têm se alternado entre o intuitivo e o dedutivo, mas sempre um se sobressaindo ao outro.


O método indutivo foi mais utilizado durante os últimos anos da Renascença (1700-1799) e mais recentemente no século XX (1900-1999), enquanto que o método dedutivo teve seu maior desenvolvimento durante a Idade Média (480–1450) e o século XVIII (1700-1799).


Podemos definir um Método como uma forma planejada de fazer algo ou, mais especificamente, uma maneira planejada de ensinar ou aprender uma língua. Metodologia é um conjunto de métodos usados para estudar ou ensinar algo. Dentro de um Método podemos ter os seguintes elementos: abordagem, planejamento e procedimento.



- Abordagem – Reflexão de um modelo ou teoria. Uma abordagem se refere às teorias que envolvem a aprendizagem de uma língua que servem como recurso para a prática do ensino de línguas.


- Planejamento – um plano que especifica como será uma aula (os objetivos que se quer atingir, os tipos de atividades que serão aplicadas, o papel do professor e dos alunos, o papel dos materiais utilizados, etc).


- Procedimento – abrange as técnicas e as práticas utilizadas para o momento do ensino e da aprendizagem.



Esta área do ensino de línguas estrangeiras teve muitas variantes ao longo dos anos e veremos os métodos e abordagens mais utilizados a partir do século XV a seguir:


- Método tradução de gramática (a partir de 1450) – extensão da abordagem utilizada para ensinar línguas clássicas (grego e latim). Seus princípios básicos são: o pouco uso da língua alvo; o foco na análise gramatical da língua; o professor utiliza a língua materna para as instruções e não é necessário que seja um falante da língua alvo; as atividades típicas são a tradução de frases da língua alvo para a língua materna.

- Método direto (a partir de 1890) – reação ao Método tradução de gramática e suas falhas para produzir estudantes que pudessem utilizar a língua estrangeira que estavam estudando. Os princípios básicos deste método são: a não utilização da língua materna na sala de aula; a cultura e a gramática são aprendidas de forma indutiva; as lições começam com a conversação sobre o assunto, utilizando-se de mímicas e figuras para o entendimento do assunto; o professor deve ser nativo na língua ou proficiente.



- Abordagem de leitura (a partir de 1930) – reação ao Método direto por ser impraticável dentro da sala de aula e por haver poucos professores que usassem bem o suficiente a língua estrangeira. Seus princípios são: a leitura é a única habilidade enfatizada na aula; a tradução pode ser utilizada; apenas a gramática utilizada para compreender a leitura é ensinada; o vocabulário é controlado no início e depois expandido; o professor não precisa ter boa proficiência oral na língua alvo.



- Método áudio-lingual (EUA – 1940) – reação à Abordagem de leitura e sua falta de ênfase à habilidade áudio-oral. Possui características do Método direto, acrescentando pontos da psicologia comportamental e de estruturas linguísticas. As aulas começam com diálogos; são usadas mímicas e memorizações para induzir suposições sobre o assunto; as regras e as estruturas gramaticais são apresentadas indutivamente; as habilidades aparecem sempre na ordem: listening, speaking, reading, writing (primeiro ouvir para depois falar, primeiro ler para depois escrever); é feito um grande esforço para prevenir os erros dos alunos; a aquisição da língua é vista como uma formação de hábito; os professores devem ter pleno conhecimento da estrutura da língua.



- Método situacional (Inglaterra – 1940) – também uma reação contra a Abordagem de leitura e possui características do Método direto, acrescentando pontos de linguística geral e da pedagogia. O alvo é sempre listening e speaking, todo o material é apresentado primeiro na forma oral, para depois passar à forma escrita; as estruturas gramaticais são apresentadas da forma mais simples à complexa; os assuntos são introduzidos e praticados situacionalmente (no banco, no supermercado, no restaurante, etc).

 


O Método áudio-lingual, desenvolvido nos Estados Unidos, é parecido com o Método situacional, desenvolvido na Inglaterra na mesma época, diferenciando apenas nos princípios teóricos que embasam cada um deles. O primeiro foi baseado nas estruturas linguísticas e na psicologia comportamental e o segundo na linguística em geral e na pedagogia do ensino de línguas.



- Abordagem cognitiva (1960) – reação às características do Método áudio-lingual. A aquisição da língua é vista como aquisição de regras, não como formação de hábito; os alunos são responsáveis por seu aprendizado; a perfeição na pronúncia é vista como irreal; a linguagem escrita (reading/writing) é tão importante quando a oral (listening/speaking); os professores devem ter boa proficiência geral na língua.

 

- Abordagem da compreensão (1960) – Ideia desenvolvida por pesquisadores da língua após pesquisas de que o processo de aquisição da segunda língua ou da língua estrangeira é parecido com o processo de aquisição da primeira língua. A compreensão oral (listening) é muito importante e vista como a habilidade principal; os alunos devem ouvir um discurso significativo e responder significativamente de forma não verbal; os alunos não devem falar até que se sintam prontos; a correção dos erros é vista como desnecessária e improdutiva.



- Abordagem comunicativa (1970) – cresceu com o trabalho de pesquisadores que perceberam a linguagem como um sistema de comunicação. O objetivo principal é trabalhar a habilidade de comunicação do aluno na língua estudada; o conteúdo inclui noções de semântica e função social, não apenas estruturas linguísticas; os alunos trabalham em grupos e geralmente apresentam dramatizações e jogos; o material e as atividades refletem situações de comunicação real; as habilidades são integradas desde o início; o professor deve saber usar a língua fluentemente.



- Abordagem humanista (1980) – reação à falta de afetividade do Método áudio-lingual e da Abordagem cognitiva. O respeito ao indivíduo é enfatizado; a comunicação significativa para o aluno é enfatizada; as aulas envolvem trabalho em grupo; a atmosfera da aula é mais importante do que materiais ou métodos; o professor é visto como facilitador e deve ser proficiente na língua alvo e na língua nativa do aluno, para criar maior proximidade.


- Abordagem lexical (1997) – desenvolve muito dos princípios fundamentais propostos pela Abordagem comunicativa. A diferença mais importante é o maior entendimento de que a língua consiste de léxicos gramaticais (Ex: I have five books. He books a ticket). A evidência da linguagem do computador e da análise do discurso influenciam o planejamento do conteúdo do curso; é reconhecida a supremacia da oralidade à escrita; os erros são reconhecidos como processo da aprendizagem; a tarefa e o processo são mais importantes do que o exercício e o produto da língua.



- Método psicolinguístico (1998) – neste método o professor precisa tentar construir um relacionamento pessoal com o aluno. Este envolvimento depende muito da personalidade do aluno; o professor deve estar sempre alerta às oportunidades de comunicação e conseguir explorá-las; os interesses e ideias do aluno são usados como materiais de ensino; os pensamentos do aluno são discutidos; a correção do erro não é enfatizada; ênfase na habilidade comunicativa.



A única solução para o professor de língua inglesa tomar a decisão certa é conhecer mais sobre os métodos e abordagens disponíveis e que estejam de acordo com a realidade da qual faça parte. Deve-se fazer algumas considerações para escolher o método que melhor identifique sua classe:


1) Avalie as necessidades dos alunos: Para que eles estão aprendendo Inglês? Qual é o propósito?
2) Examine as restrições institucionais: tempo de aula, tipo de classe, tipo de materiais que podem ser utilizados, disponibilidade de salas ambiente (vídeo, informática, biblioteca, etc).
3) Determine as necessidades, atitudes e aptidões dos alunos.
4) Identifique os gêneros discursivos, as atividades e os tipos de textos que os alunos precisam ter contato.



Tendo feito isto, o professor terá em mente seu objetivo com determinada classe e poderá identificar qual o método ou abordagem que melhor se enquadre ao que se apresente. No entanto, existe um conselho que também ajuda na hora da escolha, que diz o seguinte: “ADAPTE; NÃO ADOTE”.



O professor somente conseguirá adaptar um método ou abordagem com seus alunos, se tiver conhecimento sobre eles.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Seja um colunista

ASSINE NOSSA NEWSLETTER