Aprender e Ensinar a Língua Inglesa na Escola

IDIOMAS

“O caso típico é o papel que o Inglês representa em função do poder e da influência da economia norte americana. Essa influência cresceu ao longo deste século, principalmente, a partir da Segunda Guerra Mundial, e atingiu seu apogeu na chamada sociedade globalizada e de alto nível tecnológico, em que alguns indivíduos vivem neste final de século. O Inglês, hoje, é a língua mais usada no mundo dos negócios e em alguns países como Holanda, Suécia e Finlândia, seu domínio é praticamente universal nas universidades.” (BRASIL, MEC, 1998, p.23)



No Brasil, essa explosão do uso do Inglês vem crescendo e fazendo com que novos cursos de idiomas sejam procurados e aumentando o interesse das pessoas em relação à língua.



Nas séries iniciais, a apresentação da Língua Inglesa deve servir para o desenvolvimento da autonomia moral, para o exercício da cidadania, para a expressão crítica, levando ao domínio de um novo idioma.



O ensino deve ser realizado de forma interessante e significativa, podendo utilizar-se de jogos, vídeos, focando sempre o vocabulário a ser utilizado no discurso.



Quando o Inglês é apresentado como diversão, as crianças passam a ser estimuladas e desenvolvem uma ótima capacidade de concentração. Através de trabalhos lúdicos, a criança passa a ter uma finalidade em seu aprendizado. Somente percebendo um objetivo para o aprendizado de uma segunda língua a criança conseguirá efetivar essa aprendizagem.



É preciso lembrar que nas séries iniciais o professor não deve cobrar nem ensinar enfoques gramaticais da Língua Inglesa, pois durante esta fase escolar, a apresentação do Inglês deve ser de forma alegre e prazerosa, enfocando as situações de comunicação.



A Língua Inglesa também pode promover a autoestima para que a criança valorize o que produz individualmente ou no grupo, favorecendo a convivência, considerando a igualdade e a identidade.



O ensino de Língua Inglesa desempenha um fator de que sua aprendizagem é “(...) uma experiência de vida, pois amplia as possibilidades de se agir discursivamente no mundo.” (BRASIL, MEC, 1998, p.38).



Assim, o papel que a Língua Inglesa desempenha nas séries iniciais é auxiliar as relações sociais e culturais da criança, possibilitando um desenvolvimento intelectual mais sólido para a criança, desenvolvendo as potencialidades individuais e coletivas.



Aprender uma língua estrangeira nas séries iniciais não é mais uma questão de necessidade, mas um direito que não pode ser negado a nenhuma criança, pois o ensino do Inglês valoriza as competências e habilidades que a criança desenvolve em sua vida escolar.



Incluindo a Língua Inglesa desta forma logo no início da vida escolar do estudante, não teremos um adolescente do Ensino Médio desmotivado e desinteressado nas aulas de Inglês. Este é um processo longo, que deve ser trabalhado desde a infância, para que o aluno perceba mais tarde que ele tem potencial para desenvolver as habilidades linguísticas desejadas e não apenas “decorar” frases negativas e interrogativas.

“Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.” (FREIRE, 2001, p.32)



Como diz Freire, o professor deve estar em constante busca, procurando a melhor maneira de ensinar. Descobrir como se ensina e como se aprende uma língua estrangeira na escola não é uma tarefa fácil e, por isso, existem os diferentes métodos de ensino que se enquadram em diferentes culturas, comunidades, meios.



Aprender uma nova língua na escola está ligado aos valores e à importância que o grupo social ao qual a escola pertence dá a essa língua. É essa importância que determina quantas e quais línguas farão parte do currículo escolar.



A aprendizagem formal, escolar, deve se dar em duas modalidades para que essa língua estrangeira torne-se uma língua aprendida sem se restringir ao domínio de suas formas e do seu funcionamento, mas como meio de comunicação do grupo.


Uma modalidade que busca o aprender consciente, de regras formais, típico de escola e outra que almeje a aquisição inconsciente de aprendizagem por meio de situações reais de construção dos significados da fala.



O ensinar, por sua vez, se compõe do conjunto de orientações de que o professor dispõe para encaminhar o aprender de uma língua estrangeira. Estão ligados ao ensino de uma língua estrangeira o planejamento dos cursos, a escolha dos materiais didáticos, os procedimentos para condução das aulas e os critérios de avaliação da língua.



É possível que a maneira de aprender de um aluno não seja compatível com a abordagem de ensinar que um professor utiliza, causando problemas, resistências e dificuldades no processo ensino-aprendizagem. Conhecer as distinções entre o aprender e o ensinar pode ser o primeiro passo para se trabalhar de forma mais consciente em busca de maiores sucessos na aprendizagem de uma língua estrangeira.



Para Vygotsky, a aprendizagem acontece na zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que ele define como “(...) a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes.” (VYGOTSKY, 1987).



Tentando se aproximar cada vez mais da ZDP, os métodos de ensino têm variado de acordo com o conceito de língua predominante, mas o aprendiz continua sendo a parte central do processo e deve ser visto como agente de sua própria aprendizagem e não como objeto que se adequa a qualquer método de ensino.

Cabe ao professor encontrar um sistema de ensino que permita ao aluno aflorar sua criatividade e desenvolver sua habilidade para aprender uma língua. Na escola, é função do professor promover oportunidades de uso da língua e dar liberdade para os alunos usarem as estratégias que melhor funcionem para ele. Através do uso da língua em contextos reais, sua aquisição inconsciente torna-se possível.



Um espaço reservado para o ensino/aprendizagem da língua inglesa pode ser organizado de forma a estimular a compreensão oral, para que a leitura e a escrita possam se desenvolver de forma significativa. A exemplo do que ocorre na aprendizagem da língua materna, também em língua estrangeira o aluno necessita de muitos exemplos sobre como a estrutura da língua funciona para poder aprendê-la.



Assim, professores e alunos podem organizar espaços como oficinas de leitura e de compreensão/produção de textos. Quando prazeroso, acolhedor e estimulante, estes espaços representam uma condição importante para a motivação e apropriação do conhecimento. Esta apropriação se dá na interação do aluno com o professor, com seus colegas e com o ambiente.



É importante que estejam disponíveis materiais para que possam trabalhar as quatro habilidades (listening, speaking, reading, writing), como TV, vídeo, DVD, CD, livros e textos diversos.



Spoken language (listening) – Os professores que desejam fornecer uma significativa experiência em sala de aula devem considerar que nenhum outro tipo de linguagem é tão fácil de ser processada do que a compreensão oral (listening). É ouvindo que eles podem ter uma conexão mais direta com a língua estrangeira e utilizar esta habilidade para ter consciência do sistema da língua em vários níveis e então estabelecer uma base para a habilidade de produção oral (speaking).



No nível intermediário, quando os alunos estão mais refinados no sistema gramatical da língua, ouvir pode ser usado para estimular a percepção dos detalhes. No nível avançado, quando a língua escrita já se torna um recurso utilizado, ouvir pode aumentar o nível do vocabulário dos alunos e a sua percepção da cultura da língua que está aprendendo.



Spoken language (speaking) – Hoje, os estudantes de língua estrangeira são considerados bem sucedidos se conseguirem comunicar-se na língua alvo, mas vinte anos atrás, a exatidão na oralidade era o julgamento para o sucesso ou a falta dele na comunicação. O ensino da produção oral (speaking) tem se tornado incrivelmente importante, não apenas objetivando a exatidão da pronúncia, com aquelas atividades de memorização e repetição de frases, mas com a realização de atividades de comunicação que o aluno possa desenvolver uma interação com o professor e com os outros colegas.

Written language (reading) – Quando uma criança aprende a ler, qualquer língua é difícil, até mesmo a dela, pois ela desconhece aqueles “códigos” constantes nos livros. Quando um aluno aprende uma língua estrangeira, ele sente a mesma frustração que uma criança que está aprendendo a ler: a ansiedade de querer decodificar as mensagens. Sendo assim, a habilidade de leitura pode ter, em um primeiro momento, alguns facilitadores: palavras cognatas, figuras, nomes de lugares ou pessoas conhecidas, etc. Com o professor como facilitador das atividades de leitura, é possível desenvolver um trabalho deste tipo com os alunos, mesmo com aquelas classes sem nenhuma base de língua inglesa.


Written language (writing) – Esta é a habilidade mais difícil de ser trabalhada dentro de uma aula de língua inglesa. A variedade das estratégias de produção escrita deve ser o ponto forte do professor. A reescrita de um texto pode ser utilizada para alunos de nível básico, em que todos são encorajados a dar ideias sobre o assunto e o professor funciona como “escriba” da turma, falando sobre as estruturas, as palavras que se encaixam melhor no texto, etc.

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