A História dos Surdos

A História dos Surdos
FONOAUDIOLOGIA

A surdez consiste na ausência total ou parcial de sons, decorrente de problemas auditivos. As primeiras referências aos surdos são encontradas na Lei Hebraica, na época do povo Hebreu.

No Egito, os surdos eram adorados, como se fossem deuses, serviam de mediadores entre os deuses e os faraós, sendo temidos e respeitados pela população. Na Antiguidade, alguns povos os lançavam ao mar ou em penhascos.

Na Grécia, os surdos eram tratados como seres incompetentes e que por não possuírem uma linguagem, não eram capazes de raciocinar. Assim, não tinham direitos, eram marginalizados e muitas vezes condenados à morte.
Sócrates, em 360 a.C., declarou que era aceitável os surdos se comunicarem com as mãos e o corpo. Os Romanos, influenciados pelo povo grego, também viam os surdos como seres imperfeitos e os excluía da sociedade. Mais tarde, Santo Agostinho defendia a ideia de que os pais de filhos surdos pagavam por algum pecado que haviam cometido. Acreditava que os surdos
podiam comunicar por meio de gestos, que, em equivalência à fala, eram aceitos para a salvação da alma.

John Beverley, em 700 d.C., foi o primeiro a ensinar uma pessoa surda a falar (em que há registro). Por essa razão, ele foi considerado por muitos como o primeiro educador de surdos. Foi na Idade Moderna que se distinguiu, pela primeira vez, surdez de mudez. A expressão “surdo-mudo” deixou de ser a designação do Surdo.

Entretanto, foi o monge beneditino espanhol Pedro Ponce de León que recebeu créditos como o primeiro professor para surdos ao desenvolver um alfabeto manual, que ajudava os surdos a soletrar as palavras.

Juan Pablo Bonet, padre espanhol, deu continuidade ao trabalho de León, ensinando os surdos a lerem e a falarem, utilizando outra metodologia, o método oral. Já, John Bulwer, médico britânico, publicou vários livros defendendo o uso de gestos entre os surdos. Nesse sentido, John Wallis (1616 a 1703) desistiu de ensinar os surdos a oralidade, dedicou-se somente a ensiná-los a escrever usando gestos.

O primeiro Instituto Nacional de Surdos-Mudos foi criado em Paris, por Charles Michel de L’Épée, nascido em 1712. Este instituto reconhecia a pessoa surda como um ser que tem a sua própria língua.

Na Idade Contemporânea, Pierre Desloges publicou o primeiro livro escrito por um surdo. Ele se tornou surdo ao adquirir varíola aos sete anos, aprendendo a comunicar-se apenas por gestos. Em 1880, com a realização da Convenção Internacional de Milão, os educadores presentes determinaram a supremacia dos métodos orais puros. Sendo assim, qualquer forma de comunicação sem ser oral era proibida, sendo esses surdos rejeitados.

No Brasil, uma língua nacional de sinais passou a ser difundida a partir do segundo império. O educador francês Hernest Huet era surdo e foi o introdutor dessa metodologia aqui no Brasil. Ele fundou o Imperial Instituto Nacional de Surdos-Mudos, por meio da Lei nº 839, de 26 de setembro de 1857, no Rio de Janeiro, com apoio do imperador D. Pedro II. Este Instituto tratava crianças surdas somente do sexo masculino. Um século após sua fundação, por meio da Lei nº 3.198, de 6 de julho, a instituição tornar-se-ia o Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES), que inicialmente utilizava a língua dos sinais, mas que em 1911 passou a adotar o oralismo puro. (O oralismo puro consiste em efetivar a comunicação por meio do entendimento dos movimentos normais dos lábios (lábios-leitura, leitura labial e leitura orofacial).

O século XX assistiu, até a década de 60, uma abordagem quase exclusivamente oralista entre as escolas de surdos e nesta década estudos demonstraram insuficiente eficácia destes métodos no desenvolvimento linguístico e cognitivo da pessoa surda. Nos anos 50, uma série de inovações aconteceu em benefício à surdez. Surgiram, por exemplo, as primeiras escolas normais e jardins de infância para crianças surdas. Após esse período começou um movimento pelo resgate da língua de sinais, de forma bimodal (dois modos de linguagens), como uma fala de instrução, por meio da Filosofia da Comunicação Total (fazer uso simultâneo da língua de sinais e da língua oral). Fontes retiradas: A história da Educação do surdo. (Professor Isaías Leão).

Em 1970, já havia tratamento para bebês surdos. Já em 1980, o INES intensificou o trabalho de pesquisas sobre a Língua Brasileira de Sinais e sobre a educação de surdos, criando o primeiro curso de especialização para professores na área da surdez. O Bilinguismo passou então a ser difundido.

Nos anos 80 e 90 teve início um movimento reivindicatório dentro da comunidade surda, advogando a primazia da língua de sinais na educação dos surdos, concomitante com o aprendizado da linguagem oral de forma diglóssica (duas línguas independentes, ensinadas ou praticadas em momentos distintos).

Atualmente, o INES é um centro de referência com atendimento diversificado para atender os surdos no Brasil.

Outros nomes importantes para a história dos surdos nacional e internacionalmente são:

• Alexandre Graham Bell – cientista defendia a oralização dos surdos;

• Edward Miner Gallaudet – filho de Thomas Gallaudet - educador de surdos;

• Fernando César Capovilla, Walkiria Duarte Raphael criaram o alfabeto e os numerais em Libras;

• Hellen Keller – cega e surda aos sete anos, sufragista, pacifista e apoiante do planejamento familiar e entre outros;

• Jacob Rodrigues Pereira – defendia a oralização dos surdos;

• Jean Itarde – primeiro médico interessado pela surdez;

• Jean Massieu – um dos primeiros educadores de surdos;

• Laurent Clerc – surdo educador acompanhado por Thomas Gallaudet;

• Roch-Ambroise Cucurren Sicard – instrutor de surdos, apoiou a criação de vários institutos de surdos na França;

• Ronice M. Quadros e Nelson Pimenta – elaboraram 61 configurações de mãos;

• Samuel Heínicke – ensinou vários surdos a adquirir a língua oral;

• Thomas Braidwood – fundou uma escola de surdos na Europa;

• Thomas Hapkins Gallaudet – educador ouvinte, responsável por abrir uma escola para surdos em 1817 nos Estados Unidos da América e criar a Língua Gestual Americana.

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