Principais Disfunções Causadoras de Lombalgia

Principais Disfunções Causadoras de Lombalgia
FISIOTERAPIA
• Disfunções mecânicas

As disfunções mecânicas constituem a forma mais comum de lombalgias. Nesse tipo de alteração normalmente o quadro de dor é desencadeado por desequilíbrios musculares e há hipertonia e espasmos musculares presentes (Antônio, 2002).

Geralmente a dor fica limitada a região lombar, raramente se irradiando para as coxas. Pode se manifestar subitamente pela manhã, quando o paciente levanta-se da cama, dando a sensação de que a coluna “saiu do lugar” ou surgir após movimentos bruscos da coluna, sobretudo em flexão (Cecin, 2000).

O episódio doloroso é agudo, durando entre cinco e sete dias. Após esse período, os sintomas desaparecem. Em alguns casos, as crises se repetem em períodos de tempos alternados e quando os fatores precipitantes persistem a lombalgia pode tornar-se crônica (Cecin, 2000).

Hérnia de disco lombar

A hérnia discal é o processo de protusão do núcleo do disco intervertebral através de rupturas em suas fibras. Pode causar compressão das raízes nervosas no canal vertebral ou gerar processos inflamatórios com alto poder lesivo às estruturas nervosas. A hérnia de disco surge como resultado de diversos pequenos traumas na coluna que lesam progressivamente as estruturas do disco intervertebral, ou pode acontecer como consequência de um único trauma maior (Freire, 2004).

Há várias situações que, isoladas ou associadas, podem favorecer o surgimento da hérnia discal: movimentos repetitivos inadequados (levantamento de peso, alterações posturais), traumatismos (esforço exagerado, movimentos bruscos ou acidentes que atingem a coluna), excesso de peso, sedentarismo e ansiedade (Cecin, 2000).

O quadro sintomático da hérnia de disco é uma forte dor aguda na coluna lombar, que pode irradiar em direção à perna e pés. Além da dor, o paciente pode se queixar de formigamento e redução da força na perna afetada. A coluna pode ficar rígida, a curva lordótica lombar normal pode desaparecer, o espasmo muscular pode ser proeminente e a dor exacerbar-se na extensão da coluna e ser aliviada em flexão lenta. A parestesia e a perda sensorial com fraqueza motora e a diminuição de reflexos são evidências de distúrbios neurológicos causados pela hérnia discal. Pode haver dor durante a palpação sobre o nervo femoral na virilha ou sobre o nervo ciático na panturrilha, coxa ou glúteos (Freire, 2004).

Às hérnias discais lombares mais frequentes estão localizadas entre a quarta e a quinta vértebra lombar e a quinta vértebra lombar e a primeira sacra que são os pontos de maior estresse e mobilidade da coluna vertebral. Pode haver irradiação para os dermátomos correspondentes às raízes nervosas afetadas (ciatalgia) (Freire, 2004).

A partir da ruptura do disco intervertebral, a coluna passa a ter uma instabilidade segmentar progressiva. Com o rompimento da estrutura discal, o disco tende a extruir do espaço intervertebral ou pode perder o seu poder de retenção hídrica gerando um processo de desidratação progressiva. Esse processo reduz a estrutura discal, ocasionando uma maior aproximação entre os corpos vertebrais adjacentes. Este mecanismo de pinçamento discal determina a formação do disco doloroso, que ocasiona crises álgicas lombares periódicas (Freire, 2004).

Com o pinçamento discal estabelece-se uma desestruturação completa das vértebras e uma degeneração progressiva de todos os elementos que a cercam. A reação de defesa a esse fenômeno de desmoronamento da coluna vertebral é realizada por meio da formação de osteófitos, que têm a finalidade de aumentar a base de sustentação vertebral, visando à melhor estabilidade do segmento lesado. As dores, que se manifestam periodicamente, são decorrentes dos processos inflamatórios cíclicos concernentes à evolução do dano vertebral (Cecin, 2000).

Cada crise de dor gera uma contratura da musculatura paravertebral, cujo objetivo é imobilizar o segmento lesado. As contraturas musculares podem ser ofensivas (desenvolvem-se a partir da lesão discal instalada e a sua repetição é danosa à coluna lombar) ou defensivas (ocorrem durante os movimentos vertebrais para proteção das estruturas da coluna) (Freire, 2004).

Após se estabelecer uma lesão numa das curvas da coluna vertebral, as outras, consequentemente, mudam a sua posição do eixo. Isso ocorre porque há uma relação íntima entre os segmentos da coluna. Se houver o desenvolvimento de uma hiperlordose lombar, acarretará num aumento da cifose dorsal e na retificação da coluna cervical (Freire, 2004).

Os principais tipos de hérnia de disco são (Sena, 2009):

Hérnia de disco protusa: nesse tipo de hérnia há envolvimento apenas do anel fibroso, que migra posteriormente, ocasiona compressão e dor. Geralmente o tratamento é conservador com anti-inflamatórios, relaxantes musculares, eventualmente colete lombossacral e fisioterapia.

Hérnia de disco extrusa: neste tipo de hérnia há envolvimento do anel fibroso e núcleo pulposo, que migram posteriormente, ocasionando uma compressão intensa, provocando dor mais
epicrítica e em maior tempo. Neste tipo de hérnia o tratamento é geralmente conservador com anti-inflamatórios, relaxantes musculares, colete lombossacral e fisioterapia.

Hérnia de disco sequestrada: neste outro tipo há um rompimento deste disco e este material rompido, migra para dentro do canal medular, que além da compressão provoca inflamação importante e compressão contínua. O paciente apresenta posição antálgica inclinando a coluna vertebral. Nesse caso a melhora só é possível com uma intervenção cirúrgica. Representam a minoria das hérnias.

Estreitamento do canal raquidiano

O estreitamento do canal raquidiano leva a isquemia radicular e ao aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano, que não flui normalmente pela cauda equina. O quadro clínico é de dor lombar, às vezes, noturna, ciatalgia de intensidade moderada que melhora ao sentar. Acompanha-se usualmente por dor na panturrilha e claudicação.

• Doenças reumáticas inflamatórias

As doenças reumáticas inflamatórias como as espondilites anquilosantes, sacroileítes, artrites psoriáticas, entre outras, podem causar dores lombares com características peculiares: normalmente são exacerbadas no período matinal, persistindo por até três horas após o indivíduo se levantar. À tarde, o paciente está completamente normal. O paciente pode referir dor nos calcanhares, dor esternal e poliartrite. A dor não ultrapassa o joelho e alterna-se entre os membros inferiores (um dia em uma coxa, outro em outra) (Cecin, 2000).

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