Paralisias periódicas

Paralisias periódicas
FISIOTERAPIA

As paralisias periódicas pertencem a um grupo de patologias denominadas doenças musculares dos canais iônicos, tendo-se até o momento identificado três tipos de canais iônicos cujos distúrbios seriam responsáveis pelo aparecimento destas doenças: os canais de cálcio, sódio e potássio (como algumas miotonias já descritas anteriormente).


As paralisias periódicas por anormalidade dos canais de íons nos músculos (canalopatias) constituem miopatias metabólicas raras, particularmente na infância, com quadro clínico muito sugestivo.


O canal de cálcio está relacionado a paralisias periódicas hipocalêmicas, ataxia episódica tipo 2 e enxaqueca hemiplégica familiar; o canal de sódio relaciona-se a paralisias periódicas hipercalêmicas, paramiotonia congênita e miotonia acetazolamida-responsiva, estando o canal de potássio associado a ataxia episódica tipo 1 e ataxia episódica com coreoatetose.


A função principal dos canais iônicos é a condução, reconhecimento e a seleção de íons específicos. Eles se abrem e cerram a relação da resposta ao estímulo elétrico, mecânico e químico, atuando na excitação ou transmissão de tecidos diversos.

As manifestações clínicas e moleculares das canalopatias são variadas e usualmente se evidenciam de forma contínua ou paroxística.

A alteração dos canais de cálcio causa transtornos do músculo: a paralisia periódica com ou sem câmbios do potássio, miastenia ou desordens miastênicas, e a hipertermia maligna. Cloro e sódio produzem alterações como: as enfermidades miotônicas: Thomsen, Becker e paramiotonias, a paralisia sensível ao potássio, miotonia congênita flutuante e a Síndrome de Andersen.


As canalopatias também produzem vários tipos de ataxia: episódica tipo 1, tipo 2, espinocerebelosa tipo 6 e outras. Movimentos paroxísticos anormais são causados por canalopatias: a distonia noturna episódica e a discinesia paroxística. Em algumas famílias se associam movimentos episódicos anormais e epilepsia.

Várias síndromes epilépticas também estão relacionadas com os transtornos dos canais iônicos: a epilepsia noturna do lóbulo frontal, coreoatetose-epilepsia, as convulsões benignas neonatais, etc.

Quanto à etiologia, as paralisias periódicas dividem-se em formas familiares e esporádicas, cuja apresentação fenotípica é indistinta: surtos de paresia muscular (para ou tetraparesia), mialgias e hiporreflexia, com arreflexia nos casos mais graves.


As formas familiares são patologias genéticas, de penetrância autossômica dominante, a manifestação dos sintomas se dando por defeitos hereditários dos canais iônicos no sarcolema celular, estando as formas esporádicas relacionadas à disfunção dos canais iônicos causadas por distúrbios eletrolíticos.


Uma série de alterações clínicas pode estar relacionada a forma esporádicas, como o hiperaldosteronismo, uso de drogas que causem perda renal de potássio, diabetes mellitus, acidose tubular renal, doença de Addison, hipertireoidismo e patologias gastrointestinais que levem a depleção de potássio.


Portanto, os transtornos dos canais iônicos voltagem - dependentes se relacionam a enfermidades com fenômenos episódicos ou permanentes no tecido muscular ou nervoso com manifestações clínicas e genéticas heterogêneas.

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