Herniações de Disco e Artrose Cervicais

Herniações de Disco e Artrose Cervicais
FISIOTERAPIA
As hérnias discais são patologias que fazem parte do quadro de degeneração da coluna, tendo sua origem ligada ao desgaste das estruturas do disco. Se a coluna lombar sofre desgaste por ser uma região que suporta maiores cargas, a coluna cervical também sofre devido a sua grande mobilidade.

A hérnia de disco consiste em uma extrusão do disco vertebral, normalmente contendo o núcleo pulposo do disco intervertebral envolvido pelo anel fibroso já em estágio avançado de degeneração. As estruturas nervosas estão comprometidas pelo estreitamento dos canais por onde passam os nervos (forames de conjugação), medula ou saco dural (canal medular).

Em alguns casos, as hérnias de disco podem ser assintomáticas. Nestes casos, não são consideradas uma doença, apenas um sinal de envelhecimento. Hérnias discais cervicais assintomáticas estão presentes em pelo menos 25% das pessoas de 50 anos. A presença de sintomas depende da capacidade de reserva do canal medular, da presença e do grau de inflamação, do tamanho da hérnia, bem como da presença de doenças concomitantes, como por exemplo, formações osteofitárias.

Os sintomas das hérnias cervicais são muito variados. Os discos cervicais, além de estarem muito próximos das raízes dos nervos que vão se distribuir no território dos braços, também estão em contato com a medula cervical, que é tronco nervoso principal, em continuidade direta com o cérebro, de onde se origina a inervação de todas as partes do corpo do pescoço para baixo. Assim, as hérnias cervicais podem provocar sintomas de compressão dos nervos e da própria medula.

Em casos mais graves e avançados de hérnias grandes e de deslocamento central, pode ocorrer a compressão medular (mielopatia). Nestes casos, o tronco nervoso da região é afetado existindo risco de lesões definitivas, irreversíveis, que podem comprometer os movimentos e a sensibilidade de todo o corpo daquela região para baixo, deixando sequelas muito graves. Normalmente, as mielopatias se instalam de maneira lenta e progressiva, no decorrer de meses ou anos.

Clinicamente, a principal queixa do paciente é a de dor no braço. A dor, geralmente, é descrita como se iniciando no pescoço e, posteriormente irradiando-se para o ombro, braço e antebraço, em caráter segmentar até a mão (cervicobraquialgia). Normalmente, a dor é em choque, pontada ou queimação e de caráter intermitente. É comum a alteração de sensibilidade nos membros superiores com sensação de formigamento.

O início dos sintomas geralmente é gradual. Com a evolução do quadro, a magnitude da dor no braço ultrapassa a do pescoço e ombro, podendo ser variável na intensidade, sendo severa o bastante para despertar o paciente durante a noite. Sintomas associados de dor lombar, dor ou fraqueza nas pernas, distúrbios da marcha e incontinência vesical ou anal sugerem compressão medular importante.

Artrose Cervical
Disfunção crônica caracterizada pelo desenvolvimento osteofitário e outros sinais degenerativos, como consequência de doença discal também relacionada à idade. Acomete pacientes acima dos 40 anos, sendo um achado quase universal em estudos radiológicos em pessoas acima dos 70 anos, porém nem sempre sintomática. Os casos sintomáticos apresentam com dor cervical episódica associada a restrições dos movimentos do pescoço ao exame físico. A dor é referida nas regiões posterior e lateral do pescoço, com eventuais irradiações para a área escapular, ombro homolateral e membro superior.

A irradiação da dor na artrose cervical pode ser do tipo somática profunda ou dermatomérica. O acometimento dos segmentos C6 e C7, e menos frequentemente C5 apresenta-se como uma dor profunda e incômoda no antebraço, lateral da mão, região lateral do ombro e do braço, respectivamente. A dor radicular ocorre quando osteófitos ou discos intervertebrais prolapsados estreitam o forame de conjugação. A compressão das raízes cervicais resulta em dor, adormecimento, parestesias, fraqueza muscular e alterações de reflexos.

A complicação mais séria da artrose cervical é a mielopatia. Menos que 5% dos pacientes com artrose desenvolvem tal condição. Ocorre quando existe formação de osteófitos posteriores e outras alterações osteodegenerativas no canal vertebral, condicionando uma estenose de canal, com posterior compressão gradual e progressiva da medula e de seu suprimento vascular. São descritas duas formas de estenose de canal vertebral: a estenose estática, condicionada por um estreitamento do canal em localização anatômica definida e a estenose dinâmica, devido à instabilidade segmentar, causando compressão de diferentes porções da medula espinhal com a flexão ou extensão da coluna cervical. O quadro clínico é caracterizado por cefaleia, distúrbios progressivos da marcha e fraqueza de membros superiores e inferiores.

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