Gasometria Arterial

Gasometria Arterial
FISIOTERAPIA

Um importante exame é realizado na terapia intensiva, a fim de monitorar os gases e o equilíbrio ácido-base, chamado de hemogasometria ou gasometria, que pode ser classificada de arterial ou venosa, dependendo do objetivo desejado. (ULTRA, 2009).

A gasometria arterial é solicitada, na maioria dos casos, quando o quadro clínico do paciente sugere uma anormalidade na oxigenação, na ventilação ou no estado ácido-base. Os níveis de gases arteriais também são obtidos para avaliar alteração na terapia que podem afetar a oxigenação e a ventilação, tal como a mudança de fração inspirada de oxigênio (FIO2), os níveis de pressão positiva na final da expiração (PEEP), a pressão de vias aéreas, a ventilação (mudança de frequência respiratória, taxa de fluxo, alterações de volume corrente, pausa inspiratória, tempo inspiratória) ou o equilíbrio ácido-base (administração de bicarbonato de sódio). (GAMBAROTO, 2006).

Para manter a homeostase gasosa no sangue, o pH sistêmico é mantido por meio de tampões químicos extra e intracelulares em conjunto com mecanismos reguladores respiratórios e renais.(SILVA e TEIXEIRA, 2003).

O controle da pressão de dióxido de carbono arterial (PaCO2) pelo sistema nervoso central e sistema respiratório e o controle do bicarbonato pelos rins estabilizam o pH arterial pela excreção ou retenção de ácido ou álcali. A alteração respiratória primária induz a resposta compensatória metabólica secundária e vice-versa. (GAMBAROTO, 2006).

Embora a gasometria arterial revele o estudo dos gases arteriais, no entanto não fornece informação contínua, precisando de outras formas de monitoração.

Os distúrbios acidobásicos que podem ocorrer são: acidose metabólica, acidose respiratória, alcalose metabólica e alcalose respiratória.

A gasometria arterial deve ser analisada sempre pelo fisioterapeuta antes do atendimento e para a interpretação da análise gasométrica. Para isso, é importante conhecermos os componentes do exame: (ULTRA, 2009)
• pH (potencial hidrogeniônico) : 7,35 / 7,45
• PaO2 (pressão arterial parcial de oxigênio) : 70 a 100 mmHg
• PaCO2 (pressão arterial parcial de dióxido de carbono) : 35 a 45 mmHg
• HCO3 (bicarbonato) : 22 a 26 mmHg
• EB (excesso de base) : - 2,5 a 2,5 mEq/l
• SaO2 : 92 a 100%

O pH é calculado, resumidamente, pela fórmula: pH = HCO3/CO2

Independente do caráter ácido ou básico do pH sanguíneo, os efeitos deletérios são encontrados em ambas alterações.

A acidose pode ocasionar:
- Aumento do trabalho respiratório;
- Diminuição da resposta a catecolaminas e depressão cardíaca;
- Vasoconstrição renal;
- Resistência a insulina.

A alcalose pode ocasionar:
- Aumento da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio, desviando a curva de dissociação para a esquerda, gerando uma hipóxia tecidual;
- Piora das condições neurológicas por acidose paradoxal do líquor;
- Alteração nos eletrólitos, aumentando a possibilidade de arritmias, entre outras.

Alterações resumidas:

- pH elevado e PaCO2 baixa : alcalose respiratória
- pH baixo e PaCO2 elevada : acidose respiratória
- pH elevado e HCO3 elevado : alcalose metabólica
- pH baixo e HCO3 baixo : acidose metabólica
- PO2 abaixo de 70 mmHg: hipoxemia
- PO2 acima de 100 mmHg: hiperóxia
Adaptado de Ultra, 2005.

É importante ressaltar que a avaliação do PaCO2 está relacionada com a ventilação, no qual a hipercapnia é gerada pela hipoventilação e a hipocapnia ocorre na hiperventilação, lembrando que a ventilação “lava” CO2 . (ULTRA, 2009)

No ambiente de terapia intensiva, a gasometria arterial é um exame de grande relevância para nortear procedimentos da equipe multiprofissional no que tange a manutenção do equilíbrio ácido-base. Tendo a mecânica do sistema respiratório um papel peculiar na homeostase das pressões gasosas no sangue, o fisioterapeuta intensivista precisa conhecer o processo da respiração associando às alterações presentes nas estruturas pulmonares, a fim de que possa analisar, avaliar e concluir de forma segura, a intervenção fisioterapeutica propícia para cada caso, onde a gasometria arterial é uma ferramenta indispensável para direcionar as decisões deste profissional.

Referências bibliográficas
SILVA, Luiz Carlos Corrêa da; TEIXEIRA, Paulo José Zimermann. Doenças Respiratórias Graves: Manejo Clínico. Editora Revinter, Rio de Janeiro, Rj, 2003.
GAMBAROTO, Gilberto. Fisioterapia Respiratória: em unidade de terapia intensiva. Editora Atheneu, São Paulo, SP, 2006.
ULTRA, Brito Rogério. Fisioterapia Intensiva. 2ª edição, editora Guanabara-Koogan, Rio de Janeiro, Rj, 2009.

Daniel Salgado Xavier
Post Doctor in Physiotherapy. Doutor Honorius Causa in Oncological Physiotherapy pela Logos University - Flórida/USA. Doutor em Terapia Intensiva pelo Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva- IBRATI/SP PHD - Philosofiae Doctor in Physiotherapy - Logos university.Doutorando Estudos da criança pela UMINHO/Portugal. Master in Physiotherapy pela FCE - Universidade da Flórida.
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