Equilíbrio Ácido-Básico

Equilíbrio Ácido-Básico
FISIOTERAPIA
O transporte de CO2 exerce um profundo efeito sobre o equilíbrio ácido-básico do sangue e do organismo como um todo. O pulmão excreta mais de 10.000 mEq de ácido carbônico por dia comparados com menos de 100 mEq de ácidos fixos pelo rim.

A regulação de íons hidrogênio é primordial, sendo que quase todos os sistemas enzimáticos do organismo são influenciados pela concentração dos mesmos. Se houver alterações na concentração de hidrogênio todas as funções celulares e orgânicas sofrerão alterações. Para a avaliação do hidrogênio livre nas soluções ácidas ou básicas usa-se a unidade de pH, sendo que o termo pH significa potência de hidrogênio.

A escala do pH varia de 0 a 14, representando a acidez ou a alcalinidade de uma solução em relação a água. As soluções cujo pH estão entre 0 e 7 são consideradas ácidas, as que tem pH entre 7 e 14 são consideradas básicas ou alcalinas. O pH é inversamente relacionado a concentração de íons hidrogênio, consequentemente um pH baixo corresponde a uma alta concentração de íons hidrogênio, enquanto o pH alto corresponde a uma baixa concentração. O pH normal do sangue arterial é de 7,4 enquanto o pH do sangue venoso e dos líquidos intersticiais é de cerca de 7,35 devido a quantidades adicionais de dióxido de carbono (CO2), liberado dos tecidos para formar ácido carbônico (H2CO3) nesses líquidos.

Os parâmetros importantes para análise do estado de equilíbrio ácido-base são o pH, a tensão parcial de dióxido de carbono no sangue (PCO2) e o teor de bicarbonato (HCO3).

O pH define se há acidose ou alcalose, se seu valor estiver abaixo ou acima da faixa de normalidade do sangue. Como o pH normal do sangue arterial é de 7,4 o indivíduo apresenta acidose se o pH cai abaixo desse valor, e alcalose se o pH estiver acima de 7,4. O limite inferior do pH em que uma pessoa pode viver mais que algumas horas é de 6,8 e o limite superior é de 8,0. A tensão parcial de CO2 no sangue (Pco2) define a existência e o grau de distúrbio respiratório, tendo relação com o dióxido de carbono. A faixa normal para a Pco2 é de 35 a 45 mmHg.

Existem três sistemas primários que controlam a concentração de íons hidrogênio nos líquidos corporais evitando assim o desenvolvimento da alcalose ou acidose: os sistemas químicos de tampões ácido-básicos dos líquidos corporais que se combinam rapidamente com ácido ou base evitando assim a ocorrência de alterações excessivas de íons hidrogênio. Essas reações acontecem em fração de segundo, mas não agem eliminando ou adicionando os íons hidrogênio, apenas mantêm a fixação dos mesmos até que o balanço seja restabelecido; o centro respiratório que regula a remoção de CO2 (portanto de H2CO3) do líquido extracelular e também age em poucos minutos. Essas duas primeiras defesas impedem que a concentração de íons hidrogênio sofra alterações excessivas até que a terceira defesa, os rins, de reposta mais lenta, porém o mais potente dos sistemas reguladores do equilíbrio ácido-básico, possam através de sua capacidade de excretar urina alcalina ou ácida, reajustem a concentração de íons hidrogênio do líquido extracelular para valores normais durante a alcalose ou acidose.

A relação de bicarbonato e de Pco2 pode ser perturbada de quatro maneiras: a Pco2 e o bicarbonato podem aumentar ou diminuir, resultando em quatro distúrbios característicos de equilíbrio ácido-básico: acidose respiratória, alcalose respiratória, acidose metabólica e alcalose metabólica.

Na acidose respiratória a Pco2 está aumentada, reduzindo a relação HCO3-/Pco2 e assim diminuindo o pH. A retenção de CO2 pode ser causada por hipoventilação ou desigualdade de ventilação-perfusão. Sempre que a Pco2 subir, o bicarbonato deve também aumentar em alguma extensão, devido à dissociação do ácido carbônico produzido. Persistindo a acidose respiratória o rim conserva HCO3-. Ele é conduzido a fazer isso pelo aumento da Pco2 nas células tubulares renais, as quais passam a excretar uma urina mais ácida, por meio da secreção de íons H+. Na alcalose respiratória ocorre uma queda na Pco2, provocada pela ventilação excessiva dos pulmões aumentando a relação HCO3-/Pco2 e elevando assim o pH. A compensação renal ocorre por uma excreção aumentada de bicarbonato, assim fazendo a relação HCO3-/Pco2 voltar ao normal.

A acidose metabólica refere-se a todos os outros tipos de acidose além daquelas causadas pelo excesso de CO2 nos líquidos corporais, provocando uma queda na proporção de HCO3- para Pco2, diminuindo assim o pH. A compensação respiratória acontece pelo aumento da ventilação diminuindo a Pco2 e elevando a relação HCO3-/Pco2 que estava deprimida. Na alcalose metabólica ocorre um aumento no HCO3- aumentando a relação HCO3-/Pco2 e consequentemente o pH. A compensação respiratória na alcalose metabólica é com frequência pequena, podendo estar ausente. O excesso de base está aumentado. Perturbações mistas respiratórias e metabólicas podem acontecer, dificultando a elucidação da sequência de eventos.

Referências Guyton
Arthur C.; HALL Jhon E. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças; Sexta Edição; RJ, Ed. Guanabara Koogan, 1998.
WEST John B. Fisiologia Respiratória; Sexta Edição; SP, Ed. Manole, 2002.

Daniel Salgado Xavier
Post Doctor in Physiotherapy. Doutor Honorius Causa in Oncological Physiotherapy pela Logos University - Flórida/USA. Doutor em Terapia Intensiva pelo Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva- IBRATI/SP PHD - Philosofiae Doctor in Physiotherapy - Logos university.Doutorando Estudos da criança pela UMINHO/Portugal. Master in Physiotherapy pela FCE - Universidade da Flórida.
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