Aplicação de Water Pilates no tratamento da espondilite anquilosante

Aplicação de Water Pilates no tratamento da espondilite anquilosante
FISIOTERAPIA
Aplicação de Water Pilates no tratamento da espondilite anquilosante

ADRIANA AVANTE
drikavante@hotmail.com
A entidade clínica espondilite anquilosante (doença de Marie-Strumpell, doença de Bechterew, pelviespondilite ossificante, espondilite reumatóide) é uma forma de espondilite crônica soro negativa caracterizada por comprometimento progressivo das articulações sacro-ilíacas e vertebrais com eventual ossificação nessas articulações e ao seu redor denominada anquilose (SALTER, 2001).
Até a década passada, a EA era considerada uma doença reumatóide incomum com ocorrência predominante em homens jovens (SCOLA et al, 2003). Sabe-se atualmente que, quando formas menos graves da doença são reconhecidas e incluídas, a espondilite anquilosante é quase tão comum quanto à artrite reumatóide e também que as mulheres jovens são afetadas quase tão freqüentemente quanto homens jovens (SALTER, 2001). 
Embora se desconheça a causa precisa, a importância de um fator predisponente genético tem sido enfatizada pela descoberta de que 96% de caucasianos que sofrem de EA são portadores do antígeno tissular herdado HLA-B27, que serve como um marcador genético. Esse antígeno particular é encontrado em 05% a 15% de todos os caucasianos; dentre os portadores do antígeno, apenas 20% desenvolvem a EA (DOUGADOS, 2005).
Em contraste com a artrite reumatóide que ataca a membrana sinovial, a espondilite anquilosante acomete o sítio de inserção dos tendões, fáscia e cápsulas fibrosas articulares (SALTER, 2001). O processo patológico é uma fibrose progressiva e ossificação nessas partes moles peri-articulares; esse processo chamado de entesopatia eventualmente conduz à anquilose óssea de toda a articulação (WILFRED, 2005).
Algumas das manifestações da EA são complicações cardiovasculares ocorrem em até 10% dos pacientes com clínica maior que 30 anos, sendo a proliferação fibrosa da íntima da aorta e das valvas a causa da aortite e insuficiência aórtica, ocasionalmente pode ocorrer valvopatia mitral. As fibras de Purkinje podem ser comprometidas levando a um defeito da condução (SHINJO, 2007).
Outras manifestações extras – articulares podem aparecer como uveíte anterior aguda, também conhecida como irite aguda ou iridociclite, os sintomas como lacrimejamento, fotofobia, e borramento da visão; envolvimento cardiovascular é raro, atingindo de 3 a 10% da população entre os 15 e 30 anos da doença, mas quando presente, pode se manifestar por insuficiência aórtica, aortite ascendente, insuficiência vascular, cardiomegalia, pericardite e distúrbios do sistema de condução; lesão do parênquima pulmonar, ocorre em cerca de 1,3% dos pacientes.
Em geral 20 anos depois do início da doença; comprometimento neurológico, como síndrome da cauda eqüina tende a sobrevir nas fases tardias da doença; manifestações renais como depósito de amilóide é uma complicação ocasional, parece estar presente em 10% dos pacientes; lesões de mucosa entérica silenciosas ou assintomáticas no terço terminal do íleo ou cólon, foram detectadas por ileocolonoscopia em 30 a 60% dos pacientes com EA (YOSHINARI & BONFÁ, 2000).
Articulações periféricas podem ser caracterizadas pela presença de oligoartrite que predominam nas articulações dos membros inferiores como tornozelo, joelho e coxofemurais e nos membros superiores nas junções esternoclavicular e costocondrais assim causam as limitações na expansibilidade torácica. As entesopatias são manifestações iniciais e acometem calcâneo e a fáscia plantar (OLIVEIRA, 2007).
O exame radiográfico nos estágios iniciais revela estreitamento do espaço cartilaginoso sacro ilíaco e esclerose subcondral; uma cintilografia óssea, embora não específica, pode ser positiva mesmo num estágio mais inicial. Mais tarde a ossificação do anel fibroso das sínfises intervertebrais produz a imagem radiográfica clássica de “coluna de bambu” (WEST, 2000).
Com relação às drogas terapêuticas os salicilatos são os mais satisfatórios entre as drogas antiinflamatórias não-esteróides, não são comumente muito eficazes na espondilite anquilosante. Entre muitas NSAIDs avaliadas, a indometacina é corretamente mais apropriada juntamente com infliximabe, embora possam ser substituídas no futuro por outras drogas mais novas (MEIRELLES & KITADAI, 2001).
Esses jovens pacientes, previamente saudáveis, precisam ser informados de que menos um terço deles desenvolverá a forma clássica da espondilite anquilosante. Precisam também de apoio psicológico para aceitar a importância de desenvolver hábitos de boa postura e fazer exercícios diários pelo resto de suas vidas (SALTER, 2001).
Para que haja a redução dos sintomas e melhora na realização dos exercícios a hidrocinesioterapia juntamente com os princípios físicos da água desempenham importante papel no tratamento dos pacientes com EA.
 
2.1 Hidroterapia
O início do uso da hidroterapia como terapia, é desconhecido. Desde então, essa modalidade vem avançando no que se refere o estudo e vem se tornando bastante popular (RUOTI et al, 2000).
Através dos séculos e dos lugares por onde foram realizadas pesquisas, os tratamentos hidroterápicos vêm sendo reconhecidos por suas técnicas que acentuam a atividade aquática como parte integral de todo tratamento físico, visando a reabilitação total do paciente.
A hidroterapia é um dos recursos mais antigos da fisioterapia, sendo definida como o uso externo da água com o propósito terapêutico. É um método terapêutico que faz uso da fisioterapia associando aos princípios físicos da água (CAROMANO et al, 2000).
Pode-se dizer que a movimentação da água (hidrodinâmica), a torna única e exclusiva no que diz respeito a sua terapêutica. O conhecimento da hidrodinâmica e da hidrostática tornará possível à seleção da posição do paciente, a profundidade da imersão e os equipamentos ideais para os tratamentos com a hidroterapia.
 
2.1.1 Princípios Físicos da Água
Cada princípio físico tem a sua resposta específica, que quando associadas às ações mecânicas do terapeuta e a temperatura da água produz um efeito satisfatório e rapidamente sentido pelo paciente, que são:
Densidade: A densidade da água é 1,0. Uma pessoa boiará se sua densidade for menor que 1,0, afundará se for maior que 1,0 e ficará logo abaixo da superfície (flutuará) se for igual 1,0 (CANDELORO & SILVA, 2002).
Tensão Superficial: É a força de atração das moléculas da água na superfície da piscina. Fator importante quando um membro do corpo humano rompe a superfície da água (CANDELORO & SILVA, 2002).
 
Turbulência: O princípio da turbulência está relacionado com a pressão e a velocidade através de um fluxo corrente. É um termo utilizado para descrever os redemoinhos que acompanham um objeto em movimento na água, sendo que na frente do objeto cria-se uma pressão positiva, que resiste o deslocamento e atrás cria-se uma pressão negativa,que facilita o deslocamento (FIORELLI & ARCA, 2002).
Refração: É o fenômeno físico causado quando a luz se propaga em meios com densidades diferentes. Devido a refração enxergamos os objetos submersos distorcidos, aproximadamente, 25% à 30% maiores e mais próximos (CANDELORO & SILVA, 2002).
Viscosidade: A água é um meio líquido mais denso que o ar, e cria resistência nos movimentos devido ao atrito com as moléculas da água em nosso corpo. Princípio importante no trabalho para o fortalecimento da musculatura (CANDELORO & SILVA, 2002).
Pressão Hidrostática: A Lei de Pascal estabelece que a pressão do líquido é exercida igualmente sobre todas as áreas da superfície de um corpo e varia    com a profundidade e a densidade do líquido. Com a pressão aumenta com a profundidade, o edema será reduzido mais facilmente se os exercícios forem realizados abaixo da superfície da água. Esse princípio auxilia no desenvolvimento da coordenação dos movimentos, proporcionam melhor suporte e sustentação ao corpo nas posições que requerem mais equilíbrio (BATES & HANSON, 1998).
Empuxo: Quando um corpo está completa ou parcialmente imerso em um líquido em repouso sofre uma força para cima igual ao peso do líquido deslocado, denominada empuxo. De acordo com Arquimedes o resultado do efeito do empuxo é a flutuação. A força de flutuabilidade age na direção oposta a da força da gravidade e é responsável pela sensação de ausência de peso na água. (FIORELLI & ARCA, 2002)
Os efeitos terapêuticos da Hidroterapia estão relacionados a promover relaxamento muscular; diminuir dor; permitir a execução dos movimentos sem dor, em toda sua amplitude de movimento normal; diminuir as forças compressivas intra-articulares; diminui inflamações crônicas; manter força e resistência muscular; manter a capacidade funcional do sistema locomotor; melhorar a capacidade respiratória; diminuir edemas; permitir melhora do equilíbrio e coordenação; promover socialização do paciente; melhorar a auto-estima do paciente, melhorar a atitude frente a doença; melhorar as atividades de vida diária (FREITAS JUNIOR, 2005).
os efeitos fisiológicos na imersão dependem de alguns fatores, como a temperatura da água, profundidade da piscina, tipo e intensidade do exercício, duração da terapia, postura e condição patológica do paciente (FIORELLI & ARCA, 2002).
Quanto maior for à profundidade, maior será a pressão hidrostática, ocasionando maior retorno venoso ao coração, esse fato é considerado a base para todas as alterações fisiológicas associadas à imersão no sistema cardiovascular, no sistema renal e hormonal, no sistema nervoso central, sistema respiratório, sistema músculo-esquelético (RUOTI et al, 2000).
O ambiente aquático faz com que o paciente relaxe mais, e sinta uma liberdade de movimento, o que ajuda na reabilitação. Os riscos de quedas diminuem e com isso o medo também. O prazer da atividade aquática leva ao indivíduo uma sensação de relaxamento, leveza, liberdade e experimento, tornando as sessões mais agradáveis e proporcionando a interação social (ROQUE, 2007).
 
2.2 Técnica de Water Pilates
Tudo começou com Joseph Pilates, alemão que viveu entre 1880 e 1967, desenvolveu uma série de exercícios e equipamentos para ajudar os feridos de guerra a recuperarem a mobilidade e a força. Depois, ele emigrou para Nova York e seu método passou a fazer sucesso entre os bailarinos por proporcionar, ao mesmo tempo, tonificação, força e alongamento dos músculos (GONZALEZ, 2006).
 
2.2.1 Benefícios do Water Pilates
Músculos alongados, estabilidade e força do centro, prevenção de lesões, diminuição do stress e das dores nas costas, melhor postura, aumento do equilíbrio e da coordenação, melhor performance atlética, eficácia na pós-reabilitação, aumento da consciência corporal, melhora na auto-estima.
 
Assim abrange e beneficia obesos, idosos, fibromiálgicos, artríticos, problemas músculo-esquelético e gestantes pré e pós - natal (ARGO, 2006). É contra-indicado no caso de debilidade, hemorragias, taquicardia, tímpano perfurado, enjôos (GONZALEZ, 2006).
Os seguintes princípios do Método Pilates são a base sobre o qual o Water Pilates está construído, segundo Carol Argo.

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