Vinagreira Roxa (Hibiscus Acetosella) como alternativa na área vegetal

Vinagreira Roxa (Hibiscus Acetosella) como alternativa na área vegetal
FARMACIA
A vinagreira roxa (Hibiscus acetosella Welw.) pertence à família Malvácea, é um arbusto de caule semi-lenhoso, que cresce até dez metros de altura, de cor roxa ou avermelhada, as folhas são hastes tenras mudam de uma cor borgonha brilhante e quando mais novas para um verde-escuro quase negro de cor cinza. As folhas flexíveis são embutidas com veias de cor púrpura escura e manchas leves em torno das bordas, os lados são suaves, cor rosé - escuro (FARMERDILL DE AUGUSTA, 2006). A forma da folha é muito parecida com a folha de boldo: cinco dedos ou lobos que saem de uma palmeira central. Se tratar de uma planta adaptada ao clima quente, que desenvolve bem em temperaturas superiores a 21ºC. O solo para o cultivo deve ser bem drenado, com alto teor de matéria orgânica. Não há necessidade de usar agrotóxicos em nenhuma fase do plantio.Reproduz-se por sementes e cresce em qualquer local e excelente para paisagismo.

É uma planta comestível utilizada em vários continentes e cultivada comercialmente devido às propriedades medicinais, tem uso ornamental e têxtil (CULBERT, 2005). Sua introdução na Jamaica ocorreu no século XVIII, sendo muito popular como um aromatizante ácido. Chegou à Europa nos fins do século XIX como uma bebida refrescante, na sua cor vermelha forte, não muito apreciada. Atualmente faz parte da maioria dos chás aromáticos consumidos no continente europeu. No Brasil, essa hortaliça não é usada na culinária, são comuns nos jardins silvestres, hortas e ornamentação encontrada também em terrenos baldios. São atrativas para as abelhas, borboletas e aves. E no Estado do Maranhão para fins medicinais (RÊGO, 2010).

Originária da África Tropical foi trazida para o Brasil pelos antigos africanos através de navios negreiros, atualmente se encontra distribuída pelos continentes americanos, europeus e asiáticos (MARTINS, 1985). Apesar da África, ser o maior produtor, na Alemanha é grande exportador e agrega valor aos cálices. Conhecida como Hibiscus cranberry, falso roselle, malva marrom, Shields, hibisco vermelho, rubra, groselha e quiabo roxo. O Hibiscus acetosella Welw foi identificado e herborizado sob a forma de exsicata no Herbário Rosa Mochel do Núcleo de Estudos biológicos da Universidade Estadual do Maranhão. E encontra-se registrado sob o nº 4001.

As plantas medicinais representam a forma mais antiga e generalizada de tratamento na história da humanidade. Durante séculos a maioria dos medicamentos foi de fontes vegetais ou animais. Apesar do uso crescente de drogas sintéticas produzidas pela indústria farmacêutica, as plantas medicinais continuam sendo utilizadas pela população para o tratamento de saúde (HALBERSTEIN, 2005).

De acordo com (MATOS, 2009) a informação popular sobre o uso das plantas complementada pela informação botânica, se constitui no mais importante critério de seleção de material para estudo químico, visando a sua aplicação medicinal.

Segundo Rêgo (2010), o Programa de Fitoterapia da Universidade Federal do Maranhão- UFMA tem como linha de ação o aproveitamento da flora medicinal do Estado que valoriza as plantas medicinais através da implantação das Hortas Comunitárias e Farmácias Verdes, oferecendo uma medicina alternativa de alcance social. O programa na medicina popular usa a vinagreira roxa como anti-espasmódico, anti-inflamatório, redutor da hipertensão, antioxidante natural, afrodisíaco, diurético, laxante suave e auxiliar nas dietas de emagrecimento. Também há indicações para combater problemas respiratórios, bronquites, gripes e resfriados, gastrite e afecções da pele.

No Brasil há interesse das grandes empresas farmacêuticas multinacionais no comercio de medicamentos fitoterápicos. A indústria está processando plantas medicinais não apenas nas linhas de produtos farmacêuticos e cosméticos, também desenvolvendo na área de alimentos empregando como condimentos na produção de corantes, aromatizantes e bebidas. Na indústria química, as plantas medicinais têm sido utilizadas em formulações de produtos de limpezas, inseticidas dentre outros (SILVA et al, 2011). Na indústria têxtil as folhas da vinagreira roxa podem ser utilizadas para tinturaria.

A vinagreira roxa tem diversas indicações ainda sobre estudo, que variam conforme a parte da planta utilizada. As folhas são consideradas febrífugas, anti-hemorrágicas, estimulantes estomacais e fortificantes, O fruto é uma cápsula ovóide, de dois centímetros de comprimento, são usados na fabricação de xaropes e as flores possuem atividades antibacteriana e antifúngica. Foi constatada a presença de antocianinas nas flores, já nas folhas foram identificados os constituintes taninos, flavonóides, cumarinas, heterosídeos cardiotônicos e alcalóides (MARÇO, 2009). O chá do cálice da flor e considerado emoliente contém polissacarídeos em boas quantidades e, concentrações elevadas de flavonóides. As folhas podem ser utilizadas in natura em saladas, pelo o seu sabor cítrico, adicionadas também aos pratos cozidos e fritos. Rica em ferro, magnésio, cálcio e vitaminas A e C, contem fotoquímicos, altos teores de antocianinas, ácido tartárico, málico, cítrico e hibístico, fitosteróis, além de quantidade significativa de fibras alimentares. Por conter ácido oxálico, não pode ser consumida regularmente em grande quantidade.

Na determinação por cromatografia e espectrofotometria PENTEADO et al. (1985) encontraram, os teores de carotenóides com atividade vitamínica A (alfa e ß-carotenos) de 16 hortaliças (folhas) consumidas em Santarém, Pará - Brasil. As análises foram realizadas nos períodos de seca e de chuva nos anos de 1984 e 1985. Entre as amostras analisadas nestes períodos, as folhas de macaxeira (Manihot esculenta) e quiabo (Hibiscus esculentus) na época da seca apresentaram os maiores teores de carotenóides com 25.148 e 19.483 UI/100g respectivamente, enquanto no período das chuvas os maiores teores encontrados foram os da macaxeira (Manihot esculenta) seguida da Vinagreira branca (Hibiscus sabdariffa) e Vinagreira roxa (Hibiscus acetosela) com 18.072, 17.040 e 13.995 UI/100g, respectivamente (AU).

LOPES (2001) realizou estudos sobre os nutrientes existentes nas folhas da vinagreira roxa sendo encontradas em sua composição química: calorias 29,4%, água 92,27%, carboidratos 4,39%, proteínas 1,30%, lipídios 0,74%, vitamina C 80,80 mg, sódio 59 mg e ferro 50 mg.

MANDELLI et al. (2010), analisou farmacognóstica de Hibiscus acetosella e avaliou o seu potencial antimicrobiano, pois existem poucos trabalhos publicados referentes a ação biológica desta espécie. Realizaram-se testes de precipitação e colorimétricos para detecção dos seus metabólitos secundários e avaliou-se seu potencial antimicrobiano contra os microorganismos: Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa. A análise farmacognóstica apresentou os seguintes resultados: positivo para substâncias fenólicas tais como: taninos, flavonóides e cumarinas; e positivo também para heterosídeos cardiotônicos e alcalóides. Sobre a atividade antimicrobiana o extrato hidroalcóolico 70% de Hibiscus acetosella mostrou efeito contra os microrganismos S. aureus e P. aeruginosa. CARDOSO et al (2011), estudou o perfil cromatográfico, quantificou substâncias fenólicas e avaliou ação antibacteriana frente aos microorganismos Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa, das folhas de H.acetosella. O doseamento dos compostos fenólicos demonstrou que a planta possui aproximadamente 0,359 mg/mL de polifenóis totais e 0,104 mg/ mL de flavonóides nas folhas, as frações com caráter mais polares foram as que tiverem maior concentração de polifenois totais e flavonóides. As frações butanolico e de acetato de etila mostraram efeito relevante contra os microorganismos S. aureus e P. aeruginosa. Esta ação antibacteriana pode estar relacionada com os compostos fenólicos presentes na planta.

JESUINO (2013) avaliou os constituintes químicos do extrato bruto de H. acetocella possui atividade anti-hipertensiva em modelo de hipertensão induzida em ratos com ração hipersódica. Para realização da análise farmacológica do extrato, 60 animais foram divididos igualmente em seis grupos, hipertenso, controle negativo, controle positivo (tratado com captopril 50 mg/kg) e grupos tratados com H. acetosella nas doses de 50 mg/kg, 100 mg/kg e 250 mg/kg, por um período de cinco semanas e submetidos ao procedimento cirúrgico para aferição da pressão arterial. Após a avaliação dos resultados foi observado que não houve um quadro de hipertensão, porém o excesso de sal gerou uma alteração na reatividade do endotélio vascular e o tratamento com extrato de H.acetosella apresentou atividade protetora sob este.

No Brasil, as pesquisas, o cultivo e a comercialização da vinagreira roxa são direcionados ao possível uso medicinal, para ornamentação, paisagismo e hortas. Devido à coloração da folhagem a população não tem o habito de consumi-la na alimentação humana por falta de conhecimentos a respeito desse vegetal, que frequentemente é apontada como “veneno”, apesar de pesquisas recentes constatarem maiores teores de ferro na vinagreira roxa comparada a verde. Estudos sobre essa planta são comumente encontrados na literatura estrangeira, devido ao seu consumo como alimento e bebidas sendo apreciada por americanos, europeus, asiáticos e africanos. Porém, não há registros do seu uso na alimentação humana em nosso país e no Estado do Maranhão.

Diante da escassez de estudos sobre a vinagreira roxa, é que se propõem trabalhos a fim de melhorar a sua produção em pequena escala, ampliando assim o interesse para novas técnicas de processamento, potencialidades culinárias, produtos fitoterápicos e cosméticos naturais proporcionando renda para os envolvidos nas atividades.


REFERÊNCIAS

CARDOSO, Paula da S. Análise Fitoquímica e Antibacteriana da Planta Hibiscus acetosella WeLw ex Hiern. Curso de Farmácia, Universidade do Extremo Sul Catarinense-UNESC. Novembro de 2011. Acesso: 20 de Março de 2014. Online: disponível em: http:// www.google.com.br.

CULBERT, Dan. Artigo Red leafed hibiscus for easy color Red. University of Florida 2005. Acesso: 19 de Fev. 2013. Online: disponível: http://Okeechobee. ifas.ufl.edu/news% 20columns/False. Roselle.htm.

FARMERDILL De Augusta. Cranberry Roselle Hibiscus sabdariffa. PlantFiles Florida 2006. Acesso: 19 de Fev. 2013. Online: disponível http://davesgarden.com/guides/pf/go/.

HALBERSTEIN, R. Medicinal Plants: Historical and Cross-Cultural Usage Patterns. Ann Epidemiol, v. 15, p. 686-699, 2005. Acesso em: 01 de Out. 2013. Disponível em:<http://ac.elscdn..com/.

JESUINO, C. V. avaliação anti-hipertensiva e proteção da reatividade vascular do extrato de Hibiscus acetosella welw ex Hiern. Curso de Farmácia, Universidade do Extremo Sul Catarinense-UNESC. Junho de 2013. Acesso 27 de Fev. de 2014 em: http:// www.google.com.br.

MATOS. F. J. Abreu. Introdução a Fotoquímica Experimental. 3 ed. Fortaleza: Universidade Federal do Ceara- UFC, 2009 150 p.II.

Antimicrobiana de Hibiscus acetosella. Curso de Farmácia, Universidade do Extremo Sul Catarinense-UNESC. Novembro de 2010. Acesso 27 de Fev. de 2014 em: http:// www.google.com.br.

MARÇO, Paulo Henrique. Estudo da influência da radiação e pH no comportamento cinético das antocianinas de plantas do gênero Hibiscus por métodos quimiométricos. 2009. 209p. Tese (Doutorado – Área de Química Analítica) – Departamento de Química Analítica, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP. Acesso em: 01 de Out. de 2013. Disponível em: http:// biq.qm.unicamp.br/arquivos/teses//000446158.pdf.

PENTEADO, Marilene de Vuono; Minazzi Regina Sorrentino; Almeida Ligia Bicudo de. Carotenóides e atividade pró-vitamínica A de folhas de hortaliças consumidas no norte do Brasil. São Paulo- SP. 1985. 5 p.

RÊGO, Terezinha de Almeida Silva. 50 Chás Medicinais Da Flora Do Maranhão. 7º Ed. – São Luís: EDUFMA 2010.

SILVA et al. Folhas de Chá; Remédios Caseiros e Comercialização de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares. Viçosa, MG: UFV. 2011. 140 p.II.

Dalcilene Ramos Marques
Pós-Graduada em Vigilância Sanitária dos Alimentos; Graduada em Tecnologia de Alimentos Instituição: Universidade Estadual do Maranhão - UEMA. Pesquisadora e Colunista Oficial do Portal Educação *Autora do livro: A cultura maranhense e sua culinária típica/ Coleção 400 anos São Luís-MA. E-mail: dalcilenemarques@yahoo.com.br
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