Hipertensão

Hipertensão
FARMACIA
Hipertensão arterial é uma doença crônica degenerativa mais comum em nosso meio, que atinge de 6 a 8 % das crianças, cerca de 20% dos adultos e 65% dos idosos. Trata-se, portanto, de um problema de saúde comum que pode passar despercebido, levando o indivíduo a pensar que não tem nada de grave, apenas um mal-estar ou uma gripe. Isso acaba impedindo um diagnóstico precoce e, logicamente, um atraso no tratamento da doença. Especialistas dizem que "a hipertensão é uma doença que afeta silenciosamente todo o organismo". Para facilitar a compreensão do que vem a ser hipertensão, é fundamental relembrar o mecanismo de trabalho do coração e a função dos vasos sanguíneos, que levam oxigênio e nutrientes para os órgãos do corpo.
A cada batimento, o coração se contrai e joga o sangue em circulação, fazendo-o percorrer milhares de quilômetros de vasos sanguíneos ao longo do corpo humano. O que faz o sangue percorrer um caminho tão extenso é exatamente a força de bombeamento realizada pelas artérias. Quando o coração lança o sangue, a pressão sobe e as artérias expandem-se, movimento que recebe o nome de pressão sistólica ou pressão máxima de saída do sangue. Após cada batimento, o coração relaxa, cessa a entrada de sangue e a pressão cai, processo que recebe o nome de pressão diastólica ou pressão mínima. A Organização Mundial da Saúde define que pressão alta ou hipertensão é o aumento da pressão arterial acima dos níveis de 140 (pressão sistólica) por 90 (pressão diastólica) mmHg. Ou seja, é quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias, para se movimentar, é muito forte, ficando o valor igual ou maior que 140/90 mmHg ou por 14 por 9.
O Ministro da Saúde, Barjas Negri, anunciou em fevereiro deste ano que o governo vai garantir medicamentos aos portadores de hipertensão arterial. A distribuição se iniciará a partir de maio próximo, por meio do Sistema Único de Saúde - SUS. Mais de nove milhões de pessoas que sofrem da doença serão beneficiadas. Além da distribuição dos medicamentos, o Programa Nacional de Assistência Farmacêutica para Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus vai estruturar um cadastro nacional de portadores de hipertensão arterial, que será integrado ao Cartão Nacional de Saúde do SUS.
A partir de setembro 2002, os municípios terão de cadastrar todos os pacientes. A medida vai permitir a avaliação e monitoramento constante dessas doenças. Estima-se que 35% da população adulta seja susceptível à hipertensão.
Diagnosticar a hipertensão é bastante simples, utilizando-se, para tanto, as medidas da pressão máxima de saída do sangue (sistólica) e pressão mínima (diastólica), realizadas pelos aparelhos de pressão arterial. Assim, o encontro de níveis de pressão acima da normalidade – que fica em torno de 120 x 80 mmHg – sela o diagnóstico. A medida da pressão deve ser realizada com a pessoa sentada, após pequeno período de descanso e relaxamento. Em seguida, o médico deverá fazer um exame clínico criterioso, observando, entre outras coisas, o aspecto físico e o peso da pessoa; deverá também auscultar-lhe outras artérias (como a carótida, no pescoço) e o coração; caso queira, pode solicitar uma avaliação laboratorial composta de exames de urina, nos quais se pesquisarão elementos importantes para a caracterização da doença.
Também é recomendado o eletrocardiograma de repouso para o estudo da função cardíaca, bem como o raio X de tórax. São consideradas pacientes de risco para hipertensão crônica aquelas pessoas que, ao exame, apresentam níveis de pressão arterial em torno de 130 x 85 mmHg – casos limítrofes ou muito próximos do normal, merecendo atenção especial e periódica. Essas deverão praticar as mudanças de hábitos recomendadas pelos tratamentos não medicamentosos da hipertensão.
Pesquisas realizadas em todo o mundo demonstram que entre as principais causas da hipertensão arterial estão os maus hábitos de vida, como o consumo excessivo de sal, alimentos gordurosos ou álcool, o sedentarismo, ou seja, a falta de exercícios físicos constantes e apropriados, o estresse, isto é a carga emocional excessiva gerada pelos compromissos e dificuldades da vida cotidiana, o tabagismo e por último, a presença da doença em familiares.
A hipertensão pode alterar a função de vários órgãos do corpo, em decorrência dos danos causados pelo excesso de pressão nos pequenos vasos sanguíneos. Geralmente, são três as funções mais afetadas, todas de primordial importância para o bom funcionamento do organismo:
Função cardíaca
Primeiramente, o paciente sente cansaço ao realizar um esforço maior, em seguida ao realizar um esforço moderado e depois se cansa apenas por realizar um pequeno esforço físico. Isto ocorre porque o aumento da pressão arterial impõe ao coração um esforço maior para bombear o sangue que irá irrigar os órgãos e os tecidos.
Com a continuidade desse esforço, as fibras musculares do coração irão estressar-se e sua deterioração causará incapacidade progressiva de bombeamento do sangue. Consequentemente, as fibras perdem a capacidade de contração e o volume do coração do paciente aumenta, ocorrendo também acometimento das artérias que o irrigam. O somatório destas combinações pode levar à angina ou ao infarto.
Função do sistema nervoso central
Inicialmente, os efeitos da pressão alta no cérebro são percebidas com dor de cabeça predominantemente na nuca e no horário da manhã. Além disso, podem ocorrer tonturas, vertigens e zumbidos. Com maior elevação da pressão arterial, podem surgir outros sintomas, como crises de convulsão.
Os efeitos mais graves são os acidentes vasculares cerebrais – os AVC –, como as isquemias, as tromboses e hemorragias, que ocorrem em função do aumento progressivo da pressão. Mais conhecidos como derrames, que deixam sequelas graves que incapacitam os pacientes, como as hemiplegias (paralisações ou perdas dos movimentos de um membro ou lado do corpo) e a afasia (enfraquecimento ou perda da capacidade de transmissão das ideias), ou até mesmo pode levar à morte do indivíduo.
Função renal
O aumento da pressão pode causar a destruição interna dos rins, acarretando progressiva diminuição da sua função de filtragem da urina. Como consequência, todo o organismo é afetado, pois os rins são responsáveis pela eliminação das substâncias tóxicas através da urina. Além disso, a insuficiência renal crônica, tratada mediante hemodiálise ou transplante renal, gera sofrimentos pessoais e enormes gastos para o Sistema Único de Saúde - SUS, limitando o investimento em outras áreas.
Além das consequências citadas, devemos enfatizar a perda progressiva da visão, causada pelo comprometimento da retina, que tem seu tecido degenerado pela hipertensão, é a chamada retinopatia hipertensiva, que diminui a acuidade visual podendo levar à cegueira. Como se vê, apesar de comum essa doença pode trazer sérias consequências, caso não lhe seja dada a necessária atenção.
Para prevenir e tratar a maioria dos casos leves e moderados da hipertensão arterial é preciso mudar alguns hábitos do dia a dia do indivíduo como:
- Diminuir o sal na alimentação;
- Substituir os alimentos gordurosos por alimentos saudáveis, como as frutas, legumes, verduras, grãos e carnes brancas (peixe e frango);
- Eliminar o fumo;
- Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Praticar sempre exercícios físicos adequados a saúde do indivíduo.
Pelo fato da hipertensão ser dependente de muitas causas, implicar vários fatores, atingir tantas pessoas e, na maioria das vezes, passar despercebida, o sucesso das medidas preventivas e corretivas poderá ter um resultado mais eficiente se acompanhado por uma boa equipe de profissionais de saúde empenhada nas ações de prevenção e controle.
Assim, ao nível dos centros e postos de saúde, têm igual importância tanto o médico quanto a enfermeira, o nutricionista e o psicólogo; a assistente social e o instrutor de educação física; o farmacêutico e os agentes comunitários.
Atividades em grupo, tais como reuniões periódicas com pacientes e grupos de risco e outros programas comunitários, envolvendo profissionais das várias especialidades, têm se mostrado altamente eficazes na prevenção e controle da patologia. A hipertensão arterial pode ser tratada com ou sem medicamentos, cuja escolha, sempre por recomendação médica, dependerá do estudo minucioso de cada caso.
Tratamentos medicamentosos
Após estudar cuidadosamente cada paciente, o médico pode recomendar o uso de drogas como diuréticos e vasodilatadores – as quais sempre estarão associadas com as medidas não medicamentosas que ajudarão a controlar a doença hipertensiva.
Tratamentos não medicamentosos
Geralmente, recomenda-se a redução do peso corporal e da ingestão de sal; o aumento da ingestão de potássio; a redução ou o abandono das bebidas alcoólicas; o abandono do tabagismo; o controle do colesterol e do diabetes; as medidas para evitar o estresse e a irritação e, finalmente, evitar o uso de drogas que possam elevar a pressão arterial.
O ministro da Saúde, Barjas Negri, anunciou no mês de fevereiro deste ano, que o governo vai garantir, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), remédios a todos os portadores de hipertensão arterial. A distribuição começa em maio próximo. Mais de nove milhões de pessoas serão beneficiadas. “Agora a hipertensão passa a fazer parte dos projetos estratégicos do Ministério da Saúde”, afirmou o ministro.
Atualmente, o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais de saúde e as prefeituras já distribuem gratuitamente remédios para hipertensão a mais de quatro milhões de pessoas por meio das equipes dos programas de Saúde da Família e Assistência Farmacêutica Básica.
A partir de maio, para atender mais dois milhões de pessoas, o Ministério da Saúde entregará anti-hipertensivos por meio das prefeituras municipais. Ou seja, mais de seis milhões de pessoas estarão sendo beneficiadas com medicamentos gratuitos para combater a doença. “No prazo de um ano vamos centralizar a compra desses medicamentos”, disse Negri. Ele explicou que os laboratórios oficiais atualmente têm condições de produzir 100% da demanda desses medicamentos a um custo muito menor do que seria, caso o Ministério da Saúde repassasse o dinheiro para que prefeituras e estados fizessem a compra.
O envio dos remédios passará a ser feito a cada três meses. A aquisição destes medicamentos - Hidroclorotiazida, Propanolol e Captopril – está estimada em R$ 100 milhões anuais. A estratégia do Ministério da Saúde é aumentar, gradativamente, a oferta de anti-hipertensivos no SUS, que podem ser retirados nas unidades básicas de saúde. A previsão é que, até o final deste ano e início de 2003, nove milhões de pessoas tenham acesso aos medicamentos.
Monitoramento - Além da distribuição dos medicamentos, o Programa Nacional de Assistência Farmacêutica para Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus vai estruturar um cadastro nacional de portadores de hipertensão arterial, que será integrado ao Cartão Nacional de Saúde do SUS. A partir de setembro 2002, os municípios terão de cadastrar todos os pacientes. A medida vai permitir a avaliação e monitoramento constante dessas doenças. Estima-se que 35% da população adulta sejam susceptíveis à hipertensão. O Ministério da Saúde também está investindo na capacitação de profissionais de saúde para a prevenção, diagnóstico e tratamento da hipertensão e diabetes.
Até agosto de 2002, deverão ser treinados 15.100 médicos e enfermeiros que atuam nos postos de saúde dos 226 municípios de grande porte do país. Esse projeto de educação permanente está sendo realizado em cooperação técnica com as Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Hipertensão, de Diabetes e de Nefrologia. Além disso, no final do ano passado, o Ministério da Saúde adquiriu 34.500 esfigmomanômetros (aparelhos utilizados para medir pressão arterial) para as unidades de saúde municipais. Desse total, 22.500 já foram entregues. Os demais serão chegarão às prefeituras nos próximos 30 dias. Os investimentos totalizam R$ 1,2 milhão.
Diagnóstico - O programa de distribuição de medicamentos faz parte do Plano de Reorganização de Atenção aos Portadores de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. A iniciativa tem como objetivo reorganizar e ampliar o atendimento aos portadores dessas duas doenças no SUS, em parceria com estados, municípios e entidades representativas. No Brasil, as doenças do aparelho circulatório lideram o ranking da mortalidade, com 225 mil mortes por ano (27% do total). Dentro desse grupo, destaque para a hipertensão arterial – relacionada a cerca de 25% dos casos de diálise por insuficiência renal crônica terminal, 80% dos derrames e 60% dos infartos do miocárdio. Uma pessoa tem hipertensão arterial quando o sangue faz grande pressão nas artérias (valor igual ou acima de 140 por 90 mmHG). Essa pressão, quando não controlada, pode prejudicar o funcionamento do coração, do cérebro e dos rins.
O diagnóstico é simples: basta medir a pressão. Pessoas acima de 20 anos devem medi-la pelo menos uma vez por ano. Se houver pessoas hipertensas na família, o cuidado deve ser maior e a pressão deve ser medida ao menos duas vezes por ano. A alimentação dos hipertensos deve ter pouco sal e baixo valor calórico. Esses pacientes devem fazer exercícios regularmente e adotar hábitos saudáveis.
Na maioria dos casos, a hipertensão não apresenta nenhum sintoma. No entanto, algumas pessoas sentem dores de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, dor no peito e fraqueza
Fonte: Ministério da Saúde*
 

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