Ascaris, Enterobius e Trichuris - Parasitos

Ascaris, Enterobius e Trichuris - Parasitos
FARMACIA
Ascaris lumbricoides

É um helminto nematoide da família Ascarididae e o maior parasito habitual do homem. Os áscaris são conhecidos, popularmente, como lombrigas ou bichas. Localizam-se de preferência no duodeno e no jejuno, onde produzem um quadro clínico variado denominado ascaríase.

São vermes longos, cilíndricos e com extremos afilados, sobretudo anteriormente. A extremidade posterior das fêmeas é quase reta, enquanto a dos machos é enrolada ventralmente em espiral. Em geral, há em torno de 6 vermes por paciente. Mas esse número pode elevar-se a 500 ou 700 em alguns casos. Na maioria das vezes, a infecção é leve e clinicamente benigna.

Mais comum, em crianças, é a obstrução intestinal por um bolo de áscaris, que determina o quadro de abdome agudo. Os vermes localizam-se, em geral, nas alças jejunais (90%); o resto no íleo. Raramente migram para o duodeno, estômago ou outros lugares. Mas, crianças muito parasitadas podem eliminar alguns pela boca ou pelas narinas.

Os áscaris mantêm-se em atividade constante, movendo-se quase sempre contra a corrente peristáltica. Aí, se nutrem de materiais semidigeridos ou outros, dispondo para isso de todas as enzimas necessárias. As fêmeas devem ser fecundadas várias vezes. Elas acumulam os espermatozoides ameboides (sem flagelos) no útero ou começo do oviduto, onde são fertilizados os óvulos ao passarem. Os ovos férteis são ovais ou quase esféricos. Eles têm uma delgada casca interna, impermeável; outra média, quitinosa; e a mais externa é albuminosa, espessa e com rugosidades grosseiras.

No solo, embrionam em 2 semanas (entre 20 e 30ºC) e se tornam infectantes dentro de outra semana. Mas podem permanecer aí infectantes durante um ou mais anos. Os ovos de áscaris são abundantes no chão do peridomicílio poluído com fezes humanas, e podem ser suspensos no ar, com a poeira, pela ação dos ventos. Quando isoladas ou mais numerosas que os machos, as fêmeas podem por ovos inférteis, mais alongados, que não embrionam. Ovos de áscaris podem ser ingeridos com os alimentos ou a partir das mãos sujas. Mas, também, serem aspirados e depois deglutidos com o muco das vias aéreas. No cecum do hospedeiro, os ovos embrionados são induzidos a eclodir pela ação do CO2 e de outros fatores, liberando uma larva de 2º estádio. Esta que é aeróbia invade a mucosa intestinal e vai pela circulação até o pulmão, onde chega em 4 ou 5 dias. Aí, cresce e sofre nova muda, passando a larva de 3º estádio após 8 ou 9 dias. As larvas de 3º estádio penetram nos alvéolos, onde ocorre a 3ª muda. Medindo agora entre 1 e 2 mm, são arrastadas pela corrente de muco dos bronquíolos e brônquios, sobem pela traqueia e laringe, sendo deglutidas com as secreções brônquicas.
Ao chegarem ao intestino, dá-se a 4ª e última muda que as transforma em adultos jovens. O crescimento continua até a maturidade, ao fim de 2 meses.

Os áscaris podem permanecer nos intestinos sem molestar o paciente, sendo descobertos, ocasionalmente, quando um deles for expulso com as fezes. Ou pelo encontro de ovos, durante um exame coproscópico de rotina.

Nos casos sintomáticos, as manifestações mais frequentes são: desconforto abdominal, dor epigástrica, cólicas intermitentes e má digestão; assim como náuseas, anorexia e emagrecimento. Também costuma haver irritabilidade, sono intranquilo, ranger de dentes à noite e coceira no nariz. Pessoas hipersensíveis podem apresentar quadros alérgicos, como urticária, edemas e crises de asma que se curam com anti-helmínticos. Em populações de baixa renda e crianças desnutridas, os parasitos agravam o mau estado nutricional. Os quadros clínicos não permitem distinguir a ascaríase de outras helmintíases intestinais, a menos que um verme tenha sido eliminado durante uma defecação ou vomitado, é o exame parasitológico das fezes a melhor forma de se diagnosticar esta helmintíase.
Dada a quantidade de ovos habitualmente produzida, basta um simples exame de fezes diluídas e colocadas entre lâmina e lamínula, para que sejam reconhecidos ao microscópio. Se for utilizado o método de sedimentação em vaso cônico (método de Lutz), o resultado aproxima-se de 100% de sensibilidade.

Enterobius vermicularis

Este helminto (outrora denominado Oxiurus vermiculares) é agente etiológico da enterobíase (ou oxiuríase) parasitose intestinal peculiar à espécie humana e frequente, em crianças.

A fêmea cilíndrica e com extremidades afiladas mede cerca de 1 cm. A cutícula lisa forma 2 expansões cervicais. O macho muito menor tem a extremidade posterior enrolada ventralmente.

O hábitat dos vermes adultos é a região cecal do intestino grosso humano e suas imediações, onde vivem aderidos à mucosa. Os enteróbios têm um esôfago com bulbo posterior e um intestino simples. Ovário, oviduto e útero são duplos e a vagina abre-se no limite entre terço anterior do corpo e o médio; o ânus fica no início do terço posterior. A fêmea fecundada, quando cheia de ovos no útero, relaxa sua inserção e é arrastada para fora do intestino sendo exprimida no ânus, razão pela qual expulsa grande quantidade de ovos na pele em torno. A morte da fêmea, ao fim de 35-50 dias, também libera ovos.
Os ovos são característicos, sendo mais achatados de um lado e, além de sua dupla casca, contêm uma larva L2 já formada por ocasião da posturae só se tornam infectantes após contato com o oxigênio no períneo ou no meio ambiente. Na temperatura da pele (30ºC) essa maturação faz-se em 4 a 6 horas.

Quando ingeridos, eclodem no intestino delgado do novo hospedeiro (ou do próprio paciente: é a autoinfecção), desenvolvendo-se as larvas até vermes adultos, enquanto migram lentamente até o cecum. Não há ciclo pulmonar. No hábitat definitivo copulam e as fêmeas começam a produzir ovos.

A ação patogênica é, principalmente, de natureza mecânica e irritativa, ao produzirem os vermes pequenas erosões da mucosa onde se fixam. Ou ao provocarem uma inflamação catarral quando o parasitismo for intenso. Só em casos extremos estão presentes milhares de vermes; pois, geralmente, eles são muito poucos. Em geral apenas uma de cada dez crianças infectadas apresenta sintomas, podendo-se encontrar uma ou algumas fêmeas, no períneo, a cada manhã. O principal sintoma é o prurido na região anal, que leva o paciente a coçar-se e chega, mesmo, a produzir escoriações. O períneo fica vermelho e congesto, podendo dar lugar a infecções. Também podem surgir lesões na mucosa retal. Em meninas pode haver prurido vulvar. Fenômenos de hipersensibilidade devem estar presentes, pois os pacientes sentem também prurido nasal. Crises de urticária não são raras. Irritabilidade, distúrbios do sono ou insônia podem resultar do parasitismo. Na esfera genital, a irritabilidade local leva, eventualmente, a um exagerado erotismo, masturbação ou ninfomania. No parasitismo intenso, instala-se uma colite crônica, com fezes moles ou diarreia e inapetência. Em consequência, há um emagrecimento do paciente. Pensa-se em enterobíase nos casos de prurido anal que se agrava à noite, com eosinofilia ligeira (4 a 15% de eosinófilos) e sem outras causas.

O exame de fezes (com enriquecimento) só revela 5 a 10% dos casos. O diagnóstico é fácil quando as pessoas que cuidam das crianças encontram os vermes no períneo, na roupa íntima ou de cama. O melhor método para o diagnóstico é a busca de ovos (ou vermes) no períneo, de manhã antes do banho, pela técnica da fita adesiva.

Trichuris trichiura

São vermes redondos de tamanho pequeno ou médio, que são filiformes em sua porção anterior e fusiformes posteriormente. A espécie que habitualmente parasita o homem é o Trichuris trichiura, que tem distribuição cosmopolita. T. trichiura é também denominado tricocéfalo (nome antigo). A infecção recebe os nomes de tricuríase, tricurose e tricocefalose.
As fêmeas adultas medem 3 a 5 cm de comprimento sendo os machos um pouco menores. O segmento delgado anterior é mais longo que o posterior. Os órgãos bucais são rudimentares e o esôfago, formado por uma coluna de células secretoras (esticócitos), sem musculatura, que apresenta delgado canal, atravessando todo o segmento delgado do corpo. O conjunto é o esticossomo. Os órgãos reprodutores são muito simples e singelos tanto no macho como na fêmea. A extremidade posterior do macho é enrolada ventralmente em espiral e, da cloaca, projeta-se um longo espículo envolvido por uma bainha cuticular recoberta de minúsculos espinhos.

O ciclo de Trichuris trichiura requer apenas um tipo de hospedeiro: do gênero humano. Os vermes adultos habitam em geral o cecum, poucas vezes o apêndice, o cólon ou as últimas porções do íleo. Alimentam-se aí do líquido intersticial, do sangue e de tecidos lisados. O número de parasitos albergados por um paciente está geralmente entre 2 e 10, mas varia consideravelmente podendo chegar a centenas, em casos raros. Cada fêmea fecundada elimina entre 3.000 e 7.000 ovos por dia.

Os ovos têm forma muito característica, elíptica, com casca tripla, de tonalidade castanha; contêm uma célula ainda não dividida. Nos extremos do ovo, há dois tampões polares de aspecto hialino, por onde se dará a eclosão da futura larva. Os ovos não embrionam enquanto no interior do intestino. A formação de uma larva tem lugar no meio exterior, ao fim de 11 dias em temperatura de 35ºC; de 3-4 semanas a 26ºC e só ao fim de 4 a 6 meses se a 15ºC.

No laboratório os ovos permanecem infectantes cerca de cinco anos. Mas em condições naturais devem resistir, pelo menos, durante vários meses. Quando ingeridos, chegam diretamente ao intestino grosso, sem migrações por outros órgãos. Aí, as larvas deixam o ovo por um de seus pólos e se fixam à mucosa, mergulhando nesta, seu segmento delgado. Tornam-se vermes sexualmente maduros ao fim de 1 a 3 meses.

Na grande maioria das vezes, o parasitismo é assintomático, não se sabendo a partir de quantos vermes os sintomas aparecem. Pensa-se que eles são consequência de uma irritação da inervação local, com reflexos sobre o peristaltismo e a absorção intestinal, ou de fenômenos de hipersensibilidade. Em crianças, pode haver apenas nervosismo, insônia, inapetência e eosinofilia. Mais vezes, ocorre diarreias, dor abdominal, tenesmo e perda de peso. Outros distúrbios digestivos podem estar presentes. Em crianças pequenas, a produção de diarreia persistente tende a gerar um quadro de desidratação. E uma irritação intestinal intensa, por elevada carga parasitária, chega a produzir prolapso retal.

Qualquer método de exame de fezes é adequado para o diagnóstico, dada a abundância de ovos nas fezes dos pacientes e sua forma característica. Nas infecções leves há menos de 5.000 ovos por grama de fezes. Nas pesadas, há mais de 10.000 ovos/grama.

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