Analgesia e fluidoterapia em equinos

Analgesia e fluidoterapia em equinos
VETERINARIA
Frequentemente na rotina clinica do médico veterinário que trabalha com equinos, ocorrerão casos de cólica abdominal. Vários sinais clínicos se associam com uma cólica. Os mais comuns são: pisoteios repetidos com os pés dianteiros, olhar para o flanco, levantamento do lábio superior e arqueamento do pescoço, coices no abdome, deitar-se, rolar-se, sudorese, estender-se como se fosse urinar, tenesmo, distensão abdominal e perda de apetite. Diversos fatores podem levar o animal a apresentar esses sinais de cólica e a analgesia é de estrema importância no tratamento desta.

A Dipirona é um dos fármacos existente que pode ser usada em casos onde a dor é discreta, na dose de10 mg/kg/IV. A associação de Dipirona e hioscina na dose de 4 ml/ 100 kg casos de cólica com presença de dor discreta a moderada costuma ter um bom resultado. Outro fármaco frequentemente administrado em equinos é o Flunixin meglumine, 1 mg/kg/IV, resultando em uma boa analgesia. Em casos mais graves de cólica equina ainda podem ser usados: Xilazina 0,5-1,0 mg/kg/IV, Detomidina 10-20 µg/kg/IV e Butorfanol 0,05 - 0,1 mg/kg/IV. A xilazina e detomidina produzem sedação, miorrelaxamento e analgesia intensa, facilitando a realização do exame de palpação retal no animal com síndrome cólica. A xilazina pode ser utilizada com esta finalidade na dose de 0,5 mg/kg/IV. O butorfanol proporciona alívio da dor com menor incidência de efeitos colaterais. No tratamento da dor abdominal, podem-se empregar as doses de 0,05 a 0,1 mg/kg/IV. Doses muito elevadas pode levar o animal a excitação. O butorfanol não deve ser usado por períodos muito longos, pois podem interferir no trânsito intestinal.

Além disso, na escolha do fármaco ideal para o tratamento de analgesia deve-se lembrar de que:

- O flunixin meglumine tem ação anti-inflamatória, antipirética e anti-endotoxemica; eficaz em dores viscerais.

- A fenilbutazona promove uma pequena analgesia visceral.

- A dipirona tem ação muito curta (1 a 3 horas), e como falamos é eficiente em dores leves. Potencializa a vasodilatação periférica, agravando os sinais de insuficiência circulatória nos casos mais graves.

- A meperidina: analgésico potente.

- A xilazina: produz boa analgesia, porém reduz a motilidade intestinal.

Estamos falando em tratamento de cólica e muitas vezes o diagnóstico feito é de cólica por compactação intestinal, que são acúmulos de alimentos ingeridos que se ressecam, podendo ocorrer em qualquer segmento do cólon maior, resultando em obstrução total do livre trânsito intestinal. O segmento que apresenta maior ocorrência de compactação é a flexura pélvica, decorrente do estreitamento do lúmen nessa região. A parte definitiva do exame é a palpação retal. Pode-se encontrar o reto vazio ou com fezes escassas, ressecadas e cobertas por muco, indicando grande absorção de líquido pelo cólon descendente ou menor, devido ao aumento de tempo de retenção das fezes.

Além de analgesia existirá a necessidade de hidratar o animal. Para isso é necessário fazer uso da fluidoterapia, que é considerada um tratamento de suporte, tendo como principais objetivos expandir a volemia, corrigir desequilíbrios hídricos e eletrolíticos, suplementar calorias e nutrientes e auxiliar no tratamento.

A fluidoterapia enteral pode ser utilizada administrando-se 10 litros a cada 30 minutos. Além de hidratar a massa, ela estimula a motilidade intestinal. Para proceder à intubação de um cavalo, deve-se escolher uma sonda de diâmetro adequado (para evitar lesões desnecessárias tanto nas vias nasais como na faringe ou esófago) e lubrifica-la com óleo mineral, facilitando o seu deslizamento.

A via intravenosa deve ser utilizada em desidratação moderada a severa. Nela, grandes volumes de fluído podem ser administrados em poucas horas, ou até que se tenha o quadro volêmico sob controle e seja avaliada a capacidade de trânsito de fluídos pela parede do intestino.

Importante: deve-se evitar fluidoterapia enteral na presença de íleo adinâmico ou obstruções localizadas no intestino delgado.
Se a decisão por parte do médico veterinário for de fazer a fluidoterapia intravenosa, baseado no quadro clinico deve-se escolher umas das soluções que veremos a seguir. Antes disso precisamos lembrar que estamos usando o caso de cólica por compactação, por exemplo, por ser frequente na medicina veterinária, mas os fármacos analgésicos citados e os fluidos que vamos ver agora podem ser empregados em qualquer tratamento no qual o médico veterinário julgue necessário.

As soluções disponíveis para fluidoterapia em grandes ou pequenos animais são:

- Ringer com lactato de sódio: Trata-se de uma solução isotônica, que tem características alcalinizantes, O lactato sofre biotransformação hepática em bicarbonato, sendo essa solução a mais indicada para acidoses metabólicas Por conter cálcio não é indicada para animais hipercalcêmicos, assim como não é indicada para pacientes com doenças no fígado. Não deve ser administrada junto com hemoderivados, no mesmo cateter intravenoso, para evitar precipitação do cálcio com o anticoagulante. É a que apresenta composição mais próxima à do plasma. Ë a solução empregada na maioria dos pacientes como fonte inicial e emergencial de reposição hidroeletrolítica até que as análises laboratoriais possam direcionar melhor a fluidoterapia.

- Ringer simples tem características semelhantes ao ringer lactato, porém não contém o lactato. Utilizado para reposição e contém mais cloreto e mais cálcio que outras soluções, o que faz com que ele seja levemente acidificantes (pH 5,5). Em casos de alcaloses metabólicas, seu uso é indicado.

- Solução NaCl a 0,9% contém apenas sódio, cloro e água. É acidificadora, sendo indicada para pacientes com alcalose, insuficiência renal, oligúrica ou anúrica (pois evita retenção de potássio) e hipercalcemia (pois não contém cálcio). As situações clinicas mais comuns que requerem o uso de NaCl 0,9% são as rupturas de bexiga em potros e a desidratação após exercício físico.

- Solução de glicose a 5% em NaCl a 0,9% também é chamada de solução glicofisiológica,. Possui composição semelhante à solução de NaCl a 0,9%. Apresentação: Frascos de polietileno de 50ml, 100ml, 250ml, 500ml e 1000ml.

- Solução salina hipertônica é uma solução hipertônica utilizada para reanimação. É indicada em casos de hemorragia, queimaduras, hipovolemia e choque. Deve-se ter cuidado, pois as soluções hipertônicas levam ao aumento da frequência cardíaca, vasodilatação pulmonar e sistêmica, manutenção do fluxo sanguíneo nos órgãos vitais. Ao administrar este tipo de solução o animal deve ser monitorado com atenção.

Além dessas existem as soluções coloidais que contêm substâncias de alto peso molecular restritas ao compartimento plasmático menos utilizado em terapias de grandes animais, sendo mais comum sua utilização em pequenos animais devido ao alto custo. Os coloides sintéticos disponíveis no mercado são derivados de dextranos (Dextran 40 e 70), polímeros de gelatina (Haemacel e Polisocel), amido de hidroxietila (Hetastarch) ou fluídos carreadores de oxigênio à base de hemoglobina (Oxyglobin®, Biopure Corporation, Cambridge, MA). Em equinos, o coloide usado com mais frequência é o plasma, embora seja menos efetivo em aumentar a pressão oncótica, devido à rápida redistribuição das proteínas para o espaço extra vascular.

O cálculo da quantidade necessária de solução para reidratação é realizado de acordo com a porcentagem de desidratação e o peso corporal do animal. De forma geral, emprega-se a quantidade de 50 a 100 ml/kg/dia, utilizando-se os valores inferiores para animais adultos e os superiores para animais jovens.

Volume de reidratação (litros/dia) = % de desidratação x peso corporal (Kg)

Volume total= % de desidratação x peso (kg) + manutenção

Por exemplo:

Vaca de 500 kg de PV (peso vivo), com grau de desidratação de 8%.

O calculo para determinação da quantidade de total de fluido a ser administrado num período de 24 h, é o seguinte:

- Volume total = % de desidratação x peso (kg) + manutenção
- Volume total = (8% x 500) + (50 x 500)
- Volume total = 4000 + 2500 = 6500 ml => 65 litros.

Ainda citando o caso de cólica por compactação equina como exemplo, podem-se usar laxantes para tratamento. Os laxantes suaves podem ser administrados para estimular a peristalse, movimentar líquidos na luz intestinal e penetrar na massa ressecada, desfazendo-a. É mais indicado o dioctil-sulfosuccinato de sódio ao óleo mineral que não penetra na massa compactada, além de irritar a mucosa. Deve ser administrada pala via oral na dose de 20 mg/kg de peso, repetindo-se após 48 horas Os purgantes salinos só devem ser utilizados quando se tiver certeza de não haver obstrução intestinal.

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