Sexualidade na Terceira Idade

Sexualidade na Terceira Idade
ENFERMAGEM
A sexualidade na terceira idade apresenta estereótipos de diversos significados que se associam as disfunções ou insatisfações com o ato sexual. A aparência física contribui para uma atitude inibitória da atividade sexual. No entanto, estudos apontam que há um grande número de idosos com idade superior aos 65 anos que continuam a atividade sexual e relatam estar satisfeitos com o sexo e seu parceiro. (GAVIÃO, 2005).

A atividade sexual regular ajuda a manter a habilidade no sexo. Com o processo de envelhecimento, sabe-se que há diminuição de resposta aos estímulos. No homem, a produção de espermatozóides e testosterona diminui após os 40 anos. Por sua vez, a mulher idosa perde a libido, enquanto o homem mantém a libido, mas apresenta disfunções na ereção e ejaculação. As alterações podem intervir no aspecto sexual, social e psicológico da pessoa idosa.

Os homens idosos percebem algumas alterações, tais como:
- Depressão.
- Irritabilidade.
- Falta de impulso sexual.
- Ereção menos rígida.
- Redução da força de ejaculação.
- Percepção mais limitada da ejaculação.
- Diminuição do volume do sêmen.
- Maior tempo para outra ereção.
- Orgasmo mais rápido.
- Maior tempo de estimulação manual. (NOBILE, 2002; GAVIÃO, 20005).

As pessoas idosas podem apresentar sentimentos de temor e ansiedade que resultam em interpretações negativas sobre a atividade sexual, as alterações na estrutura genital e a resposta sexual. Tais sentimentos podem emergir quando detectado a impotência sexual e frigidez feminina. Segundo Nobile (2002), a impotência sexual pode agravar-se em pessoas com diagnósticos de problemas cardíacos, diabetes e hipertensão arterial. Por sua vez, nos casos de morbidade e de invalidez que possam trazer alterações na sexualidade, não se deve impedir a pessoa idosa que tenha uma vida sexual satisfatória e de realização pessoal (GAVIÃO, 2005).

Segue algumas orientações às pessoas idosas para manter a satisfação com atividade sexual:
- Orientar a regularidade da atividade sexual contínua.
- Orientar a auto-estimulação antes do ato sexual.
- Orientar as consultas periódicas ao ginecologista e urologista.
- Incentivar a atividade física.
- Estimular a alimentação equilibrada.
- Orientar as medidas para diminuir o estresse e a ansiedade.
- Orientar o uso de fantasias sexuais para maior estimulação.
- Explicar as mudanças fisiológicas vindas com a idade.
- Explicar as adaptações sexuais.

Portanto, ao abordar a questão da sexualidade na velhice, surge também a preocupação com as doenças sexualmente transmissíveis. Soares et al. (2002) menciona que a pessoa idosa pode apresentar alterações sociocomportamentais, as quais tornam o idoso suscetível para doenças sexualmente transmissíveis, inclusive ao vírus da imunodeficiência humana. Os dados epidemiológicos apontam um aumento de idosos portadores da imunodeficiência humana. Diante desse comportamento de risco, destaca-se: a troca de parceiros entre os idosos, o consumo de álcool e drogas, a inexistência do uso da camisinha, entre outros.

Os sinais e sintomas da imunodeficiência humana são: alteração do hábito intestinal (diarréia), alteração neurológica (perda da memória e redução da atividade intelectual), cefaléia, algia óssea e articular, fadiga e cansaço, hipertermia e calafrios, lesões cutâneas, linfonodomegalias, lesões na mucosa oral, perda de peso, resfriados, tosse e sudorese noturna. Todavia, os idosos estão expostos às doenças sexualmente transmissíveis, e muitos sintomas supracitados podem ser ausentes, levando ao diagnóstico tardio e de sobrevida menor.

A sexualidade é um aspecto importante à vida do indivíduo, seja ele jovem ou idoso. Para tanto, deve-se conhecer as alterações fisiológicas e psicológicas nessa etapa do ciclo vital. A qualidade de vida e a satisfação em viver da pessoa idosa dependem também da expressão sexual e afetiva. Tal expressividade facilita o atendimento holístico da pessoa idosa no contexto domiciliar.

Entende-se que a sexualidade humana é uma prática imprescindível para a realização pessoal de todo ser humano, a qual se diferencia de acordo com as aptidões, valores e crenças de cada grupo social. Os profissionais de saúde são agentes multiplicadores das boas práticas de cuidado a saúde na sexualidade, em que abordam a temática entre os púberes nas escolas, portanto, devem extrapolar as fronteiras da escola discutir junto aos idosos, seja em consultas ou em grupos de terceira idade.

Os profissionais podem contribuir para a desmistificação da sexualidade e para a idéia da universalização do atendimento holístico e humanizado na busca da qualidade de vida dessa população idosa. A seguir será abordado o climatério, menopausa e andropausa que são eventos que ocorrem com o processo de envelhecimento e influencia a sexualidade feminina e masculina.

Climatério e Menopausa
O climatério é considerado o período de transição entre o final da vida reprodutiva plena e o início da senectude. O climatério pode ter o início aos 35 anos de idade e estender-se até os 65 anos. (FREITAS e PIMENTA, 2002).

Estudos apontam cinco grupos principais de alterações psicológicas: aumento da irritabilidade, da agressividade, de “nervosismo” com um aumento da tensão interna e inquietude; distúrbios do sono para adormecer, despertar precoce, insônia, inquietude durante o repouso noturno e sono com interrupções frequentes; depressão; declínio do rendimento mental, fadiga, perda de memória, dificuldade de concentração; e as alterações na sexualidade. (LIBERMAN, 2002).


A menopausa para a mulher traz mudanças pessoais e sociais, que podem iniciar após o climatério. A menopausa é a cessação total da menstruação e da função ovariana. Tal evento remete as mudanças fisiológicas: na pele, nas mamas e na mucosa genital, assim como apresenta alterações psicológicas: irritabilidade e alterações de humor.

Alguns sinais e sintomas da menopausa:
- Diminuição na produção de hormônios femininos.
- Perda da libido.
- Presença dos "fogachos" (palpitações, sensação de mal-estar, sensação de onda de calor, mãos edemaciadas e quentes, sensação de ardência na face).
- Desaparecimento progressivo da ovulação.
- Diminuição ou desaparecimento da menstruação.
- Atrofia geniturinária.
- Presença de dispaurenia.
- Sudorese noturna.
- Maior possibilidade do aparecimento da osteoporose, arteriosclerose, incontinência urinária aos esforços, entre outras doenças. (LIBERMAN, 2002).

Entretanto, o evento do climatério e menopausa aumenta o risco de alterações cardiovasculares, sendo a principal causa de morte entre as mulheres. Tal afirmação é confirmada por meio de dados epidemiológicos em que a incidência de doenças cardiovasculares no sexo feminino somente é inferior em idade reprodutiva ao comparar ao sexo masculino (FREITAS e PIMENTA, 2002).

Corrobora-se com as autoras supracitadas (2002) de que o climatério é o momento decisivo para mulher proporcionar um envelhecimento saudável e com qualidade de vida, a partir da modificação do estilo de vida (tabagismo, sedentarismo, etilismo e alimentação), do controle dos fatores de risco, e se necessário um suporte psicológico. A reposição hormonal vem sendo discutida amplamente pela medicina, ficando ao critério do médico a indicação dessa terapia hormonal.

Bassit (2002) discute que as sociedades contemporâneas ocidentais caracterizam a maturidade feminina, indicando quais os eventos biológicos, psicológicos, sociais e culturais que são utilizados para distinguir esse período de vida.

O assunto climatério e menopausa são discutidos na pluralidade de conceitos e definições em torno das diferenças psicossociais e culturais relatadas pelas mulheres de grupos sociais distintos e vivenciam essa etapa do ciclo vital agregado ao conhecimento científico. Nesse sentido, ao identificar a diversidade de experiências e vivências de mulheres idosas que relatam na sua subjetividade em grupos de terceira idade, contribuirá com o profissional para a orientação sobre o climatério e menopausa, sugerindo alternativas para promover a saúde física e mental da mulher em processo de envelhecimento.

A pós-menopausa representa os anos que se sucedem da última menstruação que eleva os riscos à saúde da mulher com maior incidência de agravos de longa duração (cardiovasculares, osteoporose e demência). Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres tendem a passar um terço de suas vidas nessa condição de pós-menopausa. Tal característica reforça o climatério como um período na vida das mulheres que deve ser dedicado à prevenção de doenças e à promoção da saúde mental e física. (ALDRIGHI et al., apud BASSIT, 2002).

Esse período de pós-menopausa influencia a aparência física e feminilidade associada à representação do corpo feminino que tem significados distintos, pois está centralizado na perda do potencial de atração sexual, bem como na perda da fertilidade e da funcionalidade de seu corpo. A perda da juventude e dos atrativos sexuais pode ser um dos motivos de maior ansiedade e depressão para as mulheres, principalmente, as que tiveram algum poder e satisfação com sua aparência e/ou poder de atração sexual. Tal imagem identificada pela mulher idosa possibilita as disfunções sexuais que desencadearam alterações comportamentais na atividade sexual junto do seu parceiro/cônjuge. (FREITAS e PIMENTA, 2002).

Nessa perspectiva, a menopausa para algumas mulheres é considerada um período de exclusão dos valores que foram construídos na fase adulta. Essa exclusão se fundamenta na perda da capacidade de gerar filhos, das dificuldades para manter uma atividade sexual satisfatória e a constatação de que cônjuge e os filhos não necessitam de tantos cuidados. (BASSIT, 2002).
Bassit (2002) menciona que a prescrição da terapia de reposição hormonal se apresenta como uma salvação para as mulheres que almejam juventude eterna e que buscam evitar os sintomas indesejáveis do climatério e da menopausa. Sabe-se que a terapia de reposição hormonal é capaz de retardar o processo de envelhecimento, mas o uso prolongado da terapia eleva o risco de câncer de colo de útero, de mama, entre outros.

Portanto, a menopausa não deve sinalizar o fim da vida da mulher e do papel social que desempenha em sua família e comunidade, mas o início de uma segunda idade adulta, com perspectivas de desempenho de novos papéis sociais. Em relação à ausência de parceiros ou do cônjuge, Bassit (2002) indica que os profissionais de saúde podem sugerir alternativas que possam satisfazer a sexualidade da pessoa idosa, sejam os artefatos sexuais ou a masturbação. Como uma forma de produzir o prazer, os quais deveriam estar mais acessíveis a população, e não rodeados por tabus que a própria sociedade impõe.

Andropausa

A andropausa ou climatério masculino podem ser inadequados, visto que na menopausa ocorre a falência dos ovários e o fim do ciclo reprodutivo da mulher. No homem, a andropausa ocorre com o avançar da idade que diminui a produção de vários hormônios, principalmente, a testosterona que é caracterizada por deficiência. (BASSIT, 2002).

A testosterona facilita e promove o crescimento e a virilização do homem, estando associada às mudanças na composição corporal, como a distribuição de pêlos na face, tórax e na região púbica, aumento da massa muscular e funções sexuais. Existem grandes variações individuais na produção hormonal e variações com a idade. No sangue, a testosterona está circulando geralmente ligada às proteínas plasmáticas (BASSIT, 2002).

Nobile (2002) ressalta que para o homem o envelhecimento físico pode agregar-se a falta de desejo sexual alinhado ao fator psicológico que provocará a redução da produção de testosterona, sendo denominado esse evento como andropausa. Por sua vez, a andropausa não é igual para todos os homens, mas todos experimentaram algumas diferenças na medida em que ocorre o processo de envelhecimento. Tal redução de testosterona ocorre de forma discreta nos homens que ultrapassam os 50 anos, sendo evidenciado como fisiológico e natural. Após os 40 anos, a testosterona começa a diminuir cerca de 1% ao ano. Portanto, a andropausa é o resultado das disfunções sexuais e dos problemas físicos provocados pela redução do nível de testosterona que atinge o sexo masculino com mais de 50 anos. (LIBERMAN, 2002).

Neste período do envelhecimento, o homem é marcado por mudanças fisiológicas e psicológicas, mas com menor intensidade por causa da queda lenta e progressiva da testosterona, ao contrário do sexo feminino em relação à menopausa. Nessa fase, em 15% dos casos surgem sintomas como perda de interesse sexual, problemas de ereção, falta de concentração, queda de pelos pubianos e aumento de peso, irritabilidade e insônia, entre outros. O medo de enfrentar desafios, seja na vida particular ou profissional, é um dos sintomas mais comum entre os homens. (FREITAS e PIMENTA, 2002).

Além disso, a produção de testosterona pode ainda ser alterada por várias condições clínicas, tais como: uso de alguns medicamentos; obesidade; doenças hepáticas; doenças renais; doenças endócrinas, principalmente da tireóide e do pâncreas; por doenças coronarianas; depressão; tabagismo; e sedentarismo.

Os sinais que surgem é a diminuição do desejo sexual associado ao declínio da disposição mental e ao trabalho. O déficit de testosterona cerebral contribui para episódios depressivos, dando a sensação de que a vitalidade se perde a cada dia que passa. (BASSIT, 2002; NOBILE, 2002).

Os sinais e sintomas decorrentes da andropausa:
- Aumento da proporção de gordura corporal.
- Diminuição da massa muscular.
- Tendência à anemia.
- Tendência à osteoporose.
- Perda de interesse sexual.
- Dificuldade de ereção.
- Dificuldade de concentração.
- Dificuldade na ejaculação.
- Problemas de memória.
- Apatia e depressão.
- Queda de pêlos pubianos.
- Aumento de peso.
- Irritabilidade.
- Insônia. (NOBILE, 2002).


Estudos demonstram que a testosterona exerce significativa influência na libido e função sexual. A deficiência de testosterona avaliada em laboratório sugere-se a terapia de reposição hormonal que aumenta a ousadia, o interesse, o comportamento e o desempenho sexual. Tal terapia é indicada sob prescrição médica. Através da terapia de reposição hormonal masculina os níveis hormonais são restabelecidos, resultando na redução da irritabilidade, melhora da depressão e proporciona a vontade e desejo de ser novamente produtivo. O homem que faz o tratamento sente mais energia, força física, força mental e vida sexual mais satisfatória. (BASSIT, 2002; NOBILE, 2002).

Nobile (2002) salienta que nessa área da sexualidade os profissionais de saúde não estão preparados para ter uma abordagem holística, respeitosa e humanizada da disfunção sexual que ocorre com o processo de envelhecimento. Tornam-se extremamente necessárias discussões sobre a sexualidade na formação dos profissionais de saúde, para que amplie a atuação e resolubilidade nas questões inerentes à disfunção sexual de pessoas idosas.

Entende-se que as discussões devem ocorrer, além das questões anatômicas, pois se inclui os aspectos psicológicos e sociais em torno dessa área temática, bem como ter o espaço para ouvir e falar sobre necessidades sexuais, que se considera como uma necessidade humana básica para todo ser humano.

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