Programa de controle da Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus

Programa de controle da Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
ENFERMAGEM
PROGRAMA DE CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES MELLITUS DO
SISTEMA PENITENCIÁRIO DO RIO DE JANEIRO



Introdução:


A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabete Mellitus (DM) constituem fatores de risco para doenças cardiovasculares (morte súbita, infarto agudo do miocárdio, edema agudo de pulmão, acidente vascular encefálico e insuficiência renal). As mais incidentes são o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular encefálico (AVE).


Essas doenças constituem a principal causa de mortalidade na faixa etária de 30 a 69 anos e são responsáveis por 65% do total de óbitos, atingindo a população adulta em plena fase produtiva. Por esse motivo, a HAS e DM foram consideradas agravos de saúde pública, onde cerca de 60% a 80% dos casos podem ser tratados no âmbito de atenção básica, de acordo com o Caderno de Atenção Básica nº 07 do MS/2001. Dessa forma, evita-se o aparecimento e a progressão das complicações, reduz-se o número das internações hospitalares devido a esses agravos, bem como a mortalidade por doenças cardiovasculares.


Atualmente, 16,6 % dos leitos ocupados correspondem a internações por HAS e DM no Hospital Penal Fábio Soares Maciel e 21,3% no Hospital Penal Hamilton Agostinho.


Justificativa:
Em 2001, o Ministério da Saúde promoveu a campanha de Detecção de Casos Suspeitos para Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, direcionada para indivíduos com mais de 40 anos.


No entanto, o efetivo carcerário, por representar uma população que vive sob regime fechado, não participa das ações específicas que atingem a população em geral por meio do SUS.


Com essa preocupação e de acordo com as exigências da parceria do Ministério da Saúde e da Justiça, foi promovida no complexo prisional do Estado do Rio de Janeiro uma campanha de HAS e DM no mês de dezembro do ano de 2001, afim de possibilitar a implementação das diretrizes propostas para o diagnóstico precoce e tratamento desses agravos. O levantamento preliminarmente realizado demonstrou que um índice de aproximadamente 20% do contingente de internos apresentou-se como casos suspeitos de hipertensão arterial e diabetes.


Este planejamento tem o intuito de subsidiar a implantação e/ou implementação das metas propostas pelo Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, integrando ações e buscando as parcerias necessárias em outras instâncias para o controle e a captação de casos novos de diabetes e hipertensão.


Considerando que estas doenças podem levar à invalidez parcial ou total, o programa desenvolvido permitirá além da identificação precoce dos casos, evitar futuras complicações, melhorar a qualidade de saúde oferecida à população encarcerada, e reduzir gastos com hospitalizações, exames e medicações.


Objetivo Geral:

Implementar ações de prevenção e assistência à saúde à população carcerária portadora de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, e promover o tratamento clínico e/ou medicamentoso, quando necessário.

Objetivos específicos:

Os objetivos específicos foram traçados de acordo com o Plano de Reorganização da Atenção à HAS e DM, a saber:

- Realizar ações de atenção primária (redução e controle de fatores de risco);

- Identificar, cadastrar e vincular as às equipes de atenção básica os portadores de HAS e DM;

- Implantar, na atenção básica, o protocolo de assistência básica ao portador de HAS e DM;

- Reorganizar a rede de serviços, em todos os níveis de complexidade, para o atendimento de HAS e DM;

- Firmar convênios com as Secretarias Estaduais e Municipais para o recebimento de medicações e equipamentos, bem como a realização de cursos para treinamento das equipes multiprofissionais;

- Desenvolver atividades no campo da promoção para educação em saúde;

- Fornecer as medicações aos portadores de HAS e DM, no elenco mínimo definido pelo MS;

- Informatizar o cadastro de portadores de HAS e DM, a fim de permitir o acesso rápido às informações do tratamento clínico e medicamentoso, facilitando a transmissão on line dos dados sobre cada interno aos diversos setores envolvidos no atendimento (ambulatório, hospital, farmácia, serviço social);

- Realizar o monitoramento da população carcerária na busca ativa de novas ocorrências desses agravos;

- Executar ações informativas e elaborar folhetos explicativos destinados aos portadores de HAS e DM .



Etapas do Plano:


Etapa 1:
Capacitação dos profissionais de saúde através de convênios com as Secretarias Estaduais e Municipais;

Etapa 2:
Selecionar 10% do total da população carcerária de cada unidade, segundo critérios de nível de escolaridade (no mínimo o 1º grau completo) e com tempo mínimo de pena a cumprir de 5 anos;

Etapa 3:

Capacitar os internos escolhidos no processo seletivo acima descrito;

Etapa 4:

Promover campanhas sistemáticas de identificação e prevenção de HAS e DM, estimulando hábitos saudáveis de vida;

Etapa 5:

Confirmação do diagnóstico de HAS e DM, com início do devido tratamento clínico e medicamentoso, quando necessário;

Etapa 6:
Cadastramento dos portadores de HAS e DM;

Etapa 7:

Desenvolvimento de sistema informatizado para o arquivamento das fichas do internos.


Metodologia:

A abordagem inicial é a investigação de casos de HAS e DM em todos os internos acima de 20 anos no ato de seu ingresso na unidade.


O rastreamento se iniciará no preparo do interno para a verificação da glicemia capilar, verificação do peso, altura e aferição da pressão arterial pela auxiliar ou técnico de enfermagem. Este anotará nos impressos do programa os resultados e no final do dia preencherá o mapa que consolidará o número total de glicemias capilares e pressões elevadas, bem como o número de internos que já sabiam ser diabéticos e o número total de inscritos no programa de Diabetes e Hipertensão. Todos os dados no final do mês serão encaminhados à Divisão de Enfermagem.


Os internos que apresentarem uma pressão arterial maior ou igual a 140/90mmHg em duas aferições seguidas, tendo o profissional certificando-se que o mesmo não está de bexiga cheia; não praticou exercícios físicos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café; alimentos ou fumou até 30 minutos antes da medida, terão seu retorno agendado para o médico clínico.


Os internos com glicemia capilar de jejum ou após 4 horas sem alimentação, que apresentarem valor maior ou igual a 126mg/dl, serão encaminhados para exame de glicemia plasmática, devendo ser repetido em duas ocasiões separadas, quando este resultado for maior ou igual a 126mg%, terão seu retorno agendado para o médico clínico.

Hipertensão Arterial Sistêmica - HAS

Conceito:


Segundo o III Congresso Brasileiro de HAS , o limite escolhido para definir HAS é o de igual ou maior de 140/90 mmHg, quando encontrado em pelo menos duas aferições realizadas no mesmo momento.


A OMS destaca o fato de que não se deve somente observar os níveis de pressão arterial, sendo também necessária uma avaliação do risco cardiovascular global.


A hipertensão arterial é caracterizada por uma pressão arterial sistólica maior ou igual a 140mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva.

Classificação diagnóstica dos níveis de pressão arterial no adulto acima de 18 anos.


Pressão Arterial Diastólica (mmHg) PAD Pressão Arterial Sistólica (mmHg) PAS

Classificação

< 85
85 - 89
90 - 99
100 -109
>/= 110
< 90 < 130
130 - 139
140 - 159
160 - 179
>/= 180
>/= 140 Normal
Normal limítrofe
Hipertensão leve(estágio 1)
Hipertensão moderada(estágio 2)
hipertensão grave(estágio 3)
Hipertensão sistólica(isolada)


FONTE: III Congresso Brasileiro de HAS


Aceita-se como pressão arterial ideal, condição em que o indivíduo possui o menor risco cardiovascular , PAS < 120mmHg e PAD < 80mmHg.


Admite-se como pressão arterial normal, para indivíduos adultos (maiores de 18 anos) que não estejam em uso de medicação anti-hipertensiva e sem morbidades associadas, PAS< 130 mmHg e PAD<85mmHg.


Considera-se como pressão arterial normal limítrofe o indivíduo incluso no grupo com cifras tensionais de PAS 130 - 139mmHg / 85-89mmHg.


Este grupo, que aparece como o mais prevalente, será alvo de atenção básica e se beneficiará com medidas preventivas.


Deve-se destacar que a tabela usada para classificar o estágio de um indivíduo hipertenso não estratifica o risco do mesmo. Desta forma, um hipertenso classificado no estágio 1, caso seja diabético, pode ser estratificado com grau de risco muito alto.


Critérios de acompanhamento:

- Hipertensos leves (estágio 1):
Agendamento com intervalo de 3 meses para consulta médica e aferição da PA, avaliação das intercorrências e fornecimento da medicação mensalmente pela equipe de saúde;

- Hipertensos moderados (estágio 2):

Agendamento com intervalos menores, de acordo com a evolução paciente;

- Hipertensos severos (estágio 3):

Garantia de atendimento de referência e contra-referência para as especialidades inerentes ao acompanhamento dos internos.


Garantia de parecer ou referência dos internos com nível 2 de difícil controle e dos internos com nível 3 e/ou com lesão de órgão-alvo para unidades de maior complexidade.

Se o interno apresentar sinais de crise hipertensiva: brusca elevação da pressão arterial (PAD acima de 120-130 mmHg) associadas a sintomas como cefaleia, alterações visuais, após medicação, deve ser encaminhado para uma unidade de maior complexidade.


Hipertensão Arterial Sistêmica na Gestação:

Deve ser detectado precocemente, pois constitui risco materno e perinatal.


Fatores de risco:

História de HAS antes da gestação;

Aumento da pressão sistólica igual ou superior 30mmHg e da pressão diastólica igual ou superior a 15mmHg , em comparação aos níveis de PA conhecidos e normais antes da gestação;

Níveis de PA = 140mmHg de pressão sistólica e = 90mmHg de pressão diastólica.


Diabetes Mellitus - DM


Conceito:

Síndrome de etiologia múltipla, o DM, ocorre pela diminuição ou Ausência de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer corretamente seus efeitos. Distingue-se por uma hiperglicemia crônica, que altera o metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. A hiperglicemia, a longo prazo, pode contribuir para disfunção e falência de vários órgãos, principalmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos.


Cerca de 5 a 10%dos indivíduos diabéticos desenvolvem o tipo I. Esta forma de diabetes, resulta primariamente da destruição das células beta pancreáticas e tem a tendência à cetoacidose. Este tipo é caracterizado por um início repentino, geralmente antes dos 30anos de idade. Envolve casos decorrentes de doenças anti-imune e também aqueles nos quais a causa da destruição das células beta não é conhecida, dividindo-se em:

- Imunomediado

- Idiopático



Diabete gestacional:


Inicia-se, geralmente no segundo ou terceiro trimestre da gestação, podendo ou não persistir após o parto. De magnitude variável, ocorre pela diminuição da tolerância à glicose devido a hormônios secretados pela placenta, que inibem a ação da insulina. Incluem os casos de DM e de tolerância à glicose diminuída, detectados na gravidez. Segundo o Protocolo de Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus, o Estudo Multicêntrico Brasileiro de Diabetes Gestacional demonstrou que 7,6% das mulheres em gestação apresentam intolerância a glicose.


Outros tipos específicos:
Disfunção genética da célula beta;
Defeito genéticos na ação de insulina;
Doença do pâncreas exócrino (pancreatite neoplásica, hemocromatose, fibrose cística, etc.);
Aqueles induzidos por drogas ou produtos químicos (diuréticos, corticoides, betabloqueadores, contraceptivos, etc.).


Valores de Glicemia Capilar para Rastreamento:


Glicemia de jejum ou após quatro horas sem alimentação*

RESULTADO AVALIAÇÃO:
Menor que 100 mg/d
Entre 101 e 125 mg/d l
Entre 126 e 199 mg/d l
Entre 200 e 270 mg/d l
Maior ou igual 270 mg/d l Normal
Exame duvidoso
Exame alterado
Provável DM
Muito provável DM


Glicemia ao acaso (em qualquer hora do dia)

Menor que 140 mg/d l
Entre 141 e 199 mg/d l
Entre 200 e 270 mg/d l
Maior ou igual 270 mg/d l Normal
Duvidoso
Provável DM
Muito provável DM

* Este teste não faz diagnóstico definitivo

Valores de glicose plasmática para diagnóstico


CATEGORIAS DIAGNÓSTICOS GLICEMIA DE JEJUM GLICEMIA PÓS-PRANDIAL(2 h após 75 mg de glicose anidra) AO ACASO

Normal
Glicemia de jejum Alterada
Tolerância à glicose diminuída
Diabetes Mellitus < 110
>/= 110 e < 126
< 126
> 126 < 140

=140 e < 200
=200 •


>/= 200 + Sintomas clássicos

Fonte: Hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus - protocolo


Dislipidemia

Conceito:

Estudos demostram que a dislipidemia é explicada como uma alteração do perfil lipídico pelo aumento dos triglicerídeos (TG), da lipoproteína LDL-c e Colesterol Total (CT) e/ou diminuição da lipoproteína HDL-c, associada a fatores de riscos e hereditariedade. Classifica-se em primária, quando relacionada a causas genéticas combinadas por vezes a fatores ambientais e em secundária, quando em consequência de outras doenças ou uso de medicações.

Propriedades específicas para avaliação do perfil lipídico:

A determinação do perfil lipídico é obrigatória na presença da Doença Arterial Coronariana (DAC) ou de outras manifestações de DA (cerebrovascular, carotídea e da aorta abdominal e/ou seus ramos terminais), não considerando outros fatores como a idade e o sexo.


O consenso indica que todos os adultos com idade acima de 20 anos façam a dosagem do perfil lipídico, especificado pelo CT; TG; LDL-c; e HDL-c. Nos grupos de indivíduos com perfil lipídico desejável e sem outros fatores de risco, a avaliação laboratorial deve ser repetida a cada cinco anos, desde que não tenham sido modificados condições clínicas e hábitos de vida. Este intervalo pode ser reduzido, conforme critério médico. Os valores normais estão de acordo com o Q I.


Avaliação para risco de DAC.

O risco aumenta significativa e progressivamente com valores acima dos desejáveis de CT e LDL-c. Enquanto, a HDL-c com valor elevado >60mg/dl é um fator protetor para a DAC.


A hipertrigliceridemia >200mg/dl aumenta o risco de DAC, quando associados a HDL-c diminuído e/ou LDL-c aumentado.


Entre os fatores de riscos mais importantes estão: A hipercolesterolemia por aumento do LDL-c, HA, tabagismo, DM e hereditariedade (DA prematura).


Organização do serviço:

1- Controle de fluxo interno e externo / Porta de entrada.

2- Cadastramento no(s) programa(s).

3- Agendamento das consultas e encontros com a equipe multiprofissional.

4- Investigação clínico-laboratorial:
-História clínica;
-Exame físico;
-Exames complementares.

5- Tratamento:
-Não medicamentoso;
-Medicamentoso.


- Controle de fluxos (Interno e Externo) :

- Porta de entrada, cadastratamento, agendamento e participação nos grupos.

- Demanda espontânea/encaminhamento - O interno pede para ser avaliado na consulta médica ou os monitores de saúde identificam, durante a visita programada às galerias, algum sinal ou sintoma e realizam o encaminhamento ao ambulatório da unidade prisional.

- Referência interna - Sendo detectada a hipertensão ou diabete por outro médico, da mesma forma será encaminhado para o acompanhamento da clínica médica do ambulatório da unidade prisional.

- Referência externa - O interno pode ser referenciado ou contra referenciado na sua entrada no sistema prisional, por outra unidade ou pelo nível de complexidade.


- Cadastramento no programa:

O profissional responsável pelo cadastro, informará ao paciente sobre o programa, seus objetivos, o agendamento e a importância do tratamento a fim de prevenir ou reduzir sequelas.

O programa terá um livro de registro para cadastro dos internos, uma ficha de arquivo ou preferencialmente um prontuário informatizado.


Critérios para inscrição do interno no programa de doenças crônicas:

- Garantia de preenchimento correto do registro em livro do programa e da ficha de arquivo.

- Compromisso com as consultas agendadas e responsabilidade mútua dos envolvidos.

- Garantia de dispensação da medicação padronizada para o tratamento.


Os clínicos ficarão encarregados de confirmar o diagnóstico e tratar os internos não-insulino dependentes e hipertensos, sem complicações secundárias; os demais deverão ser encaminhados ao serviço especializado no HCP ou outro hospital da rede.


Somente após a confirmação diagnóstica, a equipe de enfermagem deverá inscrever o interno no livro do Programa de DM e/ou HAS, recebendo um número que constará em sua ficha. O Livro dos Programas deverá conter os seguintes dados: nº de inscrição, RG, nome, nome da mãe, data de nascimento, data da inscrição no programa, transferência, rubrica e matrícula do servidor. A ficha de arquivo será acrescida com os seguintes dados: altura, cor, peso, PA, glicemia capilar, data de início no programa e retorno.


As fichas deverão ser arquivadas em um fichário. No alto à direita, cada ficha deverá conter:

Para os inscritos no Programa de Controle da HAS, deverá ser riscada uma tarja com caneta hidrocor vermelha;

Para os inscritos no Programa de DM, deverá ser riscada uma tarja com caneta hidrocor azul;

Para os inscritos nos Programas de HAS e DM e, deverão ser riscadas com uma tarja vermelha e outra azul;

Os prontuários deverão receber esta marcação, a fim de que se possam identificar mais facilmente os diabéticos e hipertensos.

Agendamento das consultas e encontros com a equipe multiprofissional:

A data de retorno do interno deverá ser escrita à lápis na ficha e o motivo do não comparecimento escrito à caneta. Os dados estatísticos serão encaminhados à Divisão de Enfermagem. A equipe de saúde funcionará como agente facilitador, promovendo os esforços possíveis e necessários para que o interno não falte as consultas.


A manutenção do livro de inscrição não dispensa o arquivo de fichas.
O intervalo entre as consultas poderá ser trimestral após confirmação diagnóstica ou menor à critério médico. A consulta de enfermagem realizara-se mensalmente e quando houver alterações importantes de PA e glicemia, esse interno será agendado pela enfermeira do programa para consulta médica.


Avaliação realizada na consulta de enfermagem:
- Glicemia Capilar;
- Pressão Arterial;
- Peso;
- Infecção em membros inferiores;
- Queixas.



Os dados constantes da avaliação de enfermagem deverão ser transcritos no(s) impresso(s) do(s) programa(s), não se esquecendo de anotar os dados pertinentes na ficha. Sempre que a enfermagem detectar sinais e/ou sintomas que indiquem uma situação emergencial ou grave, o interno deverá ser encaminhado imediatamente para consulta médica, independente do agendamento, ou para um serviço de pronto atendimento.


Durante as consultas de enfermagem o interno deverá ser informado da importância do tratamento e do comparecimento às consultas agendadas, com vistas à prevenção ou redução de sequelas.


ATENÇÃO:
Considera-se ABANDONO, o não comparecimento do interno à qualquer consulta por 30 dias ou mais, após a data aprazada. Caso o interno em abandono retorne, ele sairá do número total de abandonos do mês seguinte e entrará no número total de inscritos nos programas.


Mapa da Estatística Mensal do Programa de HAS e DM.

- Item 1: Refere-se ao número total de PA aferidas e glicemias realizadas no mês pela unidade na busca ativa de casos novos para o programa;

- Item 2:
Refere-se a todas as glicemias capilares maiores ou iguais a 126mg/dl, que forem realizadas no mês, independente da confirmação diagnóstica;

- Item 3: Refere-se ao número de internos captados pelo programa no mês, que já se sabiam diabéticos estando ou não sob tratamento;

- Item 4: Refere-se ao quantitativo de internos, por sexo , que foram confirmados e inscritos nos programas no mês;

- Item 5:
Refere-se ao número total de inscritos nos programa até o fechamento da estatística;

- Item 6:
Refere-se ao número de internos por sexo, inscritos nos programas e que abandonaram o tratamento até a data do fechamento da estatística;

- Item 7:
Refere-se ao número de internos inscritos nos programas, e que por qualquer intercorrência, foram baixados em algum hospital no mês vigente.


- Investigação clínica e laboratorial:

Objetivos:
- Confirmar a elevação da pressão arterial;
- Avaliar lesões de órgão - alvo;
- Identificar fatores de risco para doenças vasculares;
- Diagnosticar etiologia da Hipertensão Arterial;
- Identificar sintomas clássicos de DM através de glicemia capilar e de jejum = 126 mg/dl;
- Investigar HAS e DM em possíveis indivíduos assintomáticos.


Roteiro da Avaliação e Tratamento para HAS e DM:


- Histórias clínica: identificação, história atual, pesquisa de lesões de órgãos alvo, pesquisar indícios de investigação de fatores de risco, outras doenças associadas, história familiar, hábitos alimentares e uso medicamentos.

- Exame físico: Peso e altura para cálculo de índice da massa corporal, inspeção, aferição da PA, palpação da tireoide, aparelho respiratório, abdome, exame neurológico.

- Exames complementares:

Solicitam-se inicialmente os seguintes exames:

Sangue: Glicemia, Ureia, Creatinina, Colesterol Total, HDL Colesterol, Triglicerídeos, Ácido Úrico, Potássio e Hematócrito;

Urina: - Elementos anormais e sedimentoscopia para investigação de HAS

- Urina de 24 horas e cetonúria (quando a glicemia está persistente =300 mg/dl) para investigação de DM;
RX de tórax com PA e Perfil;
ECG;
Fundo de olho;
Ecocardiograma (restrito aos internos com evidência de doenças cardíacas).


Determinações laboratoriais para coleta do perfil lipídico em adultos:


O consenso recomenda que todos os adultos com idade maior que 20 anos tenham o seu perfil lipídico determinado ( CT, TG, HDL-c, LDL-c). Nos indivíduos com perfil lipídico desejável e sem outros fatores de risco, as determinações laboratoriais devem ser repetidas a cada 5 anos, desde que as condições clínicas e os hábitos de vida permaneçam estáveis. Este intervalo pode ser reduzido à critério médico.


Recomenda-se a coleta da amostra sanguínea após jejum de 12 a 14 horas. Para determinação de CT e HDL, não é necessário jejum.

Orientações:
Sugere-se evitar a coleta pós prandial;
Manter a alimentação habitual;
Evitar bebidas alcoólicas na véspera;
Não praticar exercícios físicos;
Antes da coleta, permanecer sentado ou deitado por 5 minutos;
Evitar a êxtase prolongada ( manter o torniquete por menos de 2 minutos).


Tratamento:

Tratamento não medicamentoso:
O principal objetivo é reduzir as taxas de morbidade e mortalidade mediante orientações para a saúde que ajudem a diminuir os valores pressóricos e glicêmicos. Indicado para todos os hipertensos, normotensos com risco cardiovascular e diabéticos.


As principais medidas são:

- Diminuição do peso corporal;
- Dieta hipossódica e aumento da ingestão de potássio e cálcio;
- Dieta rica em frutas e vegetais, com redução da gordura total e saturada (origem animal);
- Exercícios físicos (caminhadas, jogos de quadra em espaço próprio);
- Informar sobre os danos causados pelo consumo de bebidas alcoólicas e tabaco;
- Orientar na prevenção das complicações da HAS e DM;
- Controle das dislipidemias:
Dietoterapia nas hiperlipidemias: objetiva-se a redução dos níveis de CT, LDL-c, e TG, por meio da minimização da ingesta de gordura saturada e colesterol, reforçada pelo controle dos fatores de risco. O controle do perfil lipídico deverá ser solicitado a cada dois meses.



Tratamento medicamentoso para controle da HAS:

O principal objetivo é reduzir as taxas de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares. Este tratamento visa atingir valores de PAS < 140 mmHg e PAD < 90 mmHg.


Medicações padronizadas no programa:

Hidroclorotiazida (50mg), Furosemida (40 mg), Propanolol (40 mg), Hidralazina (50 mg), Clonidina (0,100mg), Nifedipina (10 mg), Captropil (25 mg), Enalapril (5 mg), Verapamil (80 mg), Metildopa (500 mg).


Obs.:
O Captopril será usado para crise hipertensiva, de preferência, por via sublingual.


Para o controle da hipertensão na gravidez:


Metildopa (500 mg), Hidralazina (50mg) e Verapamil (80 mg).


Tratamento medicamentoso para controle da DM:


1) Hipoglicemiantes orais:
Devem ser administrados no DM tipo 2, quando o tratamento não medicamentoso deixar de atingir os níveis glicêmicos desejados. No entanto, alguns diabéticos tipo 2 poderão necessitar da terapia insulínica, logo após o diagnóstico ou ao longo do tratamento.

Sulfoniluréias disponíveis no Brasil:

Clorpropamida, Glibenclamida, Glipizida, Gliclazida, Glimepirida e Biguanidas.


2) Insulinas:
A insulina reduz os níveis sanguíneos de glicose, ácidos graxos e aminoácidos, e estimula a conversão destes compostos para glicogênio, triglicerídeos e proteínas. Podem ser de origem bovina suína ou humana. Seu período de ação pode ser ultra-rápido, rápido, intermediário, lento, NPH e ultralento.


Tratamento medicamentoso para controle das dislipdemias:


A terapêutica das dislipidemias é fundamental para a prevenção primária e secundária da doença coronariana (DAC) e DA. cerebrovascular e periférica.


Determinadas situações clínicas, tais como: hipertrigliceridemia grave (triglicérides > 700mg/dl ) pelo risco de pancreatite aguda, aumento isolado do LDL-c > 200mg/dl, em duas medidas laboratoriais consecutivas e na presença de doença cardiovascular não se aguarda o efeito da dieta, instituindo-se o tratamento medicamentoso.


Alguns medicamentos utilizados para o controle da HAS e DM podem interferir no perfil lipídico, como: os betabloqueadores e os diuréticos tiazídicos, podem elevar a colesterolemia e , mais acentuadamente, a trigliceridemia, embora isto não ocorra em todos os indivíduos. O uso dessas medicações não está contraindicado, desde que se realizem medidas repetidas dos lipídios séricos após seu início.


A insulina tem sempre um efeito corretor da dislipidemia, especialmente diminuindo a trigliceridemia e aumentando o HDL-c. as sulfoniluréias e a metiformina melhoram o perfil lipídico em função do controle glicêmico.



Associação de Medicamentos:


Quando a resposta não é satisfatória tanto com a terapêutica dietética e o uso de um medicamento, deve-se empregar a associação de drogas específicas hipolipemiantes. Além de melhorar os resultados e diminuir as doses de cada medicamento, reduz-se a possibilidade dos efeitos colaterais e o aumento da tolerância. Associações que merecem atenção por potencializar efeitos colaterais graves são as vastatinas com fibratos ou ácidos nicotínico.

Dispensação de medicamentos:

O fornecimento das medicações ocorrerá mensalmente para os internos cadastrados no programa. Porém haverá nos ambulatórios um estoque de segurança para no caso de detecção de novos casos.


Estatística Mensal de Controle de Medicamentos:

- Refere-se ao balanço dos medicamentos utilizados pelos programas de DM e HAS.
- Preenchimento correto das estatísticas, bem como seu encaminhamento possibilitará a continuidade do tratamento, mediante o fornecimento de medicamentos e materiais de insumo pela Superintendência de Saúde, contribuindo desta forma, para a consolidação dos programas.


Normatização das ações:


- As ações de controle e captação de casos novos serão gerenciadas pela Divisão de Enfermagem;

- As atividades de controle e captação de casos novos de HAS e DM, devem ser implantadas em todas as unidades ambulatoriais, permitindo que a população carcerária tenha acesso à atenção integral;

- Os ambulatórios devem estar organizados de forma a atender os diferentes níveis de complexidade, devendo estar integrados com outras áreas técnicas que tenham interface com os programas de HAS e DM, tais como: Imunizações, Educação em Saúde, Programas de Reintegração Social e outros que venham a ser identificados.


Instrumentos de acompanhamento do programa de HAS e DM para coleta de dados:


Nível local: elaboração de planilha mensal com listagem dos internos cadastrados e casos novos, contendo os seguintes dados: nome, idade, RG, medicação utilizada e observação. Esta planilha permanece na unidade, contudo serão enviadas on line para análise dos dados à Divisão de Enfermagem e Farmácia Central (Nível Central).

Nível Central: Estatística do total de cadastros dos internos portadores de HAS e DM e média mensal da medicação para solicitação de compra.


Recursos Humanos:


Agente multiplicador de saúde, médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem farmacêutico, nutricionista e assistente social entre outros.


Recursos Materiais


Material Custo
Reformulação do espaço físico dos ambulatórios
Informatização
Glucosímetro + Tiras reagentes
Balança antropométrica
Aparelho de PA + Estetoscópio
Impressos do programa
Material informativo


Conclusão:

Os resultados esperados são, além da identificação precoce dos casos, evitar futuras complicações, melhorar a qualidade de saúde e reduzir gastos com hospitalizações, exames e medicações. Concluiu-se que a implementação do programa ocasionou a reorganização do serviço, o que culminou num aumento significativo na detecção dos casos e possibilitou a otimização do sistema de dispensação do arsenal terapêutico disponibilizado para o atendimento.

Bibliografia:

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§ Sociedade Brasileira de Cardiologia. Consenso sobre Dislipidemias. RJ, 1996.

§ ROUQUAYROL, M C. Epidemiologia e Saúde 4ª ed. SP: Editora Medsi, 1994.

§ BRASIL, Ministério da Saúde. Controle da Hipertensão Arterial. Uma Proposta de Integração Ensino - Serviço. Rio de Janeiro: Secretaria de Assistência à Saúde. CDCV / NUTES., 1993.

§ LESSA, I. Estudos Brasileiro sobre Epidemiologia da Hipertensão Arterial: Análise Crítica dos Estudos de Prevalência. Brasília: Informe Epidemiológico do SUS maio/junho. CENEPI, 1993.

§ BRASIL. Ministério da Saúde. Informe Epidemiológico do SUS. Estudo Multicêntrico sobre a Prevalência de Diabetes no Brasil. Brasília. 1(3), 1992.

§ BRASIL, Ministério da Saúde.. Orientações Básicas para o Diabético. Brasília: Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde. Divisão de Doenças Crônicas - Degenerativas, 1989.

§ BRASIL, Ministério da Saúde.. Bases Estratégicas e Operacionais. Brasília: Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde. Divisão Nacional de Doenças Crônicas - Degenerativas, 1986.

* Autores

Enfermeira Cláudia Vieitas Duarte
Chefe do Serviço de Planejamento e Coordenação de Enfermagem. Secretaria de Justiça do Rio de Janeiro.

Enfermeira Andréa Telles Rosa
Chefe da Seção de Controle e Estatística. Secretaria de Justiça do Rio de Janeiro.

Enfermeira Elisabeth Mallet Molnar
Chefe da Seção de Supervisão às Unidades de Saúde. Secretaria de Justiça do Rio de Janeiro.

Enfermeiro Jairo Queiroz da Silva
Diretor da Divisão de Enfermagem. Secretaria de Justiça do Rio de Janeiro.

Fonte: www.bve.org.br

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