Pilares da epidemiologia atual

Pilares da epidemiologia atual
ENFERMAGEM
Com o desenvolvimento da epidemiologia, conforme já descrito, os estudos da epidemiologia expandiram-se para as áreas clínica e social e foram contemplados nos currículos de graduação de todos os profissionais da saúde. Desta maneira, Pereira (2006) subdivide o conhecimento em epidemiologia em três pilares: Ciências Biológicas, Ciências Sociais e Estatística.

a) Ciências Biológicas

Nos conhecimentos biológicos encontramos o embasamento necessário para a compreensão das doenças e assim podemos identificar, descrever e classificar adequadamente os diversos tipos patogênicos existentes.

A associação entre a clínica, a microbiologia, a patologia, a parasitologia, a imunologia, etc, de acordo com Pereira (2006, p.13), “contribui para que se atinja um maior grau de precisão na determinação da frequência com que estão ocorrendo na população, o que se reflete na qualidade dos estudos de correlação e nas pesquisas de maneira em geral”.

b) Ciências Sociais
A sociedade, como está organizada, oferece proteção aos indivíduos, mas também determina os riscos de adoecer, bem como o maior ou menor acesso à prevenção das doenças e à promoção e recuperação da saúde. Pereira (2006, p.13) completa suas fundamentações sobre as influências da sociedade sobre a saúde afirmando:
As ciências sociais dispõem de teorias e métodos, além de toda uma tradição em pesquisa, que estão sendo trazidos para epidemiologia como instrumentos e formas de abordagem a serem empregadas na investigação das relações entre a saúde e sociedade.

c) Estatística

“É a ciência e a arte de coletar, resumir e analisar dados sujeitos e variações” (LAST, 1995). Tem papel de destaque na determinação e seleção da amostra, na análise dos dados, nas associações e controle das variáveis, etc. Garante a aleatoriedade da amostra e o controle das variáveis que influenciam na leitura dos dados coletados. A estatística deve estar presente desde o planejamento da pesquisa epidemiológica, estimando o tamanho da amostra necessária para garantir uma abrangência adequada da população ou evento estudado. A utilização da informática por meio dos programas estatísticos para análise de grandes grupos amostrais dinamizou as tarefas de cálculo, aproximando ainda mais as duas áreas.
Katz (2001) divide em 9 tópicos as contribuições da epidemiologia às ciências médicas. São elas:

1. Realizar investigação epidemiológica do modo de transmissão de novas patologias, possibilitando o conhecimento sobre os determinantes do processo saúde/doença. Principalmente a identificação do agente causal ou fatores relacionados à causa dos agravos à saúde.
Estudos epidemiológicos e de vigilância em saúde permitem formulação de hipóteses sobre a história natural de doenças pouco conhecidas, como, por exemplo, gripe aviária (Influenza H5N1) e gripe suína (Influenza A H1N1).

2. Identificação das causas evitáveis, entendendo a causa dos agravos à saúde. Após identificação da causa da doença e seu modo de transmissão, é possível desenvolver ações para interrupção do processo patogênico (ex: vacinação, isolamento, hábitos relacionados, aconselhamento genético).

3. Compreensão da história natural das doenças, determinando os modos de transmissão, os fatores contribuintes aos agravos à saúde, e também identificar e explicar os padrões de distribuição geográfica das doenças.

Estudos epidemiológicos permitem distinguir as causas sociais das ambientais, assim como os mecanismos biológicos das doenças. Por exemplo: a ingestão excessiva de gorduras e açúcares junto com o sedentarismo contribuem para o surgimento do diabetes. A hiperglicemia sanguínea caracteriza o mecanismo biológico da doença.

4. Conhecimento das características biológicas das doenças. A maioria das doenças apresenta uma variação da sua gravidade nos indivíduos, sendo que os casos mais graves de doenças desconhecidas certamente chamam mais a atenção.
Esta variação é explicada pelo fenômeno de iceberg. A Organização Mundial da Saúde o define como uma evidência de pequena porção de casos clínicos em relação à elevada proporção de infecções inaparentes de determinadas doenças (BRASIL, 1983).

5. Classificação de prioridades no controle das doenças e auxílio no planejamento das medidas preventivas bem como o desenvolvimento de serviços de saúde. As prioridades referem-se não somente à magnitude do problema de saúde como nas projeções dos efeitos futuros. Determinação de como os recursos destinados à prevenção e controle de doenças possam ser melhor aproveitados.

6. Aprimoramento do diagnóstico, tratamento e prognóstico das doenças, identificando quais testes são mais apropriados e mais acurados, comparando diferentes tipos de tratamento e selecionando o mais eficiente. Melhora a compreensão da história natural de uma doença e seu prognóstico.
A triagem neonatal é um bom exemplo de diagnóstico precoce de várias doenças que podem ser identificadas desde o nascimento evitando agravos, por vezes irreversíveis, à saúde da população.

7. Melhora na qualidade de pesquisas em saúde com vistas ao controle de doenças. A metodologia epidemiológica pode ser empregada na avaliação de programas, atividades e procedimentos preventivos e terapêuticos, tanto no que se refere a sistemas de prestação de serviços quanto ao impacto das medidas de saúde na população. Os dados permitem diferenciar as necessidades regionais e direcionar novas pesquisas em saúde.

8. Testemunhando em processos legais. De acordo com Katz (2001), “os epidemiologistas podem testemunhar em processos relativos a produtos perigosos, riscos e efeitos da exposição ambiental, doenças ocupacionais, responsabilidade médica e de produtos”.

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