O que é Educação Continuada?

O que é Educação Continuada?
ENFERMAGEM
A educação continuada é uma prática na qual o desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores é fundamental para o aperfeiçoamento das habilidades bem como, maior visão da realidade em que estão inseridos, visando uma construção de conhecimentos.

O processo de educação continuada não é um processo recente, acabou impondo-se no final do século passado, por exigência do próprio desenvolvimento da sociedade e da classe trabalhadora. Não surgiu por acaso, nem por obra voluntária de educadores, mas devido à sociedade capitalista avançada, como sendo uma resposta aos problemas e desafios inerentes a ela.

No Brasil o projeto de Educação Continuada passou a ser discutido com maior ênfase nas décadas de 70 e 80, pelos ideólogos da integração docente assistencial, referindo-se a programas de complementação educacional de profissionais (médicos e enfermeiros principalmente), esta discussão também estava vinculada a uma proposta de extensão difundida no Brasil pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS). (NUNES, 1993, p. 46).

Educação continuada consiste em um programa de formação e desenvolvimento dos recursos humanos que objetiva manter a equipe em um constante processo educativo, com a finalidade de aprimorar os indivíduos e consequentemente melhorar a assistência prestada aos usuários. Ela pode ser entendida como a elaboração de uma experiência formal da pessoa, para Grácio (1995), a educação é um processo contínuo e continuado que só a morte pode interromper; caracteriza-se por ser um processo de incessante busca e renovação do saber fazer.

Corroborando com as ideias descritas acima, pode-se dizer que o homem vive numa era de constantes mudanças, não podendo deixar de se instruir, se aperfeiçoar, visto que ele se modifica a cada dia de sua vida, para tanto é necessário que ele reelabore sua visão do mundo, a fim de melhorar suas condições de vida.

Mariotti (1995) refere-se à educação continuada como uma abordagem ampla dentro de uma organização, em que treinamento e prática se enquadram como uma proposta e um componente que faz parte de uma empresa e que passa a ser visto como um sistema interligado com os demais ambientes dentro de determinada instituição. Com isso, o conhecimento e a prática que são as principais áreas monitoradas deverão passar por constantes especificações e acompanhamentos em prol de um desenvolvimento de qualidade.

O autor citado anteriormente conclui que a educação continuada faz parte de um entendimento sistêmico, complexo e mantenedor, no qual seus efeitos serão duradouros, pois depois de iniciado o processo de educação este jamais será interrompido, surgindo a partir de melhores resultados.

A OPAS - Organização Pan-Americana de Saúde de 1978, citada por Silva; Saupe (2000) define educação continuada como sendo um processo permanente e constante de educação, que vem acompanhado de uma formação básica a qual tem como principal objetivo atualizar e melhorar as capacidades das pessoas ou dos grupos, frente às mudanças técnicas e científicas perante as necessidades sociais propostas.
Kurcgant et al (1994), define a educação continuada como sendo um conjunto de práticas educacionais planejadas com sentidos e formas de promover as oportunidades de desenvolvimento da equipe, tendo como objetivo a atuação mais efetiva e mais eficaz das equipes dentro das instituições.

Observa-se que a educação continuada é aquela proposta em que a capacitação do indivíduo não só ocorre para as mudanças desejadas pela instituição como também para as requeridas perante a sociedade, desenvolvendo-o como pessoa e como profissional.

Para tanto o processo educativo além de aumentar a eficiência da organização dos serviços, também aumenta a proposta em relação à satisfação dos agentes de trabalho, considerando um elemento essencial no processo da carreira a ser oferecida a cada trabalhador de forma individual como um direito básico, possibilitando ao funcionário uma valorização de suas experiências, conhecimentos, sua história dentro da empresa, de forma sistemática para o aproveitamento do mesmo.

Os profissionais, por meio da educação continuada que lhes permite o acompanhamento das mudanças no decorrer de sua profissão, são mantidos atualizados, podendo aplicar novas melhorias no seu trabalho e qualificando-se, favorecendo o seu desenvolvimento e sua participação eficaz na vida da instituição. Para Leite e Pereira apud Davim, Torres e Santos (1999) a educação continuada é definida como um processo que propicia novos conhecimentos, capacitando o funcionário para execução adequada do trabalho, e preparando-o para futuras oportunidades de ascensão profissional tendo como objetivo o crescimento profissional e pessoal.

Para Waldow (1993) a educação dentro da categoria de enfermagem possui uma das mais importantes tarefas que é a de educar os profissionais para a promoção e a qualificação do atendimento a uma vida humana. Com este pensamento pode-se dizer que a educação na área da saúde representa uma necessidade, cada vez mais presente nas instituições de saúde, tornando-se evidente em todos os segmentos e tornando o enfermeiro um articulador desse processo.

As ações educativas dentro de uma instituição de saúde estão interligadas com propostas de qualidade dos serviços, segurança na prestação dos mesmos, aproveitamento adequado do tempo disposto para tal atividade incluindo uma motivação ao profissional para que ele sinta-se desafiado em aprender e transformar-se, desenvolvendo uma assistência de qualidade e de dignidade a qualquer pessoa que procura o serviço de saúde.

Lopes et al. (2007), diz que as mudanças no conjunto das ações de educação continuada em serviço, buscam transformar as práticas educativas realizadas juntamente com as equipes, prestando orientações segundo a lógica do processo de educação. Para este processo a proposta principal é a superação lógica, investindo na transmissão e atualização dos conhecimentos técnicos, por meio de capacitações e treinamentos beneficiando todos os segmentos envolvidos.

As autoras citadas acima destacam a importância da criação de espaços para o desenvolvimento e análise do processo de trabalho, com o propósito da exposição das dificuldades e de ações que venham minimizar ou resolver as dificuldades encontradas no dia a dia de trabalho. Como esta proposta de melhoria das condições de trabalho e a multiplicação destes espaços de escuta ocorrem consequentemente há a redução e a diminuição dos percalços encontrados.
A educação continuada é entendida como a disseminação de informações formais, planejadas, direcionadas, aplicadas e avaliadas, de acordo com a necessidade do trabalho e a educação em serviço é entendida como o trabalho diário e momentâneo.

Bezerra (2003) citado por Cecagno; Siqueira (2006) apresenta a educação permanente como um método em contínuo desenvolvimento que ocorre durante toda a vida da pessoa, e a educação continuada como um processo que tem como objetivo proporcionar condições ao indivíduo na aquisição de conhecimentos no alcance por crescimento pessoal e profissional, em relevância com a realidade social e profissional que o mesmo está inserido.

É interessante mencionar que a literatura traz alguns significados similares diante dos termos de educação continuada, educação permanente e educação em serviço, porém convêm ressaltar que alguns autores diferem entre os significados, neste curso em específico optou-se por abordar o termo educação continuada.

Os programas de educação continuada oportunizam possibilidades de crescimento e desenvolvimento de suas equipes, contribuindo assim para as competências e qualificações das mesmas. A melhoria das condições de trabalho, a interação da equipe com a instituição, a habilidade das técnicas, o aperfeiçoamento, atualização e aprimoramento, refletem diretamente no bom desempenho dos funcionários. Isso propicia condições de apoio, agilizando o atendimento, aumentando a produção e qualificando a assistência prestada pelos serviços de saúde, aumentando com isso a confiança da equipe de trabalho.

Os benefícios que a educação continuada traz são inúmeros, segundo Padilha (1991), para o cliente/comunidade: melhora a qualidade da assistência recebida; aumenta a confiança no trabalho da equipe; reduz o tempo de permanência no serviço. Para o funcionário, facilita o ajustamento do novo funcionário; propicia novos conhecimentos; melhora o desenvolvimento técnico; influencia na mudança de comportamento; proporciona maior segurança e valorização; reduz os acidentes de trabalho entre tantos outros benefícios, sendo que a instituição também se beneficia com este processo de qualificação, perfazendo-se em uma maior procura pelo serviço de saúde por parte da população, maior credibilidade do público, melhor qualidade no atendimento prestado aos pacientes e redução de custos.

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