O Enfermeiro no Processo de Educação

O Enfermeiro no Processo de Educação
ENFERMAGEM

A participação do enfermeiro no processo de educação nas organizações onde atua, está previsto na legislação profissional do enfermeiro no decreto regulamentador do exercício profissional nº 94.406 de 08 de junho de 1987 no Art. 8°, onde descreve a atribuição do enfermeiro, como integrante da equipe de saúde, tendo como competência: “Participar de programas e treinamentos e aprimoramento de pessoal de saúde, particularmente nos programas de educação continuada”.

A educação para profissionais da saúde vem evoluindo muito ao longo dos anos, modificando-se e acrescendo-se de informações de acordo com o momento socioeconômico e político vivido pelo país.

O avanço tecnológico leva a refletir acerca do impacto da tecnologia sobre novas formas de organização da produção em serviços de saúde e também nas relações humanas. Tudo isso exige profissionais cada vez mais qualificados que assumam funções que requerem alto nível de conhecimento técnico e científico, sendo que todas estas mudanças geram meios e contextos em prol de uma educação cada vez mais qualificada.

Neste sentido, observa-se que a educação continuada torna-se imprescindível e que o enfermeiro assume responsabilidades perante sua equipe de trabalho, em favor de uma melhoria no padrão da assistência prestada no hospital e na comunidade, promovendo o trabalho em equipe.

Para isso uma análise de uma percepção dos conhecimentos auxilia no entrosamento entre enfermeiro e demais profissionais, devendo assim nortear o desenvolvimento de suas atividades, atingindo os melhores resultados no trabalho, voltado para a realidade institucional e necessidade do quadro de funcionários.
Conforme Davim, Torres e Santos (1999) é fundamental o desenvolvimento de programas educacionais que contribuam para o desenvolvimento e melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem, preparando profissionais capacitados para contribuírem com a sociedade.

Desta forma, torna-se necessário que o enfermeiro assuma a carga pela educação permanente e/ou continuada de sua equipe, ajudando a melhorar o padrão da assistência prestada e promovendo a valorização dos recursos humanos de saúde.

Os autores citados anteriormente compreendem que o processo de educação continuada para a enfermagem deverá ser constituído de uma aquisição, e que será reconhecido a partir da efetivação da qualidade do cuidado prestado ao paciente, por meio de uma assistência sistematizada e planejada com ações qualificadas, promovendo valorização e motivação, propiciando bom desempenho por meio de suas competências profissionais.

A prática da educação continuada nas instituições de saúde é influenciada pelo estilo gerencial do enfermeiro, a partir de reflexos na qualidade da assistência de enfermagem, no desempenho da função, nas necessidades de atender à prática da educação continuada como um instrumento administrativo inerente ao funcionamento dos serviços de saúde em que, os profissionais por meio da aprendizagem individual e grupal adquiram novos conhecimentos e desenvolvam novas habilidades e atitudes.

Motta (1999) pensa que ao gerenciar um determinado setor ou uma empresa, tem-se em mão a arte de pensar, decidir, atuar e de fazer acontecer obtendo resultados. Portanto, quanto aos resultados, a equipe de gestores pode antecipar fazendo com que ocorram processos de definição, analisando e avaliando, no sentido de que estes objetivos venham a ser alcançados, para isso faz-se necessário a participação de todos os colaboradores.

É importante lembrar que o trabalho em enfermagem não é apenas um trabalho a ser realizado por uma pessoa, mas por um grupo que é liderado por um enfermeiro, sendo que este deverá estar atualizado e capacitado quanto às novas tecnologias que constantemente tornam a área da saúde um diferencial, preocupando-se com a qualificação dos membros de sua equipe que necessitam constantemente reciclagens.

Padilha (1994) refere-se ao enfermeiro como um administrador na assistência de enfermagem, ou seja, organiza, planeja e pratica as intervenções, avaliando de forma qualitativa e quantitativamente o cuidado prestado. Assim, para o cumprimento dos seus objetivos, o enfermeiro terá que aprimorar-se perante às novas tecnologias presentes no seu dia a dia de trabalho.

Para Carneiro; Oliveira; Nakamura educação sempre teve como objetivo a formação dos indivíduos em toda uma trajetória de vida, incluindo a evolução do homem desde sua origem, passando por diversas transformações utilizando-se de seus meios de trabalho para aquisição de seu sustento e sobrevivência. Com toda esta trajetória de vida são adquiridos muitos conhecimentos, os quais são transmitidos de geração em geração.

A capacidade de aprender é uma das características universais do ser humano, e esta capacidade tem-se desenvolvido em diferentes épocas durante a História da humanidade. Observando a área da enfermagem, obtêm-se um melhor entendimento do quão é necessário o constante aprendizado do individual e do coletivo, em busca da qualificação, postura ética, exercícios de cidadania, reformulação de valores, construção de relações integradas entre as pessoas envolvidas em uma percepção crítica e inovadora.

As autoras citadas anteriormente esclarecem que o enfermeiro deve ter clareza das constantes mudanças, e de que ele é responsável pelo gerenciamento de uma equipe de profissionais de enfermagem e dos serviços ali desenvolvidos, priorizando sempre o aprendizado e aperfeiçoamento de sua equipe.

Para isso ele deve buscar possibilidades necessárias do aprendizado dento de um processo que visam ações e planejamentos cuja intervenção é real a partir do conhecimento científico da realidade.

Em torno destes esclarecimentos o profissional enfermeiro torna-se responsável pela coordenação de uma equipe de enfermagem e seu gerenciamento perante os serviços de saúde de forma direta e indireta, incluindo o processo de aprendizagem de sua equipe.

Ao enfermeiro, no processo de educação continuada, é necessário o desenvolvimento de uma postura crítica, de auto avaliação, auto formação, autogestão, para promover os ajustes necessários dentro de sua equipe de trabalho, a partir da transmissão de saberes e do saber fazer dentro do grupo.

No entanto Padilha (1991) diz que o enfermeiro é um educador perante qualquer campo de atuação, tanto no ensino como no serviço prestado à saúde da população, sendo que ambas as funções são de fundamental importância, pois essas sem uma educação eficaz e sem qualidade não teria significado.

Com isso a aprendizagem é influenciada pela inteligência, motivação e pela hereditariedade onde a geração de estímulo, impulso e o esforço são elementos básicos para a fixação de novas propostas e informações obtidas por meio do processo individual em torno da aprendizagem.

A questão educativa no enfermeiro está alicerçada fortemente em todas as demandas de seu serviço, uma vez que compreende além da educação ao funcionário e equipe, a educação ao paciente que está embutida na prestação do cuidado de qualidade. É possível dizer que quaisquer tipos de educação ao qual o enfermeiro está inserido busca o objetivo maior que é o cuidado ao paciente de forma eficiente.

Constitui-se em uma função do enfermeiro a educação, conforme complementam as autoras acima citadas (p. 117) “As enfermeiras têm o dever de orientar e educar, não só os pacientes, como também a equipe de enfermagem.”.

Várias são as prerrogativas que demonstram os bons resultados de um Serviço de Educação Continuada em Enfermagem dentro das organizações, contudo ainda é visto que muitos administradores não compreendem o trabalho de educação continuada, ou pelo menos não investem no mesmo.

Não somente os administradores, como as próprias coordenações de enfermagem. Para que se estabeleça um trabalho satisfatório é necessário, sem dúvida, a presença de um profissional enfermeiro alocado no Serviço de Educação Continuada.

Diante da afirmação acima é possível verificar a importância da presença de um enfermeiro no serviço de educação continuada, atuando em conjunto com os demais enfermeiros, mas tendo a bagagem teórica e prática, da educação e do assistencial, conduzindo este conjunto de forma a trazer benefícios para a enfermagem como um todo dentro de uma organização.

O enfermeiro da educação continuada por estar fora do âmbito assistencial também poderá apresentar uma dificuldade expressa na maioria das vezes na aplicabilidade da teoria versus prática. Paschoal; Mantovani; Lacerda (2006) descreve que uma das principais dificuldades encontradas pelo enfermeiro da educação continuada pode estar centrada na integração da teoria à prática, já que esse profissional se mantém afastado das ações do cuidado sem interação com a realidade.

Pela observação dos serviços atuantes em educação continuada na enfermagem é possível destacar que o profissional enfermeiro que atua nessa área, para diminuir o vácuo causado entre o afastamento da prática e a aplicação da teoria pode usar como artifício a realização de um trabalho “in locu” nas unidades, assim é provável que o mesmo mantenha um contato observacional sobre o cuidado e sua realidade, diminuindo com isso suas dificuldades.

O enfermeiro e a educação devem andar juntos no sentido de busca e alcance por objetivos. Para se obtiver resultados eficientes diante da educação continuada é fundamental ter um profissional enfermeiro dentro dos programas e/ou serviços de educação continuada que envolvam a equipe de enfermagem.

A exclusividade de um enfermeiro neste serviço proporciona maior credibilidade aos programas, ênfase nas necessidades do pessoal de enfermagem e conhecimento frente ao que se pode aplicar objetivando uma melhoria na qualidade do cuidado prestado.

Como já foi citado, o enfermeiro atuante na educação continuada não gera custos a empresa por não estar realizando uma função assistencial, muito pelo contrário, no desenvolvimento das pessoas e processos institucionais a produção dos colaboradores também é aumentada por meio da educação continuada.

Desta forma, o custo da empresa em alocar este profissional unicamente na educação continuada é revertido em muitas vezes ao se pensar nos frutos colhidos diante da aplicação da educação na enfermagem.

Citam-se algumas das características que envolvem o profissional enfermeiro da educação continuada, ou seja, conhecimento sobre educação, formas de educação, educação continuada, liderança, ética profissional, aplicabilidade teórico e prática, bom relacionamento interpessoal, conhecimento sobre as políticas de recursos humanos e gestão administrativa. Além disso, estão todas as características atribuídas à própria formação do enfermeiro.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Seja um colunista
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER