Interveções de Enfermagem ao Paciente com Febre

Interveções de Enfermagem ao Paciente com Febre
ENFERMAGEM

 Resumo

O presente estudo teve como objetivo sugerir um plano de intervenção de enfermagem ao paciente com febre, para informar e orientar tanto os profissionais enfermeiros, acadêmicos e a sociedade sobre a importância de se prevenir, diagnosticar e intervir nas possíveis complicações da febre e até mesmo evidenciar seus diferentes estágios.

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativo, no qual foram utilizados materiais como artigos e livros já publicados, sendo selecionados aqueles que apresentassem temas referentes à febre de forma geral, bem como as condutas do enfermeiro nas intervenções realizadas para minimizar a febre do paciente.

Sabendo que as intervenções realizadas de maneira errônea podem trazer prejuízos a saúde do paciente e até mesmo potencializar a patologia, a qualidade da assistência prestada ao cliente com febre pode ser um diferencial importante para a sua total recuperação, como o enfermeiro está diretamente ligado a estes pacientes, suas ações em momentos oportunos são de extrema importância.

Mesmo a febre se tratando de um potencial sintoma, não há informações de um plano de intervenções de enfermagem padronizado para nortear os enfermeiros de como deve ser o tratamento com estes pacientes, com o presente estudo desejamos comprovar a importância destas intervenções.


1 INTRODUÇÃO


A temperatura corpórea é regulada por um centro termorregulador localizada na área pré-óptica do hipotálamo interior, esta área também controla a produção ou perda de calor para manter a temperatura dentro dos parâmetros normais. Este centro termorregulador é composto por uma região de sensibilidade térmica, o termostato, e uma região de estabilidade térmica, o ponto estabilizador ou set-point, sendo uma área de produção e uma área de perda de calor (LEÃO et al, 2005).


A febre é a elevação no ponto padrão de tal forma que a temperatura corporal é regulada para um nível mais elevado; pode ser arbitrariamente definida como a temperatura superior a 38ºC (HOCKENBERRY, 2006. p. 731).


Behrman et al (2002) relata que a febre aumenta a produção de calor elevando o consumo de oxigênio, produção de dióxido de carbono e o débito cardíaco, com isso ocorrerá uma instabilidade metabólica, que prejudicará a evolução e melhora das condições clínicas do paciente.


A febre é uma reação defensiva do organismo, porque o aumento da temperatura corporal diminui o crescimento de alguns microorganismos. Ela também age auxiliando o sistema imune uma vez que a maioria das bactérias e patógenos virais não sobrevivem em temperaturas elevadas (ALBERT et al, 2004).


A maioria dos casos de febre está associada a infecções auto limitadas, tais como as doenças virais comuns (FAUCI et al, 2008). Segundo Leão et al (2005) a febre na pediatria vem sendo responsável por cerca de 30% das consultas de urgência nos ambulatórios. É uma das grandes preocupações para os pais, pois em crianças frequentemente é a primeira manifestação de doenças, podendo ser um sinal banal ou letal.


Na febre não há um grau específico que necessite tratamento, pois o principal controle é o alívio do desconforto, sendo a intervenção mais utilizada o uso de antitérmicos que diminui o ponto-padrão no hipotálamo com o objetivo de reduzir a temperatura corporal. Além do uso de antitérmicos existem as medidas de resfriamento para o controle da febre que podem ser utilizadas se bem toleradas pelo paciente (HOCKENBERRY et al, 2006).


Segundo o Decreto do Coren 50.387, de 28 de março de 1961, o profissional enfermeiro e sua equipe deverá administrar medicamentos segundo a prescrição do médico, nos casos em que o paciente encontra-se com febre cabe ao médico com sua autonomia prescrever o antitérmico. O enfermeiro com seus conhecimentos científicos e autonomia deverá prescrever e realizar as medidas de resfriamento, entre outras intervenções de enfermagem neste paciente, com o objetivo de reduzir a temperatura corporal, caso essas medidas não sejam suficientes, deve-se aguardar o tempo mínimo para que uma nova administração do medicamento seja realizada (BRASIL, 1996).


O Processo de Enfermagem apresenta cinco etapas sendo as intervenções de enfermagem a quarta etapa. Para que essas intervenções sejam realizadas, o enfermeiro deverá ter conhecimento para prescrevê-las. Diante da prescrição de cuidados com pacientes apresentando um quadro clínico de febre, o enfermeiro deverá ter conhecimento sobre o seu conceito, fisiopatologia e tratamento. É extremamente importante que o enfermeiro saiba a diferença entre a fisiopatologia da febre e da hipertermia, para que a prescrição seja eficaz diante do tratamento adequado.


As intervenções de enfermagem é qualquer tratamento baseado no julgamento e no conhecimento clínico realizado por um enfermeiro para melhores resultados a um paciente/cliente. As atividades de enfermagem são comportamentos ou ações específicas realizadas por enfermeiros para implementar uma intervenção e que auxiliam paciente/clientes a obterem resultado desejado pelo enfermeiro, para isso o enfermeiro apresenta como referencial teórico a Nursing Interventions Classification (NIC). A NIC é uma classificação abrangente e padronizada das intervenções realizadas pelos enfermeiros, é útil para documentação clinica, comunicação de cuidados entre unidades de tratamento, integração de dados em sistemas de informação e unidades, eficácia das pesquisas, a medida da produtividade, a avaliação de competências, a facilitação do reembolso e para o planejamento curricular (MCCLOSKEY; BULECHEK, 2008).

Potter e Perry (2005) consideram a NIC como um recurso indispensável, que está evoluindo e é orientada pela prática com objetivo de capacitar os enfermeiros em todos os ambientes a ter um sistema classificatório, tendo uma classificação abrangente com intervenções independentes e interdependentes, cobrindo todas as especialidades, sendo auxilio para os enfermeiros nas tomadas de decisão para determinar as intervenções quanto a necessidades e situação do paciente que serão mais apropriadas.


McClosKey e Bulechek (2008) descrevem que as intervenções de enfermagem são direcionadas pela Nursing Interventions Classification (NIC), que teve o início dos seus estudos em 1987 por dez estudantes de enfermagem com determinadas experiências específicas. Ao longo de 15 anos, cerca de 80 pessoas colaboraram com o projeto, sendo que a primeira publicação ocorreu em 2002. O objetivo da publicação era a necessidade de ter intervenções de enfermagem que complementassem o North American Nursing Diagnises Association (NANDA), uma vez estabelecido o diagnóstico é preciso tomar alguma atitude a respeito dele, a mesma é determinada através do NIC que nos direcionam para definir as intervenções de enfermagem. Essas intervenções incluem cuidados diretos e indiretos voltados aos indivíduos, famílias e comunidade.


Diante da discussão acima, surge a seguinte pergunta norteadora: “quais são as intervenções de enfermagem realizadas no paciente com febre?”


O enfermeiro e sua equipe estão intimamente ligados aos cuidados diretos com o paciente. Com intuito de direcionar os cuidados de enfermagem o enfermeiro membro da equipe é responsável por prescrever as intervenções de enfermagem, o mesmo deverá basear em seu conhecimento técnico-científico para intervir com intuito de proporcionar o alívio e conforto do paciente. Mediante a busca por uma enfermagem que realizem seus cuidados com base científica e não mais de forma empírica é fundamental que o conceito de febre seja disseminado para a equipe de enfermagem.


Atualmente o enfermeiro possui uma variedade de funções em seu cotidiano, dentre ela a assistência. Diante disso o paciente e sua família têm sido beneficiados, pois através do embasamento científico do enfermeiro a assistência tem sido prestada com qualidade. O acadêmico deverá ter uma base de conhecimento amplo, por exemplo, sobre questões administrativas, patologias que acometem os pacientes em âmbito comunitário e hospitalar, além de desenvolver o Processo de Enfermagem sendo uma função específica do profissional Enfermeiro.


O conceito de febre na sociedade e até mesmo no âmbito acadêmico tem sido disseminado de maneira inadequada, com isso os cuidados com o paciente que apresenta febre têm sido feito de maneira empírica. Como exemplos, as medidas de resfriamento que muitas das vezes são realizadas gerando calafrios e tremores no paciente agravando seu quadro clínico, além do uso abusivo de antitérmicos principalmente o acetaminofeno (paracetamol) que quando administrado em dose excessiva leva a uma hepatotoxicidade causando insuficiência hepática. Isso tem gerando um agravo para o paciente que tem recebido cuidados que prejudicam seu bem-estar.


Sabendo que as intervenções realizadas de maneira errônea podem trazer prejuízos a saúde do paciente e até mesmo potencializar a patologia de base, a qualidade da assistência prestada ao cliente com febre pode ser um diferencial importante para a sua total recuperação, como o enfermeiro esta diretamente ligado a estes pacientes suas ações em momentos oportunos são de extrema importância.


Mesmo a febre se tratando de um potencial sintoma, não há informações de um plano de intervenções padronizados de enfermagem para nortear os enfermeiros de como deve ser o tratamento com estes pacientes, o presente estudo tem por objetivo realizar o levantamento de intervenções de enfermagem no paciente com febre.


2 METODOLOGIA


Para elaboração do artigo foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica. Conforme Gil (2002) a pesquisa bibliográfica é realizada com base em material já elaborado, mas principalmente de livros e artigos científicos, no qual nos oferece uma cobertura mais ampla do que aquela que poderíamos pesquisar diretamente.


É de fundamental importância a realização da pesquisa bibliográfica, pois ela nos permite conhecer e analisar as principais contribuições teóricas sobre um determinado tema ou assunto.


Para o desenvolvimento do presente estudo serão utilizados materiais já publicados com o objetivo de desenvolver e apresentar intervenções de enfermagem em paciente com febre.


Para realização desta pesquisa foram utilizadas referências disponíveis na biblioteca da Faculdade Pitágoras Campus Ipatinga, além de artigos científicos disponíveis em bancos de dados na internet, site do Coren e Confen e site científico como Scientific electronic library (SCIELO), Biblioteca Virtual da Saúde, LILASCS e MEDLINE publicados no período de 1978 a 2009, pois o tema ainda não é um alvo de estudos freqüentes, consequentemente não existem muitos trabalhos publicados referentes a intervenções de enfermagem ao paciente com febre.


Os critérios de seleção adotados para desenvolver esse estudo foram aqueles artigos no qual abordassem a febre de forma geral, bem como as condutas do enfermeiro nas intervenções realizadas para minimizar a febre do paciente. Foram excluídos artigos que não abordassem assuntos relacionados à febre e a área da enfermagem.


Para o início da pesquisa foram selecionados 40 artigos, 25 livros e 1 decreto do Coren, alguns artigos no qual abordavam o tema não foram utilizados por encontramos dificuldades em acessá-los, sendo alguns bloqueados e outros por terem um custo elevado que deveria ser pagos. Após a leitura e análise de caráter qualitativo dos textos, foram selecionados 8 artigos, 15 livros e 1 decreto do Coren, as quais relatam informações pertinentes sobre a febre, fisiopatologia, tratamentos, funções do enfermeiro e condutas de enfermagem para intervir na febre.

3 REFERENCIAL TEORICO

3.1 Fisiopatologia


Segundo Guyton e Hall (2002) a temperatura do corpo se divide em temperatura central e da pele. A central varia cerca de 0,6ºC, dia após dia, exceto nos casos de uma doença febril, mesmo quando uma pessoa se expõe a uma temperatura de 13ºC ou até 57ºC, apresentando assim uma variação mínima. Diferente da temperatura central a temperatura da pele varia de acordo com o ambiente ao seu redor, e esta é que define a capacidade do individuo de perder ou reter calor. Quando a produção de calor do organismo é maior que a perda de calor, o corpo eleva a temperatura, e quando a perda de calor é maior que a produção de calor, a temperatura do corpo diminui. O corpo possui sistemas de produção de calor e de perda de calor, sendo que estes estão ligados ao sistema isolante do corpo. O isolamento térmico é realizado através da pele, em particular da gordura do tecido subcutâneo. A pele constitui um meio eficaz para isolamento da temperatura interna normal.


Diversos processos fisiológicos podem influenciar na temperatura corporal, sendo eles como o envelhecimento, o ciclo menstrual, a gravidez e o exercício físico. Até os dois anos de vida o indivíduo tem seu centro termorregulador instável, sendo este mais susceptível a alterações de temperatura (LÓPEZ, MEDEIROS, 2004).


A temperatura corporal é controlada por dois centros termorreguladores que são regulados pelo sistema nervoso central. A temperatura do organismo é mantida de acordo com a capacidade e pela quantidade de energia ganhada ou perdida pelo sistema e esta também aumenta o metabolismo. Portanto, os efeitos do aquecimento eleva a produção de energia sobre forma de calor, este processo pode ser bem significativo do ponto de vista metabólico (GOLDMAN, AUSIELLO, 2005).


Os centros termorreguladores estão localizados na área pré-óptica do hipotálamo anterior, que tem o objetivo de coordenar as funções do organismo relacionado a perda ou ganho de calor, para manter a temperatura dentro dos limites desejáveis. Este centro é dividido em duas áreas, uma de produção de calor e outra de perda de calor, que são classificadas como região de sensibilidade térmica, o termostato, e uma região de estabilidade térmica, o ponto estabilizador ou set-point. O termostato tem a função de medir a temperatura e passar essa informação para o ponto estabilizador.

Este ponto estabilizador é diversos neurônios localizados na área pré-óptica do hipotálamo anterior, serve como referência para o mecanismo termorregulador, que ajusta a temperatura através da produção ou perda de calor (LEÃO, et al, 2005).


Quando a área pré-óptica é aquecida, os vasos sanguíneos apresentam grande vasodilatação, sendo uma reação imediata para que o corpo comece a perder calor e assim voltando a temperatura a níveis normais e qualquer produção de calor é inibida (GUYTON E HALL, 2002).


As respostas termorreguladoras incluem a redistribuição do sangue em direção ou para longe dos leitos vasculares cutâneos, aumento ou diminuição da sudorese, regulação do volume de liquido extravascular (por meio de arginina-vasopressina) e resposta comportamentais, como procurar ambiente mais quente ou mais frio (BEHRMAN, 2002, p. 729).


Filho (2004) diz que a febre é uma manifestação freqüente em uma reação quando o agressor é um agente infeccioso. Caracterizada por uma síndrome clínica com sensação de frio, tremores e taquicardia. Em seu estágio inicial ela aumenta o mecanismo de produção de calor e diminui o mecanismo de perda de calor, com isso o individuo apresenta hiperalgesia, excitação, elevação da pressão arterial e insônia. No segundo estágio o organismo passa a dissipar calor, iniciando o declínio do indivíduo, passando a apresentar hipoalgesia, redução da atividade motora, sonolência e hipotensão.


Nos casos de febre por infecção bacteriana, em particular, são liberados toxinas lipopolissacarídicas pelas membranas celulares bacterianas que estimulam a produção de substâncias pirógenas. Estas substâncias liberadas pelas bactérias e por tecidos do organismo em degradação, provocam febre durante as condições mórbidas (GUYTON E HALL, 2002).


A febre ou pirexia ocorre devido a incapacidade dos mecanismos de perda de calor de se manterem durante uma produção elevada de calor, causando uma mudança ascendente no centro de regulação térmica do organismo.


De acordo com LEÃO et al, (2005) os pirógenos endógenos, são agentes infecciosos, imunológicos ou tóxicos, que ativam a produção de pirógenos endógenos por células inflamatórias. Estes são citocinas que estimulam o hipotálamo a produzir prostaglandina E2 que junto com outros metabolitos eleva o set-point da temperatura do corpo. A liberação de pirógenos endógenos é capaz de provocar a febre em um período de 10 a 15 minutos, enquanto os pirogênios exógenos podem demorar de 60 a 90 minutos, porque requerem a síntese e a liberação de citosinas pirogênicas.

 

A febre pode ser classificada em três tipos:


• Continua: ocorre quando as variações durante o dia não passam de 1ºC.
• Remitente: surge quando as variações passam de 1º C, porém a mínima não atinge parâmetros normais.
• Intermitente: quando ela se altera em períodos piréticos com apiréticos, ou seja, a temperatura volta ao normal mais de uma vez ao dia e recorrente ou reincidivante quando a febre aparece de maneira contínua.

3.2 Sinais, Sintomas e Tratamento


A temperatura pode ser avaliada por diversos locais como axila, reto, ouvidos e boca. A mesma pode variar de acordo com o local da avaliação, entre 36ºC e 38ºC, sendo que no reto é normalmente 0,5ºC maior que na boca e a axilar 0,5ºC mais baixa que a oral. Cada local de aferição de temperatura tem suas vantagens e suas desvantagens sendo que a escolha do local a ser avaliado dependerá do quadro clínico de cada paciente (POTTER, 2006).


Potter (2006) diz que os sinais e sintomas da febre podem variar bastante, dependendo do processo patológico e do organismo de cada indivíduo. A maior parte das pessoas pode avaliar sua mudança de temperatura ao longo de um dia. A sintomatologia está ligada diretamente com nível da elevação da temperatura e as mais comuns são astenia, inapetência, cefaléia, taquicardia, taquidisfigmia, oligúria, dor no corpo, calafrios, sudorese, náuseas, vômito, delírio, confusão mental e convulsões.


De acordo com Murahovschi (2003) o tratamento da febre é um assunto que gera muita discussão, uma vez que a resposta febril é vista como um aspecto positivo, pois aumenta a resposta imune que estimula a capacidade bactericida dos leucócitos.


O antitérmico ideal deve ser efetivo na redução da febre com uma baixa taxa de toxicidade. Face à necessidade de sua ampla disponibilidade no lar, o risco ocasionado pela ingestão de uma dose excessiva deve ser baixo. Além disso, devido ao seu grande uso predominantemente fora do ambiente hospitalar, o antitérmico ideal deve ser familiar para o público e com instruções de uso que possam ser facilmente seguidas. Deve haver poucas doenças clínicas nas quais seu uso seja contraindicado ou não aconselhável. Seu uso com outras medicações deve ter uma baixa incidência de interação ou de efeitos colaterais (LOVEJOY, 1978. p. 904).


Os antitérmicos são drogas que reduzem a temperatura corporal através da liberação de calor, eles não eliminam a causa da pirese. Estes fármacos abaixam a temperatura apenas quando ela está elevada. (KOROLKOVAS, 2008). A febre pode ser abolida ou reduzida quando há um bloqueio na produção de prostaglandina por medicamentos (PORTO, 2005).
De acordo com estudo realizado por Murahovschi (2003), o tratamento da febre realizado exclusivamente pela dipirona ocorreu durante décadas, hoje já foi constatado com base em estudos, o alto índice de intoxicação medular causada por essa medicação, por isso ela não é mais usada nos Estados Unidos.


A dipirona foi substituída pelo ácido acetilsalicílico (AAS), que segundo estudos pode acarretar diversos eventos de intoxicações acidentais gravíssimas e também um alto índice de sangramento intestinal. Então o AAS foi substituído pelo acetaminofeno (paracetamol) que apresenta reações alérgicas e grau de intoxicação menor que a dos anteriores, mas que em doses maiores que a recomendada pode causar intoxicação hepática. Em estudos recentes os anti-inflamatórios não-hormonais, tem tido um resultado analgésico/antitérmico de boa aceitação sendo o mais usado o ibuprofeno, mas que em uso prolongado pode causar gastrites (MURAHOVSCHI, 2003).


De uma maneira geral os anti-inflamatórios não-esteroides (AINE) são anti-inflamatórios, antipirético e analgésico que inibem a produção enzimática de prostaglandinas (BRUNTON, LAZO, PARKER, 2006).


A terapia que não usa fármacos é realizada através dos métodos que aumentam a perda de calor por condução, evaporação, radiação e convecção (POTTER, 2006).


4 RESULTADOS E DISCUSSÕES


As intervenções de Enfermagem são considerados cuidados indiretos e diretos ao paciente. A escolha das intervenções corretas deverá ser embasada em conhecimentos científicos, para que não agrave o quadro clínico de cada paciente, já que a mesma deverá se escolhida individualmente. O enfermeiro deverá realizar a ananmese, exame físico, diagnósticos de enfermagem, os resultados esperados para então prescrever as intervenções ao paciente. As técnicas de resfriamento deverão ser realizadas após a administração do antitérmico prescrito pelo médico, para que as intervenções sejam eficazes ao tratamento.


Para que o enfermeiro possa agir com segurança nas intervenções a serem realizadas, ele deve conhecer a fisiopatologia da febre, aferi-la e interpretá-la de maneira correta para poder intervir com medidas para minimizar ou aumentar a perda de calor, realizar medidas de conservação de calor e contribuir para melhorar o conforto do paciente. Estas ações servem para complementar o tratamento médico prescrito, estes procedimentos também podem ser ensinados aos pacientes e cuidadores. (POTTER, 2006)


Segundo Hockenberry (2006) um dos principais motivos para se tratar a febre é diminuir o desconforto que ela causa no paciente, resultando em alivio podendo ser realizada por intervenções farmacológicas e ambientais.
Após o ponto padrão hipotalâmico ser reduzido pelo tratamento farmacológico, se for necessário, inicia-se o tratamento físico retirando roupas e agasalhos do paciente permanecendo o mesmo em ambiente bem ventilado. A enfermeira pode recorrer também a banhos mornos de imersão por 10 a 20 minutos, deixando a água esfriar lentamente ou realizar fricção com esponja umedecida delicadamente em água morna durante cerca de 20 a 30 minutos. (MUKAI et al, 1995). Estes processos só devem ser realizados se não aumentarem o desconforto do paciente, além da produção de tremores e calafrios que aumentam o metabolismo do paciente produzindo mais calor e impedindo a perda de calor, elevando ainda mais a temperatura corporal.


Atualmente as enfermeiras tem utilizado para esse tratamento compressas mornas, banhos com solução de água e álcool, aplicação de gelo nas axilas e nas virilhas e ventilador, mas elas devem ser evitadas separadamente pois podem potencializar o processo patológico da febre inicial provocando tremores. (POTTER, 2006)



De acordo com Guyton e Hall (2002) durante um quadro de febre o individuo sente frio e tem calafrios ou tremores, isso ocorre devido a vasodilatação que o organismo faz durante o período de febre para dissipar calor e quando a pele se esfria o individuo começa a ter calafrios, mesmo diante de uma temperatura elevada, fazendo vasoconstrição interrompendo a dissipação de calor.


De acordo com Hockenberry (2006), as intervenções devem ser realizadas quando são toleradas pelo paciente e se não produzirem tremores. Segundo este mesmo autor as principais medidas de resfriamento são expor a pele ao ar o máximo possível, colocar o paciente em local arejado e com temperatura baixa e aplicar compressas úmidas e frias sobre a pele, sendo que estas intervenções serão eficazes apenas após a administração de antitérmicos.


Leão (2005) contradiz Hockenberry (2006) relatando que a aplicação de compressas mornas são preferíveis, pois as soluções frias ou com gelo podem provocar calafrios e por isso só deverão ser realizadas quando o paciente estiver internado. O autor também diz que o esponjamento com água morna é útil já que a realização da fricção aumenta a vasodilatação da pele e com isso a dissipação de calor. Os banhos de imersão devem ser prolongados, cerca de 15 a 30min com água morna, mas que as compressas são mais eficazes, e que o banho deve ser interrompido imediatamente se o paciente começar a ter calafrios. O uso de solução fisiológica gelado em administração endovenosa, envoltórios com sacos de gelo, devem ser utilizados com cautela.


Mas de acordo com Goldman; Ausiello, (2005) o banho de imersão deve ser realizado com água fria e deve-se monitorar a temperatura central do paciente para que não ocorra hipotermia. A lavagem gástrica com água gelada deve ser utilizada apenas em situações extremas e a prática de aplicação de bolsas de gelo nas axilas e nas virilhas não são afetivos, e podem causar desconforto.


Magalhães et al (2001) contradiz Leão (2005) dizendo que deve-se aplicar toalhas frias ou com gelo, banhos de imersão em água fria, medidas invasivas como a administração de soro fisiológico frio endovenoso, lavagem gástrica, intestinal ou peritoneal com soro fisiológico frio, retirar peças de roupas e suspender qualquer atividade.

A colocação de álcool no banho é desaconselhável por causar risco de inalação segundo (LEÃO 2005). Axelrod (2000) diz que mesmo com a comprovação de que a utilização do álcool não seja recomendada, ainda existe práticas do mesmo nos Estados Unidos. Murahovschi (2003) confirma que o álcool nunca deve ser utilizado no tratamento da febre, pois pode causar toxicidade sistêmica por ser absorvido pela pele.


Gilio (1982), diante de um estudo relata que pode-se observar que compressas com água gelada junto com álcool foram mais eficazes do que as compressas com água morna, porém o a incidência de desconforto para o paciente é maior. Por outro lado o uso de antitérmico junto com a compressa morna teve a mesma eficácia que a compressa de água fria com álcool e um índice de desconforto menor para o paciente.


Gilio (1982) também contradiz Magalhães et al (2001) relatando que o uso de enemas com água fria pode causar intoxicação hídrica, hiponatremia ou mesmo perfuração do colón.


Bridgwater (2008) e Alves, Almeida e Almeida (2008) em um estudo realizado por práticas baseadas em evidências dizem para não se utilizar o banho morno em casos de febre, pois em países de clima temperado a compressa não irá produzir queda continua da temperatura, podendo levar a uma vasocontrição periférica e assim aumentar a temperatura do paciente, e se realizado de forma rápida pode causar tremores que aumenta o metabolismo e assim elevando a temperatura. O autor também diz que o banho morno deixa o paciente se sentir mais confortável e calmo desde que não produza tremores. É importante que se reduza a quantidade de roupa e que o paciente fique com a cabeça descoberta.


McClosKey e Bulechek (2008) diz que as intervenções de enfermagem devem ser monitorar a temperatura com freqüência apropriada, monitorar perda de líquidos, administrar banho morno de esponja quando apropriado, encorajar ingestão de líquidos, aplicar bolsa de gelo coberta com uma toalha nas virilhas e axilas, utilizar ventilador para aumentar circulação, administrar medicamentos conforme prescrição, controlar calafrios e colocar cobertor de hipotermia quando apropriado.


Os autores relatam divergências diante do tratamento físico ao paciente com febre, sendo que a maneira correta de se realizar este tratamento é muito importante para a evolução do quadro clínico de cada paciente.



5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


A prescrição de intervenções de enfermagem trata-se de uma ação exclusiva do enfermeiro, baseada em regras cientifica que são utilizadas para melhor recuperação do cliente, seguindo o caminho predito pelo diagnóstico de enfermagem com o estabelecimento de metas a serem alcançadas. Diante disso a atuação do enfermeiro no tratamento febril consiste na monitorização do paciente, na detecção precoce de anormalidades e nas rápidas intervenções para garantir um procedimento seguro e eficiente. Como o enfermeiro e sua equipe assiste mais de perto o paciente, ele deve estar apto e prontamente preparado com conhecimentos técnicos e cientifico para intervir e assim evitar outras complicações potenciais.
Das publicações pesquisadas poucas são de origem nacional, publicadas e escritas por enfermeiros, algo que pode estar relacionado ao desinteresse do profissional pelos cuidados ao paciente com febre.


Diante do que foi exposto pelos autores citados, percebe-se um impasse de idéias em torno das medidas de resfriamento, uma vez que as mesmas são usadas de maneira errônea que ao invés de proporcionar conforto e melhora terapêutica, pode ocasionar piora do quadro e possíveis complicações.


É imprescindível a realização de novas pesquisas embasadas em evidências cientificas, como ensaios clínicos randomizados sobre as melhores intervenções, estes realizados por enfermeiros, tornando-as intervenções de enfermagem uma pratica segura e fundamentação cientifica para nortear os enfermeiros,



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PORTO, Celso Celeno. Semiologia Medica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2005.



Magali Batista Marques
E-mail: magali.marques@yahoo.com.br FORMAÇÃO ACADÊMICA/PROFISSIONAL Graduação: Enfermagem. Pela Faculdade Pitágoras Campus Ipatinga/MG. Conclusão Jun/2011. Pós-Graduação: Urgência e Emergência-Atenção pré-hospitalar e intra-hospitalar. Pela Unileste-MG. Conclusão prevista para 06/2013
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