Enfermagem no Home Care

Enfermagem no Home Care
ENFERMAGEM
A presença da Equipe de Enfermagem é obrigatória nas empresas de prestação de cuidados domiciliares segundo a RDC n° 11 e a Resolução do COFEN n°270 de 2002, tanto nas empresas públicas como nas privadas, enfermeiro e técnico de enfermagem formam em conjunto com os demais profissionais a Equipe Multiprofissional de Atendimento Domiciliar.

Segundo Lacerda (2000) as principais atribuições do enfermeiro em Home Care é ensinar, cuidar ensinando e ensinar a cuidar. Cruz (2001) aponta as seguintes atribuições do enfermeiro em Home Care:

• Avaliar as condições do ambiente do paciente, de seu domicílio, durante todo o atendimento domiciliar, também averiguar sobre o cuidador do paciente;
• Planejar o número de visitas que atenderão as necessidades do paciente;
• Deixar claro a todos os familiares e pacientes sobre as condutas do atendimento domiciliar;
• Buscar uma relação de ajuda mútua entre família e paciente;
• Capacitar o cuidador nas ações que condizem com suas habilidades, educar o cuidador para o atendimento ao paciente;
• Realizar a cada visita o histórico de enfermagem, revisando os dados para possíveis alterações de condutas;
• Revisar e acrescentar conforme a necessidade os diagnósticos de enfermagem a cada visita domiciliar;
• Encaminhar o paciente quando necessários a serviços especializados;
• Prescrever o Plano de Cuidados e revisá-lo periodicamente observando as respostas do paciente às intervenções, conforme a reposta do cliente ao tratamento prepará-lo para alta do atendimento domiciliar;
• Prestar a assistência domiciliar que não pode ser realizada pelo cuidador;
• Observar e direcionar as ações referentes a alta do serviço domiciliar;
• Avaliar os resultados do cuidado domiciliar junto ao cuidador;
• Manter o paciente e familiar informados sobre o diagnóstico, respostas e evolução do paciente sobre o tratamento domiciliar;
• Deixar claro sobre o contato (a Unidade de Saúde) ao qual o serviço está vinculado;
• Manter preenchidos e atualizados os registros no prontuário do paciente e demais documentação de reembolso;
• Coordenar call center;
• Orientar o cuidado e o cliente por meio do call center;
• Liderar da equipe de enfermagem e dar suporte a equipe de saúde;
• Elaborar os relatórios para fins de reembolso;
• Apoio logístico ao cuidado (materiais e recursos humanos);

A enfermagem domiciliar diferencia-se da enfermagem hospitalar uma vez que assume um paciente em seu domicílio, não possuindo todas aquelas rotinas de horários, higiene de aposento, e demais normas técnicas de funcionamento das instituições hospitalares; ainda se deparando com preceitos culturais e vivências do paciente, relação entre o paciente e sua família, crenças e percepções distintas.

Segundo Brunner & Suddarth (1998) para a enfermagem ter sucesso com os pacientes domiciliares, é importante não expressar juízo de valor e respeitar as crenças, mesmo quando elas diferem muito das da enfermagem. Podendo ser difícil para os profissionais da enfermagem quando a vida do paciente envolve atividades que são consideradas por estes profissionais como inaceitáveis, como o hábito de consumir bebidas alcoólicas ou drogas.

Talvez as questões que permeiam os conceitos éticos e culturais constituem-se em um dos maiores desafios da atuação do enfermeiro domiciliar, pois como profissional institucionalizado, tanto em hospitais como em postos de saúde, o enfermeiro consegue, em sua atuação manter a organização dos serviços e principalmente não permitir atos que infrinjam os preceitos éticos do cuidado ao paciente.

No domicílio o enfermeiro poderá se deparar com situações que fogem da organização de pessoal e estrutural das instituições, causando certo desconforto já que está dentro do domicílio do paciente, em seu habitat, tendo o direito de intervir através do aconselhamento a pacientes e familiares, conduto possuindo justificativas apenas para fatores que estejam relacionados ao ato do cuidar.

Mas então frente às situações inadequadas em ambiente familiar, como brigas, uso de drogas, prostituição, falta de higiene, entre outros, como agir enquanto enfermeiro domiciliar?
Uma das soluções mais eficazes são se munir dos demais profissionais da EMAD, nestes casos específicos a presença da Assistente Social, Psicólogo e Terapeuta Ocupacional tornam-se essenciais para o alcance dos resultados esperados pelo atendimento domiciliar.

Sobre a limpeza do domicílio, também se deve considerar que os padrões serão diferentes do hospital, é importante avaliar que a casa do paciente não segue as mesmas rotinas nem deverá seguir, contudo, são necessários alguns critérios de limpeza que proporcionem os cuidados ao paciente e não o exponham a riscos.

Segundo Brunner & Suddarth (1998) a limpeza da casa do paciente pode não estar de acordo com o padrão do hospital. A enfermeira pode oferecer ensino sobre pontos específicos relativos à manutenção da limpeza, sendo que o paciente e a família são os responsáveis por determinar se seguirão estes padrões ou não. Devendo a enfermeira aceitar a realidade da situação e liberar a assistência.

Obviamente em conjunto com a EMAD, é importante verificar se o domicílio do paciente, não estará expondo o mesmo a riscos maiores nos casos de uma conduta de limpeza ineficaz. Orientar a família e o paciente é o melhor caminho explicando principalmente as consequências que as más condições de limpeza trarão ao paciente.

O controle das infecções é outro processo desafiador na área da atuação domiciliar, uma vez que diferentemente do hospital, o domicilio e as pessoas que nele moram, não seguem e nem conhecem na maioria das vezes rotinas de controle de infecção.
Conforme Fernandes & Ribeiro Filho (2000) cerca de 20,6% dos pacientes em atendimento domiciliar possuem infecções ocorrendo ¼ durante o atendimento domiciliar e ¾ existindo previamente, assim é imprescindível que a equipe de saúde realize orientação sobre procedimentos contra as infecções.

Orientar a família e paciente quanto aos cuidados com a manipulação do leito, tais como troca de roupas, limpeza, respeito às normas de biossegurança e precaução padrão, norteando o manejo dos resíduos. Explicar sobre os cuidados com a água, caso não haja saneamento básico e quanto ao descarte de secreções, excreções e demais dejetos (Fernandes & Ribeiro Filho, 2000).

Na avaliação para admissão ao cuidado domiciliar o enfermeiro deve observar os procedimentos assépticos que o paciente irá necessitar em seu domicílio e concluir sobre a realização destes procedimentos no domicílio, atentando para as precauções contra infecções, pensando sempre no bem estar do paciente. Quando possível às técnicas assépticas poderão ser realizadas ainda no hospital antes da alta do paciente.

Brunner & Suddarth (1998) descrevem que em qualquer situação é importante lavar as mãos antes e depois de intervir com o paciente, mesmo no domicílio que não dispõe de água corrente. Na necessidade de realizar uma técnica asséptica no domicílio, é essencial planejar esta ação antes de levá-lo para casa.

Outro fator importante é o ambiente do domicílio do paciente, avaliar as condições para o tratamento e recuperação do paciente é fundamental para garantir o sucesso no desenvolvimento das ações no atendimento domiciliar; o ambiente que se diferencia da caracterização daquela encontrada no hospital, deve ser avaliado sob outros aspectos.

Segundo Veiga & Crosseti (1998) o meio ambiente terapêutico é o que ajuda o paciente a melhorar, a aprender e recuperar a saúde. É uma atmosfera na qual o indivíduo se vê reforçado na percepção de si mesmo como uma pessoa de estima.É aquele que possibilita uma atmosfera em que o paciente é capaz de resolver problemas e tomar decisões.

Algumas percepções sobre o ambiente do paciente dizem respeito a iluminação, acomodação do paciente, como por exemplo, a presença de uma cadeira próxima ao leito principalmente nos casos de pacientes acamados para que tenha a possibilidade de ser colocado sentado por alguns instantes, se a patologia permitir.

O barulho excessivo no domicílio, a presença de muitas pessoas atrapalha o descanso do paciente, sobre este aspecto a família recebe orientação principalmente para respeitar o horário de sono do paciente. No momento da visita domiciliar ao paciente deve-se atentar para a presença de muitas pessoas que possam interferir na prestação da assistência, além do paciente permanece a EMAD e os cuidadores.

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