Enfermagem em pediatria

Enfermagem em pediatria
ENFERMAGEM
A atenção a saúde dos indivíduos e populações, ao longo da história dos homens, vem sendo desenvolvida de muitas formas e nem sempre foi espaço exclusivo de atuação profissional e nem envolveu uma única abordagem diagnóstico-terapêutica.

Alguns trabalhos de saúde surgem quando o sistema industrial se instala e se desenvolve a ponto de exigir trabalhadores mais habilitados. Neste período, os sistemas de assistência à saúde ampliam seus objetivos de modo a dar conta de uma necessidade social que desponta, ou seja, a de preservar a mão de obra treinada para os postos de trabalho então existentes.

Nesta mesma época, dentre os trabalhadores estavam as crianças, que se tornavam preocupação quando estavam doentes, pelo mesmo motivo dos adultos, ou seja, diminuição da produtividade e capacidade de trabalho. A mortalidade infantil era considerada alta e as crianças morriam de doenças como sarampo, varicela, febre amarela, difteria, coqueluche, doenças nutricionais e também por acidentes.

Não existia ainda uma preocupação com a vivência da infância, na verdade a criança era vista como um adulto pequeno, que trabalhava cedo, estudava pouco e adoecia mais, simplesmente por não haver preocupação social e política com a saúde e bem-estar durante o período infantil.

Segundo Vaz (1996) a saúde é um universo concreto como produto das relações do ser humano, sua expressão pode ser vista nas formas biológicas do indivíduo e nas estruturas das ações coletivas. As ações situam-se exteriormente ao mundo e constituem-se em expressão e condição de desenvolvimento das formas biológicas frente à individualidade do sujeito como ser social.

No preceito de exterioridade ao mundo como forma de visualizar a saúde dos indivíduos, um questionamento maior é feito em relação ao trabalho em saúde com a criança: já que no adulto a expressão pode ser ouvida pelos sinais e sintomas do paciente, controlada por sua própria capacidade de dependência enquanto sujeito sadio, nesta perspectiva, como visualizar a expressão de saúde nas crianças?

Traduz-se aí a reflexão de tamanha importância da atuação da enfermagem em pediatria, assim como a atuação de outros profissionais nesta área, já que além dos pressupostos de saúde que se trabalha diariamente referindo-se ao tratamento com adultos, na criança a subjetividade aumenta, em razão da dependência de sobrevivência da criança e pela incapacidade temporária de manifestações concretas.Leopardi et al. (1999) afirmam que o trabalho em saúde é essencial para vida humana e que faz parte do setor de serviços, incluí-se como um trabalho da esfera não material e se completa diante de sua realização. Diferencia-se por não possuir como resultado um produto material, sendo o produto indissociável do processo que o produz.

Nery & Vanzin (2000), caracterizam a história da enfermagem como possuidora de duas fases, Pré-Profissional e Profissional, sendo que a primeira constitui-se basicamente pelo surgimento do profissional “enfermeiro” sem formação científica, enquanto a segunda caracteriza-se pela fundação das escolas de enfermagem que permitiram embasamento científico aos profissionais.

A história da enfermagem não pode ser sintetizada sem a menção de alguns nomes que realmente difundiram as bases da enfermagem até os dias atuais, dentre eles cita-se Florence Nightingale, com início real da enfermagem na Inglaterra, e Ana Nery, considerada a primeira enfermeira do Brasil.

Na segunda metade do século XIX, na Inglaterra vitoriana, industrial, moralista e progressista, um grupo de mulheres dedica-se a cuidar de doentes durante a Guerra da Crimeia, dentre elas destaca-se a figura de Florence Nightingale, que demonstra grande dedicação e preocupação ao cuidar dos soldados doentes.

Florence começou a assumir papel importante na sociedade pelo seu reconhecimento com a preocupação em cuidar os doentes. Passou a influenciar assuntos militares e legislativos, reformulando hospitais, elaborando políticas sanitárias internas e externas, e finalmente lançando para o mundo as bases da enfermagem como profissão.

Segundo George (1993) a enfermagem organizada começou sob a liderança de Florence Nightingale. Antes de seu tempo, o trabalho de cuidar de doentes era realizado por pessoas incapacitadas. Construíam hospitais em locais onde os pobres sofriam com mais frequência em razão do ambiente do que da doença que os levara até lá, predominavam cirurgias sem anestesia, com pouca ou nenhuma higiene.

Os preceitos de Florence acerca da enfermagem constituem o fundamento básico sobre o qual se pratica a enfermagem atualmente. O conceito central que é mais refletido nos escritos de Nightingale é a interação entre o indivíduo e o ambiente além da contribuição fundamental para a profissionalização e capacitação das “pessoas que cuidam de doentes”, ou seja, os enfermeiros.

Florence (1969) afirma que existe uma necessidade de uma preparação formal e sistemática para a aquisição de um conhecimento de natureza distinta daquele buscado pelos médicos, que os fundamentos permitam manter as condições necessárias ao organismo para não adoecer ou se recuperar de doenças.Conforme Almeida (1986), Florence introduziu treinamento aos agentes da enfermagem abordando técnicas disciplinares de enfermagem a fim de delimitar o espaço social que cada trabalhador da saúde deve ocupar na hierarquia hospitalar, em especial na hierarquia do pessoal de enfermagem; o treinamento era realizado em níveis de complexidade, tarefas de cuidados diretos dirigidas aos elementos menos categorizados socialmente e tarefas de gerência aos elementos mais categorizados socialmente.

Com o crescimento abrupto das instituições hospitalares e desenvolvimento da ciência médica, tornou-se necessária mão de obra para desenvolver o trabalho atribuído à enfermagem, para tal começou a ser utilizado o pessoal elementar, que consistiam em indivíduos com outras funções que eram treinados no próprio local de trabalho para cumprir as exigências da demanda do mercado.

O uso funcional destas pessoas favorece a função de supervisão e gerência de enfermagem, que eram desenvolvidas basicamente pelas chamadas “enfermeiras-chefe”, pessoas de classe social elevada, enquanto as pessoas treinadas pelas enfermeiras eram consideradas auxiliares de enfermagem. Começa aí, a primeira categorização informal da enfermagem.

No Brasil, a enfermagem teve seu marco, por intermédio de Anna Justina Ferreira – Anna Nery. Viúva com 51 anos de idade, movida pelo amor, Anna Nery escreve um pedido para ser voluntária na guerra Brasil-Paraguai, em 1865; seus três filhos e dois irmãos lutavam na guerra. Tendo o pedido aceito, dedicou-se aos cuidados dos feridos, improvisando hospitais e obtendo o título de “Enfermeira – Mãe dos Brasileiros”.Nery & Vanzin (2000) descrevem que Anna Nery foi o maior vulto de enfermagem no período pré-profissional, destacando-se pela sua coragem, dedicação e amor aos feridos nos campos de batalha, durante a Guerra Brasil-Paraguai, consagrando-se a primeira enfermeira do Brasil.

A partir destes acontecimentos começam a ser fundadas as primeiras Escolas de Enfermagem no Brasil, com o objetivo de capacitar, por meio de conhecimentos científicos, os profissionais enfermeiros. A primeira escola de enfermagem do Brasil teve o nome de Anna Nery.

Conforme Pires (1998), em termos educacionais o que veio servir de referência para a formação do enfermeiro foi a criação da escola de enfermagem Anna Nery, seguindo o modelo de ensino embasado em Florence Nightingale, da Inglaterra do século XIX, seu currículo foi considerado padrão para o desenvolvimento de outras escolas.

Desde o início da enfermagem moderna já se identificou uma preocupação relacionada com a atenção da saúde das crianças, não somente centrada a elas, mas que retrata esta dedicação ao estudo como uma especificidade. Florence (1987) afirmou que todas as medidas e normas para a prevenção e conservação das condições sanitárias nas habitações eram de suma importância para que as crianças não passassem por epidemias.

No final do século XVIII e ao longo do século XIX, a ciência da pediatria começou a expandir principalmente pela cooperação de estudos na área de atenção à criança, realizados pelo médico alemão Abraham Jacobi, considerado o pai da Pediatria.

Em 1940, a enfermagem em pediatria consagrou-se como especialidade. Em 1973, no Brasil, foi criado o primeiro curso de especialização em pediatria na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e a partir de 1978 e 1986 foram oferecidos cursos de mestrado e doutorado na especificidade pediátrica nesta mesma escola.

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