Distopias genitais

Distopias genitais
ENFERMAGEM
A distopia genital é o deslocamento das vísceras pélvicas no sentido caudal, em direção ao hiato genital, ou seja, todo e qualquer deslocamento dos órgãos genitais, desviando-se da posição típica e normal. O prolapso genital ocorre do desequilíbrio entre as forças encarregadas de manter os órgãos pélvicos em sua posição normal e aquelas que tendem a impeli-los para fora da pelve. A Sociedade Internacional de Continência define prolapso genital com o descenso da parede vaginal anterior e/ ou posterior, assim como do ápice da vagina útero ou cúpula vaginal após histerectomia.


A maioria das pacientes com prolapso genital refere sensação de peso vaginal ou massa exteriorizando-se pela vagina, acompanhada ou não de dor em baixo ventre, ocasionada pela distensão dos tecidos pélvicos. Os sintomas são progressivos, agravando-se com a idade.


A distopia da uretra e da bexiga, uretro ou cistocele é classificada nos graus: 0, 1º, 2º, 3º e 4º grau. A distopia da parede vaginal posterior, retocele e/ou enterocele, classificada de acordo com graus de gravidade: leve, moderada e grave. O prolapso uterino é classificado em 1º, 2º e 3º graus, com o colo pinçado e tracionado durante o exame genital . O grau 0 corresponde a ausência de prolapso, grau 1 quando o prolapso ocorre porém sem atingir o hímen, grau 2 quando o prolapso atinge o hímen, grau 3 quando ultrapassa o introito vaginal porém não é total, e grau 4 quando a eversão é total.


A grande maioria das pacientes com prolapso genital inicial é assintomática e as queixas estão diretamente relacionadas com a evolução da distopia. No início, referem sensação de peso que surge ou acentua durante esforço físico. Os sintomas costumam piorar durante o dia e melhorar com o repouso. Com a piora do prolapso pode surgir dor no hipogástrio, de intensidade variável, com irradiação para a região lombar.


Segundo o Manual de atenção a Mulher no Climatério do Ministério da Saúde a prevenção e tratamento das Distopias Genitais pode ser feita através de exercícios, os exercícios apresentam comprovada eficácia para o reforço da musculatura do assoalho pélvico e a conservação de sua estática. A prática dos exercícios de Kegel necessita de continuidade em sua realização, que pode ser iniciada a qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer idade, independente da posição adotada (em pé, sentada ou em decúbito). Para identificar o grupo muscular a ser trabalhado, basta interromper o fluxo urinário, pois a contração será proveniente da ação desses músculos, embora seja questionada a realização dos exercícios durante a micção.


Sugestão técnica de realização dos exercícios de Kegel:
Deve ser contraído com força o músculo pubo-coccígeo e mantê-lo assim por três segundos. Relaxar três segundos e repetir consecutivamente. A duração das contrações deve aumentar gradativamente até chegar a dez segundos. Contrair e relaxar o mais rápido possível, iniciando com 30 repetições, até chegar a 200 vezes. Em posição horizontal, encostar a coluna em uma base sólida, com os joelhos dobrados e os pés apoiados no solo. Suspender a pelve e começar a contrair.


Os exercícios podem ser realizados e incorporados às atividades diárias, gradativamente, em relação ao tipo, à frequência e à força muscular aplicada nas contrações. As cirurgias para correção de distopia genital podem ser benéficas por abolirem os sintomas causados pela afecção, bem como pela reconstituição da anatomia, mais tais procedimentos podem, em contrapartida, desencadear disfunção sexual por causa orgânica (dano neural, vascular, fibrose ou estenose) ou emocional.

REFERÊNCIAS

Araujo MP, Takano CC, Girão MJBC, Sartori MGF, autores. A história da classificação do prolapso genital. Femina, maio de 2009, vol 37, nº5


CARVALHO, G. M. de. Enfermagem em ginecologia. São Paulo. EPU. 2004


GROSSE, D; SENGLER, J. Reeducação Perineal: Concepção realizadção e transcrição em prática liberal e hospitalar. V. 103, n.1, 2004.

International Continence Society, Committe on Standardisation of Terminology. Standardisation The standardization of terminology of lower urinary tract function. In: Ostergard DR, Bent AE, editors. Urogynecology and Urodynamics: theory and practice. 3rd ed. Baltimore: Williams & Wilkins; 2000..


MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher. Brasília, 2010.


Resende APM , et al. Prolapso genital e reabilitação do assoalho pélvico. Femina, Fevereiro de 2010, vol 38, nº2.


SANTOS JR. JC. Prolapso do Reto Aspectos Clínicos e Cirúrgicos. Rev bras Coloproct, 2005; 25(3): 272-278.


Mariana Costa Larre
Formação acadêmica/titulação ________________________________________ 2008 - 2013 Graduação em Enfermagem.
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