Cuidados no preparo e administração de quimioterápicos

Cuidados no preparo e administração de quimioterápicos
ENFERMAGEM

RESUMO


O preparo e administração de quimioterápicos requer experiência do profissional que trabalha com essa área. A biossegurança é fundamnetal para evitarmos contaminação destas drogas e para que esse preparo e administração de quimioterápicos seja adequada para o paciente, trazendo assim benefícios no seu tratamento. É importante também, que o lixo resultante do preparo e administração de quimioterápicos tenha um destino correto, evitando assim contaminação do meio ambiente.

 

Cuidados no preparo e administração de quimioterápicos

AUTOR:

Alisson Daniel Fernandes da Silva (I)

Enfermeiro, tutor do Portal Educação e Sites Associados, Membro da Sociedade Brasileira de Enfermeiros de centro Cirúrgico, Sala de Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização.

Quimioterápicos são compostos químicos utilizados no tratamento de doenças causadas por agentes infecciosos e biológicos. A quimioterapia é o método utilizado para realizar este tratamento.
A quimioterapia pode ser aplicada para o tratamento de neoplasias, sendo chamada após este momento de quimioterapia antineoplásica ou antiblástica.
Os quimioterápicos são classificados conforme sua atuação no ciclo celular e podem ser ciclos-inespecíficos, ou seja, atuam em células que estão ou não no seu ciclo proliferativo, ciclos-específicos que são aqueles que atuam em células se encontram somente na fase proliferativa e fase-específicos que atuam em determinada fase do ciclo celular.
A quimioterapia pode ser realizada com a aplicação de um quimioterápico (monoquimioterapia) ou com a associação de mais quimioterápico (poliquimioterapia), sendo que a utilização de drogas associadas aumenta a eficácia do tratamento das neoplasias.
A quimioterapia é classificada de acordo com suas finalidades e podem ser: curativa, adjuvante, prévia e paliativa, podendo ainda, ser associada à cirurgia ou radioterapia.
É importante ressaltarmos que não só os pacientes como também os profissionais de saúde que trabalham na administração dos quimioterápicos, devem ter um cuidado especial, por tratar-se de uma substância cancerígena.

Existem regras básicas no preparo de quimioterápicos:

• A área de preparo deve ser restrita e isolada, evitando assim interrupções, contaminações e acidentes ocupacionais;
• Devem ser preparados por profissionais qualificados e treinados;
• Deve haver uma cobertura de plástico absorvível para evitar a contaminação dos medicamentos, e esta deve ser desprezada diariamente com os mesmos cuidados dos lixos tóxicos;
• Durante a preparação dos quimioterápicos devem ser evitadas ações como fumar, comer, beber ou aplicação de produtos cosméticos que possam interferir ou alterar a composição destes quimioterápicos;

Os quimioterápicos devem ser preparados e administrados por pessoas treinadas e qualificadas para a função. Deve haver o uso de capela de segurança biológica do tipo II, com filtro, fluxo laminar com eliminação para o exterior  preferencialmente. O acesso ao setor deve ser restrito inclusive para os profissionais que trabalham na instituição,  mas que não pertencem a este setor.
Preparação dos quimioterápicos.
• Todo agente quimioterápico deve ser preparado por profissional especificamente treinado para tal procedimento.

• A área de preparo deve ser isolada para evitar interrupções, minimizar riscos de acidentes e de contaminações. Deve estar situada em área restrita a fim de evitar fluxo de pessoas.

• Alimentar-se, beber, fumar, e aplicar cosméticos são procedimentos totalmente proibidos, durante a preparação dos agentes quimioterápicos.

• A superfície de trabalho deve ser coberta com plástico absorvente para diminuir o risco de contaminação. A superfície de trabalho absorvente deve ser eliminada diariamente com cuidados especiais e se possível adicionar neutralizantes para as drogas mais agressivas no caso de acidente que determine o extravasamento de droga tóxica na superfície absorvente.

• A técnica de preparo deve ser rigorosamente asséptica.

• As recomendações do fabricante do medicamento quanto à compatibilidade de soluções, a compatibilidade com outras drogas, a estabilidade da droga e sensibilidade a luz devem ser rigorosamente seguidas.

• A concentração final mg/ml contida na prescrição tem de ser rigorosa.

• Luvas cirúrgicas estéreis com pelo menos 0,007 inches de espessura devem ser usadas. As luvas devem ser trocadas sempre que houver contaminação com quimioterápico, como extravasamento ou respingos, e sempre que mudar de ciclo por paciente.

• Avental longo de boa textura, totalmente fechado na parte da frente e de preferência impermeabilizado deve ser usado durante todo procedimento.

• Goros, máscaras impermeáveis e óculos de plástico devem ser usados sempre que em atividade. Caso não se trabalhe com capela de fluxo laminar vertical classe II , deve ser usado máscara com filtro próprio para purificação do ar respirado.

• Para que se evite a aerosolização, um protetor contra aerossol deve ser usado.

• No frasco contendo o preparado deve ser afixada informação sobre o produto, se vesicante ou não e cuidados essenciais no manuseio.

• O pessoal de transporte da droga até o local de aplicação deve receber treinamento especial em como intervir em caso de acidente. Containeres especiais devem servir para o transporte da droga Estes containeres devem ser térmicos para evitar variações extremas de temperatura , que podem inativar as drogas, e devem ser também a prova de choque, principalmente se as drogas forem transportadas para serem administradas em outro hospital ou ambulatório de quimioterapia.

• As pessoas que transportam as drogas devem trazer junto com elas os materiais necessários para intervenção imediata, como luvas protetoras, aventais, gorros, mascaras, protetores para olhos, plásticos absorventes, com capacidade para 250 ml cada para serem colocados sobre a região do derramamento, enquanto comunicam a central de preparação sobre o ocorrido.

• Substâncias neutralizadoras , como bicarbonato de sódio e álcool a 70 % para limpeza da área afetada.

Administração dos Agentes Quimioterápicos.

• Todo agente quimioterápico só deve ser administrado por profissionais com treinamento especializado para tal procedimento. Estes profissionais devem conhecer o funcionamento básico das substâncias a serem administradas ,

• O profissional deve estar totalmente paramentado com goro, óculos, máscara, avental completo do tipo cirúrgico e luvas. Se eventualmente houver qualquer contaminação da vestimenta , deve ser providenciada a troca imediata.

• Confrontar com a prescrição médica feita para o paciente.

• Verificar se os medicamentos contem nome do paciente, nome e quantidade da droga, líquido diluidor, integridade dos frascos e ou seringas que contem a droga.

• Verificar se a solução esta límpida e sem contaminação.

• Verificar a via de administração, tempo total de infusão e a quantidade de droga, mg/ml/min. a ser administrada.

• Punção venosa rigorosa, checar retorno venoso. Avaliar se não existe possibilidade de extravasamento, pois grande parte das drogas são vesicantes e ou irritantes.

• Ser hábil para identificar reações anômalas e indesejáveis, como alergias, hipotensão e anafilaxia.

• Qualquer contato das soluções contendo as drogas com a pele devem ser evitadas, entretanto se acidentalmente acontecerem a pele deve ser lavada intensamente com água e sabão.

• Em acidentes envolvendo os olhos devem ser imediatamente lavados com água, de preferência isotônica, durante pelo menos 10 minutos e procurar médico para continuidade de tratamento.

O acondicionamento do lixo tóxico quimioterápico segue rigorosos critérios de separação e eliminação, como a utilização de containeres identificados, facilitando e orientando o transporte e inativação deste conteúdo. O lixo tóxico deve ser acondicionado em um local separado do lixo comum e devem ser incinerados ou neutralizados para evitar a contaminação do ambiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Instituto Nacional do Câncer

Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2 ed. rev. atual. - Rio de Janeiro: Pro-Onco. 1993.

BARROS, Ivo Monteiro de. Portal Biossegurança hospitalar. Disponível em:< http://www.biossegurancahospitalar.com.br/pagina1.php?id_informe=10&id_texto=27>. Acesso em: 29 outubro 2008.

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