A escola e o aluno com Síndrome de Down

A escola e o aluno com Síndrome de Down
ENEM
Cabe à escola, aceitar este aluno com Síndrome de Down, incentivar e estimular seu aprendizado. Ele aprende de maneira mais lenta, mas assimila os conteúdos como os demais, no seu tempo e ritmo. A diferença curricular neste aprendizado, está no ritmo das aulas que ser feita por meio de repetição do conteúdo. E paciência por parte de todos envolvidos neste processo inclusivo.

A escola deve evitar chamar a família, para mostrar que aquele aluno não tem condições para aprender. O professora (a) deve adaptar os conteúdos para que a aprendizagem efetivamente aconteça de maneira mais prazerosa e feliz.

1 Atitudes do professor

Promover trabalhos utilizando o sistema de companheirismo.
Formar grupos de aprendizado cooperativo.
Contar histórias para ensinar conceitos abstratos.
Fazer adaptação do currículo pedagógico
Trabalhar através de repetições, músicas, desenhos, recorte e cole.

1.2 Alfabetização

A alfabetização de crianças e jovens com SD tem sido cada vez mais observada e concretizada, através do significativo efeito que a inclusão desperta nos educadores, e principalmente na família daquela criança, adolescente, jovem ou adulto. O olhar à diversidade e o respeito às especificidades e diferenças de cada aluno, traz consigo a busca do caminho de acesso aos diferentes educandos, tanto para professores quanto para eles.

O método Montessoriano é um método indicado para alfabetizar as pessoas com Síndrome de Down. Este método busca a combinação de diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças, inclusive as que apresentam qualquer tipo de deficiência. Ao utilizar as modalidades auditiva, visual, cinestésica e tátil facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais (a forma ortográfica da palavra), auditivos (a forma fonológica), cinestésicos (os movimentos necessários para escrever aquela palavra) e tátil, quando a criança através de uma caixa de areia ou farinha, sente a escrita da letra semelhante como estivesse na areia da praia[1].

1.3 Processo da aquisição da leitura e da escrita

Para a pessoa com Síndrome de Down estes estágios a seguir, são os principais:


Motivação: a criança precisa querer aprender, ou seja, estar comprometida com sua própria aprendizagem; Funcionalidade: Apresentar a criança o motivo pela qual ela precisa aprender a ler e escrever, através de palavras que fazem parte do seu cotidiano. A partir daí, o aprender a ler passa a ter mais significado; Instigar a curiosidade: Despertar na criança o interesse pelos jogos que envolvam leitura e escrita, deixar bilhetes que contenham mensagens que a criança deseja saber, faz com que ela se mobilize na direção dessa aprendizagem. Retomada: Rever conteúdos aprendidos antes de avançar no processo de aprendizagem tranquiliza a criança pelo contato com informações dominadas e fortalece o aprendizado do novo. Dinâmica: Deve ser um processo, em constante movimento, atual, com estratégias diferentes, utilizando todos os sentidos para estimular, envolver a criança, levar a pensar, se movimentar e aplicar o que é aprendido.
Respeitar o desenho das letras: A criança deve aprender o traçado de cada letra.

Caixa alta: o uso da letra de imprensa maiúscula é facilitadora, por exigir traçados com menos curvas e letras separadas que favorecem sua identificação. Esta letra também é conhecida por letra bastão.

Estimular todas as formas de leitura e escrita: ler e escrever não estão ligados apenas a letras e palavras. Podemos ler figuras, rótulos e marcas; podemos escrever símbolos, desenhos e figuras. A recepção e expressão gráficas podem se realizar através de muitas maneiras.

Envolver a família: a família é um modelo muito importante.

Valorizar a leitura, comunicar-se através de bilhetes, presentear com livros e fazer de idas a bibliotecas e livrarias um programa legal, desperta na criança o desejo de compartilhar esse conhecimento.

O aluno é a “bússola” da aprendizagem: Neste estágio, cabe o professor perguntar a si mesmo: Ele está interessado em minhas aulas? Está interagindo com os conteúdos? Suas competências estão sendo valorizadas? É observando o aluno que o professor será capaz de buscar e aprimorar a metodologia, as estratégias e os recursos mais eficientes para adaptar os conteúdos, para que este aluno aprenda.
1.4 Processo de desenvolvimento e aprendizagem

O processo de desenvolvimento e maturação do sistema nervoso de numa criança com Síndrome de Down é um processo complexo e se manifesta desde os primeiros meses de vida. Apresenta alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central que vão desde o crescimento e estruturação das redes neurais após nascimento e são mais evidentes e se acentuam com o passar do tempo. As medidas de inteligência geral e as habilidades linguísticas encontram-se alterados e não possuem padrão definido. Também é possível observar no sistema nervoso, alterações de hipocampo e a partir do quinto mês de vida quando se inicia o processo de desaceleração do crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso, é onde ocorre uma diminuição da população neuronal. Desta forma as inúmeras alterações estruturais e funcionais do sistema nervoso da criança com Síndrome de Down, determinam algumas características, como distúrbios de aprendizagem e desenvolvimento.

O processo de aprendizagem depende da integração dos processos neurológicos e da evolução de funções especificas como linguagem, percepção, esquema corporal, orientação têmpora-espacial e lateralidade. É comum observar na criança com Síndrome de Down, alterações de aprendizagem de conceitos de tempo e espaço, que dificultarão muitas aquisições e refletirão especialmente em memória e planificação, além de dificultarem muito a aquisição de linguagem.

O desenvolvimento da inteligência de uma pessoa com Síndrome de Down, não depende exclusivamente da alteração cromossômica, mas é também influenciada por estímulos provenientes do meio.

1.5 O Aprendizado

Em geral, crianças se desenvolvem de maneira mais lenta do que as crianças comuns de sua faixa etária. A idade cronológica de uma criança com Síndrome de Down, equivale aproximadamente de um ano e meio a dois anos, a menos, comparada a uma criança comum. A diferença no desenvolvimento entre crianças com Síndrome de Down e as sem a síndrome aumenta com a idade.

O aluno com Síndrome de Down apresenta dificuldades se adaptar a situações novas, e quebra de rotina e de vínculo, portanto, todo aprendizado deve sempre ser estimulado a partir do concreto necessitando de instruções visuais para consolidar o conhecimento. Uma maneira de incentivar a aprendizagem é o uso do brinquedo e de jogos educativos, tornando a atividade prazerosa e interessante. O ensino deve ser divertido e fazer parte da vida cotidiana, ou seja, cabe ao professor sempre utilizar de exemplos de realidades que fazem parte do seu cotidiano, despertando assim o interesse pelo aprender. No processo de aprendizagem a criança com Síndrome de Down deve ser reconhecida como ela é, e não a escola projetou.

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[1] http://lereescrevercerto.blogspot.com.br/2009/05/5correntes-pedagogicas-montessori.html acessado em 19/12/2013.

Thaís Rufatto dos Santos
Thaís Rufatto dos Santos é Pedagoga, Psicopedagoga, Consultora em Ed. Inclusiva. Pós Graduada em Ed. Especial pela UCDB. Autora dos livros "MANUAL PRÁTICO PARA CATEQUISTAS Como evangelizar as Pessoas com Deficiência É possível levá-las ao Pai!".Editora Pão e Vinho e Catequese Inclusiva Da acolhida na Comunidade à vivência da fé . Ed. Paulinas. Escreve para a Revista Paróquias & Casas Religiosas.
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