Vida pessoal x Vida profissional

Vida pessoal x Vida profissional
ADMINISTRACAO
Quantas vezes você se pegou pensando o quanto sua vida profissional sofre interferências de sua vida pessoal ou vice-versa? Pois é, este não é um problema somente seu, pode acreditar. O grande número de compromissos profissionais acaba privando muitos profissionais de uma vida pessoal mais equilibrada com o trabalho, mas é importante entender que a vida pessoal é tão importante para nossa saúde mental quanto a profissional.

De acordo com Ereken (2001), é necessário que consigamos reservar tempo e energia suficiente para desfrutar das experiências que a vida nos proporciona, incluindo as pessoas e as atividades que você considera mais valiosas. Este é o fundamento mais simples, embora muito profundo para se ter uma vida bem-sucedida. Todos os outros objetivos e estratégias que foram traçadas até aqui se enquadram perfeitamente quando você consegue viver de acordo com os seus valores e de acordo com o que acredita. A maneira como planejamos nosso tempo passa às outras pessoas aquilo em que realmente acreditamos.

Ereken (2001) propõe então um desafio sobre este tema:


Você está satisfeito com a quantidade e com a qualidade do tempo que está dedicando às maiores prioridades da sua vida?

É preciso entender que sempre que decidimos por alguma coisa, estamos automaticamente abrindo mão de outra. A administração da vida consiste em uma série de escolhas. Desta maneira responda:

1. Quais são as cinco prioridades pessoais mais importantes da sua vida?

2. Quais são as cinco prioridades profissionais mais importantes da sua vida?

3. Agora avalie quanto tempo você tem se dedicado a cada uma delas nestes últimos seis meses.

4. Essas horas e dias estão contribuindo para a qualidade de vida que você deseja?

Seguindo as orientações de Ereken (2001), sugiro que agora pegue papel e caneta, anote suas prioridades pessoais e profissionais e tente fazer uma programação semanal para elas, mas esteja certo de que as prioridades determinadas por você sejam realmente aquelas coisas que exigem sua maior atenção no dia a dia, assim poderá notar se existe um equilíbrio entre estes dois aspectos de sua vida.

Se você consegue colocar mais atividades profissionais, deixando as pessoais um pouco de lado, é porque existe certo desequilíbrio entre as duas, o que pode indicar certo comprometimento na sua qualidade de vida. Se você coloca apenas prioridades pessoais e não consegue organizar as profissionais, isso pode indicar que você não tem objetivos profissionais predefinidos, o que pode vir a prejudicar seu futuro. Lembre-se: é preciso equilíbrio entre os dois aspectos.

Um dos grandes aprendizados na vida do homem adulto, para o qual a sociedade não nos prepara e que precisa ser vivido a cada instante, é a necessidade de mantermos o equilíbrio entre o trabalho e o desfrute. Para muitas pessoas estas expressões simplesmente não existem. A necessidade é primeiramente trabalhar intensamente para depois desfrutar de momentos de descanso e prazer, enquanto para outros o trabalho é a única fonte de prazer.

Torna-se evidente que cada uma destas maneiras de pensar tem suas distorções, o que induz muitas pessoas a passarem boa parte da vida buscando um sentido para a própria vida. (BERNHOERT, 1991).

Segundo Bernhoert (1991), é frequente vermos pais aflitos que dedicam os melhores anos de sua vida criando e cuidando dos filhos, para só depois aproveitar e desfrutar, e somente mais tarde conseguem enxergar o quanto fica um vazio por aquilo que deixou de ser vivido. Também executivos que gastam o precioso tempo de suas vidas na busca incansável por uma carreira de sucesso, deixando para trás momentos prazerosos de sua vida pessoal, familiar e conjugal.

Empresários empreendedores que constroem fortunas, pensando em si e nos filhos, e chegam ao final da vida resignados por não terem desfrutado das próprias conquistas e decepcionando-se com seus filhos. Artistas, heróis e figuras de destaque, em diferentes modalidades de caráter público, que vivem suas vidas de badalação e fama e terminam de maneira frustrada, melancólica e até mesmo trágica.

Obter equilíbrio entre o trabalho e o lazer não é apenas uma questão psicológica. A descoberta, que é individual a cada ser humano, está vinculada a contribuições da história, antropologia, medicina, sociologia, questões biológicas, filosóficas, religiosas, climáticas, econômicas, sociais e políticas. Ou seja, não se pode resumir em receitas prontas ou em um passe de mágica. Envolve uma descoberta gradativa e permanente. Isso tem muito a ver com as transições que passamos no decorrer de nossas vidas e para as quais nem sempre estamos preparados. (BERNHOERT, 1991).

Diante destas considerações pergunto a você agora:

Você tem tirado suas férias dentro do período, o que possibilita um bom descanso e investimento pessoal?


Este é outro fator que merece nossa total atenção. As férias são necessárias, pelo menos uma vez por ano. Fazer uma viagem, descansar, se desligar das coisas e das pessoas do trabalho é essencial para uma melhor qualidade de vida. Neste período de descanso você poderá refletir, traçar novas metas e fazer novos planejamentos para sua vida profissional e pessoal. Aproveite este período, ele é seu por direito, não deve ser desprezado. E lembre-se: o tempo não para e o tempo que passa não volta mais.

Segundo Gehringher (2008, p. 150), “mais do que necessárias, férias são indispensáveis. É o que dizem os médicos”. As férias nos ajudam a esquecer das preocupações que se fazem presentes na nossa rotina. Uma coisa interessante é que para quem trabalha, tirar férias a cada 11 meses de trabalho é uma coisa muito comum e natural, mas nem sempre se deu desta maneira.

A obrigatoriedade das férias dentro das empresas se tornou lei somente a partir do século XX. Antigamente se trabalhava muito mais que hoje, 12 meses do ano, seis dias por semana e 11 horas por dia. O autor coloca que é muito comum encontrarmos pessoas orgulhosas por estarem há mais de cinco anos sem sair de férias. Para a medicina isso se chama “fobia de férias”.

Esse medo ocorre por variados motivos, o primeiro deles é a insegurança: e se a empresa descobrir durante este mês de ausência que o funcionário não faz falta? Esta é a pergunta que fica na mente destas pessoas. O segundo motivo é a crença de que são muito mais importantes do que realmente são: se eu sair esta empresa para!

O terceiro motivo é real e consiste no cenário de que as empresas muitas vezes precisam cortar o quadro de funcionários e apenas uma pessoa assume a função que antes era de dois funcionários. Isso quer dizer que ao sair de férias é como se a empresa ficasse sem três funcionários ao mesmo tempo. Então esta pessoa passa a ser vista dentro da empresa como um colaborador “dedicado”.

Tirar férias não é uma decisão ou escolha do empregado. Conceder férias é um direito do empregado e uma obrigação do empregador. A partir daí surgem as fobias. A pessoa sai se sentindo ameaçada ou culpada, não consegue se desligar do trabalho e em muitos casos leva serviço para casa mesmo estando de férias. Ela deixa o contato telefônico com milhares de colegas, quando alguém liga esta preocupação tende a aumentar ainda mais e quando está no quinto dia de ausência já está falando em voltar ao trabalho. Quem tem este tipo de fobia costuma dizer que se sente de férias quando está trabalhando e perdido quando está longe do trabalho por tanto tempo. (GEHRINGHER, 2008).

É importante que se conheça um limite para o trabalho, pois atualmente existem muitas pessoas doentes, são os conhecidos workaholic. Gehringher (2008) afirma que existem àquelas que extrapolam excessivamente as horas de trabalho, chegam a ficar 10, 12 e até 13 horas por dia no serviço. A palavra workaholic é de origem inglesa, representa a junção de work (trabalho) com alcoholic (alcóolatra).

Inicialmente algumas empresas tendem a considerar este tipo de funcionário como superprodutivo, mas em longo prazo sérios problemas podem surgir. Nota-se desgaste físico e emocional, o que dá a estas pessoas uma estimativa de carreira mais curta, pois não teriam por muito tempo o pique superprodutivo para o trabalho. O workaholic é sem limites, focado no aqui e agora.

Gehringher (2008) nos conta em seu livro “Emprego de A a Z”, uma história interessante que ilustra muito bem a importância de se administrar os compromissos, mantendo equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Vamos ver o que ele nos conta:


Um colega de longa data, o Paulo, teve um destes estalos de lucidez que pode mudar a vida. Como muita gente por aí, ele trabalha demais. Quinze horas por dia. Em ritmo alucinado. Vivia estressado. Até que, um belo dia, leu um artigo sobre qualidade de vida. Percebeu que se persistisse na rotina paranoica de trabalho iria acabar tendo um “piripaqui”. Assustado, Paulo desligou o celular e o computador, pegou um papel e uma caneta e se pôs a escrever o que precisava fazer para ter mais qualidade de vida. Quinze minutos depois já havia produzido uma lista enorme. Correr de manhã, ter tempo para leitura e um hobby, praticar esportes, fazer exercícios de meditação, dedicar-se à família, conversar com os filhos, tirar férias, viajar... Para conseguir tudo isso, tinha que gerar o óbvio: mais tempo livre. O que não seria, assim, tão difícil. Bastava que começasse a chegar ao trabalho em horários decentes. Limitasse o expediente em oito horas diárias. Parasse de trabalhar aos sábados. Não levasse trabalho para casa. Não assumisse responsabilidades que não fizessem parte da descrição da sua função. Paulo sempre foi conhecido por sua persistência. Conseguiu mudar radicalmente o estilo de vida. Os resultados práticos não demoraram a surgir. Menos de seis meses depois foi despedido. Segundo a empresa, ele havia perdido o interesse no que fazia. Todas as empresas são a favor da qualidade de vida de seus funcionários e apoiam estas iniciativas. Mas desde que ninguém confunda viver melhor com trabalhar menos. (GEHRINGHER, 2008, p. 102).

Analisando a história de Paulo nota-se o quanto o equilíbrio é importante e que muitas vezes tentar recuperá-lo acaba sendo um caminho sem volta. A empresa não compreendeu que ele estava apenas organizando sua vida profissional e pessoal e achou que simplesmente ele parou de produzir. Não sabemos o futuro do Paulo, mas com certeza ele encontrou outro emprego onde pôde realmente manter uma vida mais saudável e com qualidade, mantendo sua produtividade e a vida pessoal mais satisfatória, sem adoecer.

Ao terminar o estudo sobre administração de compromissos esperamos que tenha compreendido a essência de todo este processo e o quanto manter a vida organizada pode torná-la cada vez melhor e feliz. Lembre-se: administre os compromissos dentro do seu tempo, do tempo hábil e real, recorra às ferramentas que podem lhe ajudar a administrá-los melhor e seja feliz.

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