Reflexões sobre o desenho infantil

Reflexões sobre o desenho infantil
PEDAGOGIA

Em Lowenfeld (1997) vejo que a criança possui uma percepção diferente e própria de si mesma, do outro e do mundo ao seu redor.

Para nossos “filhos” como descreve Lowenfeld (1997) “a arte pode constituir o equilíbrio necessário entre o intelecto e as emoções”.

Entendo na leitura de Lowenfeld (1997) que a arte criadora mencionada em sua obra também se refere especificamente ao desenho e não apenas as produções no campo das artes visuais, das expressões físicas e do brincar.

Tudo o que vejo em Lowenfeld (1997) está presente em minha própria época (2013), porque vejo crianças muito intelectualizadas, mas com uma personalidade emocional frágil e desorientada, mas em outros momentos vejo crianças desenhando solitariamente ou com seus pares, então, percebo um emocional controlado, norteado pela obra que estas crianças estão produzindo no momento.

Como diz Lowenfeld (1997) a arte infantil esta entre o equilíbrio do intelecto e das emoções da criança.

Em Lowenfeld (1977) a credito que o uso do desenho no ambiente da Educação Infantil como atividade vale muito para o processo de ensino e aprendizagem das crianças e até mesmo do próprio professor da Educação Infantil, o desenho se mostra em Lowenfeld (1997) como um processo de construção impar de maturação física, emocional e intelectual na criança, principalmente na fase das garatujas.

Com minha percepção própria e a de Lowenfeld (1997) concretizo o desenho infantil como um mecanismo eficiente para se conhecer melhor a criança e pensar um processo prazeroso e significativo de avaliação escolar da mesma, principalmente no ambiente da Educação Infantil e Ensino Fundamental (series iniciais), porque segundo Albano (2012) a melhor forma para conhecer a criança esta na observação sobre ela, precisamos aprender a vê-la como ser em formação, devemos observar a criança enquanto brinca.

Em Albano (2012) entendo que precisamos enxergar o brilho dos olhos das crianças, a mudança de expressão no rosto, a movimentação do corpo e todos os seus aspectos próprios, o que esta em concordância com Lowenfeld (1997) e que coloca o desenho como promotor da maturação infantil dentro de dimensões específicas (emocional, física, intelectual, etc.).

E sendo muito pertinente a este artigo Albano diz que a melhor forma de se conhecer uma criança esta na observação atenta de como ela desenha o seu espaço.

Em uma junção própria de Lowenfeld (1997) e Albano (2012) concordo que nós professores da Educação Infantil precisamos aprender a ler a maneira como a criança escreve a sua história por meio dos sues elementos naturais como o brincar, o falar, as expressões e principalmente o desenho.

Infelizmente, diante das conversas informais com alguns docentes atuantes na Educação Infantil e Ensino Fundamental (series iniciais) percebo que o desenho deixa de ser completamente percebido e utilizado como campo de conhecimento e menos ainda como atividade construtora de conhecimento nas mediações com as crianças.

O desenho quando não é utilizado como simples passa tempo ou material engessado para que a criança pinte segundo a realidade do adulto esta deixado de lado.

O desenho esta posto nas escolas de Educação Infantil e Ensino fundamental (series iniciais) como uma intervenção externa “errada” por parte dos professores, intervenção destruidora da força criativa das crianças e da sua autonomia, o que consigo compreender em Lowenfeld (1997).

Esta intervenção “errada” se manifesta por diálogos “errados” quando o professor diz que o desenho da criança não parece real, quando vem carregado de conceitos tradicionais e ultrapassado.

Segundo Lowenfeld (1997) quando o adulto diz para criança que sua obra não é bonita, interessante, magnifica, então, este adulto e suas intervenções são “erradas” e pioram quando este adulto procura ensinar a criança como desenhar.

Segundo Lowenfeld (1997) como a criança não esta apta a justificar-se perante tais críticas ela refugia-se numa atitude descompromissada e declara que não sabe desenhar.

Para Lowenfeld (1977) quando a criança começa a sua arte, o seu desenho, ela esta pensando em alguma coisa, para o adulto pode ser ou parecer sem importância este processo criador infantil, mas “para a criança, porém, isto exprime sempre um confronto com seu próprio “eu”, com sua experiência pessoal”, ele confirma o que vejo quando me posiciono frente uma criança que desenha, porque percebo claramente como esta fica absorvida no processo de criação e consolidação da sua obra.

Estas concepções e percepções sobre a criança e o seu desenhar natural podem ser percebidas por quase todas as pessoas, mesmo que não sejam professores da Educação Infantil, porque quase todas as pessoas da contemporaneidade têm filhos, sobrinhos, convivem ou conviveram com crianças pequenas. Vem em algum momento estas crianças desenhar ou rabiscar uma folha de papel, uma parede, pintar uma amarelinha no quintal, na rua, o que nos remete as concepções de Lowelfeld (1977) e Albano (2012).

Para que as concepções de Lowenfeld (1977) sejam concretizadas no processo de ensino e aprendizagem das crianças contemporâneas e quem sabe das crianças pós-contemporâneas, para que o desenho infantil possa ser pensado como um mecanismo de avaliação do desenvolvimento global da criança seria preciso rever todas as politicas que regem a Educação Infantil brasileira, os currículos e intencionalidades das famílias, dos professores e da própria escola, principalmente do governo.

Dentro do meu entendimento próprio de Albano (2012) nós professores da Educação Infantil precisamos transformar o mundo através do nosso fazer docente, porque segundo esta autora “expressá-lo e expressar-se é próprio do ser humano”.
Dentro do meu entendimento próprio, o desenho infantil é pura expressão, por meio dele a criança passa a conceber o mundo, o outro e o seu próprio “eu”.

Vejo esta ideia de pensar o desenho infantil como uma possível ferramenta de avaliação escolar da criança como um trabalho primordial para todos os professores da Educação Infantil.

Penso na escola proposta por Montoan (1988) dentro de um entendimento próprio pautado nas concepções de Lowenfeld (1997) e Albano (2012) sobre essa arte criativa das crianças que possivelmente promove um processo de ensino e aprendizagem de qualidade impar para as mesmas e o próprio docente, neste desenho que provoca e exige um novo posicionamento de todos os envolvidos com a Educação Infantil e o Ensino fundamental (series iniciais), penso em um processo continuo de modernização do currículo, bem como do aperfeiçoamento constante dos professores e das suas práticas políticas, pedagógicas e filosóficas.

Proponho o pensar no desenho das crianças como uma legitima ferramenta pedagógica do seu processo de ensino e aprendizagem.

Referências bibliográficas


ALBANO, Ana Angélica. O espaço do desenho: a educação do educador. 15. ed. São Paulo: Loyola, 2012.

LOWENFELD, Viktor. A criança e sua arte. 2.ed. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

MANTOAN, Maria Teresa Egler. Compreendendo a deficiência mental: novos caminhos educacionais. São Paulo: Scipione, 1988.

Noel Rosa de Castro
Especialista em filosofia e humanidades, licenciado pleno em pedagogia (UniÍtalo/2009 e 2013). Mediador lúdico, formador de mediadores lúdicos, brinquedista hospitalar e palhaço hospitalar por meio do Programa de Voluntariado dos Correios e parcerias.
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