O Incentivo ao Desenvolvimento Pessoal e Profissional

O Incentivo ao Desenvolvimento Pessoal e Profissional
TURISMO-E-HOTELARIA

A prática e a área médica, possivelmente por força de sua própria formação, eram, até muito pouco tempo atrás demasiadamente autoritárias, prepotentes (BRASIL, 2006-a), sendo hoje, por forças das circunstâncias, obrigadas a se reciclarem em um processo de flexibilização - ou em termo mais próprio da hotelaria hospitalar: uma sensibilização -, tornando seu relacionamento mais democrático e sociável.

 

Desde as portas de entrada, os serviços de saúde necessitam apresentar um grupo qualificado para iniciar o primeiro contato (que pode ser na recepção do hospital, no pronto-socorro, no ambulatório, entre outros), portanto, esse grupo deve estar familiarizado com as tecnologias relacionais, com a elaboração e manejo de informações sobre a demanda, sobre o paciente entrante, sobre o serviço a ser executado, sobre o setor a qual o paciente deve ser conduzido, sobre a rede de saúde, sobre a proteção social ou outro tipo de apoio, se necessário.

 

Afirma Mezomo (1991) que, com a introdução das novas tecnologias, a medicina propriamente dita e os serviços médicos vêm sendo revolucionados e alterados no decorrer dos tempos, não somente pela aquisição de conhecimentos relacionados a novos métodos de transplante, nanotecnologia, etc., mas especialmente pela abordagem cada vez mais humana que se vem dando ao ambiente hospitalar.

 

É importante ampliar continuamente a qualificação técnica dos profissionais e das equipes também para as habilidades relacionais de escuta qualificada, voltando-se para a interação humanizada, cidadã e solidária com usuários, famílias e comunidade; bem como o reconhecimento e a atuação em problemas de saúde de natureza aguda ou relevantes para a saúde pública, pois tanto contribui para a assistência quanto para a formação e o fortalecimento dos profissionais individual e coletivamente.

 

Por isso, considerando que a medicina é uma área em reconstrução, bem como muitas outras, é imprescindível o incentivo e aperfeiçoamento do trabalho em equipe com a integração e a complementaridade das atividades exercidas por cada categoria profissional, buscando-se orientar para o atendimento dos usuários os serviços de saúde, pelos riscos apresentados, pela complexidade do problema, pelo acúmulo de conhecimentos, de saberes e de tecnologias exigidas para a solução. Contudo, mesmo atrelada às novas demandas e diversificadas formas de treinamento técnico, deve-se comentar que os profissionais da saúde necessitam sustentar seu fazer cotidiano com elementos que se encontram além da força física ou do puro raciocínio; uma força unificadora entre corpo e mente - a qual se pode denominar "amor ao próximo" (grifo nosso).



A solidariedade perpassa ações cuidativas (ou curativas) como se fosse um dispositivo capaz de abrir os olhos dos indivíduos sobre a qualidade de vida. Muitos profissionais têm dificuldade de adotar publicamente esse fenômeno como possibilidade para a assistência humanizada. (GOTARDO, 1996) Fica claro que os saberes empíricos de cada profissional não estão acima ou abaixo do conhecimento científico. A hotelaria hospitalar prega que o desenvolvimento desses deve ser constante e os considera como complementares.



Como mostram Teixeira & Daher (1999), a dimensão subjetiva e a compreensão da subjetividade do outro é o caminho para compreender o aspecto estético e expressivo da arte de cuidar. Dessa forma, o cuidar e o aprimorar as formas de fazê-lo envolvem conhecimento, formação e informação, o que pressupõe desenvolvimento pessoal e profissional constante. Contudo, ao longo desse texto já se tenha abordado tais considerações, merecem ser feitas duas ressalvas: a primeira diz que o desenvolvimento pessoal é muito mais complexo, por esse motivo, novas formas de treinamento ganham relevância e investimento; a última - relembra Godói (2004), o desenvolvimento integral do profissional de saúde não é um decreto provindo da administração, ele será realizado unicamente por decisão do funcionário, que se aperceberá ou não da sua importância.



Corroborando, Taraboulsi (2003) indica que, desde o processo seletivo, já se pode utilizar como variável de decisão o entendimento do pretenso colaborador em relação à hotelaria hospitalar, mais especificamente à humanização dos procedimentos e serviços. Assim, é possível - e passa a ser um requisito do trabalho humanizado - eleger já na contratação de pessoal, dentre as possibilidades, pessoas com receptividade suficiente para abraçar com entusiasmo a proposta da hotelaria hospitalar, formando assim um quadro funcional adequado às necessidades de atendimento, isto é, capacitado tecnicamente e com disposto a colaborar com o processo humanizador.



Inclusive é das atribuições da administração hospitalar adotar medidas que incite tal atitude nos colaboradores durante toda a atuação do profissional, seja na seleção, no treinamento, na avaliação ou acompanhamento desses, perpassando pela coordenação e orientação para as atividades, podendo realizar ações de intervenção se necessário. (MEZOMO, 1991). O papel do médico no processo de mudança e qualificação das instituições de saúde é também descrito por Davis (1994). Para ele, o médico, antes de qualquer outro, seguido de imediato por todos os demais profissionais de saúde, como enfermagem, auxiliares, atendentes, nutricionistas, recepcionistas, precisa entender que o tratamento digno para com seu semelhante é, antes de qualquer coisa, uma obrigação do ofício.


E o enfoque centrado no paciente termina também com a soberania do médico que, muitas vezes, entende que a qualidade só pode ser entendida e definida por ele. A centralização do serviço médico do atendimento e do relacionamento também deve ser revista. É preciso que não só os médicos, mas igualmente o pessoal paramédico e de hotelaria hospitalar sejam devidamente conscientizados de que já "saiu de moda" (grifo nosso) as arbitrariedades praticadas contra pacientes e seus familiares.



Lembrando, do que se pode chamar, as necessidades maiores do paciente, as quais não necessariamente são diretamente ligadas a sua enfermidade, mas são particulares e envolvem um trato igualmente particular. Esse desenvolvimento de competências inéditas no corpo técnico envolve escuta (saber ouvir e ter consideração), envolve compromisso com o cliente e com suas necessidades. Com esses pressupostos se desenvolve uma nova cultura organizacional, desenvolvendo organização e profissionais, embasada tanto em saberes técnicos, conhecimentos empíricos, capacidade individual, experiências pessoais, força de trabalho coletivo, cooperação e - por que não? - anseios, devido às novas responsabilidades assumidas pelos profissionais humanizados, que representam um risco.



É um misto de objetividade e responsabilização. Nesse funcionamento, esse novo desenrolar das atividades hospitalares, a atuação técnica abre espaço para abordagens mais pessoais e deixam de ser ações pontuais e isoladas dos processos de produção de saúde, multiplicando-se em inúmeras outras ações, que partindo do complexo encontro entre sujeito e profissional de saúde transforma-se em relação humana entre profissional de saúde e indivíduo demandante.



(BRASIL, 2006-a) Por fim, Mezomo (1991) garante que a decisão de aderir a um processo de desenvolvimento integral cabe ao profissional, mas cabe aos gestores investir em atividades que subsidiem uma posição positiva em relação ao novo estilo de treinamento, no qual o colaborador se conscientiza da amplitude do desenvolvimento sugerido, a qual vai desde um reflexo em sua experiência profissional até um crescimento pessoal e humano.



Talvez, correndo o risco de parecer um tanto utópica a ideia de humanizar ambientes hospitalares em um território tão carente de recursos e tão cheio de problemas, vale a pena citar Brasil (2006-a) - cujo texto traz uma leitura tão interessante sobre acolhimento -, quando diz que a vida não é o que se passa apenas em cada um dos sujeitos, mas principalmente o que se passa entre os sujeitos, nos vínculos que são construídos entre eles e as potencialidades de afetar e ser afetado.



O que isso quer dizer? Analisado racionalmente, talvez nada; no entanto, contextualizado em um ambiente hospitalar pode significar que a reprodução de indiferença frente ao outro tem enfraquecido os laços entre as pessoas e minimizado as possibilidades de cura (conforme as leituras apresentadas), interferindo no processo de tratamento, tornando-o demorado, ineficiente, ineficaz e inclusive oneroso. Essa falta de contato ou contato frio apenas vem gerando, no cliente de saúde, uma falsa sensação de proteção e, no profissional, uma resistência à sensibilidade - característica natural do ser humano -, que não auxilia, apenas vai endurecendo os envolvidos.

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