O conceito de alongamento

O conceito de alongamento
FISIOTERAPIA
Alongamento muscular são exercícios físicos para manter ou desenvolver a flexibilidade. O alongamento é uma das mais importantes categorias de exercícios que podem ser prescritos para manter e restaurar o equilíbrio normal em cada uma destas estruturas: o músculo, a fáscia, o tendão e o ligamento.

Estes podem exibir um grau de rigidez aumentado – que conduz ao funcionamento não ótimo em determinada articulação secundária – e restringir a amplitude de movimento disponível. O alongamento muscular permite modificar o comprimento do músculo, visando manter ao mesmo tempo, características mecânicas e funções neuromusculares.

Alongamento terapêutico

O alongamento pode ser utilizado como manobra terapêutica para aumentar o comprimento de tecidos moles que estejam encurtados, podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade músculo-tendinosa e do tecido conjuntivo Peri articular, de tal modo contribuindo para aumentar a flexibilidade articular.

Benefícios dos alongamentos

Um programa regular de alongamento proporciona:

-Aumento da flexibilidade, resistência e força muscular;
-Diminuição de dores e desconfortos musculares;
-Boa mobilidade muscular e articular;
-Melhora da aparência física e imagem pessoal;
-Melhora do alinhamento postural estático e dinâmico;
-Facilitação dos processos de aquecimento/desaquecimento em atividades esportivas;
-Redução de encurtamentos do sistema muscular;
-Diminuição dos riscos de lesões músculo-articulares;
-Aumento do relaxamento muscular e melhora da circulação sanguínea;
-Melhora da coordenação motora.

Objetivos

-Restaurar a amplitude de movimento normal na articulação envolvida e a mobilidade das partes moles adjacentes a esta articulação;
-Aumentar a flexibilidade geral antes de exercícios vigorosos de fortalecimento;
-Minimizar o risco de lesões músculo-tendíneas relacionadas a atividades físicas;
-Prevenir o encurtamento ou tensionamento irreversíveis de grupos musculares;
-Facilitar o relaxamento muscular.

Indicações

-Quando a ADM está limitada como resultado de contraturas, adesões ou tecido cicatricial, levando ao encurtamento de músculos, tecido conectivo e pele;
-Quando existe fraqueza muscular e retração nos tecidos opostos. Os músculos retraídos devem ser alongados antes que os músculos fracos possam ser efetivamente fortalecidos;
-Quando as limitações da movimentação da articulação causam deformidades esqueléticas evitáveis que podem influenciar na simetria corporal e postura.

Contraindicações

-Bloqueio ósseo limitando a mobilidade articular;
-Inflamação ou infecção nas estruturas envolvidas;
-Presença de dor aguda;
-Integridade óssea ou vascular comprometida;
-Presença de hematomas ou outras indicações de traumatismos teciduais;
-Comprometimento ou falta de estabilidade ou integridade articular;
-Fratura recente.

Precauções do alongamento terapêutico

-As articulações não devem ser forçadas além da amplitude normal de movimento;
-Estabilizar fraturas recém-consolidadas;
-Evitar alongamentos vigorosos após uma imobilização prolongada, devido à perda de tensão sofrida pelos tendões e ligamentos, podendo resultar em ruptura;
-Cuidados com pacientes com osteoporose, repouso prolongado no leito, idade avançada;
-Presença de dor acentuada durante a realização do alongamento;
-Dor articular ou muscular com mais de 24 horas de duração, após a técnica.

Neste caso, pode ter havido micro lesões nas estruturas dos sarcômeros.

Métodos de alongamento

Os quatro principais tipos de alongamento são: alongamento estático, por inibição ativa, balístico e dinâmico.
Alongamento estático

O alongamento estático é o mais utilizado. Nesse tipo de alongamento, o indivíduo alonga determinado músculo ou grupo muscular levando lentamente a parte do corpo para a posição desejada e mantendo essa posição durante pelo menos 15 a 30 segundos. Como é realizado lentamente em um músculo relaxado, o alongamento estático dificilmente ativa o reflexo miotático. Pode ser realizado de forma ativa ou passiva.

Neste caso, a sustentação da posição ativa as fibras intrafusais, que ativam os motoneurônios das fibras extrafusais. Assim, a contração mantida é do tipo isométrica, pois não há retorno imediato à posição inicial; a tensão sobre a musculatura e sobre o tecido conjuntivo circunjacente aumentam, sensibilizando o Órgão Tendinoso de Golgi, gerando relaxamento muscular através do reflexo miotático inverso.

À medida que o tempo da sessão transcorre, há predominância da ação bloqueadora do OTG, levando ao relaxamento lento e progressivo. Na prática, a permanência na posição tende a fazer com que se ganhe cada vez mais amplitude, em função do mecanismo neural associado (potencialização do reflexo miotático inverso).

Alongamento passivo

Realizado com ajuda de forças externas (aparelhos, terapeuta) em um estado de relaxamento da musculatura a ser alongada. O terapeuta aplica uma força externa e controla a direção, velocidade, intensidade e duração do alongamento dos tecidos moles, que serão alongados além de seu comprimento de repouso.

Alongamento ativo


É determinado pelo maior alcance de movimento voluntário, utilizando-se a força dos músculos agonistas e relaxamento dos músculos antagonistas.

Alongamento por inibição ativa


Inibição ativa refere-se a técnicas nas quais o paciente relaxa reflexamente o músculo a ser alongado antes da manobra de alongamento. Quando um músculo é inibido (relaxado) ocorre resistência mínima ao alongamento. As técnicas de inibição ativa relaxam somente as estruturas contráteis dentro do músculo, não os tecidos conectivos.

Esse tipo de alongamento é possível somente se o músculo a ser alongado tem inervação normal e está sob controle voluntário. Não pode ser usado em pacientes com fraqueza muscular intensa, espasticidade ou paralisia devido à disfunção neuromuscular. Podem ser usadas diversas técnicas, entre elas:

Sustentar-relaxar (hold-relax)

O indivíduo é instruído a realizar uma contração isométrica no final da amplitude de movimento do músculo retraído antes que ele seja passivamente alongado. Após uma contração pré-alongamento do músculo retraído, ele irá relaxar por inibição autogênica, sendo mais facilmente alongado.

Esta técnica fundamenta-se sobre a inibição da circuitaria reflexa miotática: a eliminação da ação de estiramento desliga/inibe o fuso, impedindo a contração decorrente do estiramento, enquanto a tensão gerada ativa o OTG, acionando o reflexo miotático inverso. Desta forma, a musculatura é relaxada pelo reflexo desencadeado pelo OTG e não é contraída devido à inibição do sinal fusal. Após o relaxamento seguido do alongamento passivo, o estiramento muscular gera nova ativação das fibras intrafusais, reiniciando o ciclo.

A cada repetição se ganha mais alguns graus de movimento articular. A contração isométrica deve durar entre 2 e 4 segundos, e o tempo de sustentação da posição em alongamento estático deve ser de 20 a 30 segundos, proporcionando a adaptação do sistema. O retorno à posição inicial deve ser realizado lentamente. Esta técnica é extremamente eficiente, e deve ser sempre realizada passivamente.

Contrair-relaxar (hold-relax-contract)

Variação da técnica anterior. Neste caso, após o músculo retraído ter sido alongado passivamente, o paciente faz uma contração concêntrica contra resistência do músculo retraído antes dele ser alongado.

Sustentar-relaxar com contração do agonista

O indivíduo é instruído a realizar uma contração isométrica de pré-alongamento do músculo retraído e relaxamento deste, seguido por uma contração concêntrica do músculo oposto ao retraído.

À medida que o músculo oposto ao retraído se encurta, o músculo retraído se alonga. Essa técnica combina inibição autogênica e inibição recíproca para alongar músculos retraídos.

Contração do agonista

O paciente contrai o músculo oposto ao músculo retraído contra resistência. Isso provoca uma inibição recíproca do músculo retraído e esse se alonga facilmente à medida que o músculo se move. É efetivo quando o músculo retraído tem dor ou em estágio iniciais de recuperação.

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