Histórico de saúde do trabalhado

Histórico de saúde do trabalhado
ENFERMAGEM
A observação de que as condições de viver, adoecer e morrer dos homens podem ser transformadas e determinadas pelo trabalho, remonta desde a Antiguidade greco-romana. A importância do ambiente, da sazonalidade, da posição social e do tipo de trabalho, já eram enfatizadas por Hipócrates, Plínio, Galeno e outros como fatores determinantes na produção de doenças (FRIAS, 1999).

Há registros de atendimento e prevenção das enfermidades dos trabalhadores feitos por Aristóteles (384 – 322 a.C.) no século IV a.C.. Na mesma época, Platão, verificou e apresentou enfermidades específicas do esqueleto que acometiam determinados trabalhadores no exercício de suas profissões (MULATINHO, 2001).

Temas referentes à Segurança do Trabalho, sobre chumbo, mercúrio e poeiras foram tratados pela primeira vez, por Plínio, publicados na “História Natural” com menção ao uso de máscaras pelos trabalhadores dessas atividades. A origem das doenças profissionais que acometiam os trabalhadores nas minas de estanho foi revelada por Hipócrates (460 – 370 a.C.) e o saturnismo foi estudado por Galeno (129 – 201 d.C.). (MULATINHO, 2001)

Outro estudo sobre saturnismo, que correlacionou o uso de tintas a base de chumbo como causador de cólicas, provocadas pelo trabalho em pinturas, foi realizado por Avicena (908 – 1037), no século XIII. Medidas de Higiene de Trabalho foram publicadas no século XV, por Ulrich Ellembog.

No século XVI, na Europa, foram criadas corporações de ofício que organizaram e protegeram os interesses dos artesãos por eles representados. Assim, com o passar dos anos, a relação Trabalho e Saúde/Doença ganha cada vez mais estudiosos.

Entre os séculos XVI e XVII, surge na Itália, o "Pai da Medicina do Trabalho", Bernardino Ramazzini (1633-1714), assim considerado por sua grande contribuição com a publicação, em 1700, do clássico livro De Morbis Artificum Diatriba ("As Doenças dos Trabalhadores").

A doutrina da Medicina de Estado é difundida em toda a Europa, a urbanização crescente, as questões de alimento para o povo, saneamento e as grandes epidemias passam a ser preocupações constantes da época (FOUCAULT, 1987). Neste contexto,ocorre uma enorme mudança em todo um sistema econômico mundial, com reflexos sociais e para a saúde das populações européias - a Revolução Industrial.

A Revolução Industrial traz uma nova conformação no trabalho e, consequentemente, na saúde do trabalhador. Com o advento das fábricas, muda muito o ambiente de trabalho: ambientes fechados, agressão de diversos agentes, oriundos do processo de trabalho. Isto somado a outros fatores como o êxodo rural, as condições precarias de saneamento urbano, as péssimas condições de trabalho, provocam mudanças no perfil de adoecimento dos trabalhadores que passaram a sofrer acidentes e desenvolver doenças nas áreas fabris. (FRIAS, 1999)

Todas essa mudanças fazem com que cada vez mais profissionais desenvolvam estudos e ações voltadas para as doenças decorrentes do trabalho bem como para a manutenção da saúde desses trabalhadores, o que favorece o surgimento da Medicina do Trabalho.

A saúde do trabalhador no Brasil tem uma trajetória histórica mais recente – cinco séculos. Aqui, a relação com o trabalho também sofreu influências sociais e econômicas.

Os séculos de escravidão negra, a exploração do índio nativo, de certa forma também escravizado, o modelo agrário feudal, dos latifúndios, dos senhores de engenho e dos coroneis, o extrativismo mineral que motivou o conhecimento e a ocupação do interior brasileiro, também foram determinantes, como na antiguidade grego-romana, das doenças e acidentes decorrentes do trabalho (FRIAS, 1999)
Após o fim da escravidão e a chegada de imigrantes europeus, o Brasil inicia seu crescimento Industrial, com a máquina a vapor, a indústria têxtil e com as influências políticas, sociais e econômicas do mundo. A medicina desta época preocupava-se com as grandes epidemias e cuidava especialmente de cemitérios, matadouros, hospitais, presídios e fábricas.

Neste panorama são incorporadas a multiprofissionalidade e a interdisciplinaridade ao modelo original de Medicina do Trabalho, que no Brasil, configura uma área mais abrangente, a Saúde Ocupacional. Na maioria dos currículos das escolas médicas do país também foram incluídas disciplinas como Medicina do Trabalho. Esse período favoreceu tanto o crescimento dos serviços médicos de empresas, como o mercado de trabalho para médicos no país (FRIAS, 1999).

No início da década de 80 começam a ser criados os Programas de Saúde do Trabalhador em vários Estados brasileiros, tendo como marco a VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986, evento que marcou os princípios filosóficos do SUS. Neste mesmo ano foi convocada a I Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, que contou com a participação de sindicalistas, técnicos da área de saúde e de outras afins, universidades e comunidade em geral.

Essas duas Conferências somadas à reforma constitucional de 1988 e à Lei Orgânica de Saúde, 8.080 de 1990 constituem-se verdadeiros pilares na base de construção e sustentação para a Saúde do Trabalhador, desenhando assim uma nova trajetória a ser trilhada.

Por ser a saúde do trabalhador um campo novo de práticas, de competências e de atribuições, devido a sua complexidade, seus aspectos sócio-culturais, políticos e econômicos, com interfaces institucionais diversas, estados e municípios têm enfrentado embates importantes, a caminho da consolidação da área de Saúde do Trabalhador no SUS.

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