Fase de Formulação do Problema na Pesquisa Científica

Fase de Formulação do Problema na Pesquisa Científica
PEDAGOGIA
Logo após a delimitação e a definição do tema, considerada a primeira fase da pesquisa científica, consta que a fase seguinte é definida como a transformação do tema em problema, uma vez que o mesmo envolve intrinsecamente certa dificuldade teórica ou prática. Nessa fase deve-se buscar uma solução plausível, ou seja, é necessário optar pela formulação de perguntas. Dessa forma, enquanto o tema estiver envolvido apenas em nível de preleção, não será possível iniciar a investigação propriamente dita.

Mediante reflexões, curiosidades ou até mesmo genialidades, o investigador deve modificar o tema para o problema da pesquisa acadêmica e, para tal, o tema escolhido precisa ser questionado. Consequentemente irão se apresentar os problemas que o tema envolve, identificando as dificuldades que ele sugere, para formular perguntas ou levantar hipóteses, suplantando obstáculos através da conquista do terreno do conhecimento científico.

Composição do problema
O problema é composto de forma interrogativa, clara, precisa e prática, objetivando o alcance de soluções viáveis por meio da pesquisa a ser realizada. Tal composição da problemática pode variar conforme o caso, podendo partir da observação de algum objeto, fato ou fenômeno ou, ainda, de uma série deles, tornando possível realizar indagações relacionadas se esses objetos seguem o mesmo protótipo ou se, por vezes, os resultados são diferentes, e se há possibilidade de explicação de seus processos.

Percebe-se que é possível abordar a existência de diferentes motivações em relação à escolha do tema que, associadas metodologicamente tanto às oportunidades quanto à formulação do problema, acrescentam ao trabalho uma dimensão mais complexa, tornando-se primordial classificá-lo de maneira concisa dentro dos objetivos pessoais de cada pesquisador.

Em qualquer que seja a natureza da investigação científica, deve-se tomar uma série de cuidados na formulação da problemática a ser sugerida, pois não existem preceitos claros a serem aplicados invariavelmente nesse processo. No entanto, algumas indagações poderão ser úteis na avaliação para se constatar em que condições o problema proposto poderá ser investigado. Esses são constituídos em:
“O tema é de interesse do pesquisador?; o problema apresenta relevância teórica e prática?; a qualificação do pesquisador é adequada pra seu tratamento?; existe material bibliográfico suficiente e disponível para seu equacionamento e solução?; o problema foi formulado de maneira clara, precisa e objetiva?; o pesquisador dispõe de tempo e outras condições de trabalho necessárias ao desenvolvimento da pesquisa?” (GIL, 2002, p. 62)

Torna-se pertinente introduzir informações pertinentes em que se acredita ser adequadas com análises de vários autores, de maneira a se referir às perguntas como etapa necessária e que devem ser ordenadas de forma que haja probabilidade de respostas, servindo-se da pesquisa, contornando que o problema “delimita, com exatidão, qual tipo de resposta deve ser procurada; leva o pesquisador a uma reflexão benéfica e proveitosa sobre o assunto; fixa, freqüentemente, roteiros para o início do levantamento bibliográfico e da coleta de dados; auxilia, na prática, a escolha de cabeçalhos para o sistema de tomada de apontamentos; discrimina com precisão os apontamentos que serão tomados, isto é, todos e tão-somente aqueles que respondem às perguntas formuladas” (SALVADOR apud CERVO e BERVIAM, 2002, p. 85).

Percebe-se a discussão dos autores que os elementos essenciais para a real percepção na disposição do problema consistem em acrescentar inegáveis vantagens na formulação do mesmo para a pesquisa científica.
É evidente, mediante verificações anteriores, que, para que o problema seja corretamente formulado, pressupõe-se que o estudante tenha prévios conhecimentos sobre o tema escolhido, bem como capacidade criadora, esta, na maioria das pesquisas, é a maior responsável pelo progresso das ciências.

Mesmo que o pesquisador não conclua a pesquisa com uma solução imediatamente presumível para o problema, cabe-lhe o mérito de tê-la iniciado, pois outros podem sucedê-lo.

“É precisamente este sentido do problema que dá a marca do verdadeiro espírito científico”. (BACHALARD apud CERVO e BERVIAN, 2002, p. 85)

Problemas são a solução
Nota-se que desde Einstein já se acreditava que é mais significante, para o incremento da ciência, estabelecer a formulação de problemas do que encontrar soluções. Vale salientar que essa tese pode ser representada de da forma a seguir:

INTELIGÊNCIA ou GÊNIO ou REFLEXÃO > PROBLEMA > FENÔMENO
(Esboço representativo da formulação do problema, elaborado por meio de consulta a Cervo e Bervian, 2002, p. 85)

Essa representatividade indica que a formulação do problema desencadeia a investigação; é via de acesso ao terreno do conhecimento científico; configura em pistas para a investigação, a coleta de material e coleta de dados; condiciona os resultados, tanto interessantes quanto prosaicos.

Logo que formulado o problema em função do tema, parte-se para as etapas posteriores da pesquisa, que devem ser previstas para que seja possível verificar a viabilidade da mesma por meio das técnicas existentes. Desse modo, deve-se anteceder a elaboração de um estudo provisório do assunto para que o mesmo sirva de orientação no desenrolar da pesquisa, mesmo que ao logo dela haja modificações ou transformações em colocação de resultados parciais ou definitivos.

Paralelamente, percebe-se que, para a construção e concretização da pesquisa utilizar-se-á como procedimento metodológico, a observação e julgamento de informações referentes à temática com seus pressupostos teóricos na forma de contextualizações na formulação de hipóteses, que, geralmente, consistem em suposições sobre a verdade ou explicações sobre o problema. Em termos técnicos, esse procedimento significa suposições presumíveis a serem comprovadas de acordo com os fatos apresentados, os quais hão de decidir sobre a verdade ou falsidade dos que se pretendem explicar.

Hipóteses para iniciar a solução do problema
Pode se considerar ainda como hipótese a suposição de um pretexto destinado a esclarecer provisoriamente um fenômeno até que os acontecimentos o afirmem ou contestem.

A hipótese tende a desaparecer quando o problema estiver razoavelmente explicado e tem valor característico que corresponde à realização mais aprofundada e essencial na própria natureza. A hipótese introduz-se no contexto com o escopo de examinar os aspectos referentes à motivação que irá orientar o pesquisador em direção da causa provável procurada, bem como a função teórica para coordenar e completar os resultados já obtidos, conjugando os fatos e fenômenos, facilitando sua acessibilidade e investigação.
Pode-se chegar às hipóteses por meio de deduções de resultados já conhecidos ou pela experiência, tornando-a indutiva “se a suposta causa do fenômeno for um dos seus antecedentes, que parece apresentar todas as características de antecedente casual” (CERVO e BERVIAN, 2002, p. 86). Da mesma forma, considera-se, igualmente, serem analógicas “quando são inspiradas por certas semelhanças entre o fato ou fenômeno que se quer explicar e outro já conhecido”. (CERVO e BERVIAN, 2002, p. 86)

É perceptível que não existem regras para desvendar as hipóteses e que as mesmas não se expõem também por acaso mas, sim, por obra do gênio científico adquirido pelo pesquisador. Porém, ressalvam-se certas condições que podem auxiliar nessa descoberta, como o próprio curso da pesquisa, a analogia, a dedução e as reflexões.

O que se pode notar diante da apresentação das discussões sobre a natureza da hipótese é que não se deve contradizer nenhuma verdade já aceita ou explicada, pois a mesma deve ser simples, ou seja, o pesquisador deve escolher, entre várias, a que lhe parecer menos complexa, devendo ainda ser sugerida e averiguável pelos fatos, de maneira que, como resposta e elucidação efêmera, relacionem duas ou mais variáveis do problema, o que facilita sua resposta.

Na função de orientar a execução da pesquisa, os termos empregados na hipótese devem elucidar, com o máximo de exatidão o que eles significam na totalidade concreta e objetiva da pesquisa a ser realizada. Na constituição de hipóteses, a maioria dos autores exacerba que a mesma precisa ser explicitada em termos claros, concisos, sem ambiguidade gramatical e que possibilite sua verificação empírica.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER