Cuidados no Manuseio dos Medicamentos dos Idosos

Cuidados no Manuseio dos Medicamentos dos Idosos
ENFERMAGEM
O uso impróprio de medicamentos é motivo de inalterável preocupação, pela enorme ocorrência de efeitos colaterais, especialmente entre idosos. Os medicamentos tomam um papel fundamental na prevenção e cura das doenças. São mais utilizados para obtenção de benefícios como a cura, a prevenção e alívio de sintomas incômodos ou incapacitantes. Entretanto, esses devem ser utilizados mediante consulta médica e prescrição. É de fundamental importância que os benefícios esperados com o uso devem ser maiores do que os riscos decorrentes do seu emprego.

Nem todas as alterações fisiológicas ou doenças necessitam de medicamentos, alguns problemas são de permanência limitada e submergem mesmo sem a sua utilização de fármacos. Existem ainda distúrbios e doenças que podem ser controvertidos com outras terapias, tais como dietas peculiares, descanso, massagens, exercícios específicos, etc.

A utilização de medicamentos é agente de preocupação devido à elevada ocorrência de efeitos indesejados e intoxicações, que muitas vezes poderiam ser evitados em sua maioria.

Algumas propagandas por parte de fabricantes, que sugerem situações de uso indevido e/ou irracional de medicamentos, implicam para o aumento de problemas voltados à dependência e intoxicação, visto que, o uso de qualquer medicamento requer sempre muitos cuidados. Há casos em que os cuidados devem ser intensificados por terem maiores riscos de prejuízos, como é o caso de tratamentos em pessoas idosas, que possui o organismo mais debilitado.

Para evitar alguns tipos de problemas deve-se atentar para:
Em casa:
- Fazer sempre uma lista de todos os remédios que se utiliza mesmo dos que não têm prescrição. Anotando o nome, quem receitou as quantidades, os horários e até mesmo a cor e a forma de apresentação;
- Ler e guardar sempre as bulas;
- Cuidar o prazo de validade e jogar fora os remédios com validade vencida;
- Seguir os horários e quantidades de acordo com o indicado pelo médico;
- Não utilizar remédios que não sejam prescritos para a própria pessoa, ou seja, cada prescrição é individual e não é aconselhável seguir prescrições utilizadas por vizinhos ou amigos já que cada organismo responde diferentemente a uma necessidade;
- Não interromper o tratamento sem informar ao médico. Nem tomar doses diferentes do que as prescritas;
- Evitar misturar remédios com bebidas que possuam álcool.

Ao consultar o médico:
- Perguntar se existem escolhas terapêuticas ao invés de uso de remédios;
- Perguntar sobre a ação do remédio, o tempo de administração, como saber se está tendo o efeito esperado e o que poderá sentir enquanto fizer uso da medicação;
- Informar ao médico caso use vitaminas, fitoterápicos, laxantes e remédios sem prescrição. Eles podem alterar a ação das drogas receitadas pelo médico;
- Perguntar a respeito da administração do remédio junto à comida. Alguns podem ter efeitos diferentes tomados antes ou depois das refeições;
- A cada consulta, retomar com o médico os medicamentos que esteja usando;
- Comunicar o médico, imediatamente se tiver algum sintoma indesejado depois de tomar o remédio.

Alguns remédios devem ser tomados com atenção redobrada, e apenas com prescrição médica, são eles:
- Antidepressivos – possuem efeitos colaterais como constipação, boca seca, retenção urinária, problemas que por ventura possam estar presentes nos idosos.

Segundo Brunner: [...] depressão consiste no distúrbio afetivo ou humor comum em idosos em determinado momento de suas vidas por causas diversas. Os sinais incluem sentimento de tristeza, fadiga, diminuição da concentração e da memória, sentimento de culpa ou inutilidade, distúrbio do sono, da grafia, perda ou ganho de peso excessivo, agitação e pensamento suicídio. (BRUNNER, 2002, p. 149).

- Benzodiazepínicos – são tranquilizantes, remédios para dormir. Causam em sua maioria dependência;
- Analgésicos opioides – levam à dependência na maioria das vezes;

Silva et al.: Está mais do que comprovado que a dor acomete mais pacientes idosos. Acredita-se que 85% dos acidentes em asilos ocorrem com presença de dor, o que contribui para os problemas de depressão, distúrbio do sono, reabilitação retardada, desnutrição e disfunção cognitiva. Assim, mais uma medicação possível se ser utilizada com frequência neste período. (SILVA, 2003, p. 1).

- Anti-inflamatórios – podem por sua vez, ocasionar problemas estomacais e reduzir o efeito de drogas para “baixar a pressão”, os quais são muito utilizadas por idosos;
- Hipoglicemiantes de longa ação - diminuem os teores de açúcar no sangue por longo período de tempo e podem induzir desmaios ou quedas;
- Relaxantes musculares - em teoria, deveriam ser utilizados apenas como coadjuvantes de anestesias, tem a capacidade de intensificar o quadro de fragilidade muscular.

Outros medicamentos que frequentemente são utilizados pelos idosos são aqueles que agem no sistema cardiovascular, sistema gastrointestinal e visão.
Conforme Brunner: A doença cardíaca é uma causa importante de morte no idoso. As válvulas cardíacas tornam-se mais espessas e rígidas, e o músculo cardíaco e as artérias sua elasticidade. E diz ainda que essa disfunção cardiovascular pode manifestar-se como: arritmias, insuficiência cardíaca, coronariopatias, arteriosclerose, hipertensão, infarto do miocárdio, doenças vasculares periféricas e acidentes vasculares cerebrais. O crescimento da Hipertensão Arterial Sistêmica com a idade, atingi 50% dos indivíduos com mais de 65 anos, além das alterações cardíacas próprias do envelhecimento. (BRUNNER, 2002, p. 144).

Segundo Brunner (2002 p. 147) sobre o sistema gastrointestinal e as alterações no idoso, afirma “que as principais queixas concentram-se, frequentemente, em sensações de plenitude, pirose e indigestão e como consequência, o uso prolongado de laxativos”.

Segundo Silva et al. (2003 p. 01): “Complicações como a catarata, glaucoma, processos retinianos degenerativos, podem surgir com a senilidade e consequentemente acarretam consumo das drogas relacionadas com tais processos patológicos.”

O cuidador torna-se diretamente responsável pela correta administração dos medicamentos na pessoa idosa e para tal deve ter conhecimento frente à necessidade de alguns cuidados fundamentais, para que o idoso não seja atingido por intercorrências advindas de uma prática de administração de medicamentos equivocada.

O primeiro passo é seguir tecnicamente alguns passos para a administração de medicamentos, que são descritos como os 5 Certos para administração de medicamentos, são eles:
- Dose Certa (saber exatamente a quantidade do medicamento que o idoso deve tomar isso requer atenção diante da receita do médico e da dosagem do medicamento. O mesmo medicamento pode se apresentar de diferentes maneiras nas farmácias, ou seja, sua miligramagem pode ser de 5, 10, 15, 20, etc. Por esse motivo o cuidador deve ler atentamente a prescrição do médico e a dosagem (miligramagem) que está indicada para a medicação); Por exemplo:

Prescrição Médica:
Captopril 25 mg VO 1 comprimido a noite.

O Captopril é o nome da medicação, enquanto a dosagem é 25 mg. Mg é Miligramagem que é a unidade utilizada para expressar a concentração do princípio ativo na porção da medicação. A abreviatura VO quer dizer Via Oral. Esta prescrição diz que o idoso deve receber 25 mg de captopril por via oral a noite.
Um medicamento com o mesmo nome pode ser adquirido com miligramagens diferentes. Portanto, diante da prescrição acima utilizada como exemplo, se o cuidador ao orientar o idoso a tomar a medicação não atentar para a miligramagem da caixa do medicamento poderá estar administrando o dobro da dosagem (na segunda caixa) ou a metade dela no caso da apresentação de 12,5 mg.

O mais correto na aquisição dos medicamentos é a compra da dose certa, ou seja, a dose que está prescrita para aquela medicação que condiz com o comprimido inteiro. Entretanto, são várias as situações possíveis de não se conseguir adquirir dessa forma e assim a leitura e compreensão da caixa e da bula do medicamento é essencial para realização da orientação ao idoso em cada nova aquisição do medicamento.

Um fator importante principalmente quando a pessoa toma mais de um tipo de medicamento é manter a diferença visual exata entre uma medicação e outra, dessa forma é importante anotar nas caixas os nomes dos medicamentos e suas similaridades para que a pessoa que esteja lendo saiba exatamente diferenciar. Por exemplo, escrever na caixa “Para Pressão” ou “Para Diabetes”, assim a pessoa que vai ler no momento de tomar e sabe distinguir ambos e principalmente evita consequentemente o equívoco de tomar a medicação errada.

É importante considerarmos que a dosagem é um dos fatores fundamentais para o alcance dos efeitos terapêuticos, mas que também pode levar a complicações, em virtude das alterações que ocorrem no metabolismo das drogas com o envelhecimento, a capacidade reduzida do fígado e dos rins para metabolizar e excretar os medicamentos e os níveis diminuídos da eficiência circulatória. (Brunner,2002, p.157).

- Via Certa: a via refere-se a via de administração, ou seja a forma pela qual o medicamento deverá ser administrado pelo idoso. O cuidador deve atentar para a realização de funções, conforme a sua responsabilidade e não realizar ações que fujam do seu conhecimento e que necessitam de formação profissional para a realização, não é função do cuidador de idosos o preparo e administração de medicamentos por vias parenterais que incluem via intramuscular, intravenosa, intradérmica e subcutânea. A via subcutânea quando se trata de administração de medicamentos como a insulina (para idosos diabéticos) e heparina (anticoagulante) são muitas vezes administradas pelos próprios pacientes que aprendem a realizar a administração da medicação, pois são usuários crônicos, ou seja, continuamente precisam fazer uso destes medicamentos. Nesses casos em específico, cabe ao cuidador tomar as informações necessárias para o acompanhamento e a própria orientação correta do idoso frente à administração destes medicamentos. Principalmente nos casos da insulina que a utilização é mais corriqueira e de maior abrangência. Adiante serão descritos alguns cuidados básicos que o paciente deve tomar no tratamento com insulinoterapia.

- Paciente Certo: sempre conferir a prescrição médica com o nome do idoso.

- Hora certa: a hora certa é essencial uma vez que os medicamentos possuem um intervalo específico para dar continuidade ao seu efeito. Sempre que possível o cuidador de idosos deve junto com o idoso estipular horários padronizados para “criar um hábito na mente do paciente”. (SILVA et al., 2003, p. 01). Os horários devem ser lembrados a partir de mecanismos como despertador, sol, horários de algum programa de TV, e colocam-se papéis em locais estratégicos para que o idoso lembre-se de tomar a medicação no horário certo. Lembrando que essas estratégias não são úteis somente para pacientes idosos, mas sim para todos que necessitam cumprir horários de medicamentação, já que a correria diária pode desvincular as pessoas de ações necessárias.

- Medicamento Certo: ter certeza sobre o medicamento que está sendo administrado e a prescrição médica.

Além dos cinco certos citados para uma administração correta de medicamentos é importante que o cuidador de idosos tenha atenção para os seguintes itens:
- Saber para que serve a medicação que está sendo utilizada;
- Coibir ao máximo a automedicação;
- Verificar constantemente os prazos de validade dos medicamentos que o idoso tem em casa;
- Obter conhecimento sobre os efeitos colaterais possíveis de ocorrer frente à administração de determinada medicação;
- Saber orientar o idoso diante da aquisição dos medicamentos, principalmente na possibilidade de adquirir as medicações em locais públicos sem ônus financeiro.

Para saber para que serve uma medicação e seus possíveis efeitos colaterais cabe a leitura na íntegra das bulas dos medicamentos que além dessas informações fornecem outras que são valiosas para direcionar as orientações aos idosos, a bula e a prescrição médica são fundamentais.

Pode-se afirmar que uma das maiores dificuldades na administração de medicações centra-se no fato do idoso geralmente fazer uso de várias medicações, o que pode ocasionar o erro e/ou como se denomina tecnicamente uma iatrogenia. Todos os esforços do cuidador devem ser direcionados para que o idoso mantenha a administração de medicamentos de maneira correta e livre de riscos.

Um estudo realizado em 2003 na cidade de Niterói RJ que abordou a Polifarmacologia em Idosos demonstra como é relevante a preocupação e atenção de todas as pessoas envolvidas no cuidado dos idosos referente à administração de medicamentos, os resultados apresentados abaixo, servem de subsídio para o cuidador de idoso direcionar seu cuidado não esquecendo, entretanto, de visualizar individualmente o idoso em todas as suas particularidades.

Segundo Silva et al. (2003) no referido estudo a média do número de medicações utilizadas por idoso foi de 3.75. Sendo que os medicamentos mais utilizados pelos idosos da pesquisa eram do Sistema Cardiocirculatório (49%), seguido pelos medicamentos que agem no Sistema Nervoso – depressivos e ansiolíticos (12%), sistema nervoso/analgésicos, sistema gastrointestinal, sistema endócrino, visão e outros.

Algumas questões que o estudo mostrou serão elencadas abaixo:
- 90% dos idosos entrevistados relatam ter conhecimento sobre a indicação terapêutica do medicamento, enquanto 10% relatam não saber para o que o medicamento serve;
- 100% dos idosos entrevistados relataram ter conhecimento frente à dosagem dos medicamentos, entretanto, somente 25% relataram a dosagem em miligramagem enquanto o restante dos 75% relatam saber a dosagem pelo número de comprimidos, o que segundo os autores “o que nos leva a pensar em doses excessivas ou subdoses, haja vista, que o mesmo medicamento pode apresentar concentração diferente de acordo com a opção de compra.” (SILVA et al. 2003);
- 70% dos idosos referiram tomar as medicações nos horários corretos enquanto 30% relataram esquecer-se de seguir os horários.
- 55% dos idosos descreveram que se automedicam (principalmente com analgésicos, antiácidos e laxantes).
- 85% dos idosos entrevistados relataram não conhecerem os efeitos colaterais dos medicamentos que utilizam e 100% não sabe sobre as reações dos medicamentos e a respeito da incompatibilidade entre os medicamentos.

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