Breve Histórico da Observação de Aves

Breve Histórico da Observação de Aves
BIOLOGIA
De acordo com Moss (2005), até meados do século XVIII a relação humana com as aves era baseada na religiosidade ou superstição – principalmente em populações mais primitivas –, como fonte de plumas para adornos, decoração e ainda um importante fornecedor de proteínas pela caça ou criação doméstica.

Em 1789 o reverendo Gilbert White, um naturalista que estudava as coisas naturais da vila onde morava, publica The natural history of Selborne (Mourão, 2004), considerada a primeira obra com referências à observação de aves. Moss (2005) ainda cita White, juntamente com Thomas Berwick, George Montage e John Clave, como os primeiros observadores de aves da história.

Embora o século XVIII marque o início das mudanças na relação homem-natureza, nessa época a curiosidade científica sobre o meio natural implicava quase que exclusivamente em coletas maciças de plantas, animais, ovos e até ninhos para coleções particulares e museus (Moss, 2005). Não havia tanto interesse nos aspectos ecológicos ou comportamentais dos seres vivos, apenas na variedade e raridade. Quanto mais exótico e distante a origem, mais interessante era para a coleção.

Os castelos dos aristocratas europeus tinham salas cheias de animais empalhados, conchas, pedras e tudo o mais que pudesse despertar admiração dos visitantes. Caixas de vidro com aves empalhadas faziam parte da mobília, e eram admiradas pelos visitantes e convidados.

Essa relação perdurou até o início do século XX, para só então passar a ser mais contemplativa e sob a perspectiva da conservação ambiental.

As primeiras viagens para observação de aves aconteceram ainda no século XIX no Reino Unido. Tímidos observadores competiam com os ávidos coletores na Inglaterra, quando os primeiros começaram a perceber o declínio e até o desaparecimento de algumas espécies pela coleta excessiva de ovos.

Moss (2005) credita o uso indiscriminado de penas em vestidos e chapéus da moda como um dos responsáveis pela extinção de uma espécie de pomba inglesa (Passenger Pigeon), e destaca o papel importante que as damas da sociedade inglesa tiveram neste período ao encabeçarem uma campanha contra o uso de aves, ovos e até ninhos empalhados nos chapéus da época. A campanha promovida contra esta moda dizia que “uma ave morta não vai melhorar a aparência de uma mulher feia, e mulheres bonitas não precisam de adornos como este”. Esta ação é reconhecida como uma das primeiras ações conservacionistas da história.

No início do século XX os ingleses promoveram as primeiras expedições em direção ao continente europeu e norte da África (Moss, 2005) para observar aves, mas ainda com certa conotação científica. Até então, apenas estudiosos das aves tinham capacidade de reconhecer e diferenciar as diferentes espécies. Foi então que, em 1934 Roger Tory Peterson publica nos Estados Unidos o primeiro guia de aves, fazendo com que a atividade se tornasse extremamente difundida (Mourão, 2004).

A publicação desse guia é considerada um marco na observação de aves, visto que possibilitou a milhares de pessoas comuns a identificação das espécies (Cook, 2006). A ele se seguiram muitas outras publicações conhecidas como “Peterson’s Field Guides”, sendo copiadas em outros países com as aves locais. Também foram produzidos guias de plantas, borboletas, anfíbios, conchas, etc.

As primeiras viagens curtas organizadas especificamente para observação de aves tiveram início na década de 1940, por meio do “Nuttall Ornithological Club” (fundado em 1873), quando a Audubon Society iniciou um movimento para conservação das aves (Mourão, 2004). Porém, até meados do século XX essas viagens eram de curta distância, preferencialmente dentro do próprio país (Estados Unidos) ou do continente europeu.

Com relação aos períodos em Guerra Mundial, Moss (2004) faz um relato interessante sobre o interesse de alguns soldados pelas aves dos territórios invadidos, descrevendo-as em suas cartas, seus ninhos e comportamento. Cita inclusive o cuidado que um batalhão teve com um único ninho construído em uma das tendas do acampamento de guerra!

Com o final da Segunda Guerra Mundial, o acesso a bens de consumo e equipamentos como binóculos, máquinas fotográficas e livros especializados, se tornaram importantes instrumentos para o desenvolvimento do turismo de observação de fauna (Matos, 2004). Esta atividade ganhou impulso com o aumento das viagens aéreas nas décadas de 1950-60, associada ao novo interesse pelas questões ambientais (Pires, 2002), culminando nos anos 1980 com o aparecimento do Ecoturismo e na valorização do ambiente natural promovida após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco 92) no Rio de Janeiro.

Nos Estados Unidos, as primeiras viagens internacionais organizadas por operadoras especializadas em birdwatching aconteceram apenas na década de 1970, com objetivo de ampliar o número de espécies nas listas pessoais dos observadores de aves. Os mais aficionados, conhecidos como “twitchers”, começaram a viajar em ritmo de competição para ter o maior número de espécies anotadas em suas listas pessoais (Moss, 2005).

Esta demanda resultou na criação de locais específicos para observação de aves e várias operadoras especializadas, movimento que teve início com os observadores mais experientes organizando viagens por conta própria para outras pessoas interessadas. Dessas primeiras experiências derivaram pacotes turísticos extremamente especializados, com guias profissionais e conhecidos internacionalmente.

Atualmente, esta atividade é praticada em vários países ou regiões de um mesmo país, havendo aqueles que mais recebem observadores (receptivos) e àqueles de onde mais saem observadores (emissivos), com pacotes turísticos comercializados especialmente via Internet.

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