Assistência de enfermagem a pacientes portadoras de DHEG

Assistência de enfermagem a pacientes portadoras de DHEG
ENFERMAGEM
A enfermagem é a arte do cuidar e sua essência pode ser percebida no cuidado ao ser humano, sendo uma ciência complexa, multifacetada, integral, holística com a finalidade de prestar uma assistência de qualidade ao paciente, família, comunidade, desenvolvendo ações de promoção, proteção, prevenção, reabilitação e recuperação da saúde tanto em âmbito da saúde coletiva quanto por meio de práticas hospitalares através do processo de enfermagem (BEDIN; RIBEIRO; BARRETO,2004).

Miyadahira e Dell'Acqua (2002) ressaltam que o processo de enfermagem tem três grandes dimensões: propósito, organização e propriedades. Onde o propósito principal é atender as necessidades individualizadas do cliente, família, comunidade existindo uma interação entre o foco em questão e o enfermeiro. A organização conta com as cinco fases do processo, fornecendo uma base a partir da qual todas as ações que são levadas a efeitos e como propriedades são abordadas seis fases: ser intencional, dinâmico, flexível, interativo, sistemático e baseando-se em teorias.

Garcia e Nóbrega (2000) ressaltam que o processo do cuidar é como um instrumento metodológico que nos permite identificar, compreender, descrever, explicar como os usuários, a comunidade demonstram o efeito dos problemas de saúde e que a partir dessa resposta exista uma intervenção de enfermagem baseada na existência de alguns elementos inerentes a esses problemas.

Para Gouveia e Lopes (2004) a Ciência da Enfermagem está apoiada em uma estrutura teórica e o processo de enfermagem é um método onde essa estrutura está ligada a pratica de enfermagem, onde o envolvimento e participação do paciente são de suma importância, por oferecer informações para levantamento e confirmação dos dados a demonstrando seus reais problemas, para haver uma troca de dados, de expectativas e experiências.

Oliveira et al. (2008) citam que o uso da sistematização da assistência de enfermagem (SAE) é um dos meios que a enfermeira pode utilizar para colocar em pratica seus conhecimentos na assistência ao paciente, caracterizando seu papel e cooperando na sua prática profissional, porém o enfermeira precisar ter conhecimento das fases do processo de enfermagem, para poder promover o cuidado e uma reabilitação o paciente.

Quanto as etapas do processo de enfermagem, Amante, Rosseto e Schneider (2000) declaram que existem cinco etapas diferentes no processo de enfermagem, porém elas se relacionam entre si e são elas: investigação, diagnostico, planejamento, implementação e avaliação onde essa inter-relação deve ocorrer, a partir do momento em que ocorra uma coleta e levantamento de dados corretos e com resultados fidedignos, trazem muitos benefícios, em especial a prevenção de erros, prestando assim assistência ao usuário de forma holística, sistemática, humanizada e dinâmica.

Nesse contexto se faz necessário entender de como acontece toda essa dinâmica que a enfermagem e o paciente estão inseridos de modo que se possa buscar mais eficiência no planejamento das ações, melhoria no atendimento prestado sejam elas como propostas educativas ou em caráter instrumental em rede hospitalar envolvendo conhecimento e habilidades para se ter respostas positivas dessa clientela aos cuidados de enfermagem.

Segundo Gouveia e Lopes (2004) em 1990 na Conferencia Nacional da NANDA foi aprovada a definição de diagnósticos de enfermagem, e dessa forma um diagnóstico adequado proporciona para as enfermeiras um controle maior em relação aos problemas colaborativos através de intervenções, terapêuticas prescritas pelo médico ou por elas mesmas para reduzir complicações ou a gravidade desses eventos fisiológicos.

O enfermeiro tem um papel de grande relevância no cuidado e principalmente no que diz respeito a estimular o autocuidado na saúde, facilitando a cooperação e adesão de portadoras de DHEG ao cuidado planejado e Peixoto et al. (2008), enfatizam em ter que se criar um laço de confiança entre a gestante e o profissional de enfermagem, para que se possa prestar um atendimento e o mesmo ser de qualidade, tornar acessível o acesso e prioritário dessa gestante aos exames, orientá-la quanto a sinais e sintomas e quais providências tomar.

A consulta de enfermagem como atividade privativa do enfermeiro, legitimada pela lei do exercício profissional, em 1986, no artigo 11º, inciso 1, letra I e inciso II, letras g, h e i do COFEN (1986), encontra um grande campo de utilização em ginecologia e obstetrícia. A consulta de enfermagem em ginecologia e obstetrícia pode apresentar um alto grau de resolutividade, tendo em vista o artigo 11º, inciso II que normatizada pela resolução C, que autoriza o enfermeiro a prescrever medicamentos, com base em dois condicionantes: aqueles medicamentos estabelecidos em programa de saúde pública, ou aqueles estabelecidos em rotina aprovada pela instituição de saúde.

Nas consultas de enfermagem durante o pré-natal e no pré-parto podemos atuar de forma a esclarecer as duvidas da mesma sobre a DHEG o que é afirmado por Peixoto et al. (2008), quando ele descreve quando a gestante que detém as devidas orientações quanto a sinais e sintomas da patologia poderá intervir para o seu bem estar em consonância com Ziegel e Cranley (1985) onde enfocam que a partir do momento em que o repouso no leito em casa não regride os sintomas ou quando eles se agravam é de extrema urgência a hospitalização.
Neste contexto todo profissional de saúde, principalmente o enfermeiro tem como responsabilidade a manutenção da vida, ocupando papel fundamental no acompanhamento as gestantes de alto risco, estas por necessitarem de cuidados específicos para que a gestação chegue a termo, a fim de prevenir a prematuridade e riscos à saúde da mulher e à do concepto (BARROS, 2006).

Para Ferrão et al. ( 2006) o tratamento para a pré-eclâmpsia se dá com a redução e controle da pressão arterial e o aumento do fluxo sanguíneo uteroplacentário, além do uso medicamentoso da hidralazina e metildopa que são drogas anti-hipertensivas utilizadas durante a gravidez para promover o relaxamento do musculo liso das arteríolas periféricas e a redução da resistência vascular.

Em consonância com os autores citados acima Nogueira (2001) evidencia o uso de anti-hipertensivos vasodilatadores de suma importância em gestantes críticas toxêmicas, para o controle dos níveis pressóricos, porém existe um risco em relação ao uso dessas drogas com uma hipotensão severa e uma diminuição do fluxo sanguíneo uteroplacentário acarretando problemas materno-fetal.


Para Ruano, Alves, Zugaib (2004) a medicação para prevenção e tratamento de convulsões na eclampsia no agravamento da DHEG foi o sulfato de magnésio, sendo mais eficiente do que a fenitoína e benzodiazepínicos no sentido de interromper as crises quanto na redução de aparecimentos de mais crises.

Ziegel e Cranley (1985) informam que além de tentar manter um ambiente calmo, tranquilo, é necessário seguir uma terapêutica, cuidados para reduzir a irritabilidade do Sistema Nervoso Central, controlar os níveis pressóricos, promover a diurese, controlar o bem-estar fetal e, por fim provocar o parto.

Considerando que a DHEG é uma importante complicação obstétrica o enfermeiro ao prestar cuidado tanto em âmbito de saúde publica quanto hospitalar deve ser feito de forma integral e de acordo com Souza (2011), esses cuidados de enfermagem a pacientes com distúrbios hipertensivos são: Manter a paciente em repouso em decúbito lateral esquerdo; Oferecer dieta hiperprotéica e hipossódica; Realizar controle de diurese nas 24hs e instalar controle hídrico; Realizar avaliação da vitalidade e da maturidade fetal a partir da 30ª semana de gestação; Manter a equipe de enfermagem devidamente atenta para os valores de níveis pressóricos, registrando e comunicando qualquer tipo de alteração no prontuário.

Dessa forma a Assistência de Enfermagem vai além do conhecimento técnico-científico, ela cria e recria laços de confiança, respeito, solidariedade, sente o ser humano por inteiro e suas variáveis, suas necessidades, agregando pessoas, comunidade, conhecimento. Buscando a reabilitação, a cura, da doença no processo único de promover um bem comum a todos e essencial à saúde.

Esta assistência à portadora de DHEG é fundamental para o acolhimento, para criar laços de confiança, passar segurança, sendo responsável por um cuidado bem prestado, atentando-se para o aparecimento e controle rigoroso de sinais e sintomas e para tratamento dos mesmos, além de informar e instruir a paciente para o reconhecimento dessas alterações presentes.
REFERÊNCIAS
AMANTE,L. N; ROSSETO, A. P.; SCHNEIDER, D. G. Assistência de Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva sustentada pela teoria de Wanda Horta. Rev. esc. enferm. USP. v.43,n.1,São Paulo,Mar. 2009. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000100007&lang=pt> Acesso em: 20 de abril de 2013.

BARROS, S. M. O. Enfermagem no ciclo gravídico-puerperal. Manole. São Paulo, 2006.

BEDIN, E.; RIBEIRO, L. B. M; BARRETO, R. S. S. Humanização da assistência de enfermagem em centro cirurgico. Revista Eletronica de enfermagem. v.6, n.3,2004. Disponível em: <www.fen.ufg.br>. Acesso em: 20 de abril de 2013.

COFEN. Lei 7498: Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem. Diário Oficial da União 26/06/1986.

FERRAO, M. H. L. et al. Efetividade do Tratamento de Gestantes Hipertensas. Rev. Assoc. Med. Bras. vol. 52.n.6. São Paulo. nov. dez. 2006. Disponivel em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302006000600016 >. Acesso em: 20 de abril de 2013.

GARCIA, T. R.; NÓBREGA, M. M. L. Sistematização da assistência de enfermagem: reflexões sobre o processo. In: 52º Congresso Brasileiro de Enfermagem, Apresentado na Mesa Redonda “A sistematização da assistência de enfermagem: o processo e a experiência”. Recife/Olinda – PE, 2000. Disponível em: < http://www.virtual.unifesp.br/cursos/enfnefro/restrito/download/sistematizacaodaassistencia.pdf >. Acesso em: 20 de abril de 2013.

GOUVEIA, H. G; LOPES, M. H. B.; Diagnósticos de enfermagem e problemas colaborativos mais comuns na gestação de risco. Revista Latino-Americana Enfermagem. Ribeirão Preto v.12,n.2, Mar./Abril.2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010411692004000200005&script=sci_arttext >. Acesso em: 20 de abril de 2013.

MIYADAHIRA, A. M.; DELL'ACQUA , M. C. Q. Ensino do processo de enfermagem nas escolas de graduação em enfermagem do estado de são paulo Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirao Preto v.10.n.2,mar./abr.2002. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692002000200010&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 de abril de 2013.

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PEIXOTO, M. V; MARTINEZ, M. D; VALLE, N. S. B. Síndromes Hipertensivas na Gestação: Estratégia e cuidados de enfermagem. Rev. Edu. Meio ambiente e saúde. 3(1). p-208-222. 2008.

RUANO, R.; ALVES, E. A.; ZUGAIB, M. Sulfato de magnésio (MgSO4) no tratamento e prevenção da eclâmpsia: qual esquema adotar? Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 50, n. 3, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php>. Acesso em: 20 de abril de 2013.

SOUZA, F. L. de. Atuação do enfermeiro frente a prevenção da doença hipertensiva da gravidez (DHEG). Publicado em 05 de fev de 2011. Disponível em: <http://www.webartigos.com/articles/58572/>. Acesso em: 14 de abri de 2013.

ZIGEL, E. E.; CRANLEY, M. S. Enfermagem Obstetrícia. 8 Ed. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 1985.


Nubia Cristina Rocha Passos
Nubia Cristina Rocha Passos Possui graduação em Enfermagem e obstetrícia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1996). Graduada em Docência do Ensino Superior - Faculdade Maria Milza (FAMAM) 2009. Graduada em Bioestatística - Faculdade Maria Milza (FAMAM) 2012. Mestranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional - FAMAM - Bolsista da Fapesb.
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