Aspectos Cognitivos: Memória, Atenção e Motivação

Aspectos Cognitivos: Memória, Atenção e Motivação
PEDAGOGIA
A terceira idade é também chamada de “a idade da sabedoria”. Esse título tem significado, uma vez que, com o acúmulo de experiências, o idoso continua ainda muito capaz para adquirir novas informações e habilidades, lembrando e utilizando juntamente àquelas que já conhecem.

O envelhecimento pode acarretar perdas cognitivas, entretanto nem todas trazem prejuízo às suas capacidades intelectivas. É dado científico que a velhice caracteriza-se pelo declínio das funções biológicas, da resiliência e da plasticidade cerebral. Ainda que ocorram de forma diferenciada entre pessoas, as perdas que caracterizam a velhice provocam o aumento da dependência dos indivíduos em relação aos elementos da cultura e da sociedade. Por outro lado, e ao contrário do que se pensa, é possível a preservação e ganhos evolutivos em determinados domínios do funcionamento, como o intelectual e o afetivo, sendo este último capaz de atuar de maneira compensatória sobre as limitações cognitivas.

Com relação às habilidades cognitivas, Bee (1997) salienta que dos 65 anos aos 75 anos algumas das mudanças cognitivas são sutis ou até inexistentes, como é o caso do conhecimento de vocabulário, entretanto, ocorrem declínios importantes nas medidas que envolvem velocidade ou habilidades não exercitadas.

No que se refere à saúde mental, Papalia e Olds (2000) referem que, o declínio nesta área não é típico na terceira idade e que a doença mental é mais comum no adulto jovem do que no adulto mais velho. Na velhice, as pessoas podem e efetivamente continuam a adquirir novas informações e habilidades, bem como ainda são capazes de lembrar e usar bem aquelas habilidades que já conhecem. As autoras destacam ainda que o início da senescência varie bastante e justificam por meio da teoria biológica do envelhecimento e da teoria de programação genética. A justificativa é de que, por um plano normal de desenvolvimento embutido nos genes, os corpos envelhecem, salientando, portanto que, cada espécie tem sua própria expectativa de vida e padrão de envelhecimento. Esses processos, segundo essas autoras, podem ser influenciados tanto por fatores internos quanto externos. Resumindo e utilizando estas duas teorias, pode-se dizer que a programação genética pode limitar a duração máxima da vida, mas, fatores ambientais e de estilo de vida, podem afetar o quanto uma pessoa se aproxima do máximo, e em que condições. Cada fase da vida é influenciada pela que a antecedeu e irá afetar a que virá a ocorrer.

Uma mente sã na velhice depende de hábitos saudáveis desde a juventude. Isso porque o processo de envelhecimento começa bem antes da chegada da terceira idade, ou seja, a partir dos 25 anos já está perdendo, a cada década de sua vida, 2% de suas células cerebrais. O principal causador desse processo é o acúmulo de ferro no tecido cerebral, este se combina com a água e forma hidroxila, o mais agressivo dos radicais livres. Para reduzir os efeitos dos radicais livres no organismo, é importante uma alimentação antioxidante, rica em vitaminas C e E e em licopeno (substância encontrada em alimentos como o tomate e a melancia) e a melatonina, hormônio produzido durante o sono noturno, é outro poderoso inimigo desses radicais (SÁ, 1990). Por isso, uma boa noite de sono pode ser um santo remédio para se prolongar a juventude biológica.

Por meio do estudo de dificuldades de memória resultantes de uma lesão cerebral, ocasionada, por exemplo, por um acidente de trânsito, ou por uma invalidez de guerra, a Neuropsicologia Cognitiva confirmou a existência de múltiplos sistemas de memória (FONSECA, 2007). Assim, atualmente acredita-se que a memória não é unidade, ela pode ser classificada por diferentes aspectos, como o aspecto temporal. Algumas lembranças fazem referência a conhecimentos recentemente adquiridos, o mecanismo de memória dessas lembranças chama-se memória de curto prazo. Outras lembranças, ao contrário, fazem referência a conhecimentos adquiridos há muito tempo, elas estão armazenadas na memória de longo prazo. Com relação a essa dicotomia, os idosos têm muito mais facilidade em buscar informações da memória de Longo Prazo do que da de Curto Prazo.

Um tipo de memória de Curto Prazo, muito afetada pelo avanço da idade, é aquela chamada memória de trabalho ou também memória procedural. É uma memória que torna uma pessoa capaz de fazer uma tarefa complexa que envolve duas ou mais atividades que precisam ser realizadas ao mesmo tempo. Por exemplo, ficar guardando um número de telefone enquanto procura-se um lápis e um papel para anotá-lo. Esse tipo de memória envolve muita atenção, e com a idade, a atenção fica bastante prejudicada. Outro tipo de memória também bastante afetada no envelhecimento é uma memória que está dirigida para os fatos do futuro, vulgarmente chamada de "memória de agenda". Seu nome científico é memória prospectiva.

Alguns exemplos são: lembrar-se de tomar um medicamento a cada 4 horas; lembrar-se de ir ao médico em tal dia etc. É uma memória direcionada ao que se passa no dia a dia de cada pessoa. Ela também exige muitos mecanismos de atenção, mas também outros mecanismos cognitivos importantes: planejamento, intenção e motivação. Para lembrar-se de tarefas futuras é preciso:

-Fazer um bom planejamento das atividades do período até a ação que deve ser memorizada;

-Ter uma intenção forte de lembrar-se de realizá-la para ser capaz de ativar a lembrança no momento certo;

-Ter um alto grau de motivação, ou seja, querer realizar tal tarefa. Sem motivação, um planejamento adequado não é realizado e a intenção torna-se muito frágil para ativar uma lembrança que se faz necessária.

Assim, podemos observar que as falhas de memória podem ser decorrentes de outras dificuldades do que o guardar a lembrança e depois buscá-la. Como nos tipos de memória acima citados existe um envolvimento de motivação, atenção e intenção; é muito fácil entender que pessoas que não possuem um humor positivo (ou seja, aquelas que são depressivas ou ansiosas) apresentem dificuldades de memória bastante graves, não conseguindo organizar seu dia a dia de forma adequada. Existe um alto índice de depressão e ansiedade no idoso, muitas vezes, em função de certo isolamento causado pela perda ou distanciamento de familiares ou colegas de trabalho, pela mudança de um estilo de vida, etc. Entretanto, esses distúrbios emocionais são frequentemente encontrados em adultos jovens, devido a problemas afetivos ou a uma grande exigência de seu meio social. Em consequência, adultos mais jovens buscam os serviços de neuropsicologia com queixas de memória, preocupados por apresentar um declínio cognitivo, do tipo demencial.

Concluindo, já foi referido anteriormente que, não obstante a tudo que foi descrito até agora sobre cognição, memória e atenção do idoso, é necessário evidenciar que a atividade física e mental na terceira idade é primordial para que o indivíduo não sinta essas perdas como significativas e, mediante o exercício é possível reduzir o processo. A atividade física e mental, seja qual for, estimula o ser humano em seu contexto global, promovendo qualidade de vida e bem-estar para si mesmo, sua relação com os outros e com o meio.

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