A importância do ato de cantar para o desenvolvimento integral da criança

A importância do ato de cantar para o desenvolvimento integral da criança
PEDAGOGIA
Belmira Schmitz Teles
Prof.: Gisele Brandelero Camargo Pires
Prof.: Viviane Roncatto

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI – Licenciatura em Pedagogia
(PED. 3841) Lúdico e Musicalização na Educação Infantil

RESUMO
Este trabalho tem por objetivo mostrar que a música e a musicalização contribuem e muito, para desenvolvimento e integração do ser humano, em especial da criança e é necessário que a escola inclua no seu currículo, para a contribuição na aprendizagem, integração e inclusão social.

1. INTRODUÇÃO
Bem sabemos que uma boa música desenvolve a audição e a musicalidade de todos, principalmente das crianças e ajuda a construir conhecimentos.

Escutar música, cantar, tocar deveria fazer parte das atividades diárias da escola e principalmente das escolas de Educação Infantil, pois aguça a sensibilidade, estimula os alunos a serem bons ouvintes e assim poderem desenvolver atividades práticas em relação a musicalização.

O gosto pela música estimula, além do escutar atentamente, também a experimentação de diversos instrumentos musicais, que fazem com que a criança se aproprie de forma espontânea dessa fonte de cultura.

O cantar trás benefícios físicos, psicológicos, socioculturais, de integração, que nos levam a pensar em modificações das teorias da inclusão fragmentada, parcial, leva ao reconhecimento e valorização das características de cada criança, cada um irá se identificar com determinado gênero, instrumento, voz, etc.

A criança experimenta muitos e diferenciados estímulos que poderão lhe ser prazerosos como: escutar, diferenciar sons, silêncios, jogos musicais, expressão do corpo em diferentes ritmos musicais, cantar em diversas alturas e intensidade de sons, exploram sentimentos através da música e da criação musical.

A criança que trabalha com a diversidade aceita melhor e aceita – se melhor considerando as diferenças, assim como o cantar lhe trará benefícios como seu desenvolvimento integral, desde o caráter, personalidade, as suas escolhas, capacidade de inventar, coordenação motora, paciência ao ouvir, etc.
2. DESENVOLVIMENTO
2. 1 A CRIANÇA E AS SUAS RELAÇÕES COM A MÚSICA

A música entre outras formas artísticas é reconhecida historicamente como parte fundamental para o desenvolvimento das capacidades do ser humano, faz bem para o reconhecimento, autoconhecimento e autoexpressão. Seria fundamental para despertar na criança seu potencial artístico e o gosto pela arte musical como já afirmado.

No entanto, bem sabemos que no contexto de nossa educação é muito reduzido o número de pessoas que compreendem e valorizam a educação musical dentro da escola para auxiliar no processo de educação da criança.

Recentemente houve um pequeno avanço nas leis da educação no Brasil, hoje já faz parte do currículo, obrigatoriamente, a Educação Musical. Mas será preciso um grande esforço para que a música e outras Artes realmente sejam fundamentadas e utilizadas no contexto das escolas, não só por seu valor, mas por serem de fundamental importância para a formação do educando e comprovadamente a música intervém na formação cognitiva da criança.

[...] as concepções didáticas apoiadas no cotidiano como paradigma teórico buscam uma aproximação da aula de música com a realidade sociocultural ou como o “mundo vivido” (Lipptiz, 1980). Seu interesse não está nas atividades padronizadas, mas sim, na tematização, na sala de aula, nas experiências musicais que os alunos realizam fora da escola. [...] (Souza (org.), p.35,2000)

Sabe – se que desde o ventre de sua mãe o bebê atua recebendo sons reage a estímulos sonoros, que o estimulam a reconhecer a voz de seus pais, as músicas e canções de ninar, as conversas deles consigo e, posterior ao nascer ele reclama chorando se a intensidade desses sons exceder os limites do seu gostar.

Quando na escola, a criança não costuma ouvir seus próprios sons, ela grita, fala muito, canta, bate, mas se for ensinado de forma diferente, poderá ser induzida a descobrir e adquirir hábitos mais sensíveis ao ouvir e produzir sons, o canto poderá ser utilizado como uma forma dele se expressar.

Ouvir, cantar, dançar, atuar são atividades presentes no cotidiano das crianças, todas as pessoas interagem com o som de uma música, desde muito cedo, elas entram em contato com a cultura musical do seu meio, da sua comunidade aprendendo os costumes do seu povo, de suas tradições musicais.

Na mídia tem se destacado, profissionais que formam grupos para trabalhar a música em comunidades carentes que vem desempenhando numa função social e educativa de muita importância. Essas crianças foram tiradas das ruas e passaram a dar outro valor para suas vidas, embora continuando perto das diversas formas violência social e drogas, conseguem manter-se afastados, pois está sendo necessária para suas vidas a prática musical.
2.2. A MÚSICA NA ESCOLA
A educação musical deve ser incentivada e desenvolvida desde o inicio da escolarização e sua inclusão hoje, já é efetivada por lei e deve ser colocada em prática nas escolas, pois só vem contribuir para a formação da criança, sabe-se o quanto a música influencia seu desenvolvimento saudável. A música ao ser praticada, seja aprendendo um instrumento musical ou pela simples audição como uma forma de apreciar uma melodia, reforça a aprendizagem cognitiva, favorece o desenvolvimento afetivo, amplia atividades do cérebro, melhora o desempenho escolar e contribui para integrá-lo socialmente.

[...] Exatamente aqui nessa área, na realidade cotidiana das crianças e jovem, estaria a chance para a realização de um trabalho sociopedagógico com propostas de atividades musicais que não transmitissem somente conhecimentos isolados sobre métodos pedagógicos e repertório desvinculado da prática. Ao contrário, aqui estariam as chances para o professor saber mais sobre a real experiência estética (e musical) do aluno e sua posição perante ela. [...] ( Souza (org.),p.38/39,2000).

O professor deve incluir a música no cotidiano pedagógico, embora a música para muitos, não seja considerada uma disciplina tão séria como as outras, o que é um preconceito. Ela só aparece nos momentos de festas promocionais e datas comemorativas, mas essa prática não se relaciona com os objetivos da Educação Musical, precisa sim ser mudado esse pensamento para que a música seja reconhecida e desenvolvida com real importância em relação a outras áreas correlacionadas.

O professor poderá estimular seus alunos a ouvir os sons da sala de aula, do pátio, da rua, do entorno da escola, dos diferentes espaços como um exercício importante para que estejam atentos a tudo, o que acontece à sua volta e desenvolver, dessa forma, o senso crítico para que faça suas escolhas do que lhe interessa ou não.

Poderá este também, fazer exercícios de relaxamento no final da aula, ou após atividades intensas de movimentos. Jogos interativos no pátio, nas aulas de Educação Física (canções de roda, de ninar, brincar de dirigir carros, trens, motos, etc.) todos poderão contribuir para a comunicação e cumplicidade entre professor e aluno, o que só enriquecerá o bom desenvolvimento da aprendizagem.

As atividades de musicalização também auxiliam a inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais. Pelas características lúdicas e de expressão, não apresenta pressões, cobranças e podem ajudar a criança a relaxar, desinibir, envolvê-la socialmente, despertando no outro o respeito e abrindo espaços para o aprender.

[...] Todo o indivíduo fala ,ouve, vê, toca, degusta, ele não se expressa em partes. Ao ouvir uma música, ao desenhar, ao esculpir, utilizamos o nosso corpo, os nossos sentidos, a nossa razão, a nossa emoção, a nossa percepção, a nossa intuição, nos mobilizando por inteiro. [...] Ela é um espaço de experiências totalizadoras onde a criança poderia ampliar seus referenciais de mundo. [...] (Garcia ( org.),p.127,1993).
2.3. JOGOS MUSICAIS
Lenga la lenga

Lenga la lenga
La ducha la du ê
La ducha la papa
La ducha la du ê
La ducha la mama
La ducha la du ê
La ducha la gô gô
La ducha la du ê

Brincadeira
Em duas rodas, uma dentro da outra, as crianças sentam – se de frente umas para as outras. Na roda externa, cada criança tem á sua frente um copo para jogar. O grupo deve criar um arranjo a partir das partes para voz, jogo de copos e flauta, ou tambores de brinquedo. O jogo de copos começa com o brincante segurando o copo pelo fundo e batendo o copo no chão passando um para o outro até fazer a volta.

Tumbalacatumba
Quando o relógio bate à uma,
Todas as crianças saem da tumba

Refrão:
Tumba laca tumba tumba lacatá.
Tumba laca tumba tumba lacatá.
Quando o relógio bate às duas,
Todas as caveiras saem às ruas.
Quando o relógio bate às três,
Todas as caveiras falam inglês.
Quando o relógio bate às quatro,
Todas as caveiras entram no seu quarto!

Brincadeira
Tente tocar flauta doce como se ela fosse um instrumento de percussão. Imite os sons da flauta como se estivesse batendo.

Abra a Roda
Abra a roda,
Tin do lê lê
Abra a roda
Tin do la lá
Abra a roda
Tin do lê lê
Tin do lê lê,oi
Tin do la lá
E vai andando. . .
Bate palma. . .
Requebradinha . . .
Vai andando . . .
De trenzinho. . .
De marcha à ré. . .
Bem baixinho.
Brincadeira
Os brincantes formam uma roda, dois participantes no centro. Na roda, todos giram e cantam, realizando o jogo de mãos, enquanto os brincantes no centro, realizam improviso com percussão corporal.

Os brincantes da roda também podem realizar os gestos sugeridos pela letra, enquanto os fabricantes no centro fazem o jogo de mãos.

3. CONCLUSÃO
Ficou evidente neste trabalho que as diversas áreas do currículo escolar podem ser estimuladas com a prática da musicalização.

A presença da música nas escolas auxilia a criança no desenvolvimento da percepção, memória, habilidades com a linguagem, com a matemática, o auxilia a se reconhecer e se orientar nas suas escolhas.

A Educação Musical vem recebendo ultimamente modificações, estão repensando outras práticas dessa disciplina e é sentida a necessidade de ser valorizada culturalmente dentro da sociedade e mais recentemente dentro da escola. Alguém deverá se empenhar na tarefa de incluir a música como facilitadora da aprendizagem.

A escola está mudando, o pensar do professor felizmente também, os problemas sociais estão evidentes e a escola não fica excluída.

As questões da socialização da criança são cada vez mais necessárias, há a necessidade de outras tarefas socioeducativas e que tenham a função de auxiliar a sanar as doenças sociais. Daí entra a música com o objetivo de auxiliar o professor a direcionar a criança para outra realidade, e assim levá-lo para o espaço das artes.

[...] O importante não é discutir “música nas escolas: para quê ou para que fins a educação musical nas escolas seria necessário”, mas sim para onde a educação musical deve conduzir. ( Souza ( org.), p.79,2000).

4. REFERÊNCIAS
BEINEKE, Viviane, Lenga La Lenga: Jogos de mãos e copos, 1ª ed., São Paulo: Ciranda Cultural Editora e Distribuidora Ltda., 2006.
FERREIRA, Márcia, Ação Psicopedagógica na Sala de Aula: uma questão de inclusão, São Paulo: Paulus,2001.-(Pedagogia e Educação).
FREIRE, Paulo, Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, São Paulo: Paz e Terra,1996.
GARCIA, Regina Leite (org.), Revisitando a Pré-Escola, 2ª ed., São Paulo: Cortez, 1993.
REVISTA RECRE@RTE nº 3- Junior 2005 ISSN: 1699- 1834 – http://www.iacat.com/revista/recrearte03htm.
SOUZA, Jusamara (org.), Música, Cotidiano e Educação, Porto Alegre: Programa de Pós- Graduação em Música do Instituto de Artes da UFRGS, 2000. Autores: Celso Souza Gomes, Cynthia Geyer A. dos Santos, Luciana Marta Del Bem, Márcia Cecília de A. R. Torres, Silviça Nunes Ramos.

Belmira Rosângela Schmitz Teles
Prof. das series iniciais, esc. publica do Estado RG do Sul, Curso Normal ( Inst. de Educ. Oswaldo Aranha - Alegrete), Curso Normal Superior( FAPA/incomp),Lic. Plena em Pedag. IERGS (UNIASSELVI), Curso Dislexia (Portal Educação),Dificuldades de Aprendizagem,Projetos Escolares (Fapa), Avaliação Escolar,Planejamento de ensino,Como Lidar com crian. hiperativas,Folclore Lendas e MItos,etc.
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