A importância da humanização da assistência de enfermagem no setor de emergência

A importância da humanização da assistência de enfermagem no setor de emergência
ENFERMAGEM

Por ser um assunto que aborda questões de retomada de valores éticos e morais, a humanização torna-se objeto de discussão debatida numa plataforma de construção de uma nova sociedade, que busca rever as virtudes humanas que se perderam ao longo dos anos, essas virtudes passaram a ser ridicularizadas, pois a valorização da vida deixou de ser vista como algo precioso.

 


Diante disso apresentamos nesse trabalho uma breve discussão sobre o tema humanização na unidade de emergência. Para obtenção das informações referentes ao tema proposto, utilizamos o método qualitativo de revisão bibliográfica exploratória de trabalhos já publicados. Sendo o objetivo de esse trabalho pontuar a importância da assistência de enfermagem humanizada na emergência.

 


Partindo do conceito de humanização, expondo os principais fatores que interfere a humanização da assistência de enfermagem no setor de emergência, buscando definir estratégias que ofereçam orientações sobre como contribuir para a promoção do serviço humanizado no referido setor, favorecendo não só os clientes mais a toda equipe de saúde multidisciplinar.

 


Neste sentido concluímos como estratégias a conscientização do ponto de vista ético e moral de todos os agentes envolvidos no processo de promoção da saúde, inclusive o paciente, através da avaliação da assistência recebida na emergência, isso inclui a capacitação coletiva de todos os profissionais, e seus gestores, baseado em estudos contínuos, a partir da sua formação profissional até a atuação na emergência.

 

Enfim humanizar a assistência de enfermagem na emergência é um desafio, entretanto, possível e essencial na prática da enfermagem.


INTRODUÇÃO
A humanização vem sendo abordada na atualidade com crescente relevância, trazendo discussões significativas para a retomada dos valores éticos e morais, que devem permear a atuação dos profissionais que lidam diretamente com a pessoa humana. Para os trabalhadores da saúde, é indispensável um ambiente de trabalho onde a harmonia com as atividades realizadas e o entendimento com o cliente seja efetivo, pois sem condições humanas dignas para o desempenho da função e assistência adequada ao cliente, não há como garantir um serviço de qualidade.

 


De acordo com Brasil (2011), o Sistema de Saúde torna-se eficaz diante da qualidade do relacionamento humano estabelecido entre os profissionais e os usuários no processo de atendimento hospitalar. O que motivou a implantação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar que vem obtendo uma repercussão tão extraordinária, agregando esforços de Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde por todo o País. É preciso reforçar essa discussão, contribuindo para relembrar a necessidade do agir humanizado, revendo as virtudes humanas que naturalmente podem fluir de cada individuo se este for exercitado.

 


Nessa discussão é importante apresentar os valores éticos como fundamentos necessários para pontuar a importância que a humanização representa para a promoção da saúde. De acordo com Backes e Lunardi: A doença, muitas vezes, passou a ser o objeto do saber reconhecido cientificamente, desarticulado do ser que a abriga e no qual ela se desenvolve. Também, os profissionais da área da saúde parecem gradativamente desumanizar-se, favorecendo a desumanização de sua prática.

 


Desse modo, a ética, por enfatizar os valores, os deveres e direitos, o modo como os sujeitos se conduzem nas relações, constitui-se numa dimensão fundamental para a humanização hospitalar. (BACKES; LUNARDI, 2006, p. 2). Nesse Contexto poder-se-ia perguntar quais as estratégias podem ser utilizadas pela enfermagem visando uma assistência humanizada na unidade de emergência? Considerando o cuidado de enfermagem como uma arte por natureza humanizada, vemos que ao prestar o atendimento ao paciente, o enfermeiro já atua como um agente humanizador, pois o simples fato de atender a necessidade de alguém, já demonstra uma atitude humanamente correta, logo a enfermagem não tem que se humanizar, mas agir conforme a sua própria essência.

 


Conforme afirma Henriques e Barros (2011), a pessoa humana nasce com potencial para o cuidado e isso significa que todas as pessoas são capazes de cuidar. Evidentemente, essa capacidade será melhor ou menos desenvolvida de acordo com as circunstâncias em que for exercida durante as etapas da vida, por essa razão há a necessidade de conscientização dos profissionais envolvidos no processo do cuidado em saúde, sobre a importância do exercício profissional humanizado para o bem estar, não só do paciente, mas também dos próprios cuidadores. Esse potencial para o cuidado poderá ser eficientemente aproveitado, se houver uma valorização mais profunda da visão integral que constitui o ser humano.

 


Conforme afirma Deslandes (2002) há necessidade de cada vez mais aprofundar a discussão a cerca da saúde dentro de uma visão holística e humanística, visto que o respeito á individualidade das pessoas, da escuta, valorizando as crenças e da comunicação, são elementos básicos da humanização. A enfermagem ao prestar um atendimento ao cliente deve agir de forma holística, visando à promoção da saúde e o bem esta do paciente e sua família no âmbito biopsicossocial, assim minimizando o sofrimento da hospitalização, pois de acordo com Brasil (2009) "muitas são as dimensões com as quais estamos comprometidos no trabalho em saúde: prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfim, produzir saúde".

 


Na emergência o enfermeiro atua profissionalmente de acordo com a demanda de serviço ali ofertado e o processo tecnológico contribui com a eficiência no atendimento emergencial, entretanto a forma de gerenciar assistência de enfermagem neste setor acaba, afastando enfermeiro do seu verdadeiro propósito, que é garantir o apoio humanizado ao paciente, no processo de recuperação da saúde. Pois na emergência as atividades, muitas vezes, são desenvolvidas de forma não sistematizada, o que interfere na interpretação das reais necessidades do cliente, embutida na urgência que ele necessita.

Por esta razão o Ministério da Saúde construiu um roteiro de classificação de risco que contribui para tornar mais eficiente a assistência na emergência: Com a implantação do protocolo na emergência em 2001, o atendimento ao usuário, ficou segundo sua necessidade especificas: vermelho tem prioridade 0 requer atendimento imediato. Amarelo tem prioridade 1 urgência no atendimento o mais rápido possível. Verde prioridade 2 não urgente. Azul prioridade 3, consulta de baixa complexidade, atendimento por hora de chegada (BRASIL, 2009). Percebe-se a preocupação do Ministério da Saúde em padronizar os serviços de emergência, seguindo um roteiro classificatório de risco, para melhorar a assistência ao usuário do setor de urgência, e o serviço do profissional de saúde, dessa forma o processo de humanização encontrará um ambiente organizado e consequentemente favorável para o seu desenvolvimento.

 


Entretanto por ser a emergência um setor de alta rotatividade, torna-se necessário analisar cuidadosamente a questão de humanização nesta unidade, pois não se pode ignorar o fato de que a emergência exige do profissional atuante, habilidade técnica especifica, onde é prestado o primeiro cuidado ao cliente por se tratar de ser a porta de entrada de todo hospital. Sendo assim cabe ao profissional de enfermagem, conhecer os pormenores que constituem o conceito de emergência, para entender de que forma pode-se aplicar o processo de humanização, no referido setor.

 


Para compreendermos a importância da humanização na assistência de enfermagem em uma unidade de emergência buscou-se analisar qualitativamente os trabalhos publicados sobre o tema humanização na unidade de emergência, tendo como objetivo geral pontuar a importância da assistência de enfermagem humanizada na emergência. Partindo especificamente do conceito de humanização, descrevendo os fatores que interferem na atuação humanizada na unidade de emergência, identificando estratégias para assistir o cliente na emergência de forma humanizada, justifica-se a importância deste trabalho mediante a proposta de colaborar, com novas informações, que poderão auxiliar os profissionais e estudantes da área de saúde no processo de humanização da assistência na emergência.

 

Este trabalho utilizou-se do método qualitativo de revisão bibliográfica exploratória de trabalhos já publicados, tendo como local de busca os bancos de dados virtuais Scielo, Lilacs (Literatura Latina- Americano em Ciência de Saúde), e BVS (Biblioteca Virtual de Saúde), sendo considerados os artigos publicados entre o ano de 2000 a 2011. Foi utilizado também o manual PNHAH (Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar), criado pelo Ministério da Saúde em Maio de 2000, com intuito de contribuir para a humanização da assistência hospitalar, que em 2003 passou a se chamar PNH (Política Nacional de Humanização), e o Protocolo de Acolhimento e Classificação de Risco nos Serviços de Urgência do Ministério da Saúde (2009), que oferece orientação básica e parâmetros adequados aos gestores, profissionais de saúde e usuário do SUS.

 


Os descritores utilizados foram: humanização, assistência de enfermagem, emergência. Os artigos escolhidos foram lidos na íntegra e classificados de acordo com o tema, foram analisados, comentando e discutindo sua relação com o objetivo proposto neste trabalho. REVISÃO DA LITERATURA - DISCUSSÃO Para uma compreensão mais clara da importância que existe no processo de reumanização dos indivíduos que atuam diretamente no contato profissional com as pessoas que necessitam de assistência em saúde, é fundamental conhecer como se estruturou as instâncias responsáveis pela saúde dos pacientes desde sua formação mais recente e como o modelo implantado influenciou a assistência de enfermagem ao longo de sua trajetória. Segundo Siqueira citado por Maciak: O modelo vigente de ensino da medicina foi estruturado por Abraham Flexner no inicio do século XX.

 


Naquele modelo predominavam regras cartesianas, em que o corpo humano era dividido em inúmeros pequeno lotes de conhecimento, o que inviabilizava a percepção do homem na sua integridade, como um ser, ao mesmo tempo, biológico psicológico, cultural e social. Com essa extrema racionalizações da ciência foram sendo formados os especialistas, cada vez mais centrados na sua área de conhecimento, atentos somente aos aspectos quantitativos do processo saúde/doença e, por outro lado, ignorando o homem em toda a sua subjetividade. (SIQUEIRA, 2002 apud MACIAK, 2008, p 15).

 


Por essa razão foi surgindo uma geração de profissionais de saúde preocupados mais com o saber científico do que com aquele no qual esse saber seria aplicado e sem o qual a medicina não existiria, favorecendo ao processo de desumanização, toda vez que se afastavam das ciências humanas: Pois, se por um lado, o prestigio das ciências experimentais foi cada vez mais dominando a formação desse profissional, por outro lado, as ciências humanas foram ficando cada vez mais distantes, trazendo consequentemente a sua desumanização (SCHRAMM, 2006 apud MACIAK, 2008, p 16).

 


Dessa forma a enfermagem sofreu com a mudança significativa de sua essência, que é o cuidado humanizado, para uma atuação mais tecnicista e preocupado com o saber cientifico, abrindo mão dos fundamentos da profissão que garantem um cuidado digno e humano ao individuo debilitado: A forma de ver o ser humano na visão da medicina do século XX acabou por influenciar as outras áreas da saúde, como a enfermagem, que se inclinou para o lado tecnicista afastando-se do lado essencial da profissão que é o cuidar humanizado, contribuindo para o resultado que afirma Gallian: o processo de desumanização causa efeitos sociais, antropológicos, políticos e econômicos (GALLIAN, 2000 apud MACIAK, 2008).

 


Diante disso é fundamental a discussão, sobre o resgate da valorização da humanização da assistência de enfermagem, não só na emergência, mas em toda área de atuação desses profissionais que constituem maioria na área do cuidado em saúde, conforme afirma Maciak: O avanço do racionalismo tecnicista perdeu de vista o ser humano, trazendo consigo uma assistência á saúde fragmentada e mecanizada, com protocolos e rotinas para serem aplicados a todos os usuários do serviço de saúde, e, com isso, abandonou-se valores humanos, que necessitam ser resgatados para que a ciência seja realmente eficiente e resolutiva (MACIAK, 2008).

 

Historicamente a Enfermagem passou, desde a sua concepção como arte de cuidar, por vários processos de evolução e descobertas que ao longo dos anos inspirou aqueles que lidavam com o cuidado de enfermos e debilitados, como Florence Nightingale, que se tornou precursora da profissão no mundo, após demonstrar que o ato de cuidar de alguém que está debilitado exige do cuidador, além do conhecimento sobre a doença, um sentimento de empatia e amor fraterno por aquele que necessita de cuidados, assim a profissão evoluiu até se tornar ciência. A humanização não passou despercebida nesse processo, pois a preocupação com o bem-estar do paciente era objetivo principal das cuidadoras que prestavam a assistência aos enfermos.

Buscavam aliviar o sofrimento, através do diálogo e atenção, buscando minimizar a ansiedade e preocupação, devido à ignorância do paciente com relação à doença, estava sempre ao lado dos debilitados auxiliando em suas necessidades básicas, e tudo isso fundamentado em sentimentos humanizadores, que proviam de pessoas que desejavam ajudar ou prestar um serviço que refletisse amor e compaixão para com o próximo, conforme argumenta Mello (2008) "o que se percebe na área da saúde humana é a preocupação dos atores envolvidos em prestar ou receber atendimento de boa qualidade".

 


Mais uma vez se percebe a necessidade de atentar para uma discussão sobre a humanização, pois o que se vê nos dias atuais é um descaso com os valores humanos e sociais, valores esses que quando é aplicado de forma consciente e conjunta traz efetivas mudanças e resultados eficazes na assistência em saúde. Gallo e Mello (2009) concordam ao afirmar que "sendo assim, é necessário uma reflexão sobre humanização que vem sendo precariamente exercida em dias de hoje, predominando o avanço tecnológico e cientifico e, muitas vezes, fragmentando-se a atenção que deveria ser dispensada de forma mais humana."

 


Conceito de Humanização O conceito de humanização abrange um entendimento que esclarece em sua composição o propósito do ato de prestar uma assistência a quem necessita de cuidados. O enfermeiro tem participação direta nesse processo, pois atua em conformidade com a sua própria essência, pois cuidar de alguém debilitado, pode-se dizer que é o mesmo que agir de forma humanizadora, visto está auxiliando o individuo doente na busca pela promoção da saúde, por isso Brasil afirma: A humanização é entendida como valor, á medida que resgata á vida humana.

 


Abrange circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano. Esse valor é definido em função de seu caráter complementar aos aspectos técnicos - científicos que privilegiam a objetividade, a generalidade, a causalidade e a especialização do saber (BRASIL, 2001). Dessa forma o Ministério da Saúde define humanização como Um meio de resgatar o respeito à vida humana, levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano. A complexidade de sua definição decorre da sua natureza subjetiva, visto que os aspectos que a compõem têm caráter singular e sempre se referem a pessoas e, portanto, a um conjunto contraditório de necessidades (BRASIL, 2001).

 


Ao longo dos anos a humanização tomou forma como um fator decisivo para a retomada dos valores humanos perdidos, resultado de mudanças de paradigmas e descaso com os princípios da ética e regras morais, que regia com certa influência a conduta humana. Para entendermos o que vem a ser humanização, é preciso esclarecer que esse processo está naturalmente intrínseco na composição moral de cada pessoa, bastando apenas agir de conformidade com essa virtude natural. De acordo com Querubim citado por Almeida: Humanizar não é técnica, e sim um processo vivencial que permeia toda a atividade das pessoas que trabalham, procurando realizar e oferecer ao paciente o tratamento que este merece enquanto pessoa, dentro das circunstâncias peculiares em que se encontra em cada momento do hospital (QUERUBIM, 1980, apud ALMEIDA, 2003).

 


Dessa forma humanizar, não se resume apenas a uma atitude que se aplica quando no cuidado de enfermagem, presta uma atenção ao cliente, mas se caracteriza como um processo que gradativamente vai se aperfeiçoando a medida que nos relacionamos afetuosamente com o próximo, e este debilitado, considerando as circunstâncias que vive no momento de internação, como os temores, a ansiedade e preocupação com o seu futuro, dando-lhe o máximo de conforto, como enfermeiros, visando garantir a promoção da saúde desse individuo. Possuindo uma visão histórica da humanização Rios afirma que: Embora o termo laico 'humanização' possa guardar em si um traço maniqueísta, seu uso histórico o consagra como aquele que rememora movimentos de recuperação de valores humanos esquecidos ou solapados em tempos de frouxidão ética.

 


Em nosso horizonte histórico, a humanização desponta, novamente, no momento em que a sociedade pós-moderna passa por uma revisão de valores e atitudes. Não é possível pensar a humanização na saúde sem antes dar uma olhada no que acontece no mundo contemporâneo (RIOS, 2008). Encontra-se nessa afirmação uma das importâncias da humanização que contribui para a recuperação dos valores éticos e morais que ao longo dos anos se perderam, porém não deixaram de ser fundamentais para a sociedade que busca se estabelecer como civilização regida por regras de condutas.

 


Pode-se afirmar que a humanização apresenta as diretrizes fundamentais para a valorização institucional na área de saúde, através da retomada dos valores humanos e a metodologia auxiliar para a interação das competências técnicas e tecnológicas com a competência ética e relacional. Conforme Rios descreve: A humanização como movimento contra a violência institucional na área da saúde, como principio de conduta de base humanística e ética, como política pública para atenção e gestão do SUS, como metodologia auxiliar para a gestão participativa, como tecnologia do cuidado na assistência à saúde (RIOS, 2008). Por possuir em si mesma as diretrizes naturais para uma assistência de qualidade, a humanização requer exclusividade na atenção diante da execução de qualquer trabalho que objetive atender alguém debilitado ou necessitado de cuidados de saúde, pois de acordo com Brasil: A razão de existência de um hospital é cuidar da saúde da comunidade.

 


Esse cuidar acontece sempre dentro de um campo de relações em que nem tudo pode ser codificável e previsível, nem tudo pode ser respondido com técnicas objetivas e passíveis de se repetirem todo o tempo, da mesma forma. Está-se, portanto, em um campo em que estão presentes modos singulares de existência, requerendo, assim, uma atenção especial às formas de execução de qualquer trabalho (BRASIL, 2001).

 


Nessa perspectiva, percebemos que a valorização do ser humano é garantida pelo respeito e dignidade ao individuo dotado de direitos e deveres, o que contribui para a promoção de mudanças culturais nas instituições de saúde, através da formulação mútua de responsabilidades éticas e metodológicas, para atenção à saúde e o gerenciamento dos serviços, proporcionando ao usuário dos serviços de saúde, uma atenção pautada em princípios humanizadores, garantindo a recuperação do bem estar com qualidade, sem desvalorizar a pessoa humana.

 


Fatores que Interferem a Humanização na Emergência O enfermeiro da unidade de emergência deve possuir uma percepção aguçada das necessidades emergentes do paciente, pois este deve participar de treinamentos que lhe habilitem a interferir de forma emergencial, nos casos que deve assistir, porém essa urgência técnica, muitas vezes acontece sem a prática humanizada, por motivos diversos, entre eles a alta rotatividade de pacientes, as condições de trabalho e a desvalorização que desmotiva o profissional. Conforme afirmam Gallo e Mello (2009) "considera-se que o desenvolvimento tecnológico associado ao trabalho e às formas de organização da produção vem dificultando as relações humanas, tornando-as frias, objetivas, individualistas e calculistas, enfim, pouco humanas".

Diante disso percebe-se que um dos fatores que desfavorece a humanização nas instituições é a preocupação com a aplicação tecnológica e tecnicista, o modo de gerenciar as organizações, além da visão de obtenção do lucro nos processos de produção, que na área de saúde, deve ser voltada principalmente para a promoção da saúde do paciente, o que muitas vezes, não acontece. Gallo e Mello estão de acordo ao afirmar: Verificou-se mais que uma vez a presença da integralidade, em que os autores expõem que há necessidade da humanização dos cuidados no âmbito hospitalar e existe em um contexto social no qual alguns fatores têm contribuído para a fragmentação do ser humano, como alguém compreendido com necessidades puramente biológicas: na tecnologia, a visão de que é a equipe de saúde que detém todo o saber e não ter a percepção da integralidade do ser humano são exemplos destes fatores. (GALLO & MELLO, 2009).

 


No Brasil o processo de humanização ocorre através de mudanças gradativas e orientadas pelo Ministério da Saúde, para o favorecimento da implantação dessas medidas, que aos poucos está esclarecendo a importância que existe no profissional que ao contrário das máquinas e processos tecnológicos, atua de forma humanizada na assistência ao paciente em situação de emergência: No Brasil, o setor da saúde passou por várias e notáveis evoluções tecnológicas e cientificas. A ciência trouxe consigo a rapidez nas rotinas de trabelho, a economia de tempo de espaço e muitos outros recursos aplicados em beneficio do homem, porém não conseguiu substituir a pessoa que cuida (MACIAK, 2008).

 


A humanização da assistência de enfermagem na emergência, não acontece da noite para o dia, faz-se necessário conhecer os fatores que potencialmente tendem a interferir a implantação desse processo, na prestação do cuidado ao paciente. Uma vez que se saibam quais são esses fatores é preciso haver um planejamento para a implantação das medidas de humanização adotadas. Mas o que vem a ser emergência? Conforme Brasil (1995) percebe-se que o conceito de emergência pode ter duas conotações: o primeiro conceito refere-se aos clientes em situação de emergência e o segundo conceito trata dos locais onde estes clientes são atendidos:


1. Constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, intervenção imediata;
2. Unidade destinada à assistência de clientes em condições de emergência. Aponta-se então que a emergência é por natureza um setor que demanda habilidades técnicas, devido a sua apresentação como um setor em que as funções são exercidas com urgência, percebe-se a necessidade de obtenção de estratégias para a promoção da humanização nesse ambiente de trabalho.

 


Possuir apenas domínio técnico científico, não é suficiente, é preciso que o profissional possua em sua composição acadêmica, um histórico de formação fundamentado em valores éticos e morais que visam dignificar a pessoa humana, esse processo deve ser iniciado dentro do futuro agente de saúde, quando da sua decisão em seguir a carreira de profissional de saúde, tenha como objetivo maior, além da questão financeira, uma assistência ao ser humano debilitado de forma digna e respeitosa.
A atuação da enfermagem na emergência ocorre num envolvimento mais superficial com o paciente devido à alta rotatividade e demanda deste setor, o que compromete a atenção a saúde de forma holística e humanizada, além disso, agrava-se ainda mais a desumanização como consequência de uma formação profissional baseada em aplicação técnica e voltada apenas para o cientifico, por essa razão Palikowisk afirma que: As causas da 'desumanização' da saúde podem ser divididas em duas categorias: intrínsecas e extrínsecas.

 


As causas intrínsecas estão especificamente ligadas à atenção à saúde e também aos 'efeitos colaterais' desse processo. As causas extrínsecas são ligadas ao meio e a formação e conexão do profissional da saúde com a sociedade. Adotando essa logica, podemos relacionar que as causas intrínsecas são consequências das extrínsecas (PALIKOWISK 2002, apud MACIAK, 2008, p.16). Portanto a retomada dos valores humanos na assistência ao paciente poderá romper com os fatores desumanizadores, através da aplicabilidade de estratégias que garantam a implantação do processo de humanização da assistência de enfermagem na emergência.

 

Essa iniciativa poderá contribuir, através da educação em saúde e conscientização da comunidade, com a implementação do processo de humanização nas instancias de saúde, mediante a participação mutua de todos os envolvidos nesse processo. Estratégias para Assistência Humanizada Buscar estratégias para humanizar a assistência de enfermagem na emergência não constitui tarefa fácil, por esta razão o Ministério da Saúde estabeleceu diretriz, que traz parâmetros adequados para que os profissionais de saúde se conduzam de maneira eficiente na aplicabilidade de ações que favoreça a promoção da humanização neste setor.

 


Para estabelecer diretrizes que orientassem os trabalhadores da área de saúde no processo de humanização da assistência o Ministério da Saúde no ano de 2000 elaborou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), que em 2003 passou a se chamar Política Nacional de Humanização (PNH): O Programa Nacional de Humanização Hospitalar (PNHAH) propõe um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente o padrão de assistência ao usuário nos hospitais públicos do Brasil, melhorando a qualidade e a eficácia dos serviços hoje prestados por estas instituições.

 


Ao valorizar a dimensão humana e subjetiva, presente em todo ato de assistência à saúde, o PNHAH aponta para uma requalificação implementado dos hospitais públicos, que poderão tornar-se organizações mais modernas, dinâmicas e solidárias, em condições de atender às expectativas de seus gestores e da comunidade (BRASIL, 2007). Para Brasil (2011) há várias motivações que permeia o compromisso com a pessoa que sofre, bem como os cuidadores e destes entre si. Ouvir de forma holística não só o usuário como também o profissional de saúde pode se caracterizar como humanização hospitalar, mediante a promoção do diálogo.

 


Cabe a esta rede 'promover as ações, campanhas, programas e políticas assistenciais a partir da dignidade ética da palavra, do respeito, do reconhecimento mútuo e da solidariedade'. Vemos que a relação paciente/profissional de saúde ocorre muitas vezes limitada pela barreira da falta de empatia, pois onde não há diálogo talvez não haja mútua compreensão das partes, porém quando se estabelece um compromisso com a pessoa que sofre e esta com o profissional de saúde, através do dialogo e do interesse em prestar uma melhor assistência, fica fácil trabalhar a humanização neste ambiente, trazendo como resultado uma recuperação eficaz ao paciente.

Partindo dessa perspectiva, o PNHAH aponta diferentes parâmetros para a humanização da assistência hospitalar em três grandes áreas: [...] acolhimento e atendimento dos usuários; trabalho dos profissionais; lógicas de gestão e gerência. Esses parâmetros podem servir para o trabalho de análise, reflexão e elaboração de ações, campanhas, programas e políticas assistenciais que orientem um plano de humanização dentro de cada instituição, cada município, cada estado ou mesmo em todo o País (BRASIL, 2011).

 


Estes parâmetros contribuem para a universalização das ações, que não devem ficar apenas limitadas aos gestores o/ou profissionais de saúde, mas também a participação da comunidade, dos usuários dos serviços do SUS, trazendo resultados eficientes para a melhoria da assistência da própria comunidade usuária da emergência. O processo de humanização na emergência se enquadra como um desafio para a assistência de enfermagem, que atua diretamente com o paciente.
Para Backes e Lunardi (2006), a humanização então, requer um processo reflexivo acerca dos valores e princípios que norteiam a prática profissional, pressupondo, além de um tratamento e cuidado digno, solidário e acolhedor por parte dos profissionais da saúde ao seu principal objeto de trabalho o doente/ser fragilizado uma nova postura ética que permeie todas as atividades profissionais e processos de trabalho institucionais. Segundo Gallian: Existe grande necessidade de rehumanizar a saúde, de desenvolver e fornecer recursos humanísticos para a formação e atuação dos profissionais de saúde.

 


Diz que só se pode falar em verdadeira evolução do conhecimento bioclínico, quando se procura a integração dos saberes que extrapolam o campo físico-experimental. As causas de toda mudança de relação dos profissionais com o paciente tem relação com as descobertas cientificas e com a busca da espiritualidade (GALLIAN, 2000 apud MACIAK 2008). Dessa forma a educação em saúde deve estar fundamentada em parâmetros humanísticos e valores sociais indispensáveis, para uma atuação holística e essencialmente humanizada, conforme argumenta Brasil: Nossas ações não deverão se restringir à busca de melhorias na instituição hospitalar, mas também estender-se, também, à formação educacional dos profissionais de saúde - atualmente bastante deficiente no que se refere à questão da humanização do atendimento.
É no processo de formação que se podem enraizar valores e atitudes de respeito à vida humana, indispensáveis à consolidação e à sustentação de uma nova cultura de atendimento à saúde A utilização competente e eficaz das técnicas empregadas no atendimento à saúde deve estar associada a uma forma de atendimento que considere e respeite a singularidade das necessidades do usuário e do profissional. Esta disposição para consideração e respeito da singularidade exige sempre algum grau de adaptação e mudança; em contrapartida, abre espaço para a criatividade tão fundamental no atendimento humanizado. (BRASIL, 2001).

 


No processo de formação do profissional de saúde, não se deve negligenciar as disciplinas que visam o conhecimento das relações humanas, deve-se enfatizar a ética humana e o respeito às dignidades tão importantes quanto conhecer a fisiologia humana, a patologia ou anatomia, como pré-requisitos fundamentais para o exercício da profissão de forma humanizada, pois a enfermagem tanto quanto ciência é também a arte de cuidar do enfermo, de zelar pela integridade física, contribuir para o restabelecimento do corpo doente, e apoiar psicologicamente o paciente que tem ao seu lado o enfermeiro, é preciso humanizar o profissional desde a sua formação.

 


CONCLUSÃO
Baseado nos autores percebeu-se que os profissionais da equipe de saúde, atuante na emergência muitas vezes, encontram-se sobrecarregados gerando acúmulo das tarefas, tendo que cumprir normas e rotinas pré-estabelecidas, e o uso do avanço tecnológico têm levado ao profissional de enfermagem a executar as tarefas de maneira fria e mecânica, afastando o profissional da essência do seu papel, o cuidar humanizado. As publicações também evidenciam que há necessidade de pensar na humanização dos profissionais, dando-lhe a real valorização, motivação e respeito isto baseado na ética e moral, para daí se pensar em humanizar a emergência.
Neste sentido apontamos como estratégias a conscientização do ponto de vista ético e moral de todos os agentes envolvidos no processo de promoção da saúde, inclusive o paciente, através da avaliação da assistência recebida na emergência, isso inclui a capacitação coletiva de todos os profissionais, e seus gestores, baseado em estudos contínuos, a partir da sua formação profissional até a atuação na emergência. Sugere também mais desempenho das políticas públicas de saúde através da valorização dos profissionais, de acordo com o desempenho de suas funções, e promoção de campanhas voltada à humanização da assistência, baseado no Programa Nacional de Humanização e o Protocolo de Classificação de Risco na Emergência do Ministério da Saúde, para que com isso a verdadeira humanização da emergência venha a acontecer.

 


Este trabalho não tem como pretensão encerrar em si mesmo a busca por soluções para o processo de humanização, mas contribuir, mediante a abordagem de trabalhos publicados sobre o tema, com informações relevantes para a comunidade, estudantes e profissionais de saúde. Concluiu-se que humanizar a assistência de enfermagem na emergência é um desafio, entretanto, possível e essencial na prática da enfermagem.

 



REFERÊNCIAS
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Lucas Silva Mascarenhas
Bacharel em Enfermagem pela Estácio Fib, Pós Graduando em Docência do Ensino Superior pela Universidade Salvador - UNIFACS Laureat Universities.
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