A enfermagem na prevenção do câncer de próstata

A enfermagem na prevenção do câncer de próstata
ENFERMAGEM
A próstata é um órgão formado pelos sistemas urinário e genital masculino que no indivíduo jovem a adulto pesa entre 10 a 20 gramas. Ela desempenha importante papel na fase reprodutiva do homem, pois produz parte do líquido seminal atuando na nutrição e como meio de transporte dos espermatozóides. Nela são encontradas glândulas microscópicas na sua estrutura interna.

No câncer de próstata (CP), as glândulas mais próximas da superfície externa sofrem degeneração e se transformam em células cancerosas. Já um tumor benigno significa uma massa localizada que se multiplica vagarosamente que é constituída por células bem semelhantes às que o originaram.

O CP é um dos tipos de tumores que os homens idosos estão mais propensos a contrair. Nos estágios iniciais, a doença permanece localizada na próstata e não causa perigo de vida, visto que sem tratamento ele se espalha para os tecidos circundantes. Geralmente ele progride muito lentamente, e exames físicos, incluindo o exame retal, normalmente garantem a detecção imediata do problema.

Ainda são discutidas as causas do CP, porém sabe-se que alguns fatores, tais como a transmissão genética e os hormônios masculinos (cerca de 5 a 10% dos casos, chegando a 8,2% no caso de predisposição familiar por descendência de portadores de CP) podem aumentar as chances do seu desenvolvimento(1). Existem outros fatores de risco conhecidos, que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença. No CP, podemos citar: a idade acima dos 50 anos, raça negra, alimentação inadequada, vida sedentária, obesidade.

A incidência de CP aumentou e atingiu níveis epidêmicos, sendo a segunda causa principal de óbito entre os homens que morrem de câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o número de casos novos de câncer de próstata estimado para o Brasil no ano de 2010 será de 52.350 e serão válidas também para o ano de 2011.

Estes valores correspondem a um risco estimado de 54 casos novos a cada 100 mil homens. Em termos de valores absolutos, o câncer de próstata é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de câncer(2).

A taxa de mortalidade ainda é considerada reduzida se comparada a outras neoplasias, porém sua incidência vem aumentando a cada ano. Devido à falta de prevenção dessa população, muitos casos que poderiam ser solucionados em fase inicial são encontrados em um estágio com poucas chances de cura. A falta de conhecimento é um dos fatores sobre a doença que impede uma maior adesão dos homens na prevenção do CP.

Os métodos de rastreamento disponíveis atualmente, como o Antígeno Específico Prostático (PSA), mostram níveis sanguíneos alterados com maior ou menor intensidade. Esse exame é um sinal de alerta.

O toque retal é o exame que os homens a partir dos 40 anos devem realizar pelo menos uma vez por ano. Neste exame, o médico pesquisa o tamanho, consistência, pontos endurecidos dolorosos e mobilidade do órgão. Para o diagnóstico, o exame de toque é imprescindível, pois a cada dez casos de CP, quatro têm o PSA normal(2).

O exame da testosterona, hormônio masculino responsável pelo crescimento e virilização do homem, pode ser realizado para colaborar no diagnóstico desse câncer, já que ele pode alterar o crescimento da próstata.

Este estudo buscou averiguar o nível de conhecimento e o comportamento dos homens, usuários da Unidade de Saúde Zona Leste do município de Paranavaí, quanto ao câncer de próstata e a sua prevenção. Existe grande necessidade de trabalhar com a saúde do homem, na melhoria das condições de saúde, contribuindo, de modo efetivo, para a redução da morbidade e mortalidade dessa população, sendo que esse câncer representa um sério problema de saúde pública no Brasil.

Além de descrever sobre os resultados obtidos em relação ao câncer de próstata, será enfatizada a prevenção da doença na atuação do profissional enfermeiro nos níveis de atenção primária, visando à promoção da saúde, e secundária, com ações de diagnóstico e tratamento simplificado.

METODOLOGIA

Os instrumentos utilizados para o desenvolvimento desse estudo foram: a pesquisa de campo associada à pesquisa bibliográfica de caráter exploratório e descritivo e abordagem quantitativa.

Trata-se de uma pesquisa de campo, pois procede à observação de fatos e fenômenos exatamente como ocorrem no real, à coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e interpretação, objetivando compreender e explicar o problema pesquisado(3). É também de modalidade bibliográfica já que procura explicar um problema à partir de referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos que se relacionam com o tema pesquisado(3:25).

Quanto aos objetivos, a pesquisa se classifica em exploratória, pois proporciona maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explicito ou a constituir hipóteses(4:41). Apresenta-se também como descritiva, pois descreve as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis(4:42).

A abordagem metodológica é do tipo quantitativa, já que traduz em números as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas. É um estudo com procedência de dados de fonte primária e secundária.

O ambiente de estudo foi a Unidade Básica de Saúde Zona Leste (UBS) localizada no município de Paranavaí – Pr. A escolha do local firmou-se devido ao acesso facilitado por estar inserida no meio de trabalho da instituição, pela área de abrangência representar uma população numerosa e de ter variáveis níveis de condições de vida.

Foi aplicado um questionário contendo 12 perguntas fechadas de múltipla escolha, que foi respondido por uma amostra de 50 homens com idade acima de 40 anos, usuários da unidade.

Para realização do estudo, foi solicitada a autorização das instituições: Núcleo Integrado de Saúde (NIS) Central e da UBS Zona Leste de Paranavaí, onde foi realizado
o trabalho em questão, por meio da Declaração de Permissão para Coleta e Utilização de Dados, devidamente assinadas, sendo que cada instituição recebeu uma cópia do projeto de pesquisa e do termo de autorização.

Aos participantes foi utilizado questionário elaborado pelas autoras, conforme os objetivos do estudo, procurando conhecer o perfil da população estudada, seu conhecimento sobre o assunto, seu comportamento de saúde e questões abordando o interesse por mudanças no comportamento de prevenção do câncer de próstata.

O levantamento de dados pôde definir o conhecimento dessa população em relação ao câncer de próstata e sua prevenção e sobre o comportamento de saúde realizado.

Os dados quantitativos coletados foram analisados e classificados por meio de médias e porcentagens e demonstrados através de figuras em planilhas do software Excel
2007. A análise e interpretação dos dados passaram por um processo criterioso, e sua compreensão constituiu o núcleo central do estudo. Posteriormente, foi desenvolvido o artigo científico com a representação dos resultados obtidos.

Foram respeitados os princípios da Resolução do Conselho Nacional de Saúde 196/96 que refere sobre a pesquisa envolvendo seres humanos(5). Após solicitar a participação no estudo, com devido esclarecimento dos objetivos do estudo, orientação quanto às opções de realizar ou não a pesquisa sem sofrer prejuízo, com o compromisso de garantir anonimato das informações, os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (COPEP) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pelo parecer n° 249/2011.
RESULTADOS E DISCUSSÃO

População alvo

A amostra foi constituída por 50 indivíduos do sexo masculino, com idade variando entre os 40 e mais de 70 anos, sendo que 42% dos participantes são da faixa etária entre 60 e 69 anos, conforme mostra a figura 1. Mais do que qualquer outro tipo de neoplasia, o câncer de próstata é considerado o câncer da terceira idade, é um dos tipos de tumores que os homens idosos estão mais propensos a contrair, uma vez que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos(6).

Devido às transformações biológicas, demográficas, socioeconômicas, comportamentais e ao desenvolvimento tecnológico, por meio das mudanças de estilo e condição de vida, aumentou-se a longevidade da população. Assim, uma das preocupações em saúde pública é o elevado crescimento da população idosa, que no caso do CP em homens, está relacionado ao aumento do número de casos da doença.

Para confirmação do diagnóstico de CP é necessário a realização de exames de detecção, sendo hoje esse câncer considerado uma enfermidade do mundo moderno, pois além de ser frequente, ele é a causa direta ou indireta de elevado número de óbitos.

Quanto ao estado civil, a maioria dos homens são casados (78%). O nível de instrução escolar é variável, porém observa-se um baixo nível de escolaridade conforme os dados: 28% concluíram o 1º grau completo, 20% sabem apenas ler e/ou escrever, 16% possuem o 1º grau incompleto e 6% são analfabetos. Portanto 70% da amostra têm no máximo até o 1º grau completo. Podemos notar que a maioria não deve possuir o conhecimento necessário sobre o câncer de próstata e suas formas de prevenção.

A baixa escolaridade mostra ser um fator de risco para o câncer de próstata e para outras doenças. Devido ao despreparo educacional quanto à importância das doenças, à falta de informação, muitas pessoas não aceitam certos conceitos sobre elas e a prevenção das mesmas; são mais difíceis de trabalhar com a educação em saúde, podendo estar mais sujeitos a uma morte pelo desencadeamento de um câncer.

Existe uma tendência de maiores taxas de adoecimento e mortalidade por doenças potencialmente preveníveis na população de baixa escolaridade e de baixa renda e, portanto, com menor acesso aos benefícios da prevenção e tratamento(7).

Há autores que associam falta de informação sobre a prevenção ou sobre o tratamento do câncer de próstata a baixos níveis de escolaridade e apontam que a desinformação atinge em maior intensidade a população masculina com menor nível de escolaridade e poder socioeconômico, o que demanda ações educativas voltadas principalmente para este grupo(8).

Conhecimento acerca do câncer de próstata e métodos preventivos

Em relação ao conhecimento que essa população tem sobre o câncer de próstata, 26 entrevistados (52%) afirmaram saber o que é a doença, 7 (14%) não tem conhecimento sobre o assunto e 17 (34%) já ouviram algo a respeito, mas não sabem ao certo explicar seu conceito.

Questionados quanto à prevenção do câncer de próstata, 16 (32%) relataram conhecer os meios de prevenção, 18 (36%) não conhecem nenhuma forma e outros 16 (32%) têm conhecimento sobre algum meio de prevenção.

Pouco mais da metade dos participantes relataram ter conhecimento sobre o CP, mostrando um índice não muito satisfatório em termos do saber sobre a doença. Não conhecer sobre o esse problema de saúde ou ter conhecimento escasso sobre o mesmo, torna-se um dado preocupante em consequência do baixo nível apresentado.

Mesmo os que dizem ter sabedoria sobre a doença, observou-se que uma quantidade ainda menor desconhece os meios de prevenção do CP, demonstrando que deve haver um número relativamente baixo quanto à realização dos exames preventivos, devido a falta de conhecimento sobre a importância da próstata.

Quando abordados sobre os exames de prevenção, os entrevistados tiveram respostas com mais de uma alternativa. Totalizando então quatro itens marcados nessa questão, em que 39 homens conhecem o PSA (Antígeno Específico Prostático), 33 o exame digital do toque, 12 o exame de testosterona e 10 desconhecem ambos.

O exame de sangue (PSA) é o mais conhecido entre os homens. Trata-se de uma substância produzida pela próstata, cuja função é liquefazer o coágulo seminal. Nos homens normais, apenas minúsculas quantidades de PSA circulam no sangue. Níveis elevados de PSA ocorrem por alguma alteração nos níveis sanguíneos, particularmente com a ruptura das células prostáticas, em associação com câncer, tanto localizados quanto avançados.

Mais da metade da amostra conhece o exame digital de toque retal, que juntamente com o exame de PSA podem diagnosticar o CP. No toque retal, o reto é a única via natural de acesso para tocar na próstata. Este toque serve para se fazer o diagnóstico precoce do tumor e se encontrado, após tratamento cirúrgico, leva à cura em grande número de casos.

Já o exame de testosterona é conhecido por 24% dos homens. A testosterona é um dos hormônios masculinos produzidos nos testículos e em pequena porção nas glândulas supra-renais, ela funciona como um "combustível", que se liga a um receptor na membrana das células e estimula o crescimento da próstata e, no caso da neoplasia instalada, do tumor(9). Esse exame não é tão conhecido pelas pessoas em geral, mas é um aliado no diagnóstico do CP por mostrar alterações no tamanho do órgão.

Constatou-se que 20% dos homens desconhecem todos os exames de prevenção e rotina do CP. Esse fato deve-se a baixa escolaridade da maioria dos participantes, que muitas vezes dificulta o acesso as informações, além da falta de orientação e divulgação da doença. Hábitos e comportamento de saúde

O exame de sangue (PSA) é mais comumente aceito pela população em estudo, por ser de fácil acesso, mais conhecido no meio e de não ocasionar nenhum tipo de constrangimento ao homem.

A maioria dos participantes entrevistados (66%) marcaram que já realizaram o exame de PSA, entretanto, somente a realização desse exame não pode ser usada para a observação de um diagnóstico de câncer.

Esse exame não mostrou, até o momento, sucesso em reduzir a mortalidade, além de levarem a muitas cirurgias desnecessárias, causando prejuízos tanto financeiros, quanto em qualidade de vida(2).

Apenas 16% realizam o toque retal, sendo que este não é um exame "antigo" ou "superado"; não compromete a masculinidade nem é indigno como os homens pensam. Nenhum outro exame fornece as informações do toque retal.

Levar em conta as possíveis arranhaduras da masculinidade não significa desconsiderar a possibilidade de que tal exame possa ser subjetivado tanto pelos médicos como pelos homens em geral, fazendo com que tal medida seja percebida e vivenciada de forma diferenciada(10).

Quanto o exame de testosterona, 10% fazem; o hormônio masculino em altos níveis parece contribuir para aumentar o risco de alguns homens.

Estudos indicam que a redução da testosterona por meio de um bloqueio parcial pode diminuir a incidência do CP, sendo o uso da finasterida, medicamento que tem o efeito de bloquear a enzima redutase, responsável pelo processo de quimioprevenção.

Dos voluntários, 32% não se previnem com nenhum dos exames de diagnóstico citados. A figura 3 mostra a relação entre o conhecimento e a realização dos exames de prevenção.

Em relação à própria saúde, a população do sexo masculino não se cuida o suficiente como deveria. Em geral, procura por atendimento apenas quando considera estar realmente doente ou impossibilitado de realizar suas atividades. Dificilmente o homem tem um comportamento de preocupação em realizar a prevenção de doenças, não dando a devida importância a esse cuidado.

Um dos aspectos mais difíceis no que diz respeito à prevenção de doenças é convencer um indivíduo assintomático de que ele é um potencial candidato a ter câncer caso não adote hábitos salutares sugeridos em campanhas de prevenção(11).

A influência que a dieta pode exercer sobre a origem do câncer ainda é duvidosa, não sendo conhecidos os exatos componentes ou através de quais mecanismos estes poderiam estar influenciando o desenvolvimento do CP. Para maior proteção, uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, chá verde, selênio, vitaminas do tipo A, D e E, licopeno e ômega-3, podem ajudar a diminuir o risco de câncer.

As frutas, legumes e verduras colaboram na manutenção do corpo e a fortificar o sistema imunológico, eles também contêm compostos biologicamente ativos, que ajudam a proteger o organismo de condições que podem levar ao câncer.

Uma alimentação com base em gordura animal, carne vermelha e cálcio tem sido associada ao aumento no risco de desenvolver a neoplasia, pois atua como promotora da doença. Alguns estudos apontam a obesidade como fator de risco para a mortalidade por CP.

As estimativas apontam que cerca de 30% a 60% de todos os cânceres em homens e mulheres, tenha relação com a dieta e nutrição(12). Principalmente em países asiáticos, onde a população possui uma alimentação com baixo teor de gordura ou é vegetariana, a taxa de incidência de CP é relativamente pequena, recomendando-se assim a ingestão de pouca gordura.

A ingestão abundante de tomate e seus derivados parece diminuir de 35% os riscos de câncer da próstata, segundo estudo realizado na Universidade de Harvard. O efeito benéfico do tomate resultaria da presença de grandes quantidades de lycopene (licopeno), um b-caroteno natural precursor da vitamina A.

Finalmente, complementação dietética com vitamina E (800 mg ao dia) e com selenium (200 µg ao dia) talvez tenha um efeito protetor contra o câncer da próstata, de acordo com dados do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova York(13).

No estudo em questão, 54% dos homens questionados sobre a alimentação consideram não ter uma dieta saudável e balanceada e 48% referem se alimentar de forma correta e equilibrada. É preciso informar que ainda não é possível evitar o câncer, mas que medidas preventivas como a dieta, atividade física e controle do peso são muito eficazes na diminuição do risco do seu desenvolvimento.

A informação como instrumento de prevenção ao CP: mudança do comportamento da população entrevistada

Questionados sobre os motivos da não realização dos métodos preventivos, 60% dos participantes afirmam que é devido à falta de conhecimento que eles têm sobre o assunto. O principal problema continua sendo a desinformação: em geral, o brasileiro desconhece a importância da próstata. Esse desconhecimento faz com que os casos de câncer sejam diagnosticados em fase avançada, reduzindo as chances de cura.

Outros motivos que são frequentes são a vergonha e o medo mencionados em 42% e 38% das respostas, respectivamente. Ambos estão relacionados à exposição dos homens a uma situação constrangedora, um grande obstáculo para os que precisam realizar o exame de toque retal. A invasão de privacidade do sujeito, mesmo considerando que o exame será realizado por um profissional de saúde, causa sofrimentos físicos e emocionais.

Principalmente o medo do toque retal, pelo fato de envolver penetração e pode estar associado à dor, tanto física quanto simbólica, sendo tido como uma forma de violação. Todavia, 34% consideram que a realização dos exames é desnecessária, demonstrando que a falta de conhecimento da real importância do CP e dos exames preventivos influencia na opinião dessa população.

Conforme amparo legal das leis: lei nº 10.289, de 20 de setembro de 2001 (que institui o Programa Nacional de Controle do Câncer de Próstata), artigo 4º Inciso II e da portaria nº 467 MS/SAS, de 20 de agosto de 2007, todo homem com mais de 40 anos de idade tem direito a realizar gratuitamente na rede do SUS (Sistema Único de Saúde) exames para diagnóstico de câncer da próstata(14); porém 14% dizem encontrar dificuldades para marcar os exames, portanto não o fazem. 4% dizem ter algum preconceito/tabu.

O preconceito contra o exame foi uma das categorias menos citadas entre os motivos para não realização dos exames. É provável que nem sempre foram confirmadas pelos sujeitos em estudo.

Aos participantes foi perguntado caso eles tivessem maior conhecimento sobre o CP, tendo informações sobre as causas, conseqüências da doença, meios de prevenção, entre outras questões relevantes sobre o assunto, se dessa forma haveria maiores chances deles realizarem os exames preventivos de rotina.

Na amostra, 49 indivíduos de um total de 50, responderam que sim; apenas uma pessoa disse que não realizaria os exames mesmo conhecendo a doença. Esse dado representa que se houver um trabalho educativo com essa população, uma boa parte tende a se interessar mais pela própria saúde, de modo a começar a aderir mais aos exames de prevenção de CP, além de se cuidar mais em relação a outras doenças.
Através do médico, 80% dos homens buscam ou buscariam maiores informações sobre o CP. O médico é o profissional de saúde que indica a realização de exames de CP, é ele que realiza o exame digital do toque e que informa o diagnóstico clínico do paciente.

O enfermeiro foi citado por apenas 18%. A população em geral ainda não enxerga o enfermeiro como o profissional que tem grande conhecimento sobre vários aspectos da saúde, entre eles o CP. Isto nos leva a refletir sobre a importância da comunicação como meio de obter a confiança do paciente para um efetivo trabalho de educação em saúde.

O enfermeiro está apto a orientar qualquer paciente sobre a doença, até mais que o médico, devido ao tempo despendido ao se tratar de um assunto de importância para a saúde do homem e por se tratar de um tema que envolve conceitos, sentimentos, comportamento abrangendo questões culturais.

A televisão e a internet representam juntas 24% do acesso à informação sobre saúde. Enquanto a mídia tem um papel comunicador, de divulgação; a família e os amigos
desempenham o papel de influenciadores: 32% dos homens buscam ouvir seu cônjuge e 30% os amigos. O estudo representa que 39 (78%) homens são casados, mostrando a ascendência e a motivação que a mulher desempenha na prevenção dos homens.

A mulher seja esposa ou companheira, mães, filhas, enfim, possuem contato direto com a população masculina, sendo as que mais influenciam na procura por um médico para prevenir e tratar o CP, não havendo justificativa para a não abordagem deste público.

A orientação sobre o CP foi considerada a opção de maior escassez para a não adesão da população masculina quanto aos exames preventivos, sendo que 76% opinam que essa é a intervenção que lhes carece primordialmente; seguida da divulgação com 28% de manifestação. Mesmo com a realização de campanhas de prevenção da doença, ainda assim, a divulgação e orientação não são tão representativas como no caso de outras doenças que são mais visadas nos meios de comunicação e na comunidade.

Da amostra obtida, 22% dos homens mencionaram que possuem algum tipo de conceito errôneo e/ou medo quanto à doença, mostrando que existem muitas inseguranças em relação à sexualidade, masculinidade, crenças; aspectos do imaginário masculino que precisam ser debatidas para a elaboração de uma assistência no campo da prevenção. Somente um indivíduo conta que não pretende realizar a prevenção mesmo tendo instrução sobre a enfermidade. É preciso alcançar novos paradigmas a respeito da desmistificação relacionados à saúde do homem.

A enfermagem atuante no processo de prevenção do câncer de próstata

O enfermeiro, como membro da equipe multidisciplinar de saúde, tem condições de atuar não só nas atividades de controle da doença, mas também na implementação de medidas preventivas contra o câncer(15).

Em programas de prevenção, o enfermeiro, juntamente com a equipe de saúde, poderá planejar sua atuação nos diferentes níveis de atenção a saúde. Em Unidades Básicas de Saúde, na Estratégia Saúde da Família e, também em clínicas, hospitais e outras instituições, pode-se trabalhar principalmente com os níveis de atenção primária e secundária. Primário, que visa à promoção da saúde, resultando no aumento do bem-estar global e na proteção específica direcionada a um tipo de doença.

As medidas tomadas para a promoção da saúde são de origem geral e incluem, entre outras atividades, educação e motivação sanitárias, saneamento, habitação, informação, alimentação adequada, divulgação e trabalhos comunitários. Secundário, que envolve ações para o diagnóstico precoce e tratamento simplificado, como por exemplo, a investigação para o rastreamento de determinada doença na comunidade, exames seletivos e procedimentos terapêuticos imediatos. As medidas de prevenção primárias e secundárias associadas podem reduzir a mortalidade dos cânceres em geral, em aproximadamente 15% dos casos(16).

É de responsabilidade do enfermeiro desenvolver atividades educativas, por meio de ações individuais e/ou coletivas com o população masculina sobre o CP, é por meio de reuniões, palestras, orientações e também através das consultas de enfermagem, fazendo uso de linguagem que não prejudique a comunicação e o entendimento do indivíduo. A educação para a saúde, a forma de como conduzir o paciente ao bem estar pelo auto-cuidado por meio da consulta de enfermagem, é uma forma de ensino e aprendizagem que potencializa os cuidados e a manutenção da saúde.

Durante a consulta é preciso esclarecer sobre a importância, a periodicidade e a técnica dos exames a serem realizados, visando reduzir a ansiedade, aumentando o conhecimento sobre o CP e os meios preventivos, e conseguindo maior colaboração na adoção dos métodos preventivos. A consulta ainda possui particularidades por abordar informações íntimas, podendo levar ao constrangimento do cliente, exigindo do profissional uma postura ética e a criação de vínculo baseado no respeito e confiança.

A falta de atenção com a saúde da população masculina deixa-os mais suscetíveis a desenvolver várias enfermidades, entre elas o CP. Essa patologia pode ser evitada ou minimizada através de um diagnóstico precoce com a realização de exames periódicos de prevenção. A prevenção e a detecção precoce, estratégias básicas para o controle do CP, têm como pré-requisito essencial de uma combinação de constantes, persistentes e dinâmicas atividades educativas para os homens, de acordo com seus padrões de valores e educação, entre outras variáveis(17).

Assim os enfermeiros devem agir como educadores, esclarecendo as dúvidas, orientando quanto à doença, elevando o nível de conhecimento dessa população e conscientizá-los sobre o valor da realização dos exames preventivos e das consultas periódicas.

É através da busca ativa e das visitas domiciliares que a enfermagem pode investigar um domicílio, que na avaliação dos indivíduos pode encontrar homens com risco da doença, que não possuem discernimento sobre o assunto, que tem medos e dúvidas sobre o tema, na pretensão de promover ações de promoção e prevenção direcionadas a eles.

Boa parte dos fatores de risco para o CP depende do comportamento de saúde de cada sujeito, sendo que esta pode ser modificada de forma significativa pelo enfermeiro. Por isso, a conscientização é fundamental para ajudar os homens a criar o hábito de consultas e exames periódicos. A melhor opção de prevenção são os hábitos de vida saudáveis.

A maioria dos homens ao buscar atendimento, já o procura quando sua condição de saúde está a nível sintomático, ou seja, necessitando de especialistas, pois já está com a morbidade instalada. Portanto, essa ação exige mudanças culturais no intuito de quebrar conceitos construídos ao longo do tempo, além de contribuir para a mudança de comportamento do homem sobre a importância de adotar medidas preventivas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos resultados obtidos com o estudo foi observado que a falta de conhecimento sobre a doença e os meios preventivos impede uma maior adesão dos homens na realização da prevenção do câncer de próstata. Em relação à própria saúde, o homem não se cuida o suficiente como deveria. Em geral, procura por atendimento apenas quando considera estar realmente doente ou impossibilitado de realizar suas atividades. Dificilmente o homem tem um comportamento de preocupação em realizar a prevenção de doenças.

O estudo revelou a necessidade de estar investindo tempo e intervenções para o cuidado e atenção à saúde masculina. Existe interesse mútuo na preocupação do CP entre os homens, mas a falta de conscientização sobre o tema prejudica a adesão da prevenção. Apesar de grande parte não ter o conhecimento que é preciso para aderir aos cuidados, eles sentem a privação de maior orientação e divulgação sobre esse ponto. Como consequência dessa falha aumenta a probabilidade de complicações, em função do diagnóstico tardio.

O profissional enfermeiro não se mostrou tão representativo na procura pela população masculina para obtenção de informações sobre o CP, sendo que o médico foi o mais citado, além de outras pessoas e meios que também se sobressaíram e mostraram influencia mesmo sem o conhecimento específico sobre a doença. Dessa forma, a enfermagem necessita planejar meios de se fixar como profissional que tem predomínio sobre a demanda desse conjunto de pessoas, para poder trabalhar efetivamente na promoção e prevenção desse câncer.

O conhecimento parece ter sido fator decisivo na adoção de boas práticas de saúde e também nas atitudes frente aos exames preconizados. Este aspecto dos resultados fortalece com a lógica do modelo CAP (conhecimento, atitudes e práticas), que pressupõe que comportamentos em saúde prendem-se a um processo sequencial: a aquisição de um conhecimento correto leva a uma atitude favorável que, por sua vez, pode conduzir às práticas saudáveis(18). Seja uma das características que favoreça mudanças positivas de comportamento, embora se reconheça que não seja o único fator determinante de práticas em saúde.

A saúde do homem merece grande atenção, devendo-se dar atenção para as particularidades que envolvem o sexo masculino como: medos, preconceitos, dúvidas, inseguranças, impotências, resistência e desesperanças. As modificações dependem também, de mudanças no estilo de vida individual, do desenvolvimento de ações e regulamentações governamentais, de mudanças culturais na sociedade e dos resultados de novas pesquisas.

Portanto, a prevenção é um caminho muito importante na saúde do homem, e eles devem conhecer mais sobre a sua saúde e os riscos do câncer de próstata. O enfermeiro não deve perder as oportunidades de abordagem ao homem, aproveitando as situações cotidianas da assistência de enfermagem. Por meio de um melhor atendimento nessa área, a Enfermagem pode estar conseguindo uma maior adesão da classe masculina na realização de exames preventivos, melhorando a qualidade de vida dessa população.

Viviane Miyuki Seko
Graduação em Enfermagem pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí(2011). Tem experiência na área de Saúde Coletiva. Cursando especialização em Enfermagem do Trabalho pela mesma instituição.
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