Portadores de HIV - Testes laboratoriais

Portadores de HIV - Testes laboratoriais
EDUCACAO-FISICA
O ACSM (2007) indica alguns testes laboratoriais pré-exercício de acordo com a classificação do praticante.

Indivíduos aparentemente saudáveis ou sem doença conhecida:

• Colesterol total sérico em jejum, LDL-colesterol, HDL-colesterol e triglicerídeos;
• Glicose sanguínea em jejum (indivíduos ≥ 45 anos e mais jovens com IMC ≥ 25 kg/m2 e se possuem fatores de risco para o diabetes mellitus 2);
• Função tireoidea, especialmente em caso de dislipidemia.

Indivíduos com doença cardiovascular conhecida ou suspeitada:

• Testes anteriores acrescidos de exames laboratoriais cardiovasculares;
• Ultrassonografia carotídea e outros exames vasculares periféricos;
• Radiografia de tórax em caso de suspeita de insuficiência cardíaca congestiva;
• Estudos bioquímicos de sangue e hemograma completo.

Indivíduos com doença pulmonar:

• Radiografia de tórax;
• Avaliações da função pulmonar;
• Exames pulmonares complementares.

As indicações do ACSM (2007) visam especialmente pessoas sadias ou com doença cardíaca, mas os testes laboratoriais são aplicados ao portador do HIV. O quadro dislipidêmico altera as concentrações do colesterol, além de apresentar mudanças na atuação da insulina. O vírus também pode causar alterações cardiovasculares importantes, e o paciente também pode desenvolver como infecção oportunista alguma complicação pulmonar. É interessante se atentar para essas alterações ao prescrever o programa de atividade física para o portador do HIV.

Composição corporal

Já está bem documentado e aceito que o excesso de gordura corporal se correlaciona com diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, hiperlipidemia, doença coronariana e acidente vascular cerebral. O monitoramento da composição corporal oferece uma boa estimativa da condição do indivíduo para o desenvolvimento dessas complicações, já que mostra dados para se manter uma distância segura dos níveis indesejados.

As avaliações de composição corporal normalmente se apoiam em um modelo bicompartimental, distribuindo o peso corporal total do indivíduo em massa gorda (gordura) e massa magra (ossos, músculos...). A mensuração da composição corporal através das medidas de dobras cutâneas apresenta relação com a gordura corporal total, já que a gordura subcutânea é proporcional ao total de gordura do organismo. Além das etnias, sexo e idade, a experiência do avaliador também conta na escolha dos protocolos de avaliação, que se diferenciam nas dobras cutâneas utilizadas e na equação para a predição do percentual de gordura Quando se elimina os fatores de erro, a predição do percentual de gordura através de avaliações com dobras cutâneas tem erro de 3,5% para mais ou para menos. Os protocolos de dobras cutâneas utilizam o compasso antropométrico ou adipômetro. É preciso realizar a marcação do local da dobra e respeitar as técnicas de medição. A imagem abaixo ilustra a entrada do compasso na dobra cutânea.

Os procedimentos para avaliação da composição corporal através das dobras cutâneas são os seguintes:

• As medidas devem ser feitas do lado direito do corpo do avaliado, que estará em posição ereta, e os valores são dados em milímetros;
• O compasso deve ser colocado diretamente sobre a dobra, mantendo um centímetro de distância do polegar e do indicador que pinçam a dobra, e também deve estar perpendicular à prega cutânea e entre a crista e base da dobra;
• Após a colocação do compasso, esperar 1-2 segundos para realizar a leitura da medida;
• Realizar as medidas em duplicatas ou triplicatas em cada dobra, e realizar novamente as medidas caso a diferença entre elas seja maior que dois milímetros ou 5%;
• Fazer rodízio entre os locais de medida, para que o tecido recupere sua textura e espessura normais.

Os locais de leitura das dobras cutâneas são explicados os pontos padronizados e sua forma de marcação. É válido destacar que os portadores de HIV que desenvolveram redistribuição de gordura corporal grave podem não responder aos protocolos de composição corporal através das dobras cutâneas. A redistribuição de gordura promove pontos diferentes de deposição subcutânea, fazendo as avaliações com o compasso antropométrico perderem a eficiência. É preciso entrar em contato com o médico para definir a melhor maneira de monitorar as alterações corporais dos pacientes no programa de atividade física.

O ACSM (2007) oferece equações gerais para a predição do percentual de gordura corporal, de acordo com o sexo.

Homens: com as dobras peitoral, abdominal e coxa.
Densidade corporal = 1,10938 - 0,0008267 * (soma das dobras) + 0,0000016 * (soma das dobras)2 - 0,0002574 * (idade)

Mulheres: com as dobras triciptal, suprailíaca e coxa.
Densidade corporal = 1,099421 - 0,0009929 * (soma das dobras) + 0,0000023 * (soma das dobras)2 - 0,0001392 * (idade)

Com o valor da densidade corporal de acordo com o sexo, deve ser usada a equação de Siri, que é:

• Percentual de gordura = ((4,95 / densidade corporal) - 4,5) * 100

Além das equações para predição da gordura corporal, também são encontrados alguns softwares para avaliação física. A maioria consiste em programas pagos, mas alguns são pacotes de avaliação física bem completa. Dentre eles se destaca o SAPAF. Esse sistema de avaliação é de livre utilização e contou com a colaboração do professor Dr. Dartagnan Pinto Guedes na elaboração do programa. É possível encontrá-lo no endereço www.infodata.com.br.

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