Biomecânica: Fundamentos sobre o movimento humano

Biomecânica: Fundamentos sobre o movimento humano
EDUCACAO-FISICA
A descrição da posição de um segmento ou movimento articular é tipicamente expressão em relação a uma posição inicial designada. A chamada posição anatômica,  é uma referência padronizada e utilizada mundialmente.

Nesta posição, o corpo fica ereto na vertical, membros superiores ao lado do tronco e palmas das mãos voltadas para frente, membros inferiores ligeiramente afastados, com os pés apontando para frente (HAMILL e KNUTZEN, 1999; HALL, 2000). Segundo Hall (2000), esta posição não é ereta natural, mas é a orientação corporal usada convencionalmente como posição de referência ou ponto de partida quando são definidos os termos relacionados ao movimento humano.

Hamill e Knutzen (1999) relacionam a posição fundamental que difere da posição anatômica pelo posicionamento dos membros superiores, onde as palmas das mãos ficam voltadas para o corpo. Segundo os mesmos autores, pode-se dizer que seja qual for a posição utilizada, todas as descrições de movimento devem ser feitas com relação a essa posição inicial.

Praticamente, estas definições são importantes, por exemplo, para definir as posições que estão sendo avaliadas, como no estudo de Teixeira et al. (2008) que utilizou como parâmetro a posição anatômica de referência para a mensuração do equilíbrio corporal em idosas. Ademais, a padronização dos movimentos é fundamental para a possibilidade de replicação dos estudos.

Outra consideração importante é relacionada aos termos direcionais para descrever a relação de partes do corpo ou a localização de um objeto externo em relação ao corpo.  Direções anatômicas utilizadas comumente.

Superior → mais próximo da cabeça (cranial);

Inferior → mais afastado da cabeça (caudal) ou ainda abaixo (inferior) em relação à outra estrutura;

Anterior → para a frente do corpo;

Posterior → para a parte de trás do corpo;

Medial → para a linha média do corpo;

Lateral → afastado da linha média do corpo;

Proximal → mais próximo do tronco ou do ponto de origem;

Distal → mais afastado do tronco ou do ponto de origem;

Superficial → para a superfície do corpo;

Profundo → dentro do corpo e afastado da superfície do corpo.

Contralateral → relativo ao lado oposto;

Ipsilateral → do mesmo lado.
Com relação aos termos que descrevem os movimentos, é comum na prática profissional o tratamento errôneo das partes do corpo. Por exemplo, na musculação, quando os alunos realizam apenas exercícios para o braço, significa dizer que os mesmos não utilizam em seus treinamentos exercícios para a musculatura flexora ou extensora do punho ou dos dedos (ou seja, para o segmento do antebraço).

Dizer que o aluno realiza um trabalho para a região do braço, significa que o trabalho é focado ao bíceps ou ao tríceps (dependendo se a parte anterior ou posterior do corpo está sendo trabalhada – exercício de flexão contra movimento ou extensão contra o movimento), uma vez que o segmento braço refere-se ao úmero e não ao rádio e a ulna.

Portanto, uma revisão dos nomes dos segmentos é indispensável no preparo para a utilização correta dos termos anatômicos que descrevem o movimento. A cabeça, o pescoço e o tronco são segmentos que compõem a parte principal do corpo e a porção axial do esqueleto, chegando a constituir mais de 50% do peso de um indivíduo e, geralmente, move-se muito mais lentamente que as outras partes do corpo. Os membros superiores e inferiores são denominados a porção apendicular do esqueleto.

No membro superior, o úmero é denominado braço e a ulna e o rádio constituem o antebraço e os carpos; metatarsos e falanges são denominados a mão. No membro inferior, o segmento chamado de coxa descreve o fêmur, a perna descreve o segmento da tíbia e fíbula, e o pé descreve os tarsos, metatarsos e falanges.

De forma geral, os movimentos são realizados pelas articulações, ou seja, a flexão e/ou extensão é realizada pelo cotovelo, assim como pelo joelho e não pelo braço ou pela coxa.

Em muitas articulações são possíveis movimentos diferenciados. Algumas articulações permitem apenas flexão e extensão, outras permitem grande variedade de movimentos, dependendo de sua estrutura. Antes das explicações de como se dão os ângulos, é importante entender como proceder para a avaliação, para que os valores sejam padronizados e não ocorram problemas de um estudo apresentar ângulos de flexão de joelhos de 30º e estar na mesma posição e apresentar ângulos de 150º. Existem dois tipos de medidas para os ângulos – os ângulos relativos e os ângulos absolutos (HAMILL e KNUTZEN, 1999; HALL, 2000).

Os ângulos relativos são aqueles medidos na articulação, ou seja, aqueles formados entre os eixos longitudinais dos segmentos corporais adjacentes. Este ângulo é medido de tal forma que a posição parte sempre do zero, ou seja, a posição anatômica.

Os ângulos absolutos são aqueles cuja orientação angular é dada pelo segmento corporal em relação à linha de referência fixa. Os ângulos absolutos devem ser sempre medidos na mesma direção a partir de uma única de referência – horizontal ou vertical.

Um exemplo da necessidade de padronização dos ângulos, além do próprio entendimento da situação, é com relação à comparação dos valores entre os estudos.

O estudo de Yi et al. (2008) avaliou o ângulo da cervical, por meio do ângulo relativo formado pelos pontos anatômicos: articulação temporomandibular, sétima cervical e acrômio, sendo o acrômio o vértice do ângulo.

O estudo de Kussuki, João e Cunha (2007) relacionou os ângulos para a cervical definindo os pontos da sétima cervical, articulação temporomandibular, porém se utilizando como referência a horizontal. Com a vertical, o estudo de Teixeira et al. (2009) foi encontrado e utiliza os pontos da articulação temporomandibular e sétima cervical com a vertical, com vértice a ATM. Os valores, para todos os estudos diferenciam-se sendo o estudo de Yi et al. (2008) entre 52,27 ± 8,58° para respiradores nasais e de 60,36 ± 9,64° para respiradores orais.

O estudo de Kussuki, João e Cunha (2007) reportou valores de 47,3 ± 7,26° para o grupo de obesos; 52,5 ± 7,06° para o grupo de sobrepeso e de 57,6 ± 7,33° para o grupo de eutróficos. Já o estudo de Teixeira et al. (2009) mostrou valores de 43,31 ± 2,17° e 45,27 ± 2,24° para a atividade instrumental de um músico violista.

A grande questão é que os valores devem ser comparados com muito cuidado. O estudo de Teixeira et al. (2009) reportou em sua discussão as relações do ângulo da cervical para as atividades de trabalho, que não devem passar de 30°. Porém, quando observado o estudo comparado pelos autores, nota-se que Iida (2005) também faz relação a mesma padronização de ângulos para estas inferências, o que permite relações diretas com os valores e suas consequentes melhorias no contexto do trabalho.

No geral, segundo Hamill e Knutzen (1999), existem seis movimentos básicos que ocorrem em variáveis combinações nas articulações do corpo, sendo eles flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna e rotação externa.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER