Alongamento ou flexibilidade?

Alongamento ou flexibilidade?
EDUCACAO-FISICA
Atualmente muito tem se especulado sobre o alongamento. Se é benéfico ou não, e em quais situações ele se aplica. Esse debate é de grande importância para o mundo esportivo (profissional ou amador), porém, deve haver uma clara distinção de sua aplicabilidade quando se trata de esporte de alto rendimento, ou do exercício como promotor de saúde e qualidade de vida. Para cada situação há uma forma de utilizá-lo e obter o melhor de seus benefícios.


Para a maioria da população alongamento e flexibilidade são a mesma coisa. Mas, na verdade não são. Para entender melhor essa questão é importante esclarecer a diferença entre alongamento e flexibilidade.


O alongamento refere-se à capacidade do músculo de ser ”elástico”, de se “encompridar”. Flexibilidade refere-se à amplitude de movimento em uma determinada articulação e a facilidade com que esta se move. A flexibilidade geral refere-se o quão flexível são as principais articulações (quadril, coluna, cintura escapular[1]), sendo essa não esportiva, mas que permita realizar movimentos numa amplitude ótima, prevenindo lesões e proporcionando um estado de sentir-se bem. A flexibilidade específica é, ao contrário, aplicável somente nas exigências extraordinárias de determinadas modalidades esportivas e restringe-se somente às articulações pertinentes.


Um músculo alongado contribui para um maior grau de flexibilidade, aumentando assim a amplitude de movimento de uma articulação. Porém, não é apenas a elasticidade do músculo que determina o grau de flexibilidade de uma articulação, mas também outras estruturas como os ossos, ligamentos e outras estruturas associadas à cápsula articular[2], tendões e outros tecidos conjuntivos, e pele.


A cápsula articular e os tecidos conjuntivos associados, assim como o próprio músculo, geram a maior parte da resistência à flexibilidade. O alongamento habitual e gradual encomprida essas estruturas, porém esse processo é lento. Para que seja observada uma melhora na flexibilidade é fundamental que os exercícios de alongamento sejam realizados regularmente, se possível diariamente, durante muitas semanas, até se observar algum progresso.


A flexibilidade é específica de cada articulação, determinada pela genética e pelo meio ambiente. Um alto grau de flexibilidade em uma articulação não indica um alto grau de flexibilidade nas outras. Tanto a pouca mobilidade articular, como a excessiva é ruim. Cada articulação deve ser alongada de acordo com a necessidade, porém, deve ser observado o equilíbrio entre os grupos musculares para que a deficiência de alongamento em determinados músculos, e o excesso em outros, não cause um desequilíbrio postural. Exemplo: caso os músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) estiverem menos alongados que os músculos da parte anterior da coxa (quadríceps) ocasionarão uma inclinação da pelve para trás (retroversão). Essa alteração na pelve resultará numa má postura e num desequilíbrio em várias estruturas do corpo.

A pouca mobilidade articular torna os movimentos pouco econômicos e sem amplitude. Uma flexibilidade pouco desenvolvida tem um efeito negativo na eficiência e na velocidade dos movimentos, exige maior esforço nas atividades diárias e de resistência, e no desenvolvimento da coordenação motora e da força.


Em contrapartida, uma flexibilidade acima do normal (hiperflexibilidade) pode desestabilizar a articulação. Nesse caso deve haver um excelente trabalho com exercícios de força, na musculatura que envolve esta articulação, evitando assim possíveis lesões.


Em determinadas modalidades esportivas o trabalho de hiperflexibilidade é mais evidenciado, como no caso da ginástica olímpica, onde os atletas possuem uma mobilidade acima do normal nas articulações do quadril.


O treinamento regular de flexibilidade proporciona inúmeros benefícios ao corpo humano: melhora da flexibilidade; combate ao desequilíbrio muscular e, consequentemente, postural; melhora a capacidade do músculo de relaxar; previne lesões; provoca um aumento no desempenho das atividades da vida diária, ou, no caso de atletas, do rendimento esportivo; acelera a regeneração muscular; acelera a recuperação após lesão; desenvolve a percepção corporal; contribui para um estado de sentir-se bem.


Uma boa forma (e segura) de alongar e relaxar é fazê-lo de forma lenta e suave. Mas para que haja um alongamento eficiente é necessário que o músculo esteja aquecido. Para este fim, uma fonte externa de calor como bolsa de água quente pode ser usada. Outra forma mais ampla e eficiente de elevar a temperatura do músculo é contraí-lo por alguns minutos. O alongamento de músculos frios não aumenta a flexibilidade e pode causar lesões.


Após o aquecimento, escolha qual músculo (ou grupo muscular) deseja alongar, coloque-se numa posição confortável, relaxe e respire. Mantenha por, aproximadamente, 30 segundos. Respire profundamente, relaxe e estique um pouco mais, um pouco mais, um pouco mais...


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[1]
Complexo articular composto pelas clavículas, escápulas, ligamentos, tendões e músculos. A cintura escapular apresenta a maior amplitude de movimento do corpo humano.


[2] Membrana conjuntiva que envolve as articulações como se fosse uma manga. Junto com os ligamentos ela mantém a união entre os ossos, e ambos impedem o movimento em planos indesejáveis limitando a amplitude dos movimentos considerados normais.

Sinara Gnoatto
Bacharel em Educação Física pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, com amplo conhecimento e vivência em Ballet Clássico, Contemporâneo e Barre a Terre. Possui experiência em ginástica de academia, exercícios para gestantes, ginástica laboral e musculação. Atualmente exerce a atividade de professora de musculação e auxiliar administrativo na Phantom Academia - Bento Gonçalves, RS.
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