Teorias de Aquisição da Linguagem

Teorias de Aquisição da Linguagem
IDIOMAS

Para determinar se o homem é o único a utilizar a linguagem, devemos primeiro esclarecer o que entendemos por linguagem. Se definirmos a linguagem como a capacidade de comunicação, podemos dizer então que existem vários animais que se comunicam. No entanto, a linguagem humana é extremamente flexível e criativa, apoiada em regras gramaticais.



Por que os bebês não nascem falando? Segundo Pinker (2002), os bebês humanos nascem antes de seus cérebros estarem completamente formados. Se os seres humanos permanecessem na barriga da mãe por um período proporcional àquele de outros primatas, nasceriam aos dezoito meses, exatamente a idade na qual os bebês começam a falar, portanto, nasceriam falando.



O cérebro do bebê muda consideravelmente depois do nascimento. Nesse momento, os neurônios já estão formados e já migraram para as suas posições no cérebro, mas o tamanho da cabeça, o peso do cérebro e a espessura do córtex cerebral continuam a aumentar no primeiro ano de vida. Um enorme número de neurônios morre ainda na barriga da mãe, essa perda continua nos dois primeiros anos e só se estabiliza aos sete anos. Dessa forma, pode ser que a aquisição da linguagem dependa de uma certa maturação cerebral e que as fases de balbucio, primeiras palavras e aquisição de gramática exijam níveis mínimos de tamanho cerebral. (PINKER, 2002)



É comum dividir o estágio inicial da aquisição de linguagem em duas fases: pré-linguística e linguística. No estágio pré-linguístico, a capacidade linguística da criança desenvolve-se sem qualquer produção linguística identificável. Sem levar em conta as mudanças biológicas que facilitam o desenvolvimento linguístico e ocorrem nos primeiros meses de vida da criança, é o balbuciar dos bebês de aproximadamente seis meses que sinaliza o começo da aquisição da linguagem.



Esse período é tipicamente descrito como pré-linguístico porque os sons produzidos não são associados a nenhum significado linguístico. O estágio dos balbucios é marcado por uma variedade de sons que muitas vezes são usados em alguma das línguas do mundo, embora muitas vezes não seja a língua que a criança irá, posteriormente, falar. O significado dessa observação não é claro. Alguns, afirmam que os balbucios sinalizam o começo da habilidade de comunicação linguística da criança.



Nesse estágio, os sons oferecem o repertório no qual a criança irá identificar os fonemas da sua língua. Por outro lado, outros estudiosos ressaltam que a ordem que os sons aparecem durante o período de balbucio é, geralmente, contrária àquela que eles aparecem nas primeiras palavras da criança. Por exemplo, consoantes posteriores e vogais anteriores, como [k], [g] e [i], aparecem cedo nos balbucios das crianças, mas tarde no seu desenvolvimento fonológico.

Mesmo que a primeira hipótese sobre aquisição de linguagem seja de que a criança simplesmente adquire sons e significados, a investigação das primeiras palavras da criança indica que o conhecimento adquirido por aquelas de um ano de idade toma a forma de um sistema rico de regras e representações. Como esses sistemas abstratos foram deduzidos, principalmente, através das experiências das crianças na comunidade linguística, as diferenças entre a gramática da criança e a do adulto são compreensíveis.



A partir do estágio de duas palavras é possível examinar o desenvolvimento sintático, mesmo que seja de maneira rudimentar. O sistema linguístico da criança nessa fase também é diferente do adulto. Além das diferenças de pronúncia e significado, elas também possuem uma gramática diferente da deles. Obviamente produzem sentenças mais breves; além da maioria delas serem sentenças inovadoras, não sendo apenas imitações da dos adultos.



Após o estágio de duas palavras, as crianças expandem seu vocabulário, aprendem as regras de construção (negativa, passiva, etc.) presentes na língua, aprendendo seu sistema fonológico e morfológico, aperfeiçoando sua pronúncia, e, geralmente, alcançando a convenção adulta de maneira bem rápida (entre os seis e sete anos), mesmo que demorem mais a aprender estruturas mais complexas.

 


Todos nós sabemos que é muito mais fácil aprender uma segunda língua na infância. A maioria dos adultos nunca chega a dominar uma língua estrangeira, sobretudo sua fonologia, o que gera o inevitável sotaque. Segundo Pinker (2002), "existem diferenças individuais, que dependem do esforço, qualidade de ensino e simples talento, mas, ainda assim e mesmo nas melhores circunstâncias, parece haver uma barreira intransponível para qualquer adulto.”



Quanto à língua materna, são raros os casos de pessoas que chegam à puberdade sem tê-la adquirido. Até os deficientes auditivos tem mais facilidade de aprender a língua de sinais antes da fase adulta. No caso de crianças selvagens encontradas na floresta ou em lares de pais psicóticos, elas podem aprender a se comunicar de forma clara ou não, dependendo da idade em que foram encontradas.



Resumindo, a aquisição de linguagem é certa até os seis anos, fica comprometida depois dessa idade até a puberdade e é rara depois disso. Uma explicação plausível seriam as alterações maturativas que ocorrem no cérebro, tais como o declínio da atividade metabólica e do número de neurônios durante o início da vida escolar e a estagnação no nível mais baixo da atividade metabólica por volta da puberdade.



Segundo Pinker, nós não devemos perguntar "Por que a capacidade de aprender desaparece?", mas sim "Quando a capacidade de aprender é necessária?". Logo, ela deve aparecer o mais cedo possível, para podermos usufruí-la o maior tempo possível, no entanto, ela é extremamente útil apenas uma vez, depois passa a ser supérflua. "Assim, a aquisição linguística deve ser como as outras funções biológicas. A inépcia linguística de turistas e estudantes talvez seja o preço a pagar pela genialidade linguística que demonstramos quando bebês, assim como a decrepitude da idade é o preço pelo vigor da juventude." (PINKER, 2002, p. 378).

A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança, e, na maioria das vezes, é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante atividades diárias, assim como, através de histórias que expressam valores culturais. A socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita, por meio de participação em interações verbais que têm marcações sutis de papéis e status.



Desta forma, através da linguagem, a criança tem acesso, antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras, adquirindo os conhecimentos de sua cultura. À medida que a criança se desenvolve, seu sistema sensorial - incluindo a visão e audição - se torna mais refinado e ela alcança um nível linguístico e cognitivo mais elevado, enquanto seu campo de socialização se estende, principalmente quando ela entra para a escola e tem maior oportunidade de interagir com outras crianças.



De acordo com Pinker, quanto mais cedo a criança se envolve nas relações sociais, mais benefícios obterá a curto ou longo prazo, tendo em vista as experiências e aprendizagens que resultam de tais interações. A linguagem corresponde ainda a uma das habilidades especiais e significativas dos seres humanos, compreendida como um sistema de sinais de duas faces - significante e significado. O significante refere-se ao aspecto formal da linguagem, e é constituído pela junção hierárquica dos elementos-fonemas, palavras, orações e discurso.


Os fonemas integram palavras, as palavras combinam-se em orações e as orações se enquadram no discurso. O significado, por outro lado, refere-se ao aspecto funcional da linguagem, considerado como o responsável pela comunicação no meio social. Este conceito foi introduzido nos estudos sobre a aquisição da linguagem devido à necessidade de se considerar o papel semântico da fala, visto que a sintaxe por si só não explicaria as produções linguísticas que são sintaticamente corretas, porém não são empregadas na fala.



Fazendo uma breve retomada da perspectiva histórica do ensino e da aprendizagem, vemos que após um ensino essencialmente oral e assistemático da Idade Média, quando cada aluno aprendia a língua do preceptor, na convivência natural do dia-a-dia, vieram três séculos, XVI, XVII e XVIII, dominados pelo ensino gramatical e escrito, como consequência da invenção da escrita.



O sentido mais profundo encontrado no modelo propiciado até então, sugere uma espécie de regionalismo educacional bastante ligado aos conhecimentos possíveis de transmissão pelo preceptor. A formação dos processos educacionais, o desenvolvimento psíquico e o desenvolvimento da linguagem se davam de forma conjunta, por convivência, por aprendizado direto baseado em um único indivíduo.



Chomsky, em 1958, causou uma verdadeira revolução no campo da linguística, por preconizar um modelo de linguagem universal, relativa ao conceito do biologicamente programado, que outros pesquisadores usaram como base ou fundamento teórico para explicar as regularidades que, com efeito, aparecem, na linguagem infantil.

Para a psicologia de um modo geral, o conjunto das teorias propostas por Chomsky supunha a aceitação do princípio do inato, do que já é pertinente ao organismo, como uma solução possível para o problema de aquisição da linguagem. Haveria assim, para ele, no indivíduo, uma parte inata, a razão, a fonte primeira da linguagem, justapondo-se à gramática, provinda da lógica ou da vida mental e racional do sujeito. Desse modo, a gramática geradora, de raízes puramente racionais, permitiria ao falante ir criando a sua própria língua ou ir redescobrindo-a, ao ouvi-la, em uma complexa interação de permanente intercâmbio nas estruturas modeladoras do novo e do já sabido.



Skinner veio sustentar que o aprendizado da linguagem não era, em princípio, diferente do aprendizado de quaisquer outros comportamentos humanos complexos. Analisou ele, a linguagem como sendo um comportamento funcional, de múltiplas causas, que se desenvolveria por intermédio dos efeitos advindos do meio ambiente sobre a conduta da criança e desta sobre aquele. Adotava, desse modo, uma posição definida como claramente ambientalista. A polêmica com Chomsky iniciou imediatamente.



O cenário do estudo da linguagem infantil viu-se enriquecido pelos estudos levados a termo por Piaget que, baseado em uma observação sistemática da evolução de seus dois filhos e por outros experimentos com crianças de todas as idades, propôs uma nova teoria, diferente das já mencionadas. Para ele, as estruturas da linguagem não eram dadas pelo meio ambiente, achando-se pré-estabelecidas desde o nascimento.



Tais estruturas, contudo, iam sendo construídas ou moldadas pela criança em sua própria atividade, através de seus próprios mecanismos e possibilidades de compreensão do mundo ao redor, ou seja, selecionando as experiências e, a partir delas, construindo e/ou interagindo com outras estruturas conceituais que dariam lugar posteriormente às linguísticas. O construtivismo de Piaget considerava a linguagem, dentro de um enquadramento evolutivo geral, como mais uma manifestação do pensamento conceitual.



Não se pode deixar de mencionar ainda, a influência de Vygotski, para quem o pensamento e a fala originam-se de raízes diferentes, não sendo a fala uma simples continuação do pensamento e, defensor da linguagem como fenômeno social e cultural, e da aprendizagem como a propulsora do desenvolvimento. Com respeito à aquisição e desenvolvimento da linguagem, adotou uma postura interacional. Para ele, é na interação existente entre o meio e a criança que se dão os processos de aquisição da linguagem.



Os fatores que podem incidir desfavoravelmente na evolução da comunicação e linguagem costumam ser agrupados pelos pesquisadores em dois grandes blocos. De um lado estão os chamados fatores orgânicos, sejam eles advindos de ordem genética, neurológica ou anatômica e, de outro lado, aqueles chamados de fatores psicológicos.



Entre os fatores psicológicos incluem-se dois tipos diferenciados. Em primeiro, a ansiedade por uma separação prolongada, a rejeição ou a superproteção materna e ainda outros, que corresponderiam ao conjunto de fatores emocionais e afetivos. Nestes casos, as bases relativas à primeira comunicação são as que ficam mais afetadas.

Em segundo, encontram-se aqueles fatores psicológicos que são capazes de alterar os próprios processos de transmissão e/ou aquisição da linguagem, sem que, necessariamente, venham a comprometer a comunicação social e afetiva da criança. Esses fatores afetam o núcleo da qualidade e quantidade das atividades de ensino-aprendizagem que, em contextos naturais como a família e a escola, são o que tornam possível o desenvolvimento linguístico.



Na criança, diferentemente do que ocorre no adulto, quando se produz um dano em certas estruturas orgânicas que sustentam a aquisição da linguagem, não só se vê alterada ou suprimida uma função já estabelecida, mas, além disso, fica também comprometida a continuidade de atividades futuras, mesmo aquelas ainda por desenvolver-se.



A linguagem não é, em si, um objeto, nem uma forma opaca de conhecimento. Os elementos significativos do ponto de vista evolutivo que o bebê precisa aprender sobre a linguagem falada estão escritos nos rostos, nas vozes e nos gestos daqueles que falam.

 

Um conjunto crucial de pistas exibidas pelas pessoas que falam inclui a estrutura visível e os padrões de movimento do rosto. O rosto humano representa um canal extremamente ativo quando os indivíduos participam de comunicações faladas face a face. Quando os indivíduos não se conhecem, a estrutura facial, mesmo assim, fornece informações sobre a idade, sexo, saúde e outros atributos pessoais, podendo vir a ser um resumo, de um modo geral, tanto das atividades como de quem é o outro.



A principal contribuição do rosto à comunicação é afetiva, uma vez que revela o estado emocional e o nível de aprovação do falante em relação a seu interlocutor; transmite informações sobre muitos dos aspectos do ambiente que comandam a atenção do falante; assinala o desejo de dominar ou de ceder; e transmite através de movimentos ou meneios de cabeça, de piscadas, de sorrisos ou franzir de testa, de bocejos, de olhares e ainda outras atividades, as reações das duas partes às mensagens faladas.



Deve-se admitir, portanto, que o bebê humano não adquire e não pode adquirir a língua como tal, mas ao invés disso, percorre um caminho de crescimento evolutivo que o leva, aos poucos, a uma plena capacidade linguística. Os bebês são mantidos no rumo desse caminho por diversos fatores, que são sintonizados com a atividade facial e vocal, e os tutores que reagem de forma apropriada aos sinais vocalmente afetivos dos bebês.



Quando a criança escuta seu próprio falar, é um elemento contribuidor importante e essencial ao domínio dos sons da fala. A consciência metalinguística das crianças desenvolve-se de forma lenta, do sentido mínimo de se terem aproximado, ou não, de uma palavra adulta de forma adequada, até segmentações cada vez mais refinadas à medida que eles aprendem a ler e escrever. A capacidade de rimar antes da aprendizagem da leitura está correlacionada com a capacidade posterior de leitura e ortografia.

Quando pensamos em uma criança que esteja aprendendo a falar, ocorre-nos, de imediato, a ideia de que esse processo se dá por imitação. A imitação tem um papel importante, afinal, se a família fala português, a criança aprende o português, não o espanhol ou o inglês. Desenvolve, quase como por extensão, o mesmo sotaque, enquanto adquire um certo vocabulário, por imitação aos seus familiares, muito embora sejam capazes de imitar apenas parte de tudo o que ouvem.



A imitação é um passo bastante importante, embora haja argumentos bastante fortes contrários a ela, no que trata do desenvolvimento dos aspectos mais complexos da linguagem – gramática e semântica. É notório o fato de que, quando as crianças imitam as sentenças faladas pelos adultos, reduzem e modificam-nas, com a finalidade de convertê-las à sua própria gramática.



Se a criança aprendesse a falar apenas por imitação, nunca poderia falar corretamente considerando aspectos técnicos do emprego da linguagem, pois a linguagem empregada pelo adulto é, geralmente, gramaticalmente incorreta. Essa visão tende a praticamente eliminar a imitação como explicação principal para o desenvolvimento da linguagem da criança e lembrar-nos que existem outros fatores.



Skinner realizou experiências na tentativa de argumentar que o reforço dado à criança, por adultos, modela os sons em palavras e depois as palavras em sentenças. De acordo com esta perspectiva, o “reforçamento” realizado pelo adulto estimula a criança a desenvolver uma pronúncia melhor e mais clara, bem como sentenças cada vez mais longas e complexas.



O reforço pode agir de forma contrária quando os pais corrigem demasiadamente pronúncias erradas das crianças, ao invés de tentar compreendê-las. Estudos comprovam que aquelas crianças que são cobradas sistematicamente, apresentam desenvolvimento da fala mais lento, ao contrário daquelas cujos pais aceitam a pronúncia dos filhos. Pode-se afirmar, com efeito, que a teoria do reforço não é também a mais adequada para explicar o que realmente acontece nas realizações linguísticas orais das crianças.



Os pais não são os responsáveis pela aquisição da linguagem unicamente por imitação ou reforço. Mas há pontos bastante significativos que acabam por tornar os pais elementos indispensáveis nesse processo. São eles e, principalmente a mãe, quem mais fala com a criança. É muito importante um grande número de adultos que gire em torno da criança e que fale com ela. Crianças com quem se fala muito acabam por desenvolver a linguagem um pouco mais depressa que as demais, nos primeiros anos de vida. A criança que ouve mais é possuidora de um maior número de informações com as quais pode operar e transformar em ferramentas.



Após todos estes confrontos psicológicos sobre aquisição da linguagem, podemos passar da aquisição da língua materna para a aquisição de uma língua estrangeira e antes de apontar como se aprende ou se adquire uma língua devemos fazer breves definições sobre os aspectos pedagógicos de uma língua, por exemplo:


- Primeira língua (first language) – é a língua que, mesmo não sendo a língua nacional do país, é a primeira que o falante aprende, ou seja, é falada em casa, pela família.

- Língua materna (mother language) – é a língua falada pela comunidade em que o falante está inserido desde a infância. É a língua nacional.



- Segunda língua (second language) – é a língua aprendida por um estrangeiro na comunidade em que está inserido, fora de seu país, por exemplo, o Português aprendido por um estrangeiro no Brasil ou o Inglês aprendido por um brasileiro na Inglaterra.


- Língua estrangeira (foreign language) – é a língua aprendida por um estrangeiro em comunidade não falante da língua, por exemplo, o Inglês aprendido por um brasileiro no Brasil.


Portanto, a primeira língua e a língua materna são línguas adquiridas e a segunda língua e a língua estrangeira são línguas aprendidas pelos falantes.


“O processo de assimilação produz habilidade prático-funcional sobre a língua falada e não conhecimento teórico; desenvolve familiaridade com a característica fonética da língua, sua estruturação e seu vocabulário; é responsável pelo entendimento oral, pela capacidade de comunicação criativa e pela identificação de valores culturais.” (KRASHEN, 1987).



A distinção entre aquisição e aprendizagem é uma das hipóteses estabelecidas por Stephen Krashen em sua teoria sobre aprendizado de línguas estrangeiras.



Aquisição (acquisition) refere-se ao processo de assimilação natural, intuitivo, fruto de interação em situações reais de comunicação, em que o aluno participa como agente ativo. Segundo Krashen, é semelhante ao processo de assimilação da língua materna pelas crianças. Processo que produz habilidade prática sobre a língua falada e não o conhecimento teórico, desenvolve familiaridade com a fonética da língua e seu vocabulário, é responsável pelo entendimento oral e pela comunicação. Uma abordagem inspirada em “acquisition” valoriza o ato comunicativo e desenvolve a autoconfiança.



Portanto, uma abordagem de ensino inspirada na aquisição da linguagem valoriza o ato comunicativo e desenvolve a autoconfiança do aluno. Exemplo de “language acquisition” são os jovens que residem no exterior durante um tempo através de programas de intercâmbio cultural, atingindo um grau de fluência materna, porém, na maioria dos casos, sem nenhum conhecimento a respeito do idioma. Não sabem o que é Present Perfect, nem modal ou phrasal verbs, mas sabem usá-los perfeitamente na comunicação.



Já o conceito de aprendizagem (learning) está ligado à abordagem tradicional do ensino de idiomas, como é praticado ainda hoje nas escolas. A atenção é voltada à forma escrita e à estrutura e regras da língua. O aluno aprende a construir frases negativas e interrogativas no Present Tense, mas dificilmente saberá quando usá-las.



Este processo transmite ao aluno o conhecimento sobre a língua, seu funcionamento e contrastes com a língua materna e transforma-se em dificuldade para se comunicar na língua alvo. É um processo progressivo, normalmente atrelado a um plano didático predeterminado, que inclui memorização de vocabulário e tem por objetivo conhecimento metalinguístico. Este esforço de acumular conhecimento torna-se frustrante devido à falta de familiaridade com a língua.

Exemplo de “language learning” são os inúmeros graduados em Letras, já habilitados, porém com extrema dificuldade em se comunicarem na língua que teoricamente poderiam ensinar.



Podemos, então, conceituar aquisição da linguagem como “obtenção das habilidades da língua de forma intuitiva” e aprendizagem da língua como “obtenção do conhecimento e habilidades da língua através do estudo e da prática.”.



E como definir as habilidades linguísticas que tanto tentamos alcançar?



Habilidades linguísticas são os aspectos de uma língua que podem ser destacados durante uma aula. Desta forma, suas aulas terão um objetivo claro e facilitarão o ensino e a avaliação.



O ensino da língua inglesa pode ser dividido em ensino da língua, ensino do sistema da língua e ensino da cultura da língua.



Quando ensinar a língua, o professor tem que escolher um dos aspectos, a fala ou a escrita, que são divididos em quatro habilidades: compreensão oral (listening), compreensão escrita (reading), produção oral (speaking) e produção escrita (writing).



Se o professor vai ensinar o sistema da língua, tem que escolher um dos aspectos gramaticais: morfologia, semântica, sintaxe, etc.



Por outro lado, se o professor decide ensinar sobre a cultura da língua, tem que escolher entre história, música, teatro, vida cotidiana, literatura, etc.



Todo plano deve possuir um objetivo: o que eu quero que meus alunos atinjam com esta aula?



Ao elaborar seu plano de aula, o professor pode e deve enfatizar um ou dois tópicos, no máximo, para que a aprendizagem realmente aconteça. Por exemplo, ao selecionar um conto de fadas para trabalhar com crianças, enfatizar os diálogos para que os alunos possam representar um teatro de fantoches com os porquinhos e o lobo para a classe.



Se proficiência linguística não depende de conhecimento armazenado, mas de habilidade assimilada na prática, fica claro a superioridade das crianças no aprendizado de línguas.


Estudos sobre os diferentes fatores que afetam o desenvolvimento cognitivo ajudam a explicar a facilidade com que as crianças aprendem uma nova língua em relação aos adultos.



- Fatores biológicos: o cérebro é o mais importante órgão ligado à habilidade linguística e, na criança, este órgão ainda está com seus hemisférios direito e esquerdo interligados, promovendo a assimilação da língua com melhor desempenho. Apenas na puberdade acontece a lateralização do cérebro, quando a aprendizagem de uma nova língua ocorre no hemisfério direito para ser sedimentada no esquerdo. O desempenho superior das crianças estaria relacionado à maior interação entre os dois hemisférios.

- Fatores cognitivos: o adulto, por já possuir um desenvolvimento cognitivo maior, tem hábitos enraizados sobre o sistema de sua língua, o que dificulta o aprendizado de outra. A criança, ainda em fase de desenvolvimento, mantém a habilidade de expandir seu conhecimento e assimilar o sistema fonológico de línguas estrangeiras a que tiverem contato, sempre experimentando situações reais de comunicação. E existe uma idade crítica a partir da qual o aprendizado de uma língua começa a ficar mais difícil, que fica entre 12 e 14 anos, podendo variar conforme as características do ambiente linguístico em que o aprendizado ocorre. As limitações que começam a se manifestar a partir da puberdade são, na maioria das vezes, em relação à pronúncia.



- Fatores afetivos e psicológicos: segundo a hipótese “affective filter”, também de Krashen, fatores como desmotivação, perfeccionismo, falta de autoconfiança, dependência de eloquência, ansiedade, podem influenciar no aprendizado de línguas. Apesar disso, esses bloqueios podem ocorrer apenas em adolescentes e adultos, preocupados com a imagem que causarão nos outros. Percebe-se, novamente, que as crianças ainda sem esses bloqueios, devem ter uma capacidade de assimilação superior.



Todos esses fatores podem influenciar a aquisição de uma língua estrangeira e o ambiente onde as crianças têm contato com essa língua e cultura pode ser fundamental na assimilação.



Nas escolas públicas, torna-se difícil, por diversas razões, manter esse ambiente de “language acquisition”.



“Na qualidade de professores, talvez damos demasiada importância aos erros de nossos alunos! Se um de nós recebe um visitante estrangeiro e diz - “You from Texas?”- você vê isso como uma forma incorreta do Simple Present do verbo to be ou como uma tentativa de comunicação?” (HOLDEN & ROGERS, 2002).



Estabelecer um sistema de comunicação funcional nas escolas públicas tem sido uma preocupação constante para os professores e são encontradas algumas barreiras difíceis de transpor para alcançar os objetivos.



A primeira dificuldade observada é a resistência que os alunos oferecem em ter aulas totalmente em Inglês, sabendo que a professora fala Português. Como mostram diversas teorias já explicitadas, as crianças assimilam línguas com maior facilidade, entretanto se perceberem que a professora fala sua língua, dificilmente se submeterão a usar outro meio de comunicação. Isso ocorre porque elas somente procuram assimilar e fazer uso da língua estrangeira em situações de autêntica necessidade. As crianças não veem essa necessidade na sala de aula e, por isso, criam uma barreira de entendimento nas aulas.



A facilidade com que elas assimilam uma nova língua torna-se parcialmente verdadeira, segundo Holden & Rogers porque “(...) elas funcionam de forma pragmática: só lembram o que lhes importa. Uma criança que vai morar em uma comunidade estrangeira tem uma necessidade prática de aprender a língua rapidamente.”

Portanto, uma criança que esteja vivendo em sua própria comunidade não tem uma razão óbvia para aprender o idioma estrangeiro, a não ser pelas razões inerentes à situação de aprendizado oferecida na sala de aula.


Para a maioria dos alunos, é frustrante não entender o que a professora está pedindo ou explicando nas aulas e eles acham que se as instruções forem dadas na língua materna eles aprenderão melhor a língua inglesa porque conseguirão compreender melhor.



A segunda dificuldade observada foi em relação ao uso da língua estrangeira na vida dos alunos.



Ouvimos muito falar-se em globalização, na língua inglesa como língua universal, que ela faz parte do cotidiano das pessoas, etc, mas o que vemos na realidade são algumas palavras utilizadas em nomes de estabelecimentos comerciais, jogos, brinquedos, estampas de roupas e outros e não em situações de real comunicação.


Como uma pessoa que não utiliza a língua estrangeira em sua vida pode adquirir a língua?



Segundo Holden & Rogers “(...) para a maioria dos alunos jovens, a sala de aula é o seu mundo de Inglês” e esta constatação nas salas de aula confirma a teoria.



Apesar da curiosidade e do interesse que apresentam durante as aulas, percebe-se que o uso da língua é restrito à escola e não faz parte do cotidiano deles.



A terceira dificuldade trata-se das classes superlotadas das escolas públicas. Como trabalhar atividades de “speaking” com classes de 35 ou 40 alunos? Como praticar a “comunicação em situações reais” em salas lotadas?



Esta é certamente a dificuldade mais frustrante das citadas, pois pouco podemos fazer a respeito, a não ser adaptar-nos à realidade e utilizar atividades que priorizem as habilidades (speaking / listening/ reading/writing) da melhor forma possível.

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