A reforma do ensino médio

PEDAGOGIA
Em 2012 foi lançado um Projeto de Lei que tem como finalidade a reformulação do Ensino Médio Brasileiro. O projeto indicado pela Comissão Especial destinada a promover Estudos e Proposições para a Reformulação do Ensino Médio (CEENSI) vem sendo debatido desde então em diversas audiências pública, tendo opiniões de vários especialistas da área e da comunidade. O objetivo central do projeto é alavancar o Ensino Médio, modalidade esta que se encontra abandonada no Brasil.


Alguns dos pontos principais deste projeto seriam: a alteração da carga horária, o aluno estudaria em período integral (passando de quatro para sete horas dentro de sala de aula), a reformulação da grade curricular agrupando as disciplinas em quatro grandes áreas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, e a inclusão, no último ano do Ensino Médio, de opções como: ênfase em ciências da Natureza, ênfase em ciências humanas ou formação profissional. Mas qual o motivo para uma mudança tão radical?


Pesquisas indicam que a taxa de evasão no Ensino Médio não vem decaindo. Muitos jovens estão abandonando seus estudos, deixando para trás seu direito à educação. Os motivos para o abandono são inúmeros, em primeiro lugar temos a falta de renda familiar brasileira, muitos jovens saem da escola para ajudarem seus pais a terem uma vida melhor. Em segundo, a não obrigatoriedade. Ter o Ensino Médio não é obrigatório, a não ser que você queira continuar seus estudos em algum curso superior. E por terceiro podemos citar a falta de atratividade das escolas em nosso país.


E aí você adulto pensa que estudar é fácil, e coloca a culpa na falta de vontade e dedicação dos adolescentes. Mas, visite as escolas estaduais (as quais oferecem o Ensino Médio) de sua cidade, e você verá como o ambiente é mal preservado. As bibliotecas deixaram de existir na maioria das escolas, as salas são mal iluminadas, e o sistema de ventilação precário.


Temos janelas com grades, seguranças nos portões para evitar a saída dos alunos no horário de aula, a escola perdeu o ar de segundo lar do adolescente, ganhou um ar de prisão. Não é algo que você vai porque gosta, mas porque é obrigado.
Isso sem falar na falta de professores. O aluno chega à escola e seu professor não está lá. Aqueles poucos alunos que vão para aprender saem da sala decepcionados, revoltados. E isso acontece tão repetidas vezes que aquela pequena parcela conquistada mesmo com as dificuldades que encontram, desanimam.


E os professores?
Peça essencial da escola, onde estão? Desamparados, desmotivados, e doentes. O baixo salário, a dificuldade para uma boa formação acadêmica, a superlotação das salas, e a carga horária excessiva. Quantos jovens estudantes que você conhece gostariam hoje de se tornarem professores? Conseguimos contar isso nos dedos de uma mão. Ou nem isso conseguimos. A desvalorização da profissão de docente acaba acarretando mais problemas, ou senão o pior deles para a educação, principalmente no Ensino Médio, onde encontramos as disciplinas de física, química e matemática, áreas essas com profissionais em “extinção”.


Todos os motivos citados são os principais, de inúmeros outros. Mas será mesmo necessária uma reformulação tão radical? Ou será que reformas nas estruturas das escolas, um salário digno para os professores, e tornar o Ensino Médio obrigatório já não solucionaria grande parte do problema? Solucionar as dificuldades que temos deveria ser a principal prioridade, antes de implantar um sistema novo, sem a estrutura adequada para o mesmo, agravando as dificuldades já existentes.

Jessica Pokrywiecki da Costa
Licenciada em Matemática pelo Instituto Federal Catarinense - Campus Camboriú. Professora de Matemática do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
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