Sistema Viário

Sistema Viário
COTIDIANO

O SISTEMA VIÁRIO E SEUS USUÁRIOS

O sistema viário possui estrutura e operação complexas.

Os usuários do sistema viário, geralmente leva em consideração pontos importantes, que influem diretamente na forma de sua utilização. A demanda é por deslocamentos mais rápidos, seguros, diretos e econômicos, porém, estas qualidades não fazem parte da realidade de toda a população.

Buscar deslocamentos eficientes, ou quase eficientes, é uma tarefa mais fácil para pessoas que possuem veículos próprios, que fazem escolhas simples e significativas para o resultado final da viagem, escolhas como horários, trajetos, etc.

A utilização do trajeto favorável, realizado por usuários de veículos privados, tem como consequência o tráfego de vias que não possuem qualquer relação com o seu usuário, servindo apenas de rota para passagem. Em geral, é importante um deslocamento com bom desempenho operacional, mas este é um conceito questionável, variando de usuário para usuário, como rotas com acessos diretos, várias opções viárias, comportamento do veículo dependendo do tipo de via, etc.

A divisão da demanda é o fator que determina o nível de utilização e o desempenho operacional das vias. Tal divisão geralmente alcança um certo equilíbrio quando as vias têm as mesmas propriedades e são capazes de suportar o tráfego.

Analisar o sistema viário é importante na hora de realizar qualquer tipo de intervenção, pois estas podem ter uma ação significativa na qualidade de um trecho, alterando todas as rotas e suas demandas.


PRINCÍPIOS DA HIERARQUIZAÇÃO FUNCIONAL VIÁRIA

As vias são elementos estruturais urbanos que desempenham diferentes funções viárias, que podem ser classificadas de acordo com suas características, seja deslocamento entre locais, circulação, acesso a edificações e ambiente urbano.

É importante esclarecer que as vias não servem apenas os veículos, mas eles se destacam à medida que a cidade se torna mais populosa e com maior número de usuários motorizados.

O pensamento da sociedade tem mudado com relação aos incentivos e priorização de utilização dos ambientes públicos, o trânsito de pedestres, bem como o de ciclistas têm ganhado mais discussão e espaços em projetos de intervenções e implantação de novas vias.

A hierarquização das vias acontece como forma de classificar e organizar o sistema viário, facilitando a resolução de qualquer conflito de função e obtendo maior eficiência, por isso, segue o princípio clássico de hierarquia funcional, definindo a função prioritária de cada elemento do sistema, levando em consideração qualquer transição, gerando um sistema contínuo e balanceado.

A função prioritária da via se dá pelas características mais importantes a serem cumpridas, uma vez que é impossível atender a todas as funções e ser eficiente em todas elas.

A classificação de transição gradativa entre funções acontece quando muda-se de função em trechos que as vias passam a utilizar recursos como a redução de velocidade, o que melhora o entendimento e adaptação dos usuários e a segurança no trânsito.

O sistema viário, quando contínuo em termos de função, minimiza as transições, proporcionando deslocamentos mais eficientes. Já o tipo balanceado é aquele sistema proporcional à demanda de usuários, que tenha condições para a viabilidade adequada da hierarquização funcional.

O desbalanceamento do sistema viário pode causar problemas significativos na sua capacidade de operação e função, fazendo com que seus usuários realizem outras viagens e trajetos, acarretando problemas funcionais para essas vias que ganharam funções que antes não tinham.

A utilização da hierarquização funcional do sistema viário permite melhor planejamento, organização e eficiência, tanto em projetos de criação, como de intervenções, fazendo com que as vias sejam correspondentes com a função e sua demanda, seja de acesso, seja de percurso.


CLASSIFICAÇÃO VIÁRIA


Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, é considerado trânsito toda utilização das vias para “circulação, parada, estacionamento e operação de carga e descarga” (BRASIL, 1997).

Ainda de acordo com o Código, são considerados vias todas as ruas, avenidas, logradouros, caminhos, passagens, estradas e rodovias, bem como praias abertas e vias internas de condomínios.

A classificação viária, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, estabelece as vias urbanas: Vias de Trânsito Rápido; Arteriais; Coletoras; Locais; e as vias rurais: Rodovias; Estradas.

As Vias de Trânsito Rápido foram criadas nos anos 60, nos Estados Unidos, com o objetivo de agilizar deslocamentos diários urbanos de longas distâncias, o que resultou no desenvolvimento dos subúrbios da classe alta da sociedade norte-americana.

Estas vias têm um alto grau de facilidade quanto ao percurso, devido a vários fatores, como o fluxo ininterrupto, aliado à falta de obstáculos, condições adequadas de entrada e saída da via, geralmente por meio de uma faixa exclusiva de aceleração ou desaceleração e condições geométricas de segurança.

O tráfego é composto por automóveis, carga, ônibus e expressos; vias de 2 faixas (no mínimo) por sentido, com largura de 3,60 m; acostamentos com largura de 3,00 m; canteiro central, com 2,50 m de largura, obrigatório; estacionamento é proibido; e a velocidade recomendada de 80 km/h. As Vias de Trânsito Rápido são caracterizadas pelos longos deslocamentos, atendendo grande demanda. Estas vias possuem acessos de trânsito livre, mas sem cruzamentos ou semáforos, nem acesso direto aos lotes lindeiros e a travessia de pedestres deve ser feita em desnível, ou seja, por passarelas ou passagens subterrâneas.

As Vias Arteriais também têm como principal característica o tráfego de passagem, porém estas possuem interrupções, o controle de acesso é parcial e as interseções são em nível e espaçadas, uma vez que quanto maior o espaçamento, maior a eficiência do trânsito.

Com cruzamentos e semáforos, estas vias permitem acesso direto aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, propiciando deslocamentos entre as regiões de uma cidade. Possuem, no mínimo, 2 faixas de tráfego por sentido, com 3,50 m de largura cada e calçadas e 2,50 m. Apesar de não obrigatório, o canteiro central de 2,50 m de largura ainda é recomendado e o estacionamento de veículos também é proibido.

É comum encontrar Vias Arteriais com função estrutural, atendendo e sendo importantes para o funcionamento das cidades. Sua velocidade recomendada é de 60 km/h e o tráfego é feito por automóveis, carga e ônibus.

As Vias Coletoras, com sua velocidade máxima de 40 km/h, têm o objetivo de, como o próprio nome diz, “coletar” e, ainda, distribuir os usuários, auxiliando nas conexões com as Vias de Trânsito Rápido, Vias Arteriais e Locais, o que permite deslocamentos dentro das regiões de uma cidade, além de acesso ao interior da mesma.

Nestas vias, o tráfego é composto por automóveis e ônibus, com interseções em nível e não tão espaçadas como nas Vias Arteriais, possuem 2 faixas de tráfego por sentido, com largura de 3,25 m cada uma, calçadas de 2,50, é recomendável canteiro central de 2,50 m e o estacionamento já é regulamentado.

As Vias Locais são caracterizadas pelos acessos lindeiros e pelas interseções em nível, geralmente o tráfego é por automóveis e com velocidade recomendada de 30 km/h, a sua função é permitir o acesso local. Estas vias possuem faixas simples de 3,00 m de largura e calçadas de 2,50 m de largura; o canteiro central é desnecessário e o estacionamento é permitido.

As rodovias são vias rurais pavimentadas que, quando não sinalizadas, podem ter 110 km/h de velocidade máxima para automóveis, camionetas e motocicletas, 90 km/h para ônibus e micro-ônibus e 80 km/h para demais veículos.

Já as estradas são vias rurais não pavimentadas, e possuem velocidade máxima de 60 km/h.

Algumas classificações quanto às funções denominam as Vias de Trânsito Rápido e as Arteriais como Vias Estruturais, uma vez que estas atendem o deslocamento como função preferencial, já as Vias Coletoras e Locais são denominadas Vias Complementares por atender demais funções. Outras classificações utilizam o padrão físico das vias para determinar particularidades, mas é importante ter em mente a classificação legal (elaborada pelo Código de Trânsito Brasileiro de 1997) e a noção da hierarquização viária anteriormente descrita para controle de ferramentas básicas de entendimento e planejamento do Sistema Viário.

BRASIL. Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro. Brasília, DF, 23 set 1997. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm>. Acesso em: 11 mai 2015.

Caroline Martins Rennó Ramos
Graduada em Arquitetura e Urbanismo; Especialista em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER