Qual é o seu lugar no mundo?

Qual é o seu lugar no mundo?
COTIDIANO
Eu te pergunto, com todas as letras e sons retumbantes das seguintes palavras: qual é o seu lugar no mundo? Hoje logo cedo, quando acordou, o que fez? O que pensou?

O que esperou para este dia e, especialmente, o que desejou de verdade a você? Não pegar muito trânsito, que o dia fosse tranquilo, que continue com saúde, que Deus te iluminasse em mais este dia? Você desejou o lugar-comum. Desculpe a sinceridade doída, mas você desejou o lugar-comum. Todos queremos um dia tranquilo, que Deus nos guie e ilumine, que o trabalho corra bem, e que (por favor!) o organismo funcione perfeitamente, como uma máquina. Todos temos direito a isso!

Mas e aí? O seu espírito te disse o que ele queria? Ele sussurrou, lá no fundo, que queria fazer uma viagem pelo mundo, encontrar um amor profundo e sincero, um olhar diferente para si mesmo, um carinho de alguém muito distante, ou que alguém simplesmente lhe cantasse uma música? Ele te sugeriu um tão perfeito e louco sonho, que você mal consegue pensar a respeito?

Ou que você abrisse mão de um pedaço morto de sua vida para ter um outro exuberante, inovador e... arriscado? Que você tomasse um rumo tão despropositado em seus caminhos empoeirados pela rotina, que seria tão brilhante e extraordinário que as pessoas ririam de você? Que as pessoas te chamariam de inconsequente e infantil?

Que pena que você não pensou essas coisas. Que pena que você pensou em ter “mais um dia normal, Senhor”, que pena que você não pensou no sonho infantil e ridículo do mais íntimo do seu ser, que está tão sufocado que você já não o encontra mais. E que as vontades já nem têm voz, de tanto tempo que ficaram sem poder falar. Tudo isso porque todos os dias o que você pediu para o universo foi mais um dia normal, com saúde, e que tudo corresse nos conformes. Que o chefe não gritasse com você, que o seu cônjuge não reclamasse de passar no mercado, que o cinema não tivesse muita fila, que pudesse somente concluir o curso de inglês.

Tudo bem, você pediu as coisas certas. Certas demais. Previsíveis demais. E ficou na beirada dos acontecimentos, observando, andando pé ante pé. Pisando em ovos para não pisar em si mesmo. Enquanto o mundo girava, ficava de cabeça para baixo, fazia e acontecia. Enquanto as pessoas habitavam e alteravam o seu mundo interno de um jeito que você nem viu passar. Enquanto você tinha mais um dia normal, muita gente veio, passou, foi embora, fez, aconteceu, transformou, encarou. O mundo deu tantas voltas e nunca mais foi o mesmo.

E você acordou todos os dias sem ter acordado. Fez caminhos que nunca levaram a qualquer lugar. Falou e agiu como um fantoche criado por uma ilusão comportamental. Fez tudo certo, claro.

Então, te pergunto de novo: qual é o seu lugar no mundo?

Você é daqueles que sentam atrás para que ninguém o veja, daqueles que sentam no meio para manter certa distância mas poder ver melhor, ou você é aquele que senta na frente do mundo, comandando os que estão atrás?

Preste muita atenção no lugar que você ocupa no mundo. E no que vai fazer quando acordar amanhã, e depois de amanhã, e depois, até quando puder discernir as verdadeiras vontades de seu coração.

E não o lugar-comum.

Estamos combinados?

Bia Cantanti
Formada em Letras, Secretária, blogueira e leitora voraz, escrevo sempre sobre impressões, pensamentos e perspectivas a respeito de vários temas, devido a uma intensa vontade de expressar o que vejo, sinto e apreendo. Desejo transmitir, com palavras assertivas, humor, conteúdo, e provocar reações reflexivas e benéficas nos leitores. Afinal, somos todos pensadores e questionadores por natureza.
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