Terra Sustentável

Terra Sustentável
BIOLOGIA
Andar menos de carro, conter os impulsos consumistas, reciclar embalagens, ter uma horta em casa, tomar banhos mais rápidos, varrer a calçada ao invés de lavá-la... Todas essas são práticas conhecidas, que contribuem para a preservação do meio Ambiente e minimização dos problemas causados pelas mudanças climáticas. Mas será que essas mesmas ações trariam benefícios à saúde do ser humano? Será que elas seriam, ao mesmo tempo, saudáveis e sustentáveis?

Na maioria dos casos a resposta é sim: ao adotar práticas que causam menor impacto ao meio ambiente o corpo também agradece. Por exemplo, com menos poluição o sistema respiratório funciona melhor, facilitando a prática de atividades físicas e, consequentemente, diminuindo o risco de doenças. Logo, a expectativa de vida do indivíduo aumenta e sua qualidade de vida melhora.
A seguir, o nobre leitor conhecerá sete atitudes que, além de recomendáveis para o planeta, também fazem muito bem para a saúde. São elas:

1. Andar Mais De Bicicleta
Esta é uma das melhores formas de tomar uma atitude ao mesmo tempo saudável e ambientalmente correta. Quem anda de bike contribui para diminuir as emissões de poluentes na atmosfera, ao mesmo tempo em que se exercita fisicamente. Mas apenas pedalar não basta! Segundo o médico Reinaldo Donatelli, associado da Rede D’ Or em Santo André, no estado de São Paulo, “é preciso praticar no mínimo uma hora de exercício, três vezes por semana.” Além disso, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou um dado que mostra até que ponto preservação ambiental e saúde estão relacionadas: a investigação mostrou que, se os trens do Metrô de São Paulo deixassem de funcionar por um ano, a quantidade de poluentes emitidos por veículos automotores na cidade aumentaria 75% e causaria mais mortes relacionadas a problemas cardiorrespiratórios, cujos gastos para tratamento dos doentes gerariam um custo excedente de US$ 18 bilhões à capital paulista. Portanto, quem usa bicicleta e deixa o carro em casa está contribuindo tanto com o meio ambiente quanto com a saúde pública.

2. Combater O Consumismo
Quem compra apenas o necessário evita o desperdício. E quem consome menos pressiona a indústria a produzir menos alimentos, diminuindo o gasto de energia e a geração de lixo, o que contribui para a preservação ambiental, já que boa parte das embalagens de plástico, vidro e alumínio, mesmo sendo recicláveis, ainda tem destino incerto em nosso país. Além disso, os alimentos contidos nesses recipientes frequentemente são prejudiciais à saúde e provocam obesidade, problema cujo tratamento custa cerca de R$ 3,5 bilhões anuais ao Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com um estudo liderado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

3. Trocar O Galão Pelo Filtro De Água
Os custos envolvidos na produção de galões de água em todo o mundo são 10 mil vezes maiores do que aqueles relacionados à distribuição de água filtrada. “Atualmente existem cerca de 241 bilhões de litros de água engarrafada em embalagens plásticas no planeta. Levando-se em conta que o plástico demora mais de 100 anos para se decompor e que somente 20% de sua composição é reciclável, o resultado é um problema enorme de entulho e desperdício de material”, afirma Evangelina Vormittag. Por outro lado, os filtros de barro são mais econômicos e costumam fornecer uma água mais pura ao consumidor.

4. Ter Uma Horta Em Casa
Quem cultiva vegetais em casa tem controle sobre toda a cadeia produtiva das hortaliças, legumes e frutas que consome, e isso garante tanto uma alimentação mais saudável bem como um cultivo livre de agrotóxicos. Ademais, pode-se plantar só aquilo que realmente será ingerido, evitando-se, dessa maneira, o desperdício. A horta também ter um caráter pedagógico: as crianças, por exemplo, ao se envolverem no cultivo de vegetais, tomam familiaridade com alimentos mais saudáveis, o que ajuda a combater um dos grandes problemas de saúde enfrentados no Brasil atualmente: a obesidade. “É importante tratar esse assunto com os mais novos, porque essa é uma forte arma contra a má alimentação. Vale lembrar que 50% das crianças brasileiras já sofrem de obesidade”, afirma Evangelina, médica e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade. Enfim, quem não tem espaço para manter uma horta em casa e está disposto a gastar pode optar pelos alimentos orgânicos. Apesar de não serem, necessariamente, mais nutritivos que os convencionais, esses produtos costumam apresentar um diferencial importante: “São mais saudáveis por não terem agrotóxicos”, completa a médica.

5. Mudar Os Hábitos Alimentares
Para aqueles que desejam ser saudáveis e sustentáveis, Evangelina Vormittag sugere uma atitude que pode soar radical a alguns: diminuir ou até eliminar o consumo de carne vermelha. Isso porque a produção desse alimento às vezes está ligada à área de desmatamento clandestino, onde não há compromisso com o reflorestamento, ao contrário do que acontece nas florestas planejadas para serem derrubadas. O professor Guanis de Barros Vilela Junior, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), concorda com a recomendação. Em seu artigo “Sustentabilidade, atividade física e qualidade de vida”, ele aponta a carne vermelha como uma das responsáveis pelo aumento de doenças crônico-degenerativas.

6. Tomar Banhos Mais Inteligentes

A temperatura ideal é aquela próxima a do corpo ou um pouco mais baixa. Água muito quente faz mal para a pele. Uma boa dica é fechar todas as janelas e portas antes de entrar no chuveiro, para isolar o banheiro termicamente. Assim, fica mais fácil tomar um banho mais saudável e econômico: você primeiro se enxágua, depois desliga a ducha e somente então se ensaboa. Fazendo isso, além de poupar água ainda se mantém limpo, sem reduzir tanto o tempo do banho.

7. Varrer Ao Invés De Enxaguar

Em dias secos é difícil abrir mão daquele balde de água para limpar a calçada em frente de casa – mangueira aberta, nem pensar. Até porque só o ato de varrer a sujeira pode levantar poeira, o que é prejudicial às vias respiratórias. Uma boa saída para resolver esses problemas é usar vasilhas com água no quarto na hora de dormir, o que, além de aumentar a umidade do cômodo, ainda facilita a respiração. Depois de quatro ou cinco dias, pode-se utilizar essa mesma água pra, juntamente com a vassoura, deixar as calçadas mais limpas. Dessa forma, além de você economizar o líquido, ainda contribui para a manutenção da via, e não prejudica a saúde. Isso sem falar que quem varre a entrada da casa toma um pouco de sol, o que traz benefícios para a pele.

Nélio Soares Machado
Mestre em Ensino de Ciências, Especialista em Educação e Promoção de Saúde pela UnB; Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas; Bacharel em Gestão Pública; Escritor e Professor da Secretaria de Educação do DF, com experiência na área de Educação e Promoção de Saúde, com ênfase em Ecologia e Sustentabilidade. Site pessoal: www.neliobio.wix.com/sustainability Canal: www.youtube.com/neliobiosoares
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