Pepraparo de medicamentos homeopáticos- método hahnemanniano e korsakoviano

Pepraparo de medicamentos homeopáticos- método hahnemanniano e korsakoviano
FARMACIA

Antes de mais nada, para compreendermos o que é medicamento homeopático e como são preparados, precisamos voltar na história, ao tempo de Hahnemann. Ele não foi o - descobridor - da Homeopatia, mas podemos considerá-lo seu - pai -, a figura que realmente sistematizou o método de tratamento através da Lei da Semelhança.

A idéia de curar através da Lei da Semelhança já existia, era anterior a Hahnemann. Ele tornou-a possível, estabelecendo um método terapêutico adequado para sua aplicação. Para isto, determinou uma técnica de preparo de medicamentos específica, propondo também sua forma de uso.

A idéia era utilizar uma substância que provocasse sintomas semelhantes aos observados no indivíduo doente. Porém, se fosse usada uma grande quantidade desta substância, o resultado seria tornar o indivíduo, já doente, ainda mais doente, e com os mesmos sintomas. Portanto, Hahnemann pensou em usar a mesma substância (Lei da Semelhança), porém em quantidade pequena, bem pequena mesmo.

Desta forma, ele começou a diluir as substâncias que tencionava utilizar. Todos nós temos porém a noção de que, se usarmos uma quantidade MUITO pequena, a ação da substância deve diminuir, e talvez até desaparecer. Quando Hahnemann começou a diminuir a quantidade, percebeu isto também. Observador atento, notou também que, AO AGITAR a solução - talvez de forma intuitiva, talvez no início apenas para bem homogeneizá-la - ela, em vez de perder sua força, pelo contrário, tornava-se mais potente, mais ativa. Apesar de conter cada vez menor quantidade da substância inicial, a solução parecia adquirir uma - força -. A este processo conjunto, de diluição e agitação, Hahnemann deu o nome de dinamização, lembrando - dynamo -, ou força. Chamamos de potência ao número de vezes que a substância foi dinamizada. Quanto mais dinamizada, maior a potência do medicamento. Do ponto de vista homeopático, dizemos que, quanto mais dinamizado (e portanto mais diluído), mais potente é o medicamento. Do ponto de vista clínico, também mais potente ele será.

Os medicamentos homeopáticos são (quase sempre) dinamizados, isto é, a substância original é diluída e agitada. Para que isto ocorra, partindo de uma substância com a qual preparemos um medicamento, temos que considerar se ela é solúvel ou não. Para afirmarmos se esta solubilidade ocorre, é importante admitirmos quais solventes podem ser utilizados: os tradicionalmente usados são a água, o álcool etílico e a glicerina. Quando a substância não for solúvel nestes solventes, precisaremos lançar mão de outra estratégia, que será a trituração.

Na dinamização, usamos uma solução hidroalcoólica para diluir (frequentemente álcool a 30%) e movimentos de - batida - contra um anteparo semi-rígido para agitação. Chamamos este processo de agitação de sucussão. Se uma substância é solúvel em água ou álcool etílico, puros ou combinados, ela será dissolvida, na proporção de 1%, e agitada 100 vezes. Em seguida, nova diluição e 100 agitações.

Já o processo de trituração será aplicado para substâncias insolúveis. Neste caso, usaremos a lactose para - diluir -. Para agitar, usaremos o movimento de triturar a substância entre o pistilo de porcelana, contra as paredes do recipiente, um gral de porcelana. A trituração é feita também na proporção de 1% da substância ativa em lactose. Divide-se a lactose em 3 porções. Toma-se cada uma destas porções, coloca-se no gral de porcelana e tritura durante 6 minutos. Como a mistura da lactose com a substância fica fortemente aderida nas paredes do gral, é necessário raspar, com uma espátula também de porcelana, as paredes do gral, fazendo com que a lactose possa ser novamente triturada, por mais 6 minutos, e novamente raspada. Adiciona-se o segundo terço da lactose, repete-se o procedimento. Adiciona-se o terceiro terço da lactose e repete-se, pela última vez. Assim, depois de 1 hora, obtemos a primeira trituração – centesimal – da substância. Fazendo isto mais uma vez (mais uma hora) e ainda outra vez (uma terceira hora), chegamos à terceira trituração centesimal da substância, que pode ser solubilizada em solução hidroalcoólica. A dinamização continuará então conforme já descrito acima, através da diluição e da agitação.

Quando partimos de um vegetal ou animal, podemos triturá-lo, porém usualmente preparamos uma tintura, isto é, uma extração alcoólica da substância. Como esta tintura será diluída e dará origem às dinamizações (seus - filhotes -), ela é chamada de tintura-mãe. A tintura-mãe é feita colocando-se a substância em contato com solução alcoólica de graduação adequada para que os princípios ativos da planta sejam retirados, passando para a solução. É o mesmo princípio das populares - garrafadas -. Chama-se - tintura - porque extrai também princípios ativos coloridos, formando um líquido colorido. As tinturas são usadas de forma pura, porém para Homeopatia, são diluídas em soluções hidroalcoólicas e agitadas, isto é, dinamizadas.

As diluições podem ser feitas em diferentes proporções ou escalas. A mais comum é na proporção de 1:100, também chamada escala centesimal. Para faze-la, usamos 1 parte da droga para 99 partes de solução água/álcool. É a mais comum entre nós e foi preconizada por Hahnemann. O médico alemão Hering, introduziu a escala decimal, preparada na proporção de 1:10, isto é, 1 parte da substância medicinal para 9 partes de solução hidroalcoólica.

Este é chamado de método hahnemanniano, também chamado de - frascos separados -. As agitações podem ser feitas manualmente (através de movimentos ritmados do antebraço, de batida contra o anteparo) ou através de um equipamento chamado de - braço mecânico -, quando uma máquina tenta reproduzir o movimento do braço. É uma técnica simples, porém, demorada e trabalhosa. Os medicamentos assim produzidos são chamado de CH, porque foram diluídos através da escala centesimal (por isto C) e método hahnemanniano (H).

Quando se pergunta até que potência uma substância pode ser dinamizada através do método hahnemanniano, a resposta é... depende. Depende do tempo disponível, do número de funcionários, da proposta de trabalho da farmácia. Alguns farmacêuticos propõem-se a dinamizar até a 30CH, outros chegam à 200CH, outros sobem alguns medicamentos até a 1000CH ou mesmo seguem além.

Para obter potências superiores, existem outras possibilidades. Há muitos anos, o russo Korsakov imaginou um método mais prático, menos trabalhoso para dinamizar. Propôs que se diluísse a substância, sucussionasse e depois disso, vertesse o conteúdo do frasco aberto, deixando que escorra todo o conteúdo. Desta maneira, resta no frasco 1% da dinamização anterior. Depois disso, novamente enchemos o frasco, sucussionamos e esvaziamos. Fazemos isto sucessivamente, até a potência K desejada, chamado esse de método korsakoviano.

Existe ainda outro método mecânico para preparo de altas potências, que é o fluxo contínuo. Trata-se de um equipamento mecânico, composto de uma câmara de vidro, onde ocorre a dinamização. Aí é colocada a dinamização 30CH da substância a ser dinamizada. Nesta câmara há entrada de água (o diluente) de modo contínuo, e também um orifício para saída da água. Uma haste de vidro, com uma pá na extremidade, gira em torno de si mesma, produzindo a agitação. Ligamos a agitação (isto é, ligamos o motor) ao mesmo tempo que abrimos a entrada de água. Desta maneira, a diluição e a agitação iniciam-se ao mesmo tempo. Diferente do processo do método hahnemanniano, agora a diluição é contínua, e daí o próprio nome do processo, fluxo contínuo.

A água destilada vai diluir a substância, que é colocada já na potência 30CH. O motor possue um eixo, que gira, provocando um movimento. Esta agitação, mais a entrada de água, vão provocar uma dinamização. Conhecendo a rotação do motor e o volume de água que passa pelo sistema, podemos calcular o tempo necessário para obter altas dinamizações, de forma mecânica, mais fácil e rápido do que o sistema manual.

O método korsakoviano, também apelidado de método do frasco único, foi criado em 1832, por um oficial médico do exército russo, nascido em 1788 e falecido em 1853. Korsakov trabalhava no próprio campo de batalha e sentiu necessidade de simplificar o método hahnemanniano, de molde a poder minimizar o padecimento de um grande número de doentes e feridos. Para tal, preconizou a utilização de um mínimo de frascos e um manuseamento célere. Hahnemann, que teve conhecimento do método, testou-o e admitiu que era tão eficaz quanto o seu.

No método korsakoviano, face à simplicidade de procedimento, e à eficácia das substâncias diluídas e dinamizadas por este método, tendo ainda em conta a consideração de que em isoterapia – ou isopatia – são as 200 K as que produzem melhores resultados, dedicaremos um artigo a esta matéria.

Por: Dra. Amarilys de Toledo Cesar
Fonte: BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) Homeopatia Brasil

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