O valor medicinal da Tanchagem (Plantago major L.)

O valor medicinal da Tanchagem (Plantago major L.)
FARMACIA
É originária da Europa e vegeta espontaneamente em nosso país, especialmente em terrenos úmidos e climas temperados. Existem muitos tipos de tanchagem, sendo o Plantago major o de maior valor medicinal.

Pesquisas com pólen de P. major demonstraram que esta planta foi introduzida nos países Nórdicos paralelamente a sua introdução nos campos de cultivo primitivos, há cerca de 4000 anos atrás. Os índios a chamavam de “pegada de homem branco”, porque era encontrava em todos os lugares na Europa.

O seu uso na medicina popular, como cicatrizante, é muito antigo, e está descrito na “Matéria Médica” do médico grego Dioscórides, do século I. Há registros também do uso das folhas de P. major pelos Vikings em ‘Volsuga saga’. Foi descrita na “Flora Danica” (SIMON PAULLI, 1648), e na “The Complete Herbal” (NICHOLAS CULPEPER, 1649).

Um estudo etnofarmacológico recente mostrou a dimensão do uso de P. major em todo o mundo, e para várias doenças. Dentre as indicações para afecções da pele, pode se destacar o seu emprego no tratamento de: abscessos, acne, processos inflamatórios, picada de abelha, queimaduras, leishmaniose cutânea, como desinfetante para feridas, emoliente, em exantema, e cicatrizante. Relacionado com problemas respiratórios é indicado para: resfriados, como expectorante, doenças pulmonares, asma e bronquite.

Quanto a problemas digestivos está indicado para: constipação, diarreia, aftas e úlcera. Para problemas no sistema urogenital como: indutora de aborto, contraceptiva, infecções do trato urinário e vaginites. Problemas circulatórios: na diabetes, edema, hemorroidas e como diurético. As indicações em relação ao sistema nervoso são ainda como: analgésico e antipirético. Outras indicações ainda constam, tais como: antineoplásico, antimalárico, anti-helmíntico e para picada de cobras (SAMUELSEN et al, 2000).

Composição Química
Dentre os diversos compostos que são encontrados na espécie Plantago major, destacam-se aqueles que possuem atividades biológicas.

Os lipídeos são extraídos das sementes, sendo que 64,8% deles são constituídos de ácidos graxos insaturados. Um ácido saturado, o ácido araquídico, é isolado somente das sementes de P. major, não sendo encontrado em outras espécies de Plantago.

Das folhas frescas de P. major pode-se extrair até 0,18% de lipídeos, e nestes são encontrados principalmente os ácidos graxos insaturados: linolênico (18:3), ácido palmítico (16:0), e um ácido graxo saturado. Na cera das folhas encontram-se principalmente ácidos triterpênicos livres, os ácidos oleanóico e ursólico e hidrocarbonetos alifáticos, contendo entre 27 a 33 átomos de carbono.

Diversos flavonóides foram isolados da P. major. Entre estes estão a luteolina 7-glicose, hispidulina 7-glicoronil, luteolina 7-diglicose, apigenina 7-glicose, nepetina 7-glicose, luteolina 6-hidroxi, 4’-metroxi 7-galactose, plantaginina, homeoplantaginina, baicaleína, e a hispidulina, além de outros os quais não tiveram suas estruturas elucidadas. Muitos flavonoides possuem atividade antioxidante, sendo exemplos destes encontrados na P. major a baicaleína, hispidulina e a plantaginina. Dois destes, a bacaleína e a hispidulina, possuem atividade anti-inflamatória, comprovada para a baicaleína, pela inibição da formação do edema de pata de rato, provocada pela administração de carragenina, 12-lipoxigenase e LPS. A hispidulina mostrou-se inibidora da 5-lipoxigenase, e a baicaleína hepatoprotetora contra lesões induzidas por CCl4 em ratos.

Nas sementes encontram-se alguns açúcares como a glicose, frutose, xilose e ramnose, sucrose e um trisacarídeo, denominado planteose. As folhas possuem polissacarídeos com atividades biológicas, dos quais dois deles, a galactoarabinan e a galactan, são utilizados no tratamento de úlceras e são conhecidas como “plantaglicídeo”. Outro polissacarídeo, denominado PMII, possui a capacidade de ativar o sistema complemento para via clássica, atuando profilaticamente contra infecções causadas por Streptococcus pneumoniae, testada em camundongos (SAMUELSEN et al, 2000).

Foram isolados de diferentes tipos de extrato o etil e o metil éster do ácido caféico, os ácidos clorogênico e neoclorogênico, além do plantamajosídeo e o acetosídeo, também denominado verbascosídeo. O plantamajosídeo produziu ação inibitória sobre o edema de orelha de camundongos, induzido por ácido araquidônico antioxidante. O acetosídeo apresentou atividade antioxidante, inibiu ainda a aldose redutase e a formação de ácido 5-hidroxi-eicosa-tetra-enóico (5-HETE), e possui outros efeitos como antibacteriano, imunossupressor, analgésico e anti-hipertensivo (SAMUELSEN et al, 2000).

São também denominados princípios amargos, e o principal composto desta classe encontrado na P. major é a aucubina. Sua concentração varia muito com as estações, atingindo maior concentração durante o mês de junho. Esta possui atividade anti-inflamatória, comprovada pela inibição do edema de orelha de camundongos, induzido pela aplicação de TPA (acetato de 12-O-tetradecanoilforbol).

Possui também atividade espasmolítica sobre a concentração uterina, induzida por acetilcolina em ratas, é um antídoto para envenenamento por cogumelos amanita (α-amanitina), hepatoprotetora contra danos causados pelo CCl4 e possui ainda antiviral contra vírus da hepatite B. A genina da aucubina possui atividade antimicrobiana contra bactérias e bolores.

As folhas frescas de P. major contêm teores variados de vitamina C e carotenóides (B-caroteno, principalmente), dependendo da idade da planta. Contêm ainda pequenas quantidades de ácido oxálico, nitratos e ácido erúcico.

Terpenos foram isolados da cera das folhas de P. major, constituído na sua maioria de triterpenos, sendo os principais os ácidos oleanólico, ursólico e 18 β-glicirretínico, além do sitosterol. Os ácidos ursólico e oleaólico inibiram a cicloxigenase 1 e 2 em estudos realizados in vitro, tendo como mais efetivo o primeiro. Possuem ainda efeito hepatoprotetor e anti-hiperlipidemia.
O mecanismo pelo qual os terpenos da P. major exercem o efeito anti-inflamatório não é totalmente esclarecido, porém sabe-se que envolve a inibição da liberação de histamina pelos mastócitos, inibição da enzima proteolítica elastase e inibição da atividade do sistema complemento (SAMUELSEN et al, 2000).

Atividades farmacológicas
As indicações de Plantago major na medicina tradicional são várias, algumas destas já foram comprovadas por estudos científicos. As indicações comprovadas foram: atividade antitumoral, imunomoduladora, antimicrobiana, hipoglicemiante, hipotensiva, antioxidante, antiulcerogênica, analgésica e anti-inflamatória.
A atividade anti-inflamatória foi demonstrada pelo método experimental de edema de pata de rato, induzido por carragenina, em que o tratamento por via oral com o extrato causou inibição, e no edema provocado por dextrana, o extrato não foi efetivo. Estes dados sugerem que o mecanismo esteja relacionado com a inibição da síntese de prostaglandinas (bloqueio de cicloxigenase) e não com a atividade histaminérgica.

A inibição na formação de exsudato e da mobilização de leucócitos, induzida pela aplicação de carragenina intraperitoneal, indica ainda que o mecanismo de ação esteja relacionado aos mesmos desencadeados pelos anti-inflamatórios não esteroidais (AINES).

A atividade analgésica foi demonstrada para o extrato aquoso, através da inibição das contorções induzidas pela aplicação de ácido acético no peritônio, semelhante aos AINES. O extrato não teve efeito no teste de tail flick, o que indica que ele não tem ação analgésica semelhante aos opióides.

Devido às mucilagens das suas folhas, exerce uma ação protetora das mucosas inflamadas e das vias respiratórias, impedindo a atividade de substâncias irritantes e promovendo a diminuição do processo inflamatório. Tem a propriedade de destruir um grande número de microrganismos e estimular a epitelização. Age sobre as vias respiratórias protegendo a mucosa e auxiliando a expectoração.

Os taninos conferem a propriedade adstringente, formando revestimentos protetores, atenuando a sensibilidade e dificultando infecções, além de proporcionar uma ação hemostática.

As folhas possuem ação antidiarreica, por diminuir a irritação da mucosa intestinal. Por outro lado as sementes são laxativas, por absorver grande quantidade de água, estimulando o peristaltismo.

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